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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

APARECIDA ESTÁ BOMBANDO...

 Pelo fato do Santuário Nacional de Aparecida, neste final de semana ter batido o recorde de visitas, DEZ MILHÕES de romeiros (quinhentos mil a mais que dezembro de 2009) meu correspondente do Mato Grosso, indignado, enviou-me a seguinte reflexão:

[Com cada vez mais devotos fazendo romaria e ORANDO no "Santuário Nacional de Aparecida" é para se suspeitar que as coisas não andam bem neste país sarneyco... porque SOMENTE OS INFELIZES e EGOÍSTAS BUSCAM DEUS e seus "agentes" fora das suas próprias consciências (ou coração, como diz o Datenão da Band - já que não as possuem), para tentar resolver os "seus" problemas mais mundanos e mesquinhos: de dinheiro, de saúde e até de relacionamentos com parceiros. Desta forma, nada mais fazem que demonstrar a negação e um claro desrespeito à "clarividente justiça divina", colocando o "Altíssimo" ao nível das suas próprias misérias morais! Senhor, a culpa é Sua, por lhes conceder o "livre arbítrio"!... Perdoai-os por tanta estupidez!!! E... por favor, não esqueça o da Band...]

domingo, 5 de dezembro de 2010

O repórter Datena e os ateus...

O Ministério Público Federal determinou nesta semana que o Sr Jose Luiz Datena (aquele gorduchinho e falastrão da Bandeirante) se retrate perante os ateus pelas bobagens preconceituosas e beatas que emitiu durante seu programa. É inacreditável que as concessões de TVs continuem sendo feitas a energúmenos e a manipuladores das massas sem nenhum controle social. Mas assim mesmo acho a decisão do MPF uma bobagem tola. Ao invés de obrigá-lo a retratar-se, deveria obrigá-lo a demonstrar em público que suas crenças teístas têm algum fundamento ou então, que tivesse que discursar pelo menos uns quinze minutos sobre seu Deus sem repetir a baboseira infame, infantil e mercantil que todos conhecemos. Claro que seria um fiasco espetacular. É impressionante que essa gente que defende a idéia de um Deus nesses moldes praticamente primatas acredite que seria amparada por ele. Duvido! Não é possível que uma divindade, fosse a que fosse, viesse a ser condescendente com esse tipo de picaretas e de alienados...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

PEDOFILIA: pouca gente lembra que Papa é a conjugação do verbo papar na terceira pessoa...

Enquanto o Papa – por orientação de seus marqueteiros - vai dando a volta ao mundo e pedindo perdão às crianças enrabadas por “membros” do clero, nas paróquias daqui e dali, nas periferias, nas províncias e nos vilarejos de analfabetos, indiferentes a todo o teatro papal os padrecos continuam papando criancinhas, coroinhas e até mesmo algumas desavisadas beatas. Os ingressos para a missa que rezou em Birmingham custaram mais de trinta dólares. Que tal a nova forma de busine$? Sua permanência na Inglaterra não foi muito tranqüila, principalmente depois de cinicamente tentar ligar os ateus ao nazismo. No vídeo abaixo podemos ver o biólogo Richard Dawkins (autor do livro Deus um delírio) relembrando-lhe algumas verdades:



segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Um Deus das aberturas, das cavidades e dos buracos, um Deus que não simpatiza com os cus sujos...

 Um correspondente enviou-me um vídeo com uma coletânea de golpes que os pastores aplicam diariamente por aí em seus miseráveis seguidores, golpes tipo, “pacotinhos de cimento”, de “pó consagrado”, de “perfumes milagrosos”, “sais santos”, “terrenos no céu”, “óleo de Israel” etc., etc., e inclusive umas garrafas com “água santificada”. É curioso que o mesmo Estado e os mesmos governos que vivem correndo atrás de umas gramas de maconha, de uns papelotes de cocaína ou de meia dúzia de CDs pirateados fiquem indiferentes diante de tantos estelionatos. No referido vídeo existe uma outra curiosidade imperdível, um médico-pastor ensinando aos fiéis técnicas para lavarem-se o cu e quase insinuando que os cus sujos não entrarão facilmente no Reino dos Céus. E o pregador (como pode-se ver no vídeo abaixo) não faz rodeios, projeta uma imagem do respectivo buraco num telão para que os senhores e as senhoras beatas não fiquem com dúvidas a respeito dos assépticos procedimentos. Todo mundo que viu o vídeo ficou escandalizado, mas por puro preconceito e por pura ignorância, pois os buracos do corpo não são tão desprezíveis como se pretende, tanto é que mesmo lá no sofisticado livro de orações dos judeus (o Sidur) existe mais uma curiosidade escatológica sobre o assunto, uma oração que é rezada compulsivamente por eles assim que o sol nasce e que diz o seguinte: [Bendito sejas, nosso Deus, Soberano do Universo, Que moldaste os seres humanos com sapiência e criaste neles muitas aberturas e cavidades. É óbvio e conhecido, diante de Teu Trono de Glória, que basta apenas que uma delas se rompa, ou que um desses buracos fique bloqueado, para tornar-se impossível sobreviver e estar diante de Ti, que curas toda a carne e ages através de atos maravilhosos].


Y asi se van los dias...

http://www.youtube.com/watch?v=RVMxe_QQ3Fc&feature=PlayList&p=AF6E24DBCEAA3A76&playnext=1&index=61

sexta-feira, 9 de julho de 2010

UM CRISTO SEXUADO CAUSA NOVO TERREMOTO EM PORTUGAL...

Só o terremoto de 1755 em Lisboa parece ter causado mais estragos que a edição da última PlayBoy portuguesa. Mesmo com um histórico respeitável de anticlericalismo a sociedade e a beataria por lá estão em polvorosa com a série de fotos que misturam nudez e sexualidade com cristianismo. E a repercussão foi tanta que a matriz da revista nos EEUU, num surto de hipocrisia luterana, pretende até cancelar contrato com a filial lusitana. Na revista em questão um dublê de Cristo aparece ao lado de mulheres semipeladas e inclusive assistindo com o maior interesse ao conluio amoroso e libidinoso entre duas lésbicas etc. A idéia de pauta desta revista de punheteiros, segundo os editores, seria apenas "ilustrar" passagens de um dos livros mais mistificados de Saramago, aquele intitulado O evangelho segundo J.C. Mas deu no que deu. Claro que não é de hoje o conflito da humanidade envolvendo sexo, extase e religião. Volta e meia alguém retoma esse assunto através da arte, do cinema, da filosofia ou mesmo na vida real, o que sempre detona nas massas a mesma neurose de angústia, o mesmo espanto e a mesma ambigüidade recheada de libido, culpa e mortificação. Aliás, pode-se dizer que tanto o catolicismo como as outras seitas menores que vieram ao longo dos séculos pisoteando o desejo, o prazer e o gozo, paradoxalmente, não fizeram mais do que incrementar as perversões e fomentar inovações no universo das psicopatologias e da fornicagem. Vejam como as cenas do filme, no endereço abaixo, exploram bem essa temática.

http://www.youtube.com/watch?v=ANXkzIwoKX8

Ezio Flavio Bazzo

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Jezabel, Elisa e os Rottweilers...

Enquanto a policia confinava os Rottweilers e procurava pelos ossos de Elisa, dizem que o goleiro do flamengo, já preso, pediu uma bíblia e fez uma oração antes de repousar. O que existiria nesse livro que todos os condenados e os encarcerados pedem imediatamente um exemplar? E mais, como é que os carcereiros sempre arranjam um por lá e com tanta rapidez? Duvido que se pedissem 120 dias de Sodoma ou A Cabala – por exemplo - suas demandas seriam atendidas com tanta presteza. No caso desse crime, dá até para desconfiar que a bíblia tenha servido como inspiração aos assassinos, já que numa de suas estórias Jezabel (princesa fenícia) também é assassinada, defenestrada e comida pelos cachorros. O autor, lamentavelmente, não faz nenhuma referencia ao pedegree dos animais.

Obs: No que se refere a crimes hediondos, aqueles que quiserem se manter atualizados devem andar sempre com o Velho Testamento em baixo do braço.

 Ezio Flavio Bazzo

domingo, 18 de abril de 2010

FINALMENTE, ALGUÉM ME CONVENCE DA EXISTÊNCIA E DA FORMA DE DEUS...

Ontem, em pleno sábado, elegeram o novo governador do DF que, a partir de amanhã, gerenciará não apenas as chaves dos cofres, mas comandará as polícias e todos os demais órgãos opressores que constituem o Estado. Os mesmos energumenos que passaram as últimas décadas fazendo demagogia e proselitismo a respeito da "democracia" forjaram uma "eleição indireta", idêntica àquela do período ditatorial. Aliás, todas as eleições são indiretas. Pense, por exemplo, nos atuais candidatos à presidência da república. Quem os escolheu?  Quem os autorizou? Quem os legitimou? De onde vieram? Que lei e que lógica obrigam ao populacho votante depositar "confiânça" e "esperânça" em um deles? Pura impostura! 

E a cidade está ansiosa para as festas do dia 21 de abril, quando Brasília completará 50 anos. Auge da menopausa, com todos os sintomas que se conhece. Por todos os lados tendas, barracas, shows, circos, exposições, filmes, palestras, palhaços nos semáforos, poemas, fotos, declarações de amor, bandos de ingenuos simulando felicidade pelas entrequadras desse  "autorama stalinista"- como declarou recentemente um dos ministros de turno. Povera gente!

Mas isso tudo é bobagem, faz parte do show. O que importa mesmo é que meu correspondente me enviou um vídeo, (veja no endereço abaixo) onde em alguns segundos, dois pensadores filosofam e chegam a conclusão não apenas da existência, mas inclusive do enigmático formato divino.


http://www.youtube.com/watch?v=ZGgJhMu2dUk

domingo, 11 de abril de 2010

A SÉTIMA ARTE, SEUS TRAPACEIROS E OS ESPÍRITOS...

Mesmo morto, Chico Xavier continua “bombando” no país. A mídia resolveu faturar sobre sua “aura”, ou melhor, sobre seus ossos. Além das 400 “psicografias” e do filme que já está sendo exibido por aí, outros cinco estão sendo produzidos, todos sobre a mesma etérea e pueril temática do “espírito”, essa falácia que dá a ilusão de mais fôlego e de mais longevidade aos náufragos. Chacalismo esotérico! Bovinização! Ração para patos! E o mais curioso, é que vemos cada dia mais os ignorantes e os alienados se expandirem em círculos como as bactérias. Vidas intrincadas! Mas como esse Ser poderia ser diferente, levando um bilhão de Escherichia coli nos intestinos? E atenção: isto que escrevo também está sendo psicografado. De quem é o espírito? Anônimo. Com a pretensão de extrair algum saber do além, pergunto: Diga-me três regras para conquistar a sabedoria na terra. E ele me responde com os mesmos chavões manufaturados dos pastores e dos beatos da esquina: fé, amor, compaixão. Que pobreza e que mesmice deve ser também lá pelo abismos do além! Não satisfeito, peço que me diga o que os políticos cariocas fizeram com o dinheiro com que deveriam ter saneado os morros, que me descreva superficialmente a Teoria da Relatividade ou até mesmo a fórmula química da água. Ele não sabe e fica em silêncio. Será que também passou pela escola pública? Será que o “espírito”permanece alienado e analfabeto até mesmo depois da “ressurreição” e da “reencarnação”? Que mundo fraudulento, para não dizer flatulento!

domingo, 4 de abril de 2010

SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO... E OS OVOS...

Acreditando que a sexta-feira era realmente dedicada à paixão, um senhor andarilho e uma senhora mendiga não se intimidaram em fazer sexo em plena luz do dia ali na esquina da Catedral. Surpreendidos, tiveram que vestir os farrapos às pressas e ainda experimentar a “paixão” canina e laica das botas de dois PMs. Nos arredores, crucificam novamente a Cristo. Já assisti esse capítulo umas cinqüenta e seis vezes. E os sádico-masoquistas estão sempre lá, aos milhares. Enquanto isto, o Vaticano faz o que pode para justificar a “comilança” de bambini pelo mundo. É uma visão ingênua achar que a igreja e o celibato são usinas de taras e de pedofilia. Não. Pelo contrário. São os problemáticos, os perversos e os pedófilos que vão fundar igrejas, militar dentro delas, recrutar semelhantes, abusar deles e fazer apologia do celibato. E depois, todos sabem que a “abstinência” é a forma mais sofisticada de lascívia. Do jeito que as coisas vão, a igreja católica só conseguirá sobreviver se seus exegetas alterarem rapidamente algum versículo – como já fizeram centenas de vezes – atribuindo a algum ignorante chefe de tribo de então,  uma insinuação ou um código messiânico qualquer que autorize, em casos excepcionais, de preferência em nome da Santíssima Trindade, o abuso de crianças. E Deus, com seu silêncio cumplice? Que reflexão estaria fazendo a respeito da patifaria de seus gerentes? Arrependido de ter colocado uma cloaca e oito centímetros de pele no meio das pernas dessa gente? Ou apenas achando isso tudo muito engraçado?

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

HAITI: "As provas de que Deus não protege a humanidade estão por toda parte".

No café da esquina dei de cara com um sujeito que há muito está em conflito com sua fé. Hoje estava particularmente desolado com o terremoto do Haiti. Trazia um jornal amassado sob o braço e exibiu-me com horror aqueles montes de cadáveres pelas ruas de Porto Príncipe. 
 
Como já sabe meu conceito sobre “teístas” e “religiosos” sentou-se a meu lado, pediu-me paciência e foi logo desembuchando: Não pense que caí no ateísmo, mas confesso que estou duplamente confuso com meu deus. Primeiro, por ter matado de forma tão cruel e bárbara além de milhares de miseráveis, a Zilda, uma de suas mais devotas beatas e dedicadas militantes. E segundo, como teve a falta de ética e o descaramento de, depois de destruir completamente a cidade deixar incólume e ilesa, no meio dos escombros, a cruz onde seu filho estava crucificado?
 
Fiquei em silêncio, e ele, me olhando nos olhos, exigindo uma frase, uma ironia ou mesmo uma blasfêmia. Pensei em listar-lhe as últimas vinte ou trinta desgraças planetárias, cada uma com milhares de crentes despedaçados, mas quando percebi que sua ansiedade estava no limite perguntei-lhe se lembrava da frase de Sam Harris que em outra oportunidade eu já lhe havia recitado. Moveu negativamente a cabeça. Tomei o último trago de café e a repeti no ritmo de uma oração: [Se Deus existe, se é ao mesmo tempo onisciente e onipotente, ou Ele não pode fazer nada para impedir as mais terríveis calamidades ou então Ele não tem interesse nisso. Portanto, ou Deus é impotente, ou então é mau]. 

Ficou imóvel. Seus olhos se encheram de brilho. Até a música caipira que vinha do subsolo parecia um cântico gregoriano. Esperei uns segundos e concluí: Por mais doentia que seja a fé não é mais possível ignorar que: ou Ele é menos que uma falha tectônica ou Ele têm um caráter sanguinário.

Ezio Flavio Bazzo

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

CREIO, EXATAMENTE PORQUE É ABSURDO...

Meus correspondentes em Londres me informam que na semana passada um ateu foi preso na periferia de Madri e condenado a um ano e dez meses de prisão. Motivo: interrompeu um batizado coletivo de crianças e (exatamente na hora em que os beatos declaravam ao padre que ACREDITAVAM em algo, por mais absurdo que fosse) começou a gritar: NÃO CREIO! NÃO CREIO! As testemunhas, a polícia e o próprio servo de Deus disseram que, além dessa blasfêmia, o ateu Raul C.P. chamou o batizador de “homo afetivo” e o mandou se foder.

Só quem já viveu na Espanha pode imaginar a repercussão que esse fato deve ter tido na comunidade em geral, mas principalmente nos porões da Opus Dei. A Espanha, Portugal e Itália são os países europeus mais infectados por religiosidades. Apesar da beleza, da história, dos vinhos e da modernidade aparente, a vida privada e íntima naqueles países guarda muito do catastrofismo medievo e das choradeiras das catacumbas. É curioso que proíbem em coro o consumo de álcool, de crack, de cocaína, de maconha, o roubo, a infidelidade, a corrupção, o estelionato, o “caixa-dois” o canibalismo, a eutanásia, que proíbem dirigir bêbados, jogar lixo nas ruas etc, mas deixam qualquer demente inventar solenemente uma religião, abrir um templo e dopar ao bel prazer a seu rebanho. Sim, é curioso que o tabu da “liberdade de crença” ainda não tenha sido visto como um dos maiores absurdos civilizatórios, ele que dá legitimidade a todo tipo de crapulices e que coloca em risco, descaradamente, a integridade mental de nossas crianças.

