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sexta-feira, 11 de junho de 2010

ORDEM, PROGRESSO, SEXO & PHODER... II

Com a recente comemoração dos 50 anos de Brasília não foram poucos os confetes e as serpentinas lançados sobre a efígie de JK. Entre os mais acalorados e subservientes elogios estava sempre a anedota do “sedutor”, do “mulherengo”, “comedor” etc. Sabemos que quando esses adjetivos são atribuídos a um fodido qualquer, logo se lhe imputa também a pecha de tarado, perverso sexual, assediador barato e até mesmo de estuprador, mas, que quando se trata de uma autoridade, alguém que controla as chaves de algum cofre, todo mundo acha o “maior barato”, inclusive “as vítimas”. Mas isto não é novidade. Até lá na solidão das tribos foi sempre assim, ao “chefe” cabia o direito até de providenciar o defloramento das meninas e das noivas. Voltando a falar dos “estadistas”, Idi Amin Dada – por exemplo – não apenas “comia” a mulher de seu país que quisesse, mais inclusive devorava literalmente as mais apetitosas. Mobuto, o presidente do Zaire virou até folclore pelo significado de seu nome: Mobuto Sese Seko Kuku Ngbendu Waza Banda, que quer dizer: “O galo que vai de galinha em galinha sem cansar-se”. E até o Papa sabe que na época em que il Signore Berlusconi ainda nem havia perdido o cabaço, o ditador Mussolini (Il Duce) já “comia” uma mulher diferente por dia lá no Palazzo Venezia di Roma. Durante os 14 anos em que esteve no poder, o garanhão fascista teria enrabado umas cinco mil, mulheres que escolhia a dedo nas ruas enquanto passeava em seu Alfa Romeu vermelho. Era conhecido como “O falo em chefe”. John F. Kennedy, o presidente norte americano que quase foi canonizado nos quartéis e nos parlamentos desvairados da América latina, e que quando criança era masturbado por Marlene Dietrich e quando presidente papava secretamente a Marylin Monroe, também gostava de exibir-se como um papa-néctar, apesar da loira tê-lo acusado de ejacular precocemente. Depois de sua morte, sua mulher correu para os braços de outro poderoso, colecionador de amantes e dono de ilhas gregas etc, etc, etc. Y asi se van los dias en este mundo peniscêntrico, sem falar daquele infeliz presidente francês (Françoise Faire) que em 1899 morreu engatado a uma mulher de bordel. Dizem que foi necessária uma cirurgia para retirar o órgão petrificado do presidente preso no interior da xota contraída da mademoiselle.
Enfim, apesar de todas as opiniões em contrário, a vida masculina (da ralé à elite) se reduz ao seguinte: como fazer para melhor descarregar os sessenta e quatro litros de sêmen que produzirá durante sua vida. Curiosamente, a quantidade exata para encher o tanque de um Passat...


quarta-feira, 9 de junho de 2010

ORDEM, PROGRESSO, SEXO & PHODER...

Nós últimos dias a testosterona (ou o viagra) parece ter transbordado nas artérias nacionais. Primeiro, o Ministro da Saúde prescreveu sexo como truque preventivo na hipertensão. Depois, o treinador da Seleção liberou os jogadores para licenciosidades nos intervalos e no início da semana um deputado propôs no Congresso Nacional que se institua o Dia do Sexo. Só faltou algum padre no confessionário prescrever umas sessões de onanismo como penitencia. Isto, sem falar da Parada Gay do domingo que aglutinou alguns milhões nas ruas de SP (praticamente só homens) onde se fazia abertamente apologia dos mais variados tipos de “intercâmbios” libidinosos. Um forasteiro que por acaso assistisse a essa aparente liberação nacional talvez sentisse medo de ser estuprado ou, até mesmo de ser obrigado a estuprar alguem. Mas não é bem assim. Apesar do blábláblá e da verborragia dos garanhões, sabemos que a sexualidade e a obsessão por phoder, apesar de ainda continuar sendo um assunto exclusivamente masculino está na base de quase todos os conflitos e de quase todos os transtornos psicossomáticos, fazendo com que a grande maioria continue por aí transitando neuroticamente da negação à compulsão.
Além disso, uma curiosidade: mesmo o clitóris sendo o único órgão com função EXCLUSIVA de prazer, as mulheres continuam mudas e na sombra a respeito dessa temática. Tentem imaginar uma “ministra”, uma “técnica” ou uma “deputada” fazendo as proposições acima mencionadas, ou mesmo imaginem uma passeata com 3 milhões só de lésbicas. O moralismo e a angústia vigentes não dariam conta e o mundo viria literalmente abaixo.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

BRASILEIRA DÁ SHOW GENITAL NO III SALÃO ERÓTICO DO PORTO...

Meu correspondente em Portugal acaba de enviar-me uma matéria transcendente intitulada: a xota continua a máquina mais poderosa e infernal, referente ao EROS PORNÔ 10, que acontece de 4-7 de fevereiro lá no Pavilhão Multiusos de Gondomar.
 
Trata-se de uma brasileira de 35 anos que mora na cidade do Porto e que teria batido o recorde ao fazer sexo com mais de 700 homens em dois dias. Em entrevista a um jornal local, a fulana teria garantido aos repórteres que adora sexo e que sua pretensão é chegar a trepar com dois mil devoradores de sardinhas, num período semelhante. Que tal o desempenho de nossa representante tupiniquim entre os bravos lusitanos? 

Apesar de bravuras como esta, nossos sociólogos ainda continuam mergulhados em suas complexas e custosas pesquisas para descobrirem os motivos pelos quais cada vez mais os aposentados de Portugal abandonam suas velhas lá nas cercanias do Tejo e se mudam para as idílicas e ensolaradas costas brasileiras. 

O quase brocha Fernando Pessoa, se ainda estivesse por lá, com certeza resmungaria: Ah, [... E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil. Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita!].

Ezio Flavio Bazzo

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

As coxas da estudante Geisy, na Uniban, e o curso de masturbação na Espanha

Já dura vinte dias a polêmica sobre a estudante da faculdade de turismo de SP, que foi “expulsa” por ter ido às aulas metida numa exuberante mini-saia. Ontem mesmo, aqui em Brasília, os universitários fizeram uma marcha, nus, em apoio a ela. Venha para a UnB – dizia um cartaz -. Senadores subiram ao púlpito para fazerem defesa da moça. Reitores falaram sobriamente sobre o assunto. As feministas despacharam milhares de e-mails e de torpedos para a gerontocracia que controla o Estado e até alguns religiosos defenderam de cabeça erguida o direito sagrado de exibir sutilmente os fundilhos. Enquanto isso, lá no país de Cervantes, a Secretaria de Educação e Juventude da Província de Extremadura promove o curso: “O prazer está em suas mãos”, através do qual, jovens de 14 a 17 anos aprendem truques e técnicas masturbatórias. Além do prazer sádico de ficar assistindo desvarios desse tipo, tanto o de lá como o daqui, nos fazem lembrar que o suposto progresso humano é uma farsa. Que apesar das inovações tecnológicas e do teatro da modernidade, continuamos sendo os mesmos idiotas das cavernas e que, definitivamente, ainda não sabemos o que fazer com a região peluda, inflável e libidinosa que levamos entre as pernas.

Ezio Flavio Bazzo

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Queda de Wilhelm Reich e ascensão de Salvador Dali

Você que está preocupado (a) com seu desempenho genital, você que tem dado apenas uma e com muito esforço a cada fim de mês, ou apenas uma a cada início de primavera, relaxe. Não é tão grave. Duas notícias recentes podem amenizar teu sentimento de ser o único sujeito do planeta que caminha a passos rápidos para a morte do desejo ou para a indiferença (leia-se impotência ou frigidez). Primeira: Vera Fischer (que continua sendo símbolo sexual e inspiradora do onanismo de muita gente) acaba de declarar em entrevista pública que está há dois anos sem entregar-se aos desvarios da luxúria. Segunda: Uma pesquisa feita na Grã Bretanha aponta que 73% de dois mil entrevistados confessam não terem energia para o sexo, e que isto se deve, segundo os próprios, à falta de condicionamento físico. Curiosamente, desses mesmos entrevistados, 36% afirmam que não correriam para pegar um ônibus e 59% que se o controle remoto da TV estivesse quebrado, prefeririam assistir um programa que não gostam para não terem que tirar o rabo do sofá e irem trocar de canal. Que tal? Mas não foram eles que piratearam soberbamente os mares durante décadas? Que pisotearam a Índia durante séculos? Que colocaram bravamente os argentinos de joelhos ali nas Malvinas? De onde teria surgido toda essa preguiça? Quanto ao sexo, talvez, Wilhelm Reich e sua Função do Orgasmo estejam definitivamente superados e o rabugento Salvador Dali estivesse certo quando insistia que o orgasmo é só um pretexto, que o que importa mesmo é o gozo das imagens.

Ezio Flavio Bazzo

domingo, 3 de maio de 2009

A greve de sexo das mulheres no Quênia e a pirocafobia universal


Não há nada de novo na greve de sexo que as mulheres quenianas resolveram fazer no principio desta semana. Segundo elas, em protesto contra os desentendimentos político sociais entre Raila Odinga (Primeiro Ministro) e Mwai Kibaki (Presidente do país). Enquanto os chefões não se entenderem, neca de licenciosidades. E digo que não há nada de novo nessa recusa, porque já no ano 411 a.C. Aristófanes tratou dessa exótica temática em seu Lisístrata. Lá também as mulheres fecharam temporariamente as pernas em protesto contra uma das guerras que estava em curso. Ou param com essa matança estúpida ou nada de licenciosidades, gritavam pelas ruelas de Atenas. Também a famosa deputada italiana Cicciolina (não faz muito) conclamou-se, não sei exatamente por que, em greve carnal. Libertinagem zero por tempo indeterminado.

“De agora em diante – dizia ela - ninguém mais poderá deter-me. Estou a partir de hoje, declarando-me em greve, e peço a todas as “Cicciolinas” da maioria silenciosa que proclamem a greve geral do sexo, que fechem suas pombas com um alfinete de fralda e aguardem até que os cretinos que estão no poder tenham terminado de masturbar-se. Eles se darão conta de que o verdadeiro paraíso está na terra, ao alcance de todos. Vamos em frente, meninas. Não tenham medo, porque nem os policiais com suas bombas de gás lacrimogêneo, nem o exército, a aeronáutica, nem a marinha, nem a guarda Suíça do Vaticano e nem o exército da salvação poderão nos obrigar a transar”.

Apesar da curiosidade sociológica desses exóticos acontecimentos, fica evidente nas suas entrelinhas a impressão de que sexo não faz parte do ideário feminino. Que o desejo é uma anomalia apenas masculina, que a libido não transita pela carne feminil e que, portanto, as mulheres, soberanas e frígidas, vêm pelos séculos afora apenas tolerando e servindo a seus machos como instrumento de gozo, lhes presenteando eventualmente o corpo para suas “depravadas e animalescas necessidades”. E, mesmo assim, sempre sob a precondição de se comportarem dentro do previsto e de serem muito, mas muito bonzinhos com elas. Oxalá não se oculte também na sombra desses protestos, dessas recusas e dessa "consciência política feminista" a velha e universalmente conhecida pirocafobia.

Ezio Flavio Bazzo

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Procuro cachorra de qualquer raça para relação fugaz


Tenho dois anos, sou um Lhasa Apso branco, dentes impecáveis, peso normal, me alimento com salmão e algas, tenho um latido potente e tomo banho em casa cada dez dias. Deixei de freqüentar os Pets porque percebi que os veterinários estavam querendo transformar-me num hipocondríaco e porque sempre voltava para casa com um ou dois casais de pulgas transitando por meu rabo. Posso dizer que apesar dos pesares, apesar dos 14 mil anos que estamos sendo obrigados a viver no interior da estrutura social humana, com redução cerebral e alteração de todos os sentidos vivo a maior parte de meus dias em estado Zen. Talvez não com a profundidade que viviam meus ancestrais tibetanos, mas quase. Cuido da casa onde vivo como se ela fosse uma réplica daqueles bangalôs encravados nas montanhas geladas do Himalaia. Meu único ódio é de um cachorro Labrador que mora aqui nas proximidades e que me atacou pelas costas sem motivo algum, e minha única angústia é a repressão sexual a que estou submetido. Com dois anos de idade e virgem! Isto é inadmissível! Não consigo arrumar uma cachorra com quem iniciar-me sexualmente. Em minhas caminhadas matinais e ao entardecer só tenho cruzado com cachorras problemáticas. Quando não são elas, são suas donas. Umas me mostram os dentes já de longe enquanto sua dona vai indagando: - é macho ou fêmea? Outras me deixam cheira-las e até lambê-las, mas quando menos espero me cravam os dentes encolerizadas. Outras foram esterilizadas, outras parecem múmias ambulantes, outras com fitinhas no pescoço e as unhas pintadas nem parecem de minha espécie. Na semana passada cruzei com uma cadelinha simpática e em cio, dei-lhe duas ou três lambidas e ela ofereceu-me de imediato seu tesouro, mas só até que sua dona, apavorada, uma daquelas mulheres abomináveis, arrancou-a bruscamente de meu alcance. Tão grande é meu atraso que já cheguei a cavalgar um poodle extremamente delicado achando que fosse uma fêmea. Ficou quieto, passivo e submisso até perceber minha pica cutucando seu traseiro. Então saltou vertiginosamente para um canteiro de bromélias e foi buscar socorro nas pernas de seu dono. Enfim, até agora nada. De todas as aberrações a que fomos submetidos até hoje nesse processo dito civilizatório, o mais grave para mim é esse aniquilamento de nosso instinto. Podem nos chamar de filhos, podem pintar-nos as unhas, nos colocarem fitinhas nas orelhas, escovar nossos dentes, limpar nossos ouvidos, lavar-nos com xampus, batizar-nos, colocar-nos para dormir entre as pernas de nossas donas, levarem-nos na coleira para lá e para cá, podem perverter-nos com todas essas frescuras neuróticas e fazer o que bem quiserem com nossa integridade animal, mas não podem privar-nos da sexualidade. E vejam que não estou sendo radical, muito exigente ou coisa parecida. Que nem estou exigindo uma Lhasa Apso com pedigree, para toda vida e com o aval da igreja e dos juízes. Não. Pode ser uma chihuahua, uma maltês, uma yorkshire, uma rottweiller e até mesmo uma guapeca dessas que acompanham os mendigos ou que dormem na porta dos açougues... e mais, apenas para uma relação fugaz...

Ezio Flavio Bazzo

domingo, 23 de janeiro de 2000

A Teatralidade da Vida Amorosa


O que se conhece por «relacionamento aberto» não é em sí nem melhor nem pior do que os relacionamentos tradicionais e monogâmicos, já que a questão fundamental de uma vida amorosa prazeirosa não passa pela forma, mas pelo conteúdo das relações. O que observamos na escuta clínica, é que as pessoas que conseguem relacionar-se bem com seu desejo, com seu corpo e com sua própria sexualidade, têm sempre maiores possibilidades de construir com o Outro um relacionamento amoroso satisfatório, seja ele da forma que for.


É importante notar que o que muitas vezes está subjacente em relacionamentos abertos, é a incapacidade de separar-se. Quase sempre são relações que não têm mais nada de «amorosas», onde o casal de amantes transformou-se numa «sociedade»: sócios da casa, dos filhos, do carro, etc., e que acham mais cômodo não desfazer a parceria. Outras vezes, essa necessidade de ter relacionamentos paralelos, está ancorada na incapacidade de um ou outro parceiro (ou dos dois) de desfrutar prazeirosamente da própria sexualidade, ou por frigidez ou por impotência, por disputa sexual entre os parceiros, pela intromissão de fantasîas pré-genitais conflitivas durante o ato, por raiva inconsciente do desejo e do prazer do outro, etc. etc. Já que às vezes, as espectativas ou as exigências sexuais de um dos parceiros com quem se co-habita vão se transformando em formas insuportáveis de controle e de repressão sexual.

Considerando que o gozo feminino, ainda hoje, em pleno ano 2000, é ainda um tabu, e que a maioria absoluta das mulheres ainda não consegue gozar sem sentir-se culpada, degenerada e puta, a nível de discussão, poderia-se perguntar: até onde o «relacionamento aberto», ao invés de uma alternativa ao «casamento tradicional», não é mais um truque do mundo masculino para «remediar» a incompatibilidade amorosa doméstica?

Ezio Flavio Bazzo

domingo, 22 de maio de 1988

Os simbolos e as formas de sexo


À beira das grandes rodovias dos países desenvolvidos, nos últimos trinta anos, houve uma proliferação de estalagens próprias para abrigar turistas e carros. Estas estalagens receberam o nome de motéis. Evidentemente, ninguém poderia imaginar que os países do terceiro mundo iriam importar e transformar essa idéia em ambientes marcados por uma curiosa ambigüidade onde a "pureza do amor" divide o espaço com a "canalha da marginalidade"; onde a "privacidade dos amantes" é garantida e controlada "publicamente" por porteiros e garagistas... verdadeiros "donos" do amor, da noite, da semen-teira murada desses refúgios.

Um fato interessante nesses motéis é a luta inconsciente que seus proprietários, numa tentativa, talvez, de administrar suas culpas, empreendem, no sentido de assemelhá-los arquitetonicamente a mosteiros. A discrição da entrada e da saída, a privacidade do quarto, a saleta onde a garçonete deixa a bebida, a intensidade das luzes, a cama em forma de altar, a piscina, a escova de dentes, a água de colônia, os vídeos, os espelhos...todas essas "coisas" são verdadeiros símbolos religiosos. Sabermos, por
exemplo, que é na penumbra que acontecem todos os rituais religiosos, os feitiços, as magias, as desencarnações, etc. Além disso, a penumbra serve para que os "amantes" não se vejam, não se enxerguem, não se relacionem verdadeiramente. O lugar é para louvar a clandestinidade e se eu não "a vejo", então tenho a liberdade de fantasiá-la segundo minhas próprias necessidades e nem sequer tenho a obrigação de "lembra-la".

A circunferência da cama é pitagórica e rosacruciana. Sua presença nos motéis se deve à necessidade de fusionar o maldito com o sagrado, o legal com o delito, o mal com a transcendência. As camas circulares ou redondas podem ser um simples truque, mas podem também estar inconscientemente representando o movimento circular da vida, a volta irremediável dos amantes ao mesmo lugar, o eterno retomo à mediocridade do próprio ato sexual. As mesas onde os seres humanos comem também são quase sempre circulares... sexo e comida são elementos atados... copular e comer... duas coisas para ... ! (Céline)

Existem também as piscinas, as duchas, as águas de colônia, etc., tudo secretamente religioso, através do que os "pecadores" podem exorcizar-se, limpar-se, purificar-se, corporalmente e "orgasmicamente" antes e depois de praticar o "vício".

As casas mais luxuosas, os motéis mais modernos oferecem aos clientes filmes pornográficos e eróticos que, longe de serem assistidos para interferir na excitação ou de servir de instrumento ilustrativo, servem mais bem para amenizar a culpa dos amantes e, quase sempre, para disfarçar o medo que antecede o desejo e o tédio que advém da ejaculação.

Em poucas palavras, os motéis representam, outra vez, as forças mistificadoras e fetichizadoras das sociedades, sejam elas capitalistas ou socialistas. São engendros do impulso religioso que, desde os mais remotos selvagens, têm sabotado a consciência e criado problemas para a vida. A única novidade talvez, é que, agora, o objeto sagrado é o phalo, a vulva, o abraço desesperador desses dois "deuses" que, por ser incompatível com o pensamento e com o raciocínio, deve acontecer no escuro, sob os lençóis, na clandestinidade de casas alheias, pagas para tapar os ouvidos e para simular miopia. As filas de automóveis nos motéis são idênticas às filas nos postos de gasolina... em ambas, quase sempre, se entra para "trocar o óleo" ou, para "rever os freios".

Por mais metafísico que tudo isso pareça, não é por acaso que na semana passada em São Paulo, uma sociedade religiosa transformou um antigo motel em um centro de atenção aos portadores do vírus da AIDS. A mensagem está visível: Curar o mal ali onde o mal foi adquirido. Também não é por acaso que alguém escreveu nos muros de um desses motéis da periferia: acreditas na vitória do amor admirável sobre a vida sórdida ou da vida sórdida sobre o amor admirável?

Ezio Flavio Bazzo