sexta-feira, 11 de setembro de 2026

MADAME SATÃ... E a inesquecível festa de arromba da turma do Master...




"O que conta mesmo na vida é a qualidade da descida..."

Raduan Nassar

(IN: Um copo de cólera, p. 52)






 


Lendo os documentos que ontem, a Suprema Corte liberou, sobre o envolvimento dos ilustres magistrados no caso do Banco Master, o que mais me fascinou (não foi toda aquela putaria de misérias), mas a revelação de que um dos mais recentes e importantes encontros da turma (com as tais jovenzinhas suíças e nativas), foi ali em São Paulo, numa Boate conhecida por Madame Satã. 

Madame Satã! Quem é que não se lembra de Madame Satã? Segundo os linguistas e poetas que conheço, não há na história da poesia nacional nome mais lírico e amoroso do que este...  Apelido dado a aquele famoso matador, transformista e malandro pernambucano, nascido em Glória de Goitá que vivia zanzando pelos inferninhos da Lapa, no Rio de Janeiro... 

Dizem que seu nome de Batismo era João Francisco dos Santos, mas que passou a ser conhecido por Madame Satã depois de ganhar um concurso de fantasia, com uma, inspirada num morcego do nordeste, num concurso promovido pelo bloco Caçadores de Veados, no carnaval de 1938, no Teatro da República. (Quem quiser conhecer sua impressionante biografia a fundo, pode ler o Pasquim da época ou encontrá-la no Google). 

Enfim, me pareceu fascinante que um banqueiro, oriundo de uma famosa congregação religiosa de Minas Gerais, cercado por várias e ilustres autoridades republicanas, por incontáveis e intocáveis lacaios e + "jovenzinhas" optassem por fazer festas de arromba ali numa casa cujo nome, é uma homenagem a aquele grande malandro, bandido, capoeirista, viado e trapaceiro que passou a maior parte da vida brigando com a polícia e indo de uma cadeia a outra (quase como Jean Genet), até sua morte, em abril de 1976. Cujo cadáver jaz no Cemitério da Vila do Abrão, na Ilha Grande..... 

Madame Satã! Viva Madame Satã! 

Como é que os capoeiristas, os gigolôs, as putas e o resto da marginália carioca ainda não exigiram das autoridades, ou mesmo das milícias de lá, que levantem uma estátua dele, em Ipanema ou no Leblon, bem em frente às verdes, doces e mornas águas do mar??? 

¿Además de lo que ya se sabe: que el mundo es un festivo e increíble manicomio, Freud teria alguma coisa mais a dizer?






Acabo de receber de um leitor anônimo: BAZZO, assista a isto e prepare-se para Terça-Feira...
























Enquanto isso.,..






















quinta-feira, 10 de setembro de 2026

LONGA METRAGEM... Fatigados de cacarejar sobre o Banco Master/BRB, agora voltou à cena o tal Dark Horse...


"L'homme n'a pas besoin de la perfection du cheval..."




Dark Horse? Cavalo negro?! Que porra é essa? Seria o quinto equino do Apocalipse? 
E que idioma é esse? Para mim, continua sendo terrível ouvir um colonizado esforçando-se para falar o idioma do colonizador. Tão terrível como ouvir um estuprado cacarejando submisso na linguagem do estuprador... E não é só por uma questão de auto-estima e de amor próprio, mas porque para falar vários idiomas o cara tem que, no mínimo, ter um desvario neuronal. E quando escrevo isto, penso logo em meia dúzia de figurões e trapaceiros da atualidade, e com ênfase no diplomata e autor de SERTÕES: Veredas que, segundo bajuladores, colegas & aduladores, falava, compreendia e escrevia mais ou menos em uns quinze... (sem falar da verborréia purgativa inventada e lacrada por ele na sua obra Magna...). Mas, tudo bem... tudo bem... Afinal, "L'homme n'a pas besoin de la perfection du cheval..."

E o pior, é que já tem gente por aí fazendo pós graduação até em mandarim e em javanês. Lembram do Homem que falava javanês, do Lima Barreto? A propósito, meu correspondente da Ethiópia, (coroinha na impressionante Igreja de Abuna Yemata Guhdiz, construída no interior de uma rocha), me informa que naquele país a suruba linguística é tão louca, que se fala mais de uns 80 idiomas, sem mencionar os 300 dialetos... E que a anedota da Torre de Babel, provavelmente, tenha surgido por lá... 

Mas, voltando ao Dark horse: quando é que, finalmente, poderemos ir aos cinemas ver mais essa bobagem narcisista, mitômana e republicana? Os bobalhões auto denominados 'Loucos por cinema', aqui da cidade, estão excitados. E é bom apressar-se, porque cada um dos outros pretendentes ao trono também já está secretamente escrevendo o roteiro do seu próprio longa metragem... para, no porvir, quem sabe, também encontrar um Vorcaro que o banque... 

Enfim: calma, que daqui para diante, haverá Dark Horse (e Cavalos Negros) para todos. E que, mesmo assim, como dizem os espanhóis: no pasa nada!











quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Um homem, quanto mais lê, menos fode! (De Baudelaire a Euclides da Cunha)...





Sempre que estou revirando minha biblioteca em busca de um livro que me roubaram, que desapareceu ou que nem sequer existe, penso em dois importantes escritores: Baudelaire (Paris, 1821-1867) e Euclides da Cunha (Rio de Janeiro, 1866-1909). Baudelaire, porque prevenia: um homem, quanto mais lê, menos fode! E Euclides da Cunha por ter escrito seu espetacular livro sobre os sertões, sobre Canudos, a destruição de Canudos, por ter levado chifre de sua mulher e, pior: ter ido a um duelo com o amante dela e perdido... Caralho! Que falta de pontaria! E que sucessão de desgraças!

A respeito de seu livro Os Sertões, fico indignado com o fato das escolas desde a creche até as pós graduações não o terem adotado, e não apenas pela maneira como descreve os tipos que povoavam (e que ainda povoam) aqueles cafundós de Minas Gerais, Goiás e Bahia, mas pela beleza e biologia de suas metáforas e da lealdade com que esmiuça o próprio sertão, (aquela ida a Canudos, quase como uma viagem à Ítaca), as terras, os truques de sobrevivência, a vegetação, as pequenas vertentes, o sol abrasador, a mitologia, a arqueologia e a miséria daquela bandidagem e daquela jagunçada da qual todos somos descendentes... Um realismo mais do que fantástico e que lembra, como ele próprio dizia, a um realejo bajulatório!

"As juremas, prediletas dos caboclos - o seu haxixe capitoso, fornecendo-lhes, grátis, inestimável beberagem, que  os revigora depois das caminhadas longas, extinguindo-lhes as fadigas em momentos, feito de filtro mágico (...) Sucedem-se manhãs sem par, em que o irradiar do levante incendido retine a púrpura das eritrinas e destaca melhor, engrinaldando as umburanas de casca arroxeada, os festões multicores das bignônias (...) até que surdamente, imperceptivelmente, num ritmo maldito, se despeguem, a pouco e pouco, e caiam, as folhas e as flores, e a seca se desenhe outra vez nas ramagens mortas das árvores decíduas... (...) Patenteando sempre o mesmo cenário de uma monotonia acabrunhadora, com a variante única da cor: um oceano imóvel, sem vagas e praias. (p.p 42,43,44)

"A expedição era agora aquilo: um bolo de homens, animais, fardas e espingardas, entupindo uma dobra de montanha." (p. 266)

"O novo chefe não suportava as responsabilidades, que o oprimiam. Maldizia, talvez, mentalmente, o destino extravagante que o tornara herdeiro forçado de uma catástrofe..."(p. 267).

"Como um manequim terrivelmente lúgubre, o cadáver desaprumado, braços e pernas pendidos, oscilando à feição do vento no galho flexível e vergado, aparecia nos ermos feito uma visão demoníaca (...) renques de caveiras branqueando nas orlas do caminho, rodeadas de velhos trapos, esgarçados nos ramos dos arbustos e, de uma banda - mudo protagonista de um drama formidável -, o espectro do velho comandante..."(p. 275).