quarta-feira, 29 de julho de 2026

Os mendigos, as donas de casa, Penélope, Homero e a Odisséia... (Essa bobagem épica da Grécia antiga...)

 


A turma acostumada há décadas às novelas da Globo, do SBT, da Record, da Band, da vida doméstica e etc, está eufórica com os capítulos da Odisséia, uma nova adaptação da peça de Homero, onde, curiosamente, Helena (a sequestrada) até aparece como sendo uma mulher negra... O que pensaria Frantz Fanon, dessa falsificação e dessa peleguice? 

Aí pelos mercados, aí pelas filas do SUS e até na porta das igrejas, só se fala nisso.. E Homero, (o poeta/autor dessa chatice, precursora da Disney e escrita praticamente para o mundo pré adolescente), está sendo visto quase com o mesmo olhar que a turma tem para com Moisés e, a Odisséia, como uma fábula que lembra ao Antigo Testamento, para não dizer à Bíblia. A propósito, o Mendigo K apareceu ali na padaria para lembrar que tanto o Antigo como o Novo Testamento foram traduzidos do hebraico para o grego, sabem por quem? Pelos gregos. Homero, VIII a.C. Antigo Testamento, 500 a.C. A Bíblia hebraica traduzida no século III a.C... Sem falar dos Jardins de Epicuro, das incursões pedófilas e pederásticas de Sócrates, de Heráclito, de Platão... e de toda aquela turma de lunáticos...

Nela, as fábulas, as lendas, as aventuras divinas, os oráculos, a feitiçaria, os mares, os desastres naturais, as caravelas, os milagres, as ajudas, trapaças e os castigos divinos, as memórias das pauladas e das matanças recentes em Tróia, tudo pela tara por Helena, (prova de que todas as guerras do mundo foram ginecológicas!), aquele cavalo, a obsessão pela morte e pela honra, tudo é demasiadamente esotérico, celestial, metafisico, cristão e grego... (Só faltou algum marinheiro daquelas barcaças, depois de um baseado, citando a Pitágoras  (570 a.C) e insistindo na balela de que o universo é feito de geometria e de música...).

Ah! As sereias! Ah! O canto das sereias! Os bois! Os porcos! O heroísmo! As feitiçarias de Circe! As intervenções cretinas dos deuses! Aquele homenzarrão de um só olho! E Ulisses! Que homem! A fidelidade e a espera de Penélope lá na ilha de Ítaca! Aquilo sim que era mulher de verdade! Tudo o que as donas de casa e seus rebentos mais admiram e adoram! 

- Estamos apaixonadas por Ulisses, por Penépole e por Homero! Ouvi duas trocando idéias com um pároco enciumado, ali na esquina.

Eu, que acho os 24 Cantos, daquela espécie de Pentateuco, de uma puerilidade, de uma sub-normalidade e de uma tolice de dar pena (só não sendo pior que os 10 Cantos dos Lusíadas), não nego que me emociono ao ler que quando Ulisses (enfim de volta), se apresenta à sua amada, ela, desolada, sente que aquele não era o homem que ela tanto esperava... Também me emociono ao ler que seu cachorro, ao reconhecê-lo depois de tanto tempo de espera, teve uma síncope e morreu... Sim, eu sei, eu sei, trata-se da mais singela e da mais pura malandragem poética de Homero (se é que existiu).

Anoitece aqui na capital da república. Quase na hora de mais um capítulo dessa tal Odisséia, da radiola do prédio em frente, me chega uma música dedicada à fidelidade daquela beata e estupenda mulher de Ítaca...  
Por tudo isto (e por mais alguma coisa), se vos ofendo - como diria Jamil Snege - soprai minhas cinzas...














O caso Millei... o teatro diplomático... e tudo embalado, como diría Borges, por una alba dudosa...





Enquanto... tanto lá em Buenos Aires como aqui, a mídia, o clero, a trupe diplomática e os chupa-tintas de todos os naipes fingem que o affair Millei (ele que acusou o Lula de "Ladrão" e chamou o ministro Morais de "careca lixo") ainda pode vir a gerar uma crise política, social, antropológica, militar, teológica, amorosa, metafísica e existencial entre as duas colônias, o populacho (de lá e daqui) já percebeu que é tudo teatro e balela. Quase uma forma carinhosa e homoafetiva de comunicar-se. Ah! meu ladrãozinho querido! Ah! meu careca inesquecível!
Enquanto isso, os negócios e as contas bancárias fluem, se movem nas sombras e nas penumbras, e todo mundo (da burguesia aos pés de chinelo) segue indo à missa e gostando de passar por Buenos Aires para, pela milionésima vez, ir ver Verdi (Otello), no Teatro Colón, e em seguida ir beliscar aquele asado, e aquele bife de chorizo com uns tragos de Malbec, lá pelos lados de Palermo, Puerto Madero ou de La Recoleta... Não é verdade?.... E todos, como diria Borges: desde a chegada de Colombo, até agora,, embalados por una alba dudosa... enquanto ouvem Yo soy Maria... Porque, apesar das putarias, dos insultos e do fechamento do Estreito de Ormus, La vita è davvero bella!!!!



















segunda-feira, 27 de julho de 2026

Miguel Ruiz Calvo - IN: O Irã e a arte da guerra...



























Millei, Lula, las malas palabras... y los interminables cambalaches...





Para entender as agressões e as canalhices do Millei, para com o Presidente Lula e para com um ministro do STF, (chamou o Lula de ladrão e ao ministro Alexandre de Morais de careca lixo) em sua recente visita ao Brasil, é fundamental e imprescindível lembrar-se de dois episódios:

1. Que Alberto Fernández, ex presidente da Argentina, (o mesmo que, em 2019, visitou Lula lá na cadeia de Curitiba), declarou recentemente, diante do presidente espanhol: "os mexicanos saíram dos índios, os brasileiros saíram da selva, mas nós, os argentinos, chegamos em barcos vindos da Europa". 
 2. Quando o Lula, em 2024, (não sei se da França ou da Alemanha), se posicionou a favor da luta dos palestinos, comparando o massacre de Israel na Faixa de Gaza ao massacre de judeus por Hitler, e foi imediatamente considerado persona non grata, por Israel.

É evidente que os ataques que o Brasil vem sofrendo tanto do Trump como do Millei, tem um nexo e tudo a ver com os acontecimentos acima e, inclusive, com a presença sistemática das bandeiras de Israel nas manifestações políticas promovidas pela chamada "direita", no Brasil.

Até os estrábicos, os cegos e os surdos já perceberam que tanto o Trump como o Millei e outros governantes trapaceiros (eleitos de forma bizarra) aí pela América Latina (Colombia, Peru, Chile e etc, etc) são fantoches a serviço de um projeto bem mais amplo, colonialista e etnico-religioso, do que se imagina...

Portanto, no meio de mais este cambalache, responder apenas com verborréia moralista, paroquial e bíblica às agressões desse e de outros forasteiros, é quase infantil. Seria bem mais revolucionário, convidar o tal Millei para, ali na USP, ou ali em frente ao MASP,  aprofundar suas teses e agressões e que, como tática de preservação da dignidade e de retaliação contra esses cretinos (daqui para diante), começar a guiar-se +, bem +,  pelo saber e pelas estratégias dos persas... do que pelo palavrório e pela putaria viciada e estéril das metáforas...

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EM TEMPO - Se fosse na época de Mussolini e de seus Camisas Negras, depois de suas declarações, Millei teria levado um cacete inolvidable...












domingo, 26 de julho de 2026

E começam as campanhas eleitorais...

    "... Um bando administra a diversidade do sistema enquanto o outro protege a hierarquia do sistema e ambos necessitam que a população confunda cultura com poder. (...) A cultura Woke permite à esquerda parecer revolucionária sem tocar na economia, já, a reação anti Woke permite à direita parecer popular sem enfrentar-se às elites econômicas. Por isso o debate nunca termina. Não está programado para terminar. Os adversários se alimentