Acabou-se a gritaria e a cachaceira nos botecos...
Agora, os pobres deverão voltar às suas 10:00 horas diárias de escravidão, aos ônibus lotados e às suas pobrezas. Os machos e as fêmeas domésticas aos seus lares; as cortesãs retornar para o Setor de Oficinas Norte e os mais histéricos empreender novamente o caminho de volta para os cassinos, as igrejas ou para os sanatórios. Para os torcedores mais compulsivos e entusiasmados, só lhes resta agora voltar à torcida pela carnificina entre Ucrânia & Russia; entre Israel & Teherã; entre os USA & o Oriente Médio. Já, os torcedores do além, poderão seguir (até o fim dos tempos), entoando a lenga lenga celeste e o conflito de interesses entre Deus e o Diabo, sem precisar lembrar que, como dizia Papini, a cumplicidade e a cordialidade entre os dois é bem maior do que se pensa...
Na verdade, aqui no Brasil, por sorte, as torcidas nem precisarão desmobilizar-se, já que daqui a trinta dias começarão as disputas eleitorais. As Bets! As pesquisas. Lula ou Bolsonaro? Caiado ou Flavio? Zema ou Tarciso? Michele ou Janja? Sem falar na variedade de disputas, de intrigas, de malandragens e das prosopopéias cotidianas no Congresso Nacional entre os apologistas das canetas emagrecedoras e os da obesidade; entre os que defendem os 6 dias de escravidão por 1 de repouso. Seis por Um ou três por 4? etc, e sem esquecer que a FIFA já começa a organizar a COPA FEMININA para o ano que vem. Sim! O ano que vem a festa será aqui! A mídia e o populacho estarão bem servidos. Entretenimentos? Não faltarão! Há corridas de automóveis e de cavalos; jogos de vôlei; novelas; tiroteios; jogo do bicho e a SENA; aulas de culinária, cestas básicas; campeonatos de futsal nas favelas; viagra; cultos ecumênicos; casamentos coletivos; a vinda de dançarinas estrangeiras ao Rio de Janeiro para rebolar por duas horas em troca de 1/5 do PIB; aulas de inglês por IA; promoções de viagens à Disney, ao Beto Carrero ou às peregrinações para Fatima e Aparecida; pornografia cibernética; o aumento de 3% sobre os salários (inclusive sobre as aposentadorias); temos terras raras para encher o rabo de gregos e troianos e as tarifas do império (com os subsídios do governo às industrias e ao latifúndio) só afetarão realmente aos plantadores de acácias e aos Zés Ninguém, da esquina... Somos ou não somos quase a cidade do Sol, do Campanella? E é ou não é um privilégio estar entre os vivos nestes momentos de jubilo? De ser Penta e com a ilusão de que daqui a quatro anos seremos hexacampeões? (Ora!!! Vão foder outro!!!)
2. O Mendigo K, que agora pela manhã, estava ali na padaria espanhola, só ouvindo os papos, quando foi convidado a opinar sobre o jogo de ontem, foi curto e grosso: uma pelada entre escravos e entre novos ricos para divertir milionários e para adormecer politicamente às multidões... E prosseguiu: o que mais me chamou atenção, nem foi o jogo, mas aquele show para retardados mentais que aconteceu no intervalo. Além disso, duas particularidades no ritual da entrega do troféu. Primeiro, o vacilo da CIA, do FBI e do Irã, pois poderiam ter facilmente esfaqueado o Trump enquanto ele condecorava os campeões... Tanto o Lamine Yamal (a futura divindade da bola) como o Pedro Porro (porros?) ou qualquer outro, com um simples canivete nas cuecas, poderiam ter cometido o homicídio do século (Até tu Yamal?! - Até tu Porros!?). E segundo, fiquei surpreso com a falta de cordialidade dos jogadores para com a simpática Claudia Sheinbaum, presidente do México que estava lá, distribuindo cumprimentos e cordialidades ao lado de gente que você jamais deverá ir ao encontro sem levar uma pistola no bolso. Observe. Veja as imagens. Nenhum daqueles jogadores que passaram por ela, apesar de sua demanda e de seu olhar maternal, a encararam de maneira afetiva e nem sequer a cumprimentaram com cordialidade. O que teria acontecido? Misoginia ou anti-semitismo?
Na padaria, um castiçal feito por mouros, duas estátuas de toureiros cercados por ciganos, um vitral decorado com sangue de touro, os churros recém fritos e o cheiro alucinógeno do açúcar derramado proposital e comercialmente sobre a chapa quente + a música espanhola que ia dominando tudo...