segunda-feira, 20 de julho de 2026

Acabou...E a depressão caiu como um raio sobre Buenos Ayres...





"Si me dejan escribir todas las baladas de una nación, no me importa quién escriba las leyes..."
J.L.Borges
(IN: Volume I, p. 164) 





Acabou-se a gritaria e a cachaceira nos botecos... 

Agora, os pobres deverão voltar às suas 10:00 horas diárias de escravidão, aos ônibus lotados e às suas pobrezas. Os machos e as fêmeas domésticas aos seus lares; as cortesãs retornar para o Setor de Oficinas Norte e os mais histéricos empreender novamente o caminho de volta para os cassinos, as igrejas ou para os sanatórios. Para os torcedores mais compulsivos e entusiasmados, só lhes resta agora voltar à torcida pela carnificina entre Ucrânia & Russia; entre Israel & Teherã; entre os USA & o Oriente Médio. Já, os torcedores do além, poderão seguir (até o fim dos tempos), entoando a lenga lenga celeste e o conflito de interesses entre Deus e o Diabo, sem precisar lembrar que, como dizia Papini, a cumplicidade e a cordialidade entre os dois é bem maior do que se pensa... 

Na verdade, aqui no Brasil, por sorte, as torcidas nem precisarão desmobilizar-se, já que daqui a trinta dias começarão as disputas eleitorais. As Bets! As pesquisas. Lula ou Bolsonaro? Caiado ou Flavio? Zema ou Tarciso? Michele ou Janja? Sem falar na variedade de disputas, de intrigas, de malandragens e das prosopopéias cotidianas no Congresso Nacional entre os apologistas das canetas emagrecedoras e os da obesidade; entre os que defendem os 6 dias de escravidão por 1 de repouso. Seis por Um ou três por 4? etc, e sem esquecer que a FIFA já começa a organizar a COPA FEMININA para o ano que vem. Sim! O ano que vem a festa será aqui! A mídia e o populacho estarão bem servidos. Entretenimentos? Não faltarão! Há corridas de automóveis e de cavalos; jogos de vôlei; novelas; tiroteios; jogo do bicho e a SENA; aulas de culinária, cestas básicas; campeonatos de futsal nas favelas; viagra; cultos ecumênicos; casamentos coletivos; a vinda de dançarinas estrangeiras ao Rio de Janeiro para rebolar por duas horas em troca de 1/5 do PIB; aulas de inglês por IA; promoções de viagens à Disney, ao Beto Carrero ou às peregrinações para Fatima e Aparecida; pornografia cibernética; o aumento de 3% sobre os salários (inclusive sobre as aposentadorias); temos terras raras para encher o rabo de gregos e troianos e as tarifas do império (com os subsídios do governo às industrias e ao latifúndio) só afetarão realmente aos plantadores de acácias e aos Zés Ninguém, da esquina... Somos ou não somos quase a cidade do Sol, do Campanella? E é ou não é um privilégio estar entre os vivos nestes momentos de jubilo? De ser Penta e com a ilusão de que daqui a quatro anos seremos hexacampeões? (Ora!!! Vão foder outro!!!)

2. O Mendigo K, que agora pela manhã, estava ali na padaria espanhola, só ouvindo os papos, quando foi convidado a opinar sobre o jogo de ontem, foi curto e grosso: uma pelada entre escravos e entre novos ricos para divertir milionários e para adormecer politicamente às multidões... E prosseguiu: o que mais me chamou atenção, nem foi o jogo, mas aquele show para retardados mentais que aconteceu no intervalo. Além disso, duas particularidades no ritual da entrega do troféu. Primeiro, o vacilo da CIA, do FBI e do Irã, pois poderiam ter facilmente esfaqueado o Trump enquanto ele condecorava os campeões... Tanto o Lamine Yamal (a futura divindade da bola) como o Pedro Porro (porros?) ou qualquer outro, com um simples canivete nas cuecas, poderiam ter cometido o homicídio do século (Até tu Yamal?! - Até tu Porros!?). E segundo, fiquei surpreso com a falta de cordialidade dos jogadores para com a simpática Claudia Sheinbaum, presidente do México que estava lá, distribuindo cumprimentos e cordialidades ao lado de gente que você jamais deverá ir ao encontro sem levar uma pistola no bolso. Observe. Veja as imagens. Nenhum daqueles jogadores que passaram por ela, apesar de sua demanda e de seu olhar maternal, a encararam de maneira afetiva e nem sequer a cumprimentaram com cordialidade. O que teria acontecido? Misoginia ou anti-semitismo?

Na padaria, um castiçal feito por mouros, duas estátuas de toureiros cercados por ciganos, um vitral decorado com sangue de touro, os churros recém fritos e o cheiro alucinógeno do açúcar derramado proposital e comercialmente sobre a chapa quente + a música espanhola que ia dominando tudo...












domingo, 19 de julho de 2026

Roberto Arlt e Manu Chao... Clandestinos...


"Madrid es una ciudad sin fábricas y casi sin obreros. Su población está compuesta de una equívoca clase media, que vive gloriosamente de sua raídas pensiones y escasos sueldos y que detenta el crédito con éxito provinciano. Se calculam em cien mil los funcionarios públicos, y en treinta mil los estudiantes. Estas cifras no involucran militares, eclesiásticos, periodistas, artistas, ni el cinco por ciento de la población de Madrid produce lo que Carlos Marx denomina "plusvalía".
De allí que el chupatintas oficial, el burocrata al servicio de la República, es uno de los hombres, no más felizes de Espana, sino del planeta. Si era un hombre melancólico, deviene jovial; el irritable, se transforma en ecuánime. Una vez que ha ingresado en la repartición, es casi imposible expulsarle. Comparado con su hermano el chupatintas porteño, el madrileno goza de los privilegios de un dios. Ignora el terrible drama del funcionario argentino: la posibilidad de la cesantía. Mientras que el burócrata porteño, el tinterillo de tercera categoría a cada cambio de "régimen sufre las consecuencias de una expulsión violenta, el burócráta  madrileno, nicotizado, cafeinizado, pedante de politicas, glorioso de enjundias, ignora los riesgos del la cesantía y se permite no ya el lujo de hablar mal del gobierno, sino de conspirar. Y el gobierno no puede echarle a la calle."

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EM TEMPO : Ao ver os jogadores espanhóis, depois de, naquela pelada, derrotarem a Argentina, levantando aquele trofeu de uns 40 centímetros em ouro puro, como não lembrar das toneladas daquele metal que eles e os portugueses roubaram aqui do Brasil, do Peru, da Bolivia, do México, da Guatemala e mesmo da Argentina? Como não lembrar que aqueles altares das igrejas, principalmente as de Toledo, foram todos edificados com o ouro e a prata que rapinavam aqui das Minas Gerais?


















sábado, 18 de julho de 2026

Enquanto isso, a Argentina e a Espanha preparam a arena para el TOREO Y LA CORRIDA DE TOROS de mañana...



Uma curiosidade: O jogo de hoje entre as seleções da Inglaterra e da França (que nem Joana D'arc livrou os franceses da derrota), tirando o juiz, foi um jogo praticamente entre negros. Dos 11 ingleses e dos 11 franceses em campo, (sem falar dos reservas), a maioria era de negros, e provenientes das colônias africanas.., tudo muito parecido ao que acontecia lá no Coliseu de Roma daqueles tempos. Lá também a maioria dos gladiadores que entravam na arena para divertir e alegrar a Nero e à burguesia romana, eram escravos negros provenientes de países africanos colonizados e explorados. Que bizarra e curiosa repetição! Como não voltar a pensar na velha máxima de Marx de que a história se repete, primeiro como tragédia e depois como farsa? Pero, no pasa nada!!! Olha o Gol... Olha o gol... Olha o goooollllll...

Enquanto isso, enquanto montam e preparam a arena para a corrida de toros de amanhã, entre Argentina e Espanha, o Oriente Médio vai se devastando e derretendo em chamas... Y tambien, no pasa nada!

E Trump, o anfitrião, já se prepara para, (no meio de pompas e ao lado daquela mulher com aquele chapéu preto lhe tapando os olhos, como nos tempos do Bill Kid), entregar a taça aos vencedores... E, aos vencidos? Bem, aos vencidos, as batatas... Que tenha que entregar o 'troféu' aos presumidos da colônia argentina ou aos da colônia espanhola, tanto faz, qualquer um poderá adivinhar que, durante a solenidade, naqueles seus costumeiros gestos quase delirantes, seguirá ruminando a frase de Racine : "Sem dinheiro a honra não passa de uma doença".


















sexta-feira, 17 de julho de 2026

Enquanto isso... Fragmentos da poética hipersônica dos iranianos...



"Um dia, quando for seguro, quando não houver consequências pessoais por chamar as coisas pelos nomes, quando for demasiado tarde para responsabilizar seja quem for, sempre teremos sido todos contra isto..."

Omar El Akkad
















quinta-feira, 16 de julho de 2026

CICLOSPORÍASE. Em vista da pesada onda de diarréia que assola os Estados Unidos, Trump, que é pragmático, excluiu o papel dos novos produtos brasileiros tarifados...


 



1. Argentina 2, Inglaterra 1. E o futebol, ali no coração do império, cumpre sua função: expõe o vazio, a solidão, o transtôrno bipolar, a mediocridade (ver o argentino Jose Ingenieros) e a histeria planetária. Na Argentina, a festa e as milongas parecem não ter fim. Logo logo, até com a colaboração dos mendigos e dos assassinos mencionados nas obras de Arlt, edificarão uma igreja também ao petit e singelo Messi, igual ou até maior da que levantaram em homenagem ao Maradona. E o fenômeno é tão ambulatorial que não apenas a turma cuja profissão é decorar nomes de jogadores e descrever o perfil dos meia-de-campo e dos centro-avantes, mas que até o vendedor de pamonha, aqui da esquina, está em pleno alucinio, como se os gols (de um lado ou de outro) fossem alterar uma vírgula de sua  miserável vida. Caralho!!! Como recuperar a sanidade??? E vendo aquela multidão enlouquecida no meio da madrugada, lá em Buenos Aires, impossível não lembrar do velho e cego Borges: "es saberse culpable de velar cuando los outros duermen, es querer hundirse en el sueño y no poder hundirse en el sueño, es el horror de ser y de seguir siendo, es el alba dudosa..."(Vol III, p. 301)

2. E a inveja brasileira, mesmo disfarçada, emerge. Não apenas quando ouvem a Madonna cantando 

nem apenas pela mítica (cretina e mundial) ao redor do Messi e do futebol (esse passatempo anímico de palhaços), mas porque sabemos que há lá mais livrarias do que botecos... Que tiveram um Borges, um Che Guevara, um Piazolla e um Arlt. Porque a psicanálise deles é referência... E porque lá, mesmo com um racismo enrustido, com um catolicismo de catacumbas, com uma política e uma moeda de merda, o saneamento básico funciona e a água é quase 100% potável...

3. E as tais Malvinas? No meio do jogo lá em Atlanta, dizem que um torcedor porteño em frenesi, jogou uma bandeira daquele arquipélago no meio do campo e que no final, depois dos 2/1, levantaram uma faixa dizendo que as Malvinas são deles... Bobagens! Convivi com muitos deles (professores e doutorandos), na Ciudad de Méjico durante a guerra da Argentina com os ingleses (2002). Frequentemente apareciam chorando na Praça de Coyoacan ao ver seus "hermanos" adolescentes, levados despreparados, por generais psicopatas, até de tênis, para lutar contra o império britânico e sendo destroçados. Perderam. O arquipélago, aqueles pedaços de gelo inúteis, perdidos no Atlântico Sul... com seus pinguins desajeitados e patéticos... ainda continuam sendo colonialmente conhecidos por Falkland... E não será pela habilidade de 11 patetas (mescla de italianos, ibéricos, indígenas e até africanos subsaarianos), correndo atrás de uma bola de couro de vaca e nem por milhares de clows gritando das arquibancadas de um circo que o conflito se resolverá...

A propósito: a endemia atual, de ciclosporíase lá nos USA, teria alguma coisa a ver com tudo isso? Ou seria, mais bem, pelos mísseis e pela pontaria de ontem, dos iranianos?


 













quarta-feira, 15 de julho de 2026

O Mendigo K... entre dois tipos de ópio: o futebol & a literatura...



"Bah! Ahora no quiero pensar en nada más. Tampoco en Dios? No! Dios estará conmigo. Qué necesidad tengo de pensar en Él? Dios está con los que no piensan".

Robert Walser, Jakob von Gunten


Nesta quarta-feira de julho, com o Ministério da Saúde e as freiras da mídia recomendando obsessivamente que, os velhos, - se não quiserem ter uma síncope na fila do INSS e irem para o outro mundo sem assistir Argentina/Inglaterra-, devem beber muita, mas muita água, o Mendigo K apareceu ali nas galerias do shopping, meio afobado, buscando a melhor vitrine para, às 4 da tarde, assistir ao jogo. Quando me viu, não conseguiu esconder uma certa preocupação e um certo medo que eu fosse classificá-lo como mais um dos idiotas da bola e foi jurando que seu interesse por aquela babaquice, era puramente literário & antropológico. Para convencer a mim e aos que nos observavam, foi retirando de uma bolsa de couro e exibindo também aos que passavam umas cinco brochuras sobre o assunto, livros que dizia ter lido:

1. A bola não entra por acaso, de autoria de um tal Ferran Soriano.

2. Futebol & guerra, de Andy Dougan.

3. Entre os vândalos, de Bill Buford.

4. O negro no futebol brasileiro, de Mario Filho.

5. Como o futebol explica o mundo, de Franklin Foer

E até um em inglês que ainda não foi traduzido: Football against the enemy, de Simon Kuper.

E, por último, mostrou-me um do mítico uruguaio, daquele que escreveu As veias abertas da América Latina, titulado: Futebol ao sol e à sombra. Deste, quase religioso e quase com lágrimas nos olhos, fez até questão de citar parte de um parágrafo, sobre Pelé:

 “Quando Pelé ia correndo, passava através dos adversários como um punhal. Quando parava, os adversários se perdiam nos labirintos que suas pernas desenhavam. Quando saltava, subia no ar como se o ar fosse uma escada. Quando cobrava uma falta, os adversários que formavam a barreira queriam ficar de costas, de cara para a meta, para não perder o golaço”.

Completamente derrotado, convicto de que a bola é o ópio do populacho, de que o rebanho é imbatível e de que o mundo jamais conseguirá livrar-se do aprisco, ziguezagueei abobalhado por entre aquelas geladeiras, televisões ligadas, vassouras, bandeirolas e máquinas de lavar, das Casas Bahia... E, como a única diversão que encontro no futebol é ver o árbitro apanhar (Pitigrilli), também estarei, hoje à tarde, beociamente, apostando todas as fichas, não no gol, mas na conhecida atuação afetiva dos Barras Bravas e dos Hooligans...