quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Das campanhas eleitorais, da dialética indigente e das duas pirocas do Vorcaro...

 



Ontem, na toalete do shopping, aquele ali em frente ao teatro Nacional, lá pelas 5 da tarde, parecia estar acontecendo um simpósio LGBT+. Pelo menos uns oito personagens, cada um com a sua fantasia, se retocavam a maquiagem diante dos espelhos, preparando-se para ir à luta e, como todo mundo, falavam nas eleições. Um deles, de mais ou menos uns 25 anos, com os cabelos pintados de branco e tão compridos que lhe chegavam às nádegas, expressou:

- Gente... Prestem atenção... Vocês sabem né, que se o Bolsonaro ganhar não haverá mais viados na rua. (silêncio total.)

Um outro, segundos depois, (também escandalizado), fez uma rápida menção à imagem do Lula, estampada nos jornais locais, "levantando aos céus" uma imagem da Virgem de Aparecida... (silêncio total).

Momentos depois, recebi dois vídeos. Um, de um sujeito mal encarado exibindo uma pistola automática (daquelas de onze tiros) e insinuando que vai haver guerra. E outro, da festa do Sírio de Belém, no Pará...

É a pantomima e a preparação para a disputa de domingo. Ah! o Segundo turno!... E haverá um novo debate! Uma nova pantomima hipnótica, para conquistar votos! Quem é que não se lembra do "magnetismo animal" de Franz Anton Mesmer e de seu mesmerismo? Quem se elegerá? O mesmo que governa hoje ou o mesmo que governou ontem? E com que legitimidade? E os argumentos continuam sendo de uma pobreza inacreditável. Em primeiro lugar, está a discussão sobre manutenção ou não da cesta básica (dessa filosofia de e para mendigos, que têm acalmado as tripas e os neurônios dos pobres e os empurrado para uma obesidade mórbida). Depois, a respeito do programa Minha casa, minha vida (essa outra aberração que tem confinado os fodidos em verdadeiras prisões de 20 metros quadrados e em guetos, o mais distante possivel das mansões dos grandes larápios), será extinto ou sobreviverá? Depois, sobre a liberdade ou não da fé e do ateísmo (essa concessão  de fake news e de alvarás a todo tipo de pilantra para falar e roubar em nome de Deus). Depois as drogas. Sempre as drogas! (A maconha, o pó, o LSD, a cachaça, o Belmonte, sem filtro, os charutos, os baseados). Depois o aborto, essa discussão insana, mística, patética e retrógrada entre reacionários que vem desde os tempos de César. (cesaria). Depois, a escravidão contemporânea e a derrubada, ou não, da "escala" 6x1. Ridículo! Quando é que se chegará à utopia 3x4, ou de 7x7? Depois a soberania. Mas como chegar a ser soberanos enquanto não se fabrica mísseis hipersônicos em alta escala e enquanto não se ensina Frantz Fanon já lá na pré escola? Depois a paz! (essa ficção teocrática que pretende negar os 6 mil anos de chacinas por todos os lados). Depois as armas. (ter ou não ter um fuzil em casa?). Depois os impostos: reduzi-los ou aumentá-los? E os bancos? E a reforma agrária? E o massacre dos "povos originários"? E as labaredas na Amazônia que só serão extintas quando a selva desaparecer? E o latifúndio? (O mesmo dos anos 60). E os venenos nos pimentões e nos tomates? E as minas de ouro e de diamantes que continuam escoando para as mesmas vinte ou trinta famílias? E as madames de sempre (de mães para filhas e para netas) que são clientes VIP das boutiques da Champs-Élysées? E as multinacionais de medicamentos, com suas redes de farmácias que há 80 anos sugam até os últimos centavos dos velhotes fodidos da América Latina? E, como  - nesse interim -, digerir a destruição da Palestina? E os "artistas" os mesmos dos anos 80 que ainda não partiram, e que seguem por aí, com seus violões, ainda esperançosos, ricos ou remediados e engajados na militância (com o mesmo entusiasmo futebolístico e religioso). Sim, estamos no auge de um verdadeiro momento bipolar: Com um lado ouvindo a Tanhauser, do Wagner, (aquela que Hitler tanto adorava) e o outro, as flores do Vandré e o Cálice, do Chico...  e quando muito, a Bob Dylan... (do fundo de uma barbearia, se ouve alguém cantarolando: sou um bezerro gritando mamãe...)

E com um bando exibindo ferozmente as misérias do outro! Troca de profecias e de maldições! Enfim, uma dialética cheia de dogmas, vinganças e de superstições... De um lado estaria o shangrila e do outro o apocalipse... E nas tvs e nas rádios, as mesmas propagandas enganosas de sempre, que regem a vida dos otários. O Omega 3... O Fish Oil, As canetas emagrecedoras! O viagra! O magnésio! O Rivotril! Vários milagres e muitos tipos de suplementos alimentares, lágrimas e colirios artificiais e de pós, cremes, promessas de salvar as mulheres, as crianças, os deficientes físicos, os negros, os ciganos, os judeus, os albinos, os hipertensos, os moradores de rua... e de oferecer longevidade (nas clínicas) e eternidade nos templos... e de colonizar e implantar capitanias e um new sistema de "cismarias" na lua e em marte... Bah! Que circo! A inteligência artificial desbancando todos os tipos de delirios, megalomanias, mentiras e de charlatanismos! As gravatas, os paletós e esse calor infernal e fdp ao qual o populacho é exposto? Oferta de ventiladores, de ar condicionado, de gelo e de esperanças! A memória de um passado utópico e falsificado... Essa patologia incurável. Platão e a república. E cada  dia mais afundados em ismos. (capitalismo, comunismo, fascismo, sionismo, autismo, futurismo, liberalismo, narcisismo, cristianismo, espiritismo, jornalismo, psicologismo, anarquismo, evangelismo...). E, no meio de tudo, escamoteado, sigiloso e quase sagrado, o voto. As pesquisas mais do que esotéricas manipulando os rebanhos, enquanto os bispos, os padres e os pastores vão ameaçando excomungar aos ateus e comunistas... Comunistas? Me cite um! E, nos jornais, as últimas notícias sobre as surubas no triplex do Vorcaro. Um universo povoado por juízes, putas e dinheiro! Leo Huberman e a História da riqueza do homem. Do homem? Mas, e elas? Quem se atreverá a escrever a História da riqueza da mulher? E aqueles dez mil reclamados pela cafetina? A xota! A única moeda de troca que (apesar do trabalho exaustivo de Marx) se manteve intacta desde sempre. (En la ciencia no hay calzadas reales, y quien aspire a remontar sus luminosas cumbres, tiene que estar dispuesto a escalar la montaña por senderos escabrosos... (K. Marx em seu posfácio a la segunda edición Del Capital). E a moça que dá a notícia, confessa "quase passar mal" ao ver que numa das suítes do triplex, havia 5 mulheres para um só ministro. Caralho! Freud explica? E todo mundo está curioso para saber o que teria acontecido lá no interior daquela alcova. Ah! O voyeurismo! As memórias infantis e a impotência... E o mais cômico é o momento em que a jornalista noticía que o Vorcaro, depois de uma noitada com uma linda e exilada mocinha ucraniana, teria lamentado não ter, pelo menos, duas pirocas... (seria um sonho e um desejo universal?)

A velhinha armênia, que acordou cedo nesta mais bela quarta-feira de outubro, com cara de cínica, coloca sua mão esquerda em meu ombro direito e ordena: E você, seu palhaço, caia na real e, no domingo que vem, depois de ir à missa, exerça sua cidadania, e vá votar...





terça-feira, 13 de outubro de 2026

Brasília é sempre uma festa... POLÍTICA & POESIA NO AL JAZIRA, (jornal do Sheik Hamad bin Khalifa Al Thani - Qatar). Manchete sobre eleições no Brasil: NÃO AO PAI, NÃO AO FILHO...























A volta dos pirômanos e dos incendiários... A psicanálise e o simbolismo místico do fogo... (Ou, seriam os eleitores, de qual bando, que resolveram tocar fogo na Pátria?)





"O CAÇADOR: De que maneira posso ajudar-te?

O JAPONÊS: Da seguinte maneira: tomarei uma cápsula para dormir e ficarei como morto. Tu então me colocarás num caixão que será levado ao crematório.

O CAÇADOR:  Mas, e se acordares?

O JAPONÊS: É exatamente isso que quero. Por um momento sentirei o poder purificador do fogo. Sofrerei por um breve momento e então sentirei a felicidade imensa da libertação" (A.Strindberg, IN: El caminho real)  



Depois dos incêndios da semana passada na Universidade de Pernambuco (8 em 7 dias); dos quase 540 na Amazônia (só nesta semana); dos 39 do sábado, aqui ao redor do Distrito Federal e das labaredas próximas ao Centro Olímpico da Universidade de Brasília, neste domingo foi destruída, também pelas chamas, a Igreja Matriz São José, na cidade de Treze de Maio, lá em SC.... O que estaria acontecendo? Seriam apenas efeitos das águas mornas do Pacífico sobre o humor dos piromaníacos? Ou seriam os eleitores que resolveram, conscientemente, tocar fogo na Pátria?

Como não lembrar do mito de Roma sendo consumida pelas chamas enquanto Nero fazia um pizzicato em sua lira? Como não lembrar dos fornos dos Campos de Concentração e, claro, do braseiro eterno do Inferno? Do Bachelard e até mesmo do Garcia Marquez, com seus CEM ANOS DE SOLIDÃO?