sexta-feira, 29 de maio de 2026
Várias... Do futebol, do Trump, do terrorismo, e das memórias da escravidão... (Pra não dizer que não falei das flores...)
2. E por falar em Trump, no Comando Vermelho, no PCC, nas milícias e nos dois pré candidatos à Presidência da República, a cagada já está feita. Mesmo que não aconteça por aqui nada parecido ao que aconteceu na Venezuela, no Equador, e ao que se tentou fazer no Irã e ao que se tem feito sistematicamente na América Latina inteira, essa interferência é por si só uma cretinice e uma indecência. Admitir que um governante de plantão, do império que for, determine o que é e o que não é terrorismo fora de seu quintal, é uma submissão inacreditável. Mas agora, apesar dos reclames e da indignação até daqueles espíritos de porco, que estão há cinquenta anos de calças rebaixadas para todo tipo de crápulas, agora é tarde.
3. E o exagero da comemoração no Congresso Nacional pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição, que propõe o fim da Escala de Trabalho 6x1, foi um escândalo cômico e juvenil. Quem é que não chegou a pensar em 1888? Duas horas semanais a menos e diminuir o peso das correntes? Tudo bem! O problema é que o salário mensal desses trabalhadores continua não chegando nem perto do que as excelências gastam diariamente nos petiscos da noite.... E a excitação foi tanta, que teve até um pastor que, comemorando, assegurou que agora, os trabalhadores poderão trepar com mais tranquilidade e ter mais filhos. E outro, que chegou até a cantar aquela música quase religiosa do Geraldo Vandré que, nos anos 80, quem a cantasse, corria o risco de levar um tiro de fuzil nas costas...
Enfim, em vista de tudo isso, seria mais do que importante, que o Ministério da Saúde, ao invés de estar tão preocupado com as tais canetas emagrecedoras, deveria tomar mais consciência da pandemia de loucura e de desvario Nacional...
quarta-feira, 27 de maio de 2026
O Mendigo K e Onofre, o santo trans dos católicos...
"Não dês pontapés a um homem derrubado. Lembra-te de que ele pode levantar-se..."
Fred Kasper
Nestes dias de "inverno", aqui na Capital da República, até os mendigos saem das tocas bem mais tarde, só quando percebem que o sol já fulmina os paredões de vidro fumê dos ministérios, dos escritórios lobistas, das agências de falsificações, dos bancos, das clínicas, das bancas de jornais, dos 200 e tantos "templos" e até as janelinhas com cortinas xadrez dos puteiros. O inverno (não o inferno!), é uma maravilha. Qualquer um se lembra daqueles dias, em sua "terra natal" quando, pelas manhãs, as ruas, as árvores e até os rios e os peixes amanheciam congelados...
O Mendigo K apareceu nesta hora + ou menos fria, exageradamente coberto por trapos de várias cores e tamanhos que alguma beata deve ter lançado do carro em frente a seu barraco. Comportamento comum da pequena burguesia, todos os anos, quando junho se aproxima. (A propósito, dia 12 de junho se comemora o dia do santo em questão).
Hoje, meio trêmulo, estava invocado com a história de um tal Onofre (das antigas), que, lá pelos lados da Turquia ou do Egito, teria sido uma esplêndida mulher que, pela graça de Deus, para fugir do assédio masculino, virou homem, depois eremita, e viveu no deserto até morrer, apenas com os genitais e o traseiro cobertos com os próprios cabelos e barba que Deus, onipotente, todo poderoso, prestidigitador e alquimista, além da metamorfose, lhe teria proporcionado, etc, etc. Por essa trajetória metafísica, tão exótica e tão surreal, virou mais um Santo do catolicismo...
Os três ou quatro outros mendigos, que o acompanhavam, uns se dizendo drag queens e um recém chegado de Goiás Velho, (da conhecida cidade da Cora Coralina), seguiam a história com um certo ar de orgulho e de regozijo... e lembravam, com entusiasmo, que na umbanda, Exu, é o equivalente a Onofre, e considerado o padroeiro da fortuna...
No desenrolar da história, foi retirando do bolso do casacão duas páginas de revista onde aparecia o tal Onofre, pintado, não se sabia por quem.
terça-feira, 26 de maio de 2026
A pedagogia & a lógica dos devassos...
Nesta manhã de segunda-feira, por casualidade, ouvi uma "baby-sitter" falando, cantarolando e distraindo a criança de + ou - uns cinco anos que estava sob seus cuidados, com aqueles recursos pedagógicos, meio de adestramento e de horror universal pelos quais todos passamos. Lembram dos famosos contos compilados pelos Irmãos Grims? Principalmente O Junipero? A criança arregalava os olhinhos e a tal baby-sitter insistia:
- Come, come, que mamãe foi ao trabalho e que senão o bicho vem...
- Criança obediente não vai ficar doente...
- Que criancinha linda! Comeu tudo e sem sujar o piso!
- Isso não se faz, senão os anjinhos choram... E o homem do saco vem...
- Tire a mão daí que isso é pecado e o Papai do Céu fica triste...
Depois passou para trechos das clássicas do Chapeuzinho Vermelho; da Bela Adormecida; do lobo mau, das fadas e das bruxas.., uma mais macabra do que a outra, e tudo meio de improviso, cantarolando, rindo e dramatizando...
Num determinado momento passou a ensinar-lhe a contar: 1, 2, 3, etc mas, de quando em quando, (não sei se por distração ou por método) ia saltando de 1 para 4 e de 4 para 6 e voltando para o zero e para o 1, etc.
Da criança, não se ouvia um pio, como se estivesse arrependida de ter nascido...
Segui ouvindo aquele horror de iniciação e pensando no texto sobre o sinistro, onde Freud, trata da historinha macabra do homem das areias que, lá na Alemanha (daqueles tempos), os pais costumavam contar a seus filhos para obrigá-los a dormir: "O homem das areias é um homem mau que vem visitar as crianças quando elas não querem dormir, joga-lhes punhados de areia nos olhos, fazendo-os saltar ensanguentados de suas órbitas; então guarda-os em uma bolsa e os leva como pasto para seus filhinhos, que estão sentados em um ninho e têm bicos curvos como as corujas, com os quais cortam a bicadas os olhos das crianças que não se portam bem..."
Que tal?
E depois fingem espanto quando percebem o sentimento reacionário e trágico do rebanho e seu fascínio pelas páginas do Eclesiastes...