Ezio Flavio Bazzo

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Enfim, a liberdade de Cristo!

Finalmente a justiça italiana mandou retirar medalhas e crucifixos das escolas, tribunais e de outros espaços públicos. Demorou séculos, mas conseguiu transpor a idéia infantil de temor e de blasfêmia. Imagino a choradeira que deve estar acontecendo no âmago das catacumbas ambulantes. Aqui em São Paulo já foi dada a mesma ordem. Daqui a uns dias o povo também poderá ver-se livre desse acosso moral. Para o próprio Cristo será um alívio! Só falta agora retirá-lo da cruz. Estar ali nas delegacias (vendo toda aquela jagunçada criminosa); estar lá nas paredes dos tribunais e do Congresso Nacional (assistindo diariamente a toda aquela mentirada infame); estar lá nas escolas (sendo testemunha e até cúmplice de toda aquela baboseira que é administrada sobre as crianças); estar atrás das portas das zonas (ouvindo os gemidos da meretrizes e os berros de seus clientes) não deve ser nada agradável. Como nada neste mundo se move sem o consentimento de Deus, de seu filho e de outros chefões cósmicos, é provável que todos tenham interferido (por debaixo dos panos) sobre essas decisões judiciais. Dura Lex sed Lex!

Ezio Flavio Bazzo

sábado, 18 de julho de 2009

Deus, o Papa e as forças ocultas da gravidade


Até os mais céticos e os mais descrentes estão curiosos para saber por que razão, Deus – que supostamente comanda tudo no universo, desde o suspiro de uma mosca até o estrondo dos maremotos – teria passado uma rasteira em seu representante maior e o derrubado de cara no banheiro. Como o Sumo Pontífice está passando férias em Les Combes, como o acidente foi de madrugada e a lesão foi no pulso direito, os mais maliciosos começam a insinuar que o castigo de Deus pode ter algo relacionado à luxúria e ao onanismo. Mas, hoje pela manhã as beatas da esquina já estavam se mobilizando e pedindo para que todos rezem pelo rápido restabelecimento papal. Mas como? Indagou-lhes um cético. Não foi Deus quem soltou sobre ele a força da gravidade exatamente para quebrar-lhe os ossos? Rezar pelo seu restabelecimento não seria então fazer cumplicidade com o condenado, contrariando os desígnios divinos? Ah, resmungaram as pobres senhoras, só sebemos que se não fosse Deus ele poderia ter até se quebrado a clavícula, o fêmur, o crânio, e até mesmo morrido!

Essa dialética bovina lembra o dia em que João Paulo II foi baleado em Roma e se atribuiu sua sobrevivência à intervenção de Nossa Senhora de Fátima. Naquela época a beataria também esteve convicta de que uma mão materna desviou a bala e não permitiu que ela atravessasse o pulmão do suplente de Pedro. Mas por que a mesma “mão materna” não estrangulou o atirador logo de cara ou não fez a pistola falhar? Confesso que tenho sentido cada dia mais piedade dessas imensas manadas de religiosos que fazem de tudo para seguirem enganando-se mutuamente. Às vezes, quando sou obrigado a acotovelar-me com alguns desses mentecaptos enovelados em suas crenças e em suas mentiras costumo repetir-lhes a pergunta de Dawkins: E se Deus for um cientista que considera a busca honesta pela verdade a virtude suprema?

Ezio Flavio Bazzo

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Ao invés da religião ser uma neurose, é a neurose que é uma religião


Aqueles que no domingo passado já ficaram perplexos e atordoados ao verem escrito na camisa de alguns jogadores: I love Jesus, e logo em seguida aquele bando de néscios de joelhos e de mãos dadas rezando no meio do campo, terão uma semana inteira de surpresas e de novas histerias com o funeral do frágil e pequeno camaleão. Aliás, pelas revelações que estão sendo feitas a seu respeito e pelo andar da carruagem seria bem melhor que o enterrassem logo se não quiserem que até seus fãs (essa legião de idiopáticos que contaminou o planeta) comecem a decepcionar-se. Acho até que deveriam sepultá-lo junto ao esqueleto do Elvis Presley para, além de turbinar o fanatismo, misturar de vez em quando as romarias e os rebanhos. Quanto aos gringos e suas tolas manias de amontoar ursinhos, bibelots, brinquedos, legendas luteranas, garrafas, velas, lágrimas, bíblias, juras de amor e outras bobagens no pórtico dos defuntos, não é novidade para ninguém que sempre trataram suas crianças como se fossem adultos (veja-se o consumo absurdo de ritalina entre eles) e seus adultos como se fossem crianças. Enfim, qualquer um que ainda não tenha sucumbido à bovinização coletiva sabe que o pobre Michael Jackson ao invés de um IDOLO é apenas um SINTOMA.

Ezio Flavio Bazzo

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Pirenópolis: a descida do Espírito Santo sobre o Rio das Almas


