segunda-feira, 12 de outubro de 2020

A ilusão de um Estado ser laico...

 Depois dos programas de televisão de ontem à noite, praticamente três horas só de misticismo, metafísica, mistérios, milagres, fé, devoção, promessas, masoquismo, show de obscurantismo, pedagogia do absurdo e etc, também na cidade de Guadalupe, no México, nas paredes de um estacionamento, apareceu a imagem de la Virgen de la Anunciación.  Acreditem. E os mexicanos,  - diz meu correspondente - de todas as etnias e classes sociais, estão alucinados e acodem para o local em prantos e loucos para saber notícias do paraíso e se a santa teria chegado de carro?... Inacreditável! 

Onde acabaremos desse jeito e com essa loucura? 

E o estado laico? É isso que nos espera depois da pandemia?

E esse desvario serve para ilustrar que é ridículo e ingenuo seguir lutando por um Estado e por uma educação laica, se os meios de comunicação, - as verdadeiras escolas na América Latina e nos continentes subdesenvolvidos - continuarem livres para domesticar e catequizar suas plateias.

Duvido que mesmo as divindades tenham algum dia imaginado que as coisas chegariam a tanto...  E claro, devem estar apavoradas com toda essa bovinização...

Enfim: leio aqui em meus alfarrábios: "a gente pode se insurgir contra as injustiças, mas não contra a fadiga e a usura do mundo..."


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 Um de meus correspondentes me lembra deste pensamento de Milorad Pavitch::

 "Só se pode ser um grande cientista ou um grande violinista quando se é apoiado por uma das grandes internacionais do nosso mundo: Internacional judaica, Islâmica ou Católica. Eu, como não pertenço a nenhuma, não estou em lugar nenhum. Entre meus dedos, todos os peixes escorregaram há muito tempo"




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