domingo, 22 de março de 2026

Enquanto você fica aí, reacionária e miseravelmente diante dos espelhos, assistindo ao Big Brother e coçando o traseiro... Uma entrevista fundamental...





















Das idiotices da guerra e das idiotices de fé...


Observem como
[... Toda filosofia tende a reconhecer que a 'arte de viver' se resume a um 'saber sofrer' e, no melhor dos casos, a um 'querer sobreviver'...]

Dominique-Antoine Grisoni
(IN: Éloge frivole du mal et du plaisir de vivre, p. 40.)




Aqueles que em suas vidas (por preguiça ou por alienação), não tiveram oportunidade de fazer poesia, nem de estudar psicopatologia, geografia, arqueologia, filosofia e teologia, agora, com o desenrolar da guerra entre Irã, EEUU e Israel, têm uma chance, que é única e rica naquelas matérias: O Golfo Pérsico! O Mar Vermelho! O Estreito de Ormuz; a imensidão de Neguev e daqueles desertos; as maravilhas dos objetos voadores com seus explosivos; Aden (ali onde Rimbaud, o poetinha francês, autor de O navio ébrio, ia contrabandear armas); as ogivas satânicas sobre os lugares sagrados; a disputa entre israelenses e libaneses pelas águas do Rio Litani; os soldadinhos da ONU, em fraldas, fazendo horas extras e teatro no meio dos destroços; a mira e a precisão impressionante dos mísseis; Tel Aviv e Teherã como duas imensas enfermarias; os surtos paranóicos e sado-masoquistas no interior dos bunkers, e a juventude dos países envolvidos (cheia de tesão e testosterona, ao invés de estar trepando em suas pátrias), está aí se matando em nome de uma gerontocracia desprezível. O dedo no gatilho, a mira na direção das centrais nucleares de Dimona e de Fordow e o arrependimento por terem nascido; a desilusão tanto com a terra como com o céu que parece estar cada vez mais vazio e indiferente. Deus, como dizia Nietzsche, estaria realmente morto? (E teria sido ele que, intuindo que sua Criação viria a ser um fiasco, confidenciou a Adão o truque para o enriquecimento do urânio???)

O Iêmen, com seus heróicos houthis. Se baixas os olhos te deparas com a Etiópia, se os levantas das de cara com Omã. Omã! Oxalá não destruam a Omã! A fila de navios encalhados no estreito de Ormuz, repleto de bombas e de minas submarinas; e também no Estreito de Bab Al Mandab. Enquanto os barcos ébrios do Rimbaud seguem zanzando pelo mar arábico...

Os aforismos, as metáforas e as menções ao Velho e ao Novo Testamento impregnam a fala dos principais atores dessa destruição mútua e desse suicídio compartilhado. Na semana passada, inclusive, o Netanyahu, falando a seus soldados e justificando seus ataques ao Libano e em Teherã, chegou a associar Jesus ao mongol Genghis Khan... (E não ouvi nenhum padre, nenhum pastor e nenhum executivo do Vaticano dar um pio a respeito dessa heresia)... Agora, só falta o Trump, como ato derradeiro, mandar escrever nas asas de seus bombardeiros B-2: O sangue de Jesus é poderoso e salva!

É evidente que um dia, aqueles que sobreviverem, mesmo mutilados e loucos, sentirão muita vergonha de tudo isso!


 






sábado, 21 de março de 2026

De meu correspondente em Buenos Aires: "La felicidade es la paz que surge cuando dejas de huir de ti mismo..."

  

Acabo de receber notícias de meu correspondente, desde Buenos Aires. Começa citando a frase de Heidegger estampada no Clarin, não sei se de ontem ou de hoje. Em seguida, menciona o encontro do governo daquele país com o Urban (da Hungria) e logo, em voz mais baixa, diz que a cidade amanheceu um pouco + apreensiva do que o normal com a advertência da Guarda Revolucionária do Irã, a Millei:



Mas, em seguida, ele mesmo, declara que 'no pasa nada'! Que trata-se, apenas e outra vez, de uma pantomima planetária que se dissipa após a segunda empanada apimentada, ali en la Calle Corrientes...
Antes de concluir faz um comentário filosófico sobre a miséria de uma civilização perdulária que, depois de 5 mil anos ainda é dependente e escrava do petróleo. Observe - sugere - como tudo se resume ao petróleo! As máfias dos mercados atribuem tudo aos poços de petróleo e todos os instintos invejosos, cretinos e vingativos da espécie são mascarados com essa pasta putrefata e nojenta (restos de dinossauros, de alcantarillas e de civilizaciones miseráveis), extraída do fundo da terra e que não faz mais do que ir se depositar nos pulmões da espécie...

Faz um silêncio e se despede com Libertango, do Piazzolla (no violino)