Muitos casais de forasteiros que no passado vinham montar suas barracas nas encostas do Rio das Almas e que passavam a semana inteira trepando (ela com uma flor de Pequi no meio das tranças e ele com um baseado pela metade entre os dedos), agora vêm timidamente apenas pedir alguma graça na Festa do Divino. Dois ou três empadões goianos, duas horas de joelhos no interior da Matriz (já refeita do incêndio), muita nostalgia e nada mais. Pirenópolis já foi um vilarejo perdido no sertão goiano, uma antiga mina de ouro onde, durante décadas, se pisotearam e se locupletaram bandeirantes, jesuítas e portugueses gananciosos, negros escravos e índios deslumbrados. Foi a construção de Brasília que deu novamente vitalidade a esse vilarejo. Os hippies povoaram singelamente suas montanhas, a Serra dos Pireneus repletas de quartzito, bem como suas cachoeiras cristalinas nos anos 80 e hoje, um pernoite numa pousada aqui custa mais que em uma pousada de luxo em Praga, e em plena primavera. Mas é um dos poucos lugares do mundo onde ainda se pode ouvir os galos cantando lá pelas cinco horas da madrugada, onde ainda há lagartixas nas paredes e a madeira dos móveis tem o cheiro do cerrado. Desde 1819 se realiza esta festa por aqui. Uma tentativa inconsciente de manter vivos os preconceitos religiosos e os abusos sociais da velha e retrógrada monarquia lusitana. Nesta data chegam até a eleger um imperador. O que foi eleito hoje é o de número 192. A ida do Imperador de sua casa até a igreja é feita numa procissão, nos moldes da que se fazia em Lisboa e com uma troupe de virgens à frente, todas de branco e com no máximo dez anos. Pelo jeito não era apenas Salomão que gostava de ver-se cercado por elas. A cidade está agitada. O programa é intenso. A grande maioria que ir ver as cavalhadas, uma representação quase infantil da briga entre Carlos Magno e os mouros (Cristo e Maomé) que haviam dominado a chamada Península Ibérica. Mas o mais fascinante e transcendente desses dias são os mascarados, esses anônimos que em seus cavalos andam bebuns e anárquicos em disparadas pelas ladeiras. Cabeças de tigre, de macacos, de cavalos, defuntos, demônios, caveiras etc., desde seus disfarces parecem tomados por uma agitação e uma ansiedade incurável. Só param de vez em quando para arrumar uma ferradura ou então nas portas dos botecos para implorar um trago ou uma moeda. Com suas feições zoomórficas assustam as madames mais distraídas, espiam o interior das casas pelas janelas, interrompem o trânsito, vão ao rio dar de beber a seus sedentos e exaustos cavalos e, de tão bêbados, muitos acabam o dia como pêndulos sobre eles. É quase impossível definir o efeito das máscaras ( principalmente das demoníacas) sobre nossas emoções e sobre nossos sentimentos. Mesmo sabendo o pedigree de quem está por debaixo delas, impossível relacionar-se com “esse olhar que não olha” – como dizia Octavio Paz - sem ficarmos meio hipnotizados e meio abobalhados. Do lado do mascarado, é como se viesse esse murmúrio: “Ah, se eu pudesse ser outro! Mas não há esperanças! Sou o que sou; como poderia libertar-me de mim mesmo?”

Ezio Flavio Bazzo

sábado, 11 de abril de 2009

Histórias e estórias de paixão


Nesta “Sexta-Feira Santa” cruzei as montanhas goianas ainda de madrugada, com a neblina ocultando os barrancos e as pastagens para vir até aqui na cidade de Trindade ver o teatro da chamada Paixão de Cristo. Não, não pensem que descambei para a demência da fé, trata-se apenas de um interesse sócio antropológico.

Nem se compara ao ritual de Planaltina e muito menos ao de Pernambuco. Aqui tudo é de uma singeleza quase palpável, e por isso mesmo, talvez, mais real. Quando cheguei a Vía Sacra – que acontece ao longo da Rodovia Goiânia/Trindade - já estava na Quarta Estação que, por ironia, fica quase em frente ao Motel Faraó. A Quinta Estação, uns quilômetros mais adiante, fica em frente a uma fábrica de cerveja e a Sétima Estação, onde Cristo foi pregado à cruz, bem na esquina do Vip Motel. Coincidências – talvez demoníacas - que tentaram misturar o profano e o sagrado do começo ao fim da encenação. O sujeito que fazia o papel de Cristo tinha uns olhos profundos e melancólicos como se realmente tivesse sido vendido por uma bagatela e o pior, por um de seus mais queridos comparsas. Quando passou ao meu lado deu-me uma olhada como se eu fosse a reencarnação de um dos lacáios de Pilatos.

O que a mim chamava mais atenção naquele teatro metafísico era a convicção da turba que ia atrás do Cristo gritando: Morte! Morte! Queremos sua morte! Queremos sua morte! Uns pareciam realmente transtornados, sedentos por sangue e dispostos a matar alguém, outros, haviam tomado uns tragos e estavam apenas fazendo pândega, enquanto os que haviam sido contratados seguiam o script com mais sobriedade. O efeito de seus gritos, da música e da voz de um coroínha juntos sobre a platéia que se amontoava curiosa e sádica pelos barrancos da rodovia era visível. Os mais velhos, claro, choravam. Pareciam sentir os chicotaços que os sujeitos fantasiados de soldados romanos desferiam nas costas do nazareno. Os mais jovens, ficavam circunspectos. Apenas as bailarinas que se insinuavam executando a dança do ventre sobre um tablado pareciam imunes àquele clima emotivo. Aliás, esta foi a primeira vez que vi colocarem bailarinas e cortesãs com pouca roupa em cena no roteiro do calvário. Enquanto as fotografava veio-me à memória um texto de Lenin sobre a emancipação feminina onde ele afirmava categoricamente que a revolução não tolera estados orgiásticos.

Quanto aos dois ladrões que já estavam há mais tempo amarrados e ensanguentados em suas cruzes, ninguém parecia dar-lhes muita importância, afinal, quem é que não tinha um irmão, um pai, um tio ou simplesmente um conhecido no presídio de Goiânia ou mesmo em casa, já que neste dia muitos presos haviam se beneficiado com o indulto de Páscoa? Quando pulei o cordão de isolamento para fotografar os ladrões mais de perto, um adolescente meio alcoolizado aproximou-se para dizer-me: o nome do da direita é Renan e o da esquerda é Jader. Enquanto vou me acotovelando no meio da turba, travestido ora de fotógrafo ora de padre e enquadrando os mais fanáticos e mais exóticos em minha câmera vou pensando na tese de Lucy Brown, exatamente sobre a paixão, publicado no Journal of Neurophysiology: “Estado emocional geralmente marcado por uma dose generosa de irracionalidade e desejos incontroláveis, a paixão exibe um perfil neuronal semelhante ao de situações como sentir fome, ter sede ou ser viciado em algo, como jogar ou usar alguma droga. Isso ocorre numa área do cérebro dos mamíferos que toma conta das funções mais básicas e inconscientes, como comer, beber, movimentar os olhos".

Me distraí por uns momentos e quando percebi o Cristo já estava lá no alto da cruz travando um diálogo com a soldadesca. Depois lhe enfiaram uma lança no lado esquerdo do peito por onde escorreu um líquido cor de vinho que algum herege da multidão apressou-se em gritar que era mercurio cromo. Em seguida lhe passaram uma esponja molhada nos lábios, momento em que lançou uma crítica violenta e colérica contra seu Pai, por tê-lo abandonado à fúria da turba asquerosa, e morreu.

O cenário encheu-se de fumaça e de raios. Ouvi os soluços de uma senhora que levava uma sombrinha preta. Os soldados e os demais comediantes se colocam de joelhos, em silêncio, como se uma culpabilidade aterradora tivesse despencado sobre suas consciências.

Eram exatamente 13:30 horas. Um sol cancerígeno queimando as carnes daquela gente. Distraio-me novamente com a turba e quando volto a atenção para o cenário já estão baixando o corpo morto da cruz e entregando-o a uma mulher melancólica vestida de azul. Sua mãe ou Maria Madalena? No hotel consultarei o Google. Enquadrei o rosto doloroso daquela pobre mulher e a face ensanguentada daquele pobre homem. Aquela cena também todo mundo já estava careca de ver em seu cotidiano. Nesta guerra civil em que vivemos quem é que não tem um filho, um pai, um marido ou simplesmente um vizinho assassinado?

A imprensa falada, escrita e fotográfica se lança sobre a cena final como um bando de chacais… O padre agradece a presença de todos, mas principalmente aos colaboradores, aos patrocinadores, aos politicos influentes e aos beatos incansáveis que, durante séculos, não desistem de encenar, de graça e por pura desesperança, essa estória de luxúria e de horror.


Ezio Flavio Bazzo

sexta-feira, 6 de março de 2009

Galos, aborto, bispos e excomunhão


O sujeito que há alguns anos atrás foi acusado de vender gabaritos de concursos públicos aqui no DF agora também está sendo procurado por ter em sua chácara uma criação de galos de briga. Em pequenas gaiolas e cheias de amor próprio, com suas esporas e bicos pontiagudos, aquelas aves sanguinárias olhavam desconfiadas para os agentes da lei como se intuíssem o pior para o patrão foragido. Nesse mesmo dia os gestores e os bispos do catolicismo excomungaram uma menina de nove anos e os dois médicos que abortaram seus gêmeos, filhos do padrasto que a havia acossado sexualmente e estuprado. Se o cinismo em geral parece não ter fim, o da igreja, em particular, se aproxima cada vez mais do inimaginável. Essa confraria do Vale de Lágrimas que fica insistindo na apologia da miséria e na manutenção de fetos a qualquer custo, finge esquecer que na Europa, entre o fim do século XV e o final do século XIX, cerca de 9 milhões de mulheres e crianças foram mortas por ela e por seus lacaios sob a acusação de bruxaria. Fazem de conta que não sabem que com todo o apoio da igreja cristã, essas mulheres eram estupradas, torturadas com instrumentos horríveis, forçadas a confessar crimes sexuais, mutiladas e queimadas vivas. Era bastante comum que mulheres e meninas de até cinco anos fossem acusadas de copularem com o demônio. Algumas vezes as meninas sofriam tantas torturas que chegavam a pensar que era realmente o diabo que as estavam torturando. - Ah, mas isto tudo foi no passado! Ouço uma voz cavernosa e fresca vindo dos fundos da sacristia...

Ezio Flavio Bazzo

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Religion is das Opium des Volke


"Se 50 bilhões de pessoas acreditam em uma coisa estúpida,
essa coisa continua sendo uma coisa estúpida."
Anatole France


Nas últimas décadas - por sorte - o mundo não viu apenas o crescimento vertiginoso de religiões, de sectarismos, de seitas, desvarios místicos e de fundamentalismos associados à submissão, ao terror e à fé. Vem testemunhando também a contra investida de livres pensadores, de líderes laicos, filósofos e intelectuais ateus de todos os matizes que, cientes de que as religiões podem ser extremamente nefastas e maléficas acreditam que é possível ser honesto, ético, verdadeiro, menos salafrário, criativo, competente e até mesmo espiritualista sem Deus. No meio de uma bovinização sobrenatural e mística de causar espanto, esses estudiosos vêm produzindo importantes trabalhos - sobre a religião, a fé e a crença num suposto Deus que, do anonimato, gerenciaria o mundo - fazendo-nos tomar consciência de que por debaixo da aparente democracia do velho axioma "religião e política não se discutem" havia - e há - um sutil artifício de censura e de interdição do esclarecimento pessoal que pode muito bem ter sido responsável pelo estado de alienação e de atraso em que os países latinos em geral - e o Brasil em particular – se encontram atualmente, tanto no universo da política como no da religiosidade. A crença num ou noutro Deus ou em nenhum, a filiação a esta ou àquela religião ou a nenhuma, tem sido o motivo principal daquelas tão bem conhecidas discórdias e mixórdias que vieram pelos séculos a fora regando a terra de imposturas e de sangue.

Entre os livros recentes, traduzidos para o português, podemos mencionar Deus, um delírio, do biólogo norte americano Richard Dawkins, Carta a uma nação cristã, do filósofo de Stanford, Sam Harris, e o Espírito do ateísmo, do pensador francês André Conte-Sponville. Três ensaios mais do que oportunos que, sem nenhuma sisudez e sem nenhuma fobia conectam-se entre si principalmente pela consciência de que o ateísmo não é o fim do mundo e que o fanatismo e o irracionalismo religioso são igualmente insalubres tanto para a civilização como para as sociedades. Além dos esclarecimentos concernentes à crença no suposto Design Inteligente, o que é precioso nesses livros é tanto a sinceridade como a objetividade com que os autores tratam os absurdos, os erros, as ficções, as irracionalidades e as neuroses inerentes às crenças no sobrenatural que, mesmo estando presentes em todo o planeta, inclusive em países influentes como os Estados Unidos, causam muito mais estragos naqueles atascados na pobreza e no subdesenvolvimento. Para Harris, o fato de quase a metade da população norte americana ainda acreditar na vinda do Messias, na idéia de que o mundo está prestes a acabar – e mais – que o fim será glorioso deve ser considerada uma emergência moral e intelectual.

Além do resgate das idéias anticlericais e ateístas clássicas, esta tríade de pensadores contemporâneos chama atenção para o fato de que tanto a pregação da intolerância religiosa contra os "infiéis" e contra os "ateus", como a interpretação ao pé da letra dos ditos livros sagrados, além de desrespeitar a liberdade individual e de interditar os avanços das Ciências podem colocar em risco até mesmo a sobrevivência da humanidade. Neste particular, - sem falar do dogmatismo religioso a respeito de questões como o aborto, a transfusão de sangue, o uso de preservativos, as células tronco etc. -, é importante lembrar que em muitas daquelas escolas primárias dos EEUU onde a Bíblia é usada como livro didático, continua sendo proibido mencionar o nome de Darwin assim como fazer menção às suas teorias evolucionistas. Daí o espirituoso alerta de Harris: "Os que têm o poder de eleger presidentes, deputados e senadores – e muitos dos que são eleitos – acreditam que os dinossauros sobreviveram aos pares na arca de Noé, que a luz de galáxias distantes foi criada a caminho da Terra e que os primeiros membros da nossa espécie foram modelados a partir do barro e do hálito divino, em um jardim com uma cobra falante e pela mão de um Deus invisível." E o mais bizarro de tudo isso, é que esse Deus absconditus tem sido o motivo principal de muitas chacinas, de muitas imposturas e de incontáveis sofrimentos. Se pelo menos aparecesse, desse uma pista aos homens de pouca fé. Mas não, prefere o anonimato e a clandestinidade. Insiste em habitar no invisível, fato que para o filósofo Sponville, é simplesmente espantoso. Um Deus que se esconde com tanta obstinação! "Seria mais simples e mais eficaz – diz – Deus consentir em se mostrar, pois se quisesse que eu acreditasse nele resolveria num instantinho esse assunto. (...) Um Deus oculto! "Os humanos só se escondem quando têm medo ou vergonha. Mas Deus?" Para Dawkins, um dos efeitos verdadeiramente negativos da religião é que ela nos ensina que é uma virtude satisfazer-se com o não-entendimento. Sim, a religião permite – segundo também Harris – que as pessoas imaginem que suas preocupações são morais quando não são – isto é, quando elas não têm nada a ver com o sofrimento ou com o alívio do sofrimento. A religião permite que as pessoas imaginem que suas preocupações são morais, quando na verdade são altamente imorais – isto é, quando insistir nessas preocupações inflige um sofrimento atroz e desnecessário em seres humanos inocentes.

Mas ser ateu não é necessariamente uma opção glamurosa e nem tão fácil como se pode pensar. Pesquisas tanto lá nos Estados Unidos como aqui no Brasil e em outros países já demonstraram que a população que votaria num candidato ateu à Presidência da República – por exemplo - é mínima e que os eleitores elegeriam com muito mais tranqüilidade (apesar do racismo e da homofobia vigente) um candidato que fosse bandido, negro ou homossexual. "Se você tem razão ao acreditar que a fé religiosa oferece a única base real para a moralidade – escreve Harris -, então os ateus deveriam ser menos morais do que as pessoas de fé. Na verdade, os ateus deveriam ser totalmente imorais. Será que são mesmo? Será que os membros das organizações de ateus nos Estados Unidos cometem crimes violentos em proporção maior que a média? Será que os membros da Academia Nacional de Ciências, dos quais 93% não aceitam a idéia de Deus, mentem, enganam e roubam deslavadamente? Podemos estar razoavelmente seguros de que esses grupos se comportam pelo menos tão bem quanto à população em geral." Não tenho uma idéia muito elevada da humanidade em geral e de mim mesmo em particular para imaginar que um Deus esteja na origem desta espécie e deste indivíduo, - declara Sponville para explicar seu ateísmo. E é esse mesmo filósofo materialista e racionalista que acredita que prescindir de religião não o obriga a prescindir de espiritualidade e que ser ateu não significa abandonar seu espírito aos padres, aos mulás ou aos espiritualistas. Intervenções como a de Harris e a de Sponville bem que poderiam induzir o universo religioso a ser mais tolerante para com os céticos e com os ateus, pois está provado, por um lado, que o ateísmo é compatível com as aspirações básicas de qualquer sociedade civil, e por outro, que a crença generalizada em Deus não é garantia para a saúde física e nem para a saúde mental de ninguém, pelo contrário. Entre seus correspondentes Harris lembra que os mais mentalmente perturbados sempre citam capítulos e versículos bíblicos. Em Carta a uma nação cristã, o filósofo norte americano lembra ainda que embora se acredite que acabar com a religião é um objetivo impossível, é importante perceber que ele já foi alcançado por boa parte do mundo desenvolvido. Noruega, Islândia, Austrália, Canadá, Suécia, Suíça, Bélgica, Japão, Holanda, Dinamarca e o Reino Unido estão entre as sociedades menos religiosas da terra. De acordo com o Relatório do Desenvolvimento Humano das Nações Unidas (2005), essas sociedades também são as mais saudáveis, segundo os indicadores de expectativa e vida, alfabetização, renda per capita, nível educacional, igualdade entre os sexos, taxa de homicídios e mortalidade infantil. Inversamente, os cinqüenta países que ocupam os lugares mais baixos, segundo o índice de desenvolvimento humano das Nações Unidas, são inabalavelmente religiosos.

Enfim, as leituras aqui mencionadas são obrigatórias a qualquer um, - ateu ou crente - que queira estar à altura de sua época, pois o dogmatismo e o obscurantismo são temas aos quais ninguém em sã consciência pode ficar indiferente. É chegado o momento do sujeito tomar as rédeas de sua vida nas próprias mãos e daqueles que quiserem compreender as sutilezas e os truques do processo de fanatização e de massificação que tanto tem empobrecido a existência, lembrarem que quando se leva as vítimas (principalmente crianças, miopes e ignorantes) por um caminho já conhecido elas não percebem que as estamos levando para uma armadilha. "Seria um erro abandonar o terreno para eles" diz o filósofo francês, sem saber que nosso Congresso Nacional, nosso Supremo, nossa Imprensa, e nossas TVs já estão completamente tomadas. "A luta pelas Luzes continua, raramente foi tão urgente, e é uma luta pela liberdade."

Para aqueles que não vivem sem álibis e que estão acostumados a fazer jogo duplo com tudo, inclusive com as coisas da eternidade, Dawkins lembra que quando perguntaram a Bertrand Russel o que ele diria se morresse e se visse confrontado por Deus, exigindo saber por que Russel nunca acreditou nele, este teria respondido: "Não havia provas suficientes".

Ezio Flavio Bazzo

sexta-feira, 14 de março de 2008

Ante Projeto de Lei


Nós, da Ateus Sociedade Anônima, por conhecermos as regras e as leis que regem o Estado, por não acreditarmos que o universo seja regido e controlado por algum tipo de divindade ou força sobrenatural e, principalmente, por sabermos o quanto as religiões, as seitas e confrarias do gênero são maléficas para a saúde mental das pessoas em geral, mas especialmente para a saúde mental das crianças, exigimos do governo que:


1.Providencie a retirada de qualquer símbolo religioso das repartições públicas. Seja ele o conhecido crucifixo, o pedestal da Bíblia, as estrelas de David, os Patuás, as velas acesas atrás das portas etc;

2.Proíba a doação de terrenos públicos para a construção de igrejas e de templos a qualquer tipo de religião ou confraria esotérica;

3.Inclua no currículo escolar do primeiro grau a matéria "folclore" através da qual se dará às crianças a oportunidade de conhecerem a história de todas as religiões que se têm notícias até agora. Que inclua também uma outra matéria através da qual se ensinará aos alunos os contextos históricos e os processos etno-mentais que deram origem a cada uma das religiões;

4.Impossibilite que pais, tutores, professores ou religiosos iniciem crianças com menos de quinze anos em qualquer tipo de religião. A mesma lei que regulamenta a pedofilia e a exploração sexual de crianças deve regulamentar a exploração de suas crenças e de sua fé.

5.Exclua a frase "COM A GRAÇA DE DEUS" ou "SOB A PROTEÇÃO DE DEUS" de todo e qualquer ritual jurídico, policial, parlamentar ou burocrático. Aquele que por demagogia ou acosso moral fizer uso desse instrumento, seja em política ou em instâncias judiciais, será considerado antiético e deverá ser afastado por charlatanismo.

6.Impossibilite que qualquer sujeito que se intitule pastor, padre ou coisa semelhante possa candidatar-se a cargo político e muito menos que receba concessão de rádios, de televisões etc, e que dirija instituições filantrópicas. As pregações religiosas que atualmente infestam as televisões do país devem ser consideradas propaganda enganosa tão ou mais perniciosas que a apologia da merla.

7.Interdite o direito de exercer a profissão a aquele professor, médico ou outro profissional de saúde que, valendo-se da assimetria a seu favor, assediar ou coagir alunos ou pacientes com doutrinamentos religiosos ou qualquer outro tipo de insinuações teístas ou de ordem sobrenatural.

Ezio Flavio Bazzo

segunda-feira, 3 de março de 2008

Abuso da fé Pulblica


Quero solidarizar-me com o italiano Luigi Cascioli que lá na cidade de Viterbo, está processando a igreja por crime de propaganda enganosa e obrigando-a, através da lei do Abuso da fé Pública a provar historicamente a existência de Jesus. Se nossas leis são extremamente severas e rigorosas com relação à falsificação de dinheiro, de remédios,de raízes, de alimentos etc, é mais do que evidente que ela deve sê-lo também com relação às falsificações relativas às crenças, ao charlatanismo místico generalizado e às manipulações espirituais de massa. Que a fé seja um assunto íntimo e pessoal de cada um, estamos todos de acordo, agora, a liberdade para engendrar a fraude quem bem se entender, para prometer milagres e recompensas celestes aos pobres beatos, institucionalizar o assédio religioso, o acosso moral, a chantagem emocional e a comercialização dessas ficções neuróticas, isto já é um problema que afeta, humilha, envergonha e adoece a toda a humanidade.

Ezio Flavio Bazzo