Moral cristã e da história:
"Bom é ter amigos ainda que seja no inferno...
Aqui no coração da República, nesta mixuruca quinta-feira de junho, não se fala em outra coisa além da panturrilha direita do Neymar e da bolada que outro Senador teria recebido do Banco Master, por favores prestados. Um singelo presentinho imobiliário (este, não em São Paulo, mas lá na terra do Gregório de Mattos), no valor de quase 3 milhões. Valor, é verdade, um pouco inferior aos que (segundo a mídia) recebeu aquele outro, também dedicado "servidor da pátria", que chegaram a 4, 5 milhões...
Que curiosidade!
Que estranho fascínio dessa gente pela moradia e pelo lar! Lar, doce lar!
Será que teria sido de uma paixão como esta que surgiu o Slogan Minha casa minha vida?
Tramóias à parte, filosófica e socialmente falando esse tipo de transações deveriam até ser interpretadas, ao invés de corrupção, como ações sociais. Pormenores do iluminismo e da renascença... Qual é a esposa, quais os filhos, quais as famílias que não anseiam e que não merecem habitar num desses estupendos shangri-las verticais?
O problema e que agrava ainda mais a situação, é o que se ouve pela rua: Bazzo, como ficamos nós, que sobrevivemos quase sem ar em nossos cortiços parecidos à jaulas, construídos ainda pelo inesquecível P. Naya (lembram?) que substituiu o cimento por areia e que, cheios de desníveis e de rachaduras, ameaçam desabar até sob o badalar dos sinos e dos trovões destas noites juninas???
Ouvindo as notícias vindas do cárcere e do banqueiro Vorcaro, não apenas sobre os apartamentos, mas principalmente sobre os banquetes, as gueixas, as garrafas de vinho e as diárias dos hotéis, mundo afora (aliás, não lhes parece que um hotel cuja diária chega a 20 mil, deveria ser implodido?), como controlar uma certa melancolia? Mesmo tendo lido a Cabala do Dinheiro e da Inveja, do rabino Nilton Bondi, como controlar a nossa, esse sintoma mesquinho herdado ainda de Cain e que, há décadas, tem congestionado os consultórios e os hospícios?
E o mais transcendente desta, e de todas as outras roubalheiras semelhantes é que o suposto e aparentemente autor, arquiteto e designer principal, dessa roubalheira, está tendo tempo suficiente para, atrás das grades, com sua lucidez, organizar a derrubada total e completa dos alicerces dessa dissimulada e falaciosa monarquia, travestida de república.
Mesmo que o Haiti, amanhã, (com Vodu ou sem Vodu) nos dê uma exemplar goleada, é preciso demolir até os escombros! Um chefete hoje, outros amanhã, outros depois de amanhã... Um partido e uma confraria endogâmica atrás da outra! Mas... sem perder a ternura e sem ilusões. Porque até os coroinhas e os mendigos já ouviram falar daquela bendita frase do Marx de que a história se repete, primeiro como tragédia, depois como farsa e por fim, como suruba....

