sexta-feira, 17 de julho de 2026
Enquanto isso... Fragmentos da poética hipersônica dos iranianos...
quinta-feira, 16 de julho de 2026
CICLOSPORÍASE. Em vista da pesada onda de diarréia que assola os Estados Unidos, Trump, que é pragmático, excluiu o papel dos novos produtos brasileiros tarifados...
1. Argentina 2, Inglaterra 1. E o futebol, ali no coração do império, cumpre sua função: expõe o vazio, a solidão, o transtôrno bipolar, a mediocridade (ver o argentino Jose Ingenieros) e a histeria planetária. Na Argentina, a festa e as milongas parecem não ter fim. Logo logo, até com a colaboração dos mendigos e dos assassinos mencionados nas obras de Arlt, edificarão uma igreja também ao petit e singelo Messi, igual ou até maior da que levantaram em homenagem ao Maradona. E o fenômeno é tão ambulatorial que não apenas a turma cuja profissão é decorar nomes de jogadores e descrever o perfil dos meia-de-campo e dos centro-avantes, mas que até o vendedor de pamonha, aqui da esquina, está em pleno alucinio, como se os gols (de um lado ou de outro) fossem alterar uma vírgula de sua miserável vida. Caralho!!! Como recuperar a sanidade??? E vendo aquela multidão enlouquecida no meio da madrugada, lá em Buenos Aires, impossível não lembrar do velho e cego Borges: "es saberse culpable de velar cuando los outros duermen, es querer hundirse en el sueño y no poder hundirse en el sueño, es el horror de ser y de seguir siendo, es el alba dudosa..."(Vol III, p. 301)
2. E a inveja brasileira, mesmo disfarçada, emerge. Não apenas quando ouvem a Madonna cantando
Don't Cry For Me Argentina
nem apenas pela mítica (cretina e mundial) ao redor do Messi e do futebol (esse passatempo anímico de palhaços), mas porque sabemos que há lá mais livrarias do que botecos... Que tiveram um Borges, um Che Guevara, um Piazolla e um Arlt. Porque a psicanálise deles é referência... E porque lá, mesmo com um racismo enrustido, com um catolicismo de catacumbas, com uma política e uma moeda de merda, o saneamento básico funciona e a água é quase 100% potável...
3. E as tais Malvinas? No meio do jogo lá em Atlanta, dizem que um torcedor porteño em frenesi, jogou uma bandeira daquele arquipélago no meio do campo e que no final, depois dos 2/1, levantaram uma faixa dizendo que as Malvinas são deles... Bobagens! Convivi com muitos deles (professores e doutorandos), na Ciudad de Méjico durante a guerra da Argentina com os ingleses (2002). Frequentemente apareciam chorando na Praça de Coyoacan ao ver seus "hermanos" adolescentes, levados despreparados, por generais psicopatas, até de tênis, para lutar contra o império britânico e sendo destroçados. Perderam. O arquipélago, aqueles pedaços de gelo inúteis, perdidos no Atlântico Sul... com seus pinguins desajeitados e patéticos... ainda continuam sendo colonialmente conhecidos por Falkland... E não será pela habilidade de 11 patetas (mescla de italianos, ibéricos, indígenas e até africanos subsaarianos), correndo atrás de uma bola de couro de vaca e nem por milhares de clows gritando das arquibancadas de um circo que o conflito se resolverá...
A propósito: a endemia atual, de ciclosporíase lá nos USA, teria alguma coisa a ver com tudo isso? Ou seria, mais bem, pelos mísseis e pela pontaria de ontem, dos iranianos?
quarta-feira, 15 de julho de 2026
O Mendigo K... entre dois tipos de ópio: o futebol & a literatura...
Robert Walser, Jakob von Gunten
Nesta quarta-feira de julho, com o Ministério da Saúde e as freiras da mídia recomendando obsessivamente que, os velhos, - se não quiserem ter uma síncope na fila do INSS e irem para o outro mundo sem assistir Argentina/Inglaterra-, devem beber muita, mas muita água, o Mendigo K apareceu ali nas galerias do shopping, meio afobado, buscando a melhor vitrine para, às 4 da tarde, assistir ao jogo. Quando me viu, não conseguiu esconder uma certa preocupação e um certo medo que eu fosse classificá-lo como mais um dos idiotas da bola e foi jurando que seu interesse por aquela babaquice, era puramente literário & antropológico. Para convencer a mim e aos que nos observavam, foi retirando de uma bolsa de couro e exibindo também aos que passavam umas cinco brochuras sobre o assunto, livros que dizia ter lido:
1. A bola não entra por acaso, de autoria de um tal Ferran Soriano.
2. Futebol & guerra, de Andy Dougan.
3. Entre os vândalos, de Bill Buford.
4. O negro no futebol brasileiro, de Mario Filho.
5. Como o futebol explica o mundo, de Franklin Foer
E até um em inglês que ainda não foi traduzido: Football against the enemy, de Simon Kuper.
E, por último, mostrou-me um do mítico uruguaio, daquele que escreveu As veias abertas da América Latina, titulado: Futebol ao sol e à sombra. Deste, quase religioso e quase com lágrimas nos olhos, fez até questão de citar parte de um parágrafo, sobre Pelé:
“Quando Pelé ia correndo, passava através dos adversários como um punhal. Quando parava, os adversários se perdiam nos labirintos que suas pernas desenhavam. Quando saltava, subia no ar como se o ar fosse uma escada. Quando cobrava uma falta, os adversários que formavam a barreira queriam ficar de costas, de cara para a meta, para não perder o golaço”.
Completamente derrotado, convicto de que a bola é o ópio do populacho, de que o rebanho é imbatível e de que o mundo jamais conseguirá livrar-se do aprisco, ziguezagueei abobalhado por entre aquelas geladeiras, televisões ligadas, vassouras, bandeirolas e máquinas de lavar, das Casas Bahia... E, como a única diversão que encontro no futebol é ver o árbitro apanhar (Pitigrilli), também estarei, hoje à tarde, beociamente, apostando todas as fichas, não no gol, mas na conhecida atuação afetiva dos Barras Bravas e dos Hooligans...