quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

VÁRIAS... O Estreito de Ormus, a Janja, os enlatados e o pastor que está lançando pragas contra os carnavalescos... (Lastima grande que sea verdad tanta miséria!!!)


 1.  Agora, que aqueles batuques cessaram, que tudo virou cinzas, que a turba voltou voluntariamente para suas correntes (se quiser ganhar o pão-de-cada-dia) e já se fantasia e prepara para outros carnavais, tão ou mais profanos, as discussões entre o populacho giram ao redor da seguinte polêmica: o Lula e a Janja deveriam ter descido do camarote e rebolado na Sapucaí, ou não?

2. Enquanto os persas (agora iranianos) deslocam seus mísseis hipersônicos e todo seu arsenal de guerra lá para o Estreito de Ormus, ameaçando implodir os avanços imperialistas (a sanha daquele império que ocultou o defunto Epstein durante décadas), nós, nossa mídia, nossos partidos, nossas igrejas e nosso proletariado tropical, nós seguimos indagando, brigando e julgando se a Janja deveria ter descido de seu camarote e sambado na avenida... ou não. E se o Lula, com uma tanga como aquela usada pelo Gabeira quando voltou do exílio, deveria ter desfilado sobre um daqueles Trios Elétricos... Uma vergonha! E isto, sem falar da polemica dos 'enlatados'. Muitos idiotas estão achando que aquela coreografia (até infantil), foi uma ofensa sem limites à igreja, à família e aos ditos conservadores. Ora! Não sejam tão reacionários! E isto, sem falar do resmungo dos padres e do pastor que (respaldado pela Lei do livre direito de culto) está amaldiçoando e 'jogando pragas' aos componentes da tal Escola e aos carnavalescos em geral.... 

Sim, um horror de ignorância que carnavaliza o cotidiano e que descortina a medíocre guerra religiosa que ainda se joga nas sombras... 

Não, não estamos lá no Estreito de Ormus (Golfo Pérsico), com o dedo no gatilho, como os persas, mas sapateamos por aqui (também heroicamente), no fundo dos barracões das igrejas e em nome de Deus... 

Sair da Idade Média foi quase automático, o problema está sendo arrancar a Idade Média de nosso espírito de porco...




 














segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Ainda sobre Cuba... Seria uma espécie de Gaza latino americana?





 



























DATAS VÊNIAS - O maior espetáculo da terra, ou o maior fiasco do continente?


Como todos somos 'nós e nossas circunstâncias', como dizem, tentei assistir aos desfiles de carnaval de ontem à noite. Data vênia! Um horror. Esteticamente, uma confusão e uma bagunça de cores, de imagens e de movimentos de dar dó. A pobreza das "marchas" e de seus enredos coloca em cheque, não apenas nossas bibliotecas e nossas escolas, mas nosso imaginário. Uma cafonice, uma breguice, uma singeleza e uma ausência de subjetividade de dar pena. Os homenageados deveriam até ser indenizados. Um horror! Até as tetas, as nádegas e as virilhas que no passado vibravam as arquibancadas, e faziam os mais exaltados levantarem as narinas para olfatear as vulvas e os himens, agora são peças chochas e desprovidas de eroticidade (e não me venham dizer que digo isto apenas porque tenho quase 80 anos... bobagem). A festa que se originou lá nos festins tribais, nos bacanais greco-romanos e dionisíacos, sempre promovendo a profanidade e fazendo apologia da putaria, agora, virou um ato confuso, ambiquo e descaradamente mistico e religioso, onde é até difícil diferenciar a turma pulando, rebolando e sambando nas passarelas 'sagradas' de São Paulo, nos becos sacrossantos de Salvador, no Ponto Zero do Recife, ali na Sapucaí e etc, dos rebanhos das procissões em Bom Jesus da Lapa; daqueles cortejos ao Padre Cícero, lá em Juazeiro do Norte; das romarias e peregrinações para Aparecida do Norte; da Marcha para Jesus, na Avenida Paulista ou da festança do Círio de Belém. Aliás, viram a Fafá sambando na apoteose... 
Enfim, para não ser muito reacionário, devo admitir que essa projeção de um imaginário quase indigente e essa porra-louquice anual serve, pelo menos, para lembrar aos crentes que "as relações entre deus e o Diabo, são muito mais cordiais do que se imagina...

A propósito, além do NeyMato Grosso e do Lula, Ogum e Exú não param de ser homenageados. Que obsessão é essa? Como não ter nostalgia pelos tempos em que a plebe egípcia homenageava à Cleópatra e aos faraós? E de quando os romanos imbecilizados queimavam incenso a Calígula? De quando os oprimidos profissionais beijavam as botas de Hitler, de Mussolini e do bigodudo Stálin????

E o fiasco ficava ainda maior quando se ouviam as análises e os comentários dos especialistas carnavalescos. E ainda mais ridículo, com os comentários e adjetivos dos jornalistas, que, para não perderem o emprego, iam fazendo de tudo para emplacar nos neófitos e nos bobalhões uma alegria patética (pelo menos um simulacro de alegria) e para não deixar que os telespectadores dormissem no sofá. Um horror! Seria o resultado de 500 anos de mediocridade!

E a tal ancestralidade? Não se fala em outra coisa! Trata-se de quê, afinal? Os movimentos negros, se é que já tiveram notícias do Frantz Fanon, deveriam tomar providências... Digo isto, apenas por dizer. Pois sei que não há solução. Já que o problema está no cerne do imaginário, a ponto de até o PCO chamar isso de cultura e de brasilidade... Um horror! Data vênia aos operários, aos proletários e a toda a gente que, ano trás ano, com sangue, suor, lágrimas e cesta básica, montam  e desmontam essas sucatas para revitalizar essa pandega.... Como poderiam livrar-se dessa escravidão, quase voluntária?

Mas, não vou negar, houve - dois pontos máximos - ou, como cacarejam os acadêmicos - de inflexão, nas festas. Um, ali na Marquês de Sapucaí, (Se não fosse gaúcho, o Brizola, ao invés do Marquês de Sapucaí teria dado o crédito ao Marquês de Sade...) quando um gay, famoso e gorduchinho, ao cortar com uma tesoura a fita que interditava o ambiente que estava sendo inaugurado, pronunciou várias vezes, olhando com ironia para os comparsas da mídia: Sou hétero... sou hétero... sou hétero...

E a outra, ainda mais fantástica, foi quando, lá na terra de Gregório de Matos, um grupo de balzaquianas disfarçadas de semi adolescentes, cantava fingindo alegria, emoção e até desejo, a música da moda: Me chupa! Me chupa, Me chupa... As mesmas que, amanhã, bem cedo, antes dos galos cantarem ali pelos arredores do Mercado modelo, ao invés de estarem embarcando para a Ilha de Lesbos (lá no Mar Egeu), estarão subindo a montanha sagrada para pedir perdão e benção...

O mendigo K que assistia a tudo, mandou-me dizer que, apesar da teatralidade, há muita trovoada mas pouca, bem pouca chuva... por lá...

Enfim, hoje à noite teremos mais. Até os ateus, os cínicos e os hereges estão ávidos para que chegue a tal quarta-feira de Cinzas... Aleluia!

Sorte que ainda se pode ouvir, mesmo na voz de um gringo, o Orfeu Negro...