quarta-feira, 15 de abril de 2026

DA GUERRA. Islamabad é poesia pura! O estreito de Ormuz & a Vulva Mítica...

 

Se a nós que estamos aqui do outro lado do mundo a guerra ao redor do Estreito de Ormuz já está nos enchendo o saco, imaginem aos grupos mergulhados no meio daquela mentirada toda, e daquele tiroteio sem fim e sem sentido. 

Inacreditável!

E o mundo, de um extremo a outro, da esquerda e da direita, do centro e da periferia, entre os tapados e entre os vivaldinos, de entre os loucos para lamber umas botas e os apocalípticos de turno, só se vê o escancaramento da vassalagem e da indiferença. Gente sem atributos, cacarejando, aqui e ali, algumas pretensas verdades e outras meias verdades, pensando só no próprio estômago, nas próprias tripas e, obsessivamente, cacarejando sobre Ormuz, sobre o estreito de Ormuz! Ah! O Estreito de Ormuz! Frase que já está ganhando um não sei quê de erotismo, a ponto de algumas pessoas até trocarem 'estreito' por brecha! Abrir e adentrar pela brecha de Ormuz! Deixar o petróleo passar pelo estreito! Cobrar pedágio! Quanto se tem que pagar para penetrar nele e como interditar o ingresso a forasteiros?! etc, etc. Quem é que ouvindo há meses esse blá,blá,blá místico religioso e canalha não se lembra da "coisa obscura", da Ligia Bellini e da "vulva mítica", do Georges Devereux?

Ainda bem que, de vez em quando alguém, entre um míssil e outro, menciona o vocábulo mais musical e mais poético do dicionário paquistanês: ISLAMABAD. Que só perde para PESHAWAR...

Mas não adianta espernear e nem idealizar. Agora é demasiado tarde! A gerontocracia que, desde seus escritórios e alcovas vem administrando esse desvario e esse massacre mútuo, está cagando para a opinião do rebanho, talvez, quem sabe, por saber que - como dizia J. Cocteau "tudo o que fazemos na vida, mesmo o amor, fazemo-lo no comboio expresso que rola para a morte..."



 




domingo, 12 de abril de 2026

Surrealismo, ingenuidade e vassalagem...


[... Esmagaremos todos os revolucionários com nosso tacão, e espezinhá-los-emos.
Somos os senhores do mundo: O mundo é nosso. Quanto às hostes dos trabalhadores, vivem na lama desde o início da história. Continuarão na lama enquanto detivermos o poder. É essa a palavra. É a rainha das palavras: PODER. Não Deus, nem dinheiro, mas PODER].
Jack London
(IN: O tacão de ferro)

No exato momento em que (por razões óbvias), grande parte dos países que ainda têm alguma auto-estima e algum amor próprio tentam manter distância dos Estados Unidos, o Brasil firma contrato com eles, com o pretexto fajuto e esdrúxulo de combater, aqui na volta da esquina de nossas casas o "crime organizado". Ora! Além de  ser um atestado de incompetência, (já que somos um país com espias, alcagüetes e polícias por todos os lados), esse tipo de parceria caracteriza também uma traição até mesmo para com nossas facções criminosas, para com nossos marginais, excluídos e bandidos de meia tigela que o Trump quer, a todo custo, transformar em terroristas.

Enfim, agora que a merda já está feita, que ninguém se assuste se o próximo passo desse acordo será a instalação de uma base militar americana ali na Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguay e Argentina) e outra lá no meio da Selva Amazônica. (como as que os USA têm nos países vassalos e decadentes da Europa e do Oriente Médio).

Ridículo! Mentalidade doméstica, suburbana e de colonizados!

Se nossos burocratas, executivos, diplomatas e outras gangues nacionais traidoras e fingidoras já tivessem lido a J.L.Borges saberiam, duas coisas: 1. Que o cão volta sempre ao lugar do vômito, e 2. que Aquilo que foi uma vez volta a ser infinitamente.















domingo, 5 de abril de 2026

Do feriado pagão, da "moça de programa" e da Praga Emocional da humanidade...






Apesar de estarmos numa semana de sobriedade e de "temperança", quando um terço da humanidade, fingindo melancolia, em jejum e se abstendo das escatológicas churrascadas, relembra e comemora as sessões de tortura e o assassinato de Cristo... o caso do conflito ocorrido na semana passada entre um ilustre deputado e uma senhora de programa (cujo preço, sua excelência achou absurdo), continua repercutindo. Segundo o noticiário, depois que os feriados da Semana Santa passarem, ela estará indo ao Conselho de Ética da Câmara denunciar o cliente por acosso moral, inadimplência e agressão, fatos que - segundo ela - podem até comprometê-la diante da comunidade cada vez maior de concorrentes e da própria sociedade, enquanto ele continua jurando, perante os Homens da Lei, que o preço era realmente exorbitante, mas que não tocou nela, 'nem sequer com um dedo'. Sempre os dedos! Que cômico e que gozado! E o mundo? Como fica o mundo? Esse simplório covil, que veio pelos séculos afora achando que os dedos só serviam para apalpar as folhas da bíblia e tocar violino? Por precaução, não diz nada e só acompanha o caso boquiaberto.

$ 3.000,00!

Três mil? É muito? Pouco? Ou um preço justo para o bolso de um parlamentar? Depende. Seria até importante voltar a Marx e ver lá no Tomo III "como o valor e o preço da força de trabalho se converte em salário". E analisar o caso, tanto do ponto de vista da qualidade do produto isto é: do cardápio, como da oferta. E claro, do cliente, do contracheque, dos penduricalhos, do mercado financeiro, do investimento daquele dia no overnight e, inclusive, de como andam as coisas lá pelo Estreito de Ormuz: O petróleo passará ou não passará? 

Segundo os persas: No pasaram

A não ser que o Trump, antes que lhe metam num manicômio, (ele que, como o ilustre deputado, também tem uma longa ficha corrida com essa categoria de trabalhadoras) resolva ir pessoalmente, para o golfo Pérsico, abrir o estreito de Ormuz na marra. O problema é que há duas pedras no meio e nos lados do caminho: uma são os camaradas do Iêmen, e a outra, os mísseis hiper-sônicos dos camaradas iranianos... 

Enfim, como hoje se comemora a Páscoa, ritual supostamente judaico, mas que na verdade foi plagiado de tribos pagãs de 1500 aC, e como ninguém é de ferro, os mendigos que estavam ali em frente ao mercado dividindo um ovo de chocolate e já com meia garrafa de cachaça nas tripas, se abraçavam, vertiam até algumas lágrimas sobre os trapos (os próprios e o dos colegas) e se desejavam, ardente e repetidamente, uma Feliz Páscoa! Curiosamente, um deles, o que tinha mais pinta de ter sido um comportado coroinha, mutilado pela culpa, e que bebia num copo de papel, a cada vez que levava a cachaça à boca, pronunciava: "persisti em fazer isto, todas as vezes que a beberdes, em memória de mim..."

Uma mini orquestra, não muito afinada, ilustrava a manhã com Carinhoso, do Pixinguinha: