Parafraseando a Walter Benjamim:"Os proprietários da indústria da política e do Estado entendem muito bem que é mais fácil garimpar o ouro dos cofres e dos bolsos dos homens do que dos rios..."
Sempre que se descortina uma nova história de corrupção, (e é uma atrás da outra...) os fodidos e os pobres mortais se agitam, se desesperam, perdem o sono, o ânimo e o interesse pelo viver e já nem querem mais levantar-se às cinco da manhã para irem em busca do pão de cada dia e do sustento. Ah! O sustento! E, o mais curioso, é que passam a vida inteira discutindo entre si e se perguntando, - se referindo aos corruptos -: Para que querem tanto dinheiro?
E ninguém lhes dá uma resposta plausível e muito menos uma explicação razoável, para essa, como diria Nietzsche, Vontade de desonestidade. Por quê? Ora, porque no meio do lodaçal onde vivem, acostumados ao básico do básico, apenas para sobreviver, no máximo, com umas batatas fritas, não é possível imaginar e muito menos entender o luxo e o alucínio que há por detrás das grandes barricadas onde se agitam os grandes larápios e donos do mundo. Barreiras que só são transponíveis através do dinheiro e, por conseguinte, da corrupção. (ou você aí, coroinha jubilado, acredita que é possível acumular alguma tipo de riqueza sem ser través da corrupção?)
E passam a vida inteira inventando moralismos, rezando, lançando maldições contra esses grandes ladrões... e invocando a Deus ou a Lênin, eles que, cada um a sua maneira, prometeu-lhes que, um dia, (se fossem bonzinhos e pacientes), todos poderiam vir a mijar em urinóis de ouro e até ao som de Chéri Chéri Lady... (e, o pior: não é difícil perceber a paradoxal e melancólica identificação deles com os tais ladrões...)
Penso em Lohenstein: [...Sim, quando o Altíssimo vier colher do cemitério da igreja,/ Eu, uma caveira, tornar-me-ei um rosto angelical].
E eles, que nunca resistiram e que não resistem a uma maleta repleta de euros, fazem discursos indignados, beatos e subversivos nas praças, nos parlamentos e nas igrejas denunciando e associando a fome do planeta, a diarréia e a mortandade das crianças, à corrupção.... Também ao horror das populações destroçadas em acampamentos de refugiados; também aos milhões de aposentados alucinados para sobreviver, aos favelões que sobem pelas colinas do mundo inteiro, aos tiroteios que devastam as comunidades famintas, aos trilhões de escravos contemporâneos que sustentam todas as rapinas e luxúrias dos patrões, à proibição de comprar as blusinhas chinesas de 10 dólares, à fila para comprar ossos etc, etc, etc.... Mas toda essa choradeira é inútil... Não responde e não explica a pergunta fundamental e quase metafísica: para que os corruptos querem tanto dinheiro?
Talvez agora, com a IA, encontrem uma (pelo menos uma) das várias explicações para sua inquietação: Os corruptos de ontem e os de hoje, sempre de mãos dadas (explica-lhes a I.A), querem mais e mais dinheiro porque 1. a condição humana é deveras miserável e 2. porque, em Paris, existe uma coisa chamada Hotel Ritz, e em Milão, outra coisa chamada Hotel Bulgari. E, em Monaco, aquelas manhãs inesquecíveis e primaveris...
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