segunda-feira, 30 de março de 2026

A proibição da missa na Igreja do Santo Sepulcro... e a cristandade em fúria contra Netanyahu...

 


[... De certo ponto em diante não há mais como voltar, esse é o ponto que deve ser alcançado...]
F. Kafka
(Citado por Paul Bowles, IN: Que venha a tempestade, p. 10)







Como todo mundo já leu nos jornais, viu nas televisões, ouviu nos botecos e nos sermões de ontem, o Netanyahu (num dia de intensos bombardeios), proibiu que o cardeal Pierbattista Pizzaballa (que nome!?) rezasse a missa do Domingo de Ramos, na Igreja do Santo Sepulcro, lá em Jerusalém. E isso causou e está causando um terremoto nas paróquias, nas sacristias, entre os coroinhas e as beatas do universo cristão inteiro. Mesmo aqueles que assistiram indiferentes e calados, durante meses, os bombardeios de Israel contra Gaza, agora estão injuriados, indignados e resmungam: Isto é uma heresia! Uma provocação! Um pecado capital! Um ato do anticristo! Deus não aceitará as rezas daqueles que fazem guerra, veio proferir em  público o papa peruano.

Como se vê, tanto o enriquecimento de urânio como as fontes de petróleo parecem ser apenas pretextos e que o que está verdadeiramente em jogo, na essência dessa guerra animista, estúpida e sanguinária dos EEUU e de Israel contra o Irã, é a religião e a fé. Um conflito  mais bem para decidir o verdadeiro status e a verdadeira identidade do demiurgo/arquitecto que, por descuido, teria engendrado esse pobre hospício... e questa, como diria minha bisavó, povera gente...












DA FELICIDADE. Mais um grego... cacarejando sobre essa ilusão...

 





















 

domingo, 29 de março de 2026

VÁRIAS... Da guerra & da misoginia...





1. Sem dar um pio e na maior passividade, o país inteiro assistiu ao patético e vibrante espetáculo da CPMI do INSS e todo aquele blá blá blá, em um começo de noite, transformar-se em cinzas. Como explicar? Será que é porque - como dizia o pai do Xico Buarque de Holanda - somos um rebanho cordial? Seja por isto ou por outras razões, a verdade é que os velhinhos que foram esfolados seguem por aí, tontos, gastando suas aposentadorias em farmácias, comprando sua losartana em prestações, falando sozinhos, jogando dominó nas paradas de taxi e ziguezagueando no meio de toda essa farsa, e ainda esperançosos com os chocolates da sexta-feira da paixão... 

2. No Irã, Estados Unidos e Israel depois de terem explodido uma escola primária e matado a uma centena de alunos, agora bombardearam duas das principais universidades de Teerã. Está cada vez mais evidente qual sempre foi e é o objetivo do imperialismo e do colonialismo. O Irã, com razão, exige que os agressores, no mínimo, se desculpem, caso contrário, acionarão seus mísseis e detonarão sete ou oito instituições de ensino gringas espalhadas pelo Golfo Pérsico. E assim, o planeta voltará mais rápido ainda para a Idade da Pedra Lascada...

3. Mas, a maior aberração dos últimos dias e tempos é a lei que, em parte, já foi aprovada, a respeito da misoginia. É importante que as mulheres se voltem imediatamente contra essa insanidade, se não quiserem ser acusadas de estar colaborando com um desvario e uma solidão ainda maior do que a que já conhecem, tanto para seus companheiros como para si mesmas. É inacreditável que alguém - com seu desejo e seu gozo em dia -, tenha idealizado essa barbaridade que, além de lotar caoticamente as cadeias, transformará a mulher numa espécie de alcaguete subnormal e num ser abominável. Qual é o homem que conseguirá relacionar-se de forma natural com elas? E não apenas amorosa mas inclusive, amigavelmente, a não ser os tartufos e as outras mulheres? A propósito, será que estamos diante de um projeto tirano, opressor e universalizador da homossexualidade? Tudo bem, mas qualquer um sabe que a misoginia, ao invés de ser um transtorno maldito e exclusivamente masculino, às vezes, entre elas, é até igual ou maior que entre o dos homens. Sem falar da misoginia que saltita de uma página a outra da Bíblia e de outros livros sagrados (inclusive no Popol Vuh). Deem uma olhadinha nos discursos vingativos do tal Paulo. Irão censurá-lo e prendê-lo? E a Bíblia, será confiscada ou reescrita? 

De onde teria surgido essa ideia de jerico? Essa desconfiança, essa repressão sexual e esse ódio pelos genitais entre aqueles que, pelo contrário, poderiam estabelecer entre si uma cumplicidade, até subversiva, diante das balelas e dos horrores da existência?

A velhinha armênia, por exemplo, sempre que me encontra gosta de previnir-me: Bazzo, não esqueça que quando duas mulheres estão rezando, o fazem sempre implorando pela desgraça de uma terceira.

https://www12.senado.leg.br/institucional/procuradoria/noticias/senado-aprova-criminalizacao-da-misoginia


 

sexta-feira, 27 de março de 2026

E Brasília continua uma festa (parte 2)



Nesta primeira sexta-feira de outono, voltei a ler a reportagem que me foi enviada ontem, tratando do affair entre um deputado, sua assessora e uma mulher das chamadas "de programa" ocorrido na noite passada ali na beira do lago, num dos restaurantes que a mídia, não sei se por sarcasmo ou por ironia, costuma chamar de zona nobre.

Pois bem: nesta releitura percebi que não apenas a palavra "laceada", dita pela assessora do deputado, merece uma tradução, mas também o adjetivo "baranga", usado pelo distinto parlamentar, ambas contra a puta.

Voltei ao Aurélio que, na página 230, um pouco antes de barangandã, dá a seguinte definição: (baranga - de má qualidade; de pouco ou nenhum valor).

Além disso outros trechos da matéria, que ontem me passaram desapercebidos, agora, me parecem relevantes. Por exemplo: o fato de ter sido a assessora do parlamentar a acusar aquela fulana de ser uma puta de "buceta laceada". Mas então, o tamanho e o laceado importam, inclusive para elas? Um trecho do vídeo que é espetacular, é quando, no meio da discussão salarial, se pode ouvir a assessora, em defesa de seu chefe, dizendo à suposta puta: O que você está fazendo aqui? Se não quer dar, pegue sua bucetinha e vá embora. (Bucetinha? Mas não era laceada?)

Segundo dizem, o parlamentar, em outras ocasiões (especulando sobre a prostituição) afirmava que aquilo que as mulheres não têm em casa, vão buscar na rua. Tudo bem, pode até ser verossímil, mas estaria ele se referindo a sexo ou a dinheiro?  Ou às duas coisas juntas? Ou, quem sabe, até a Engels, (o amigo de K. Marx) quando ele afirmava que a diferença entre a puta e a esposa é que uma se paga por instantes e a outra por toda a vida?

O Mendigo K, que habita sob um viaduto, com sua esposa e filhos, não muito longe do Palácio do Governo, e que circula à noite por uma região perigosa onde as mulheres não cobram mais do que 70 reais, estava abismado com o preço da tal laceada, que, segundo as notícias, ia de 1000 a três mil por umas horas. Antes de sair do boteco onde nos encontramos, fez questão de, em defesa de todas as putas do mundo, recitar este trecho, do filosofo romeno: "Carecer de convicções a respeito dos homens e de si mesmo, esse é o elevado ensinamento da prostituição, essa academia ambulante de lucidez, à margem da sociedade como a filosofia..."

Enfim, essa noite ficará para sempre na história e no imaginário de Brasília.

E como estamos no outono, o afiador de facas passou lá embaixo, com suas tralhas e seu chapéu, assobiando uma canção dos puteiros andinos:


 










quinta-feira, 26 de março de 2026

E Brasília continua uma festa! Mas por que o Aurélio não deu importância à palavra laceada???




Minha correspondente acaba de enviar-me a notícia publicada num jornal local sobre um conflito acontecido ontem à noite aqui na cidade, (num dos tais bairros nobres????) entre um deputado federal, sua assessora e uma 'profissional do sexo'.

Tudo teria acontecido num desses restaurantes onde por 7 centímetros de carne, uma colher de purê e meia cenoura se tem que pagar 480 reais. Diz a notícia que o deputado, abordou uma dessas prostitutas chiques que, nas noites de quarta-feira, adoram ciscar ao redor dos três poderes e que estava caçando por lá. Minutos depois da abordagem do excelentíssimo parlamentar, por questões de preço, surgiu um conflito entre eles. Uma ida à alcova com aquela beldade flutuava entre 1000 e 3000 reais. Como o Dom Juan entendeu que havia plusvalia demais naquele valor, já que o STF, horas antes, havia cortado parte dos penduricalhos, e como a moça se mantinha resiliente, não demorou muito para que a discussão saísse de controle, com ela o mandando 'arrumar os dentes', e ele a chamando de baranga.

Até aí, + ou - normal.

Mas, com a discussão se prolongando e saindo de controle, a assessora achou conveniente intervir, primeiro, lançando um copo de cerveja na tal 'pistoleira' e, em seguida, indignada, acossando a seu chefe: Deputado, você vai seguir perdendo tempo com puta? De buceta laceada?

A polícia apareceu, etc, etc, etc.

Buceta laceada!? Laceada? Que bizarro! Nunca me deparei com uma frase tão impactante destas. Corri ao dicionário. Nada! Exatamente na página 1000, do Aurélio, pode-se ver: 

- laceira, 

-laceração, -

-lacedemônio, -

-lacerante, 

- lacha, e até lacerdinha, mas nenhuma menção a laceada.

Apelei para a IA e para o google: laceada, - diz o Google - é o particípio do verbo lacear. Palavra que antigamente se usava para referir-se a algo que havia recebido laços. E que agora, na pós modernidade, se usa para designar, vestimentas, sapatos, roupas, chapéus e etc, que com o uso foi se alargando e se afrouxando...

Ah, bom! 

Quem é que não gostaria de ter uma assessora dessas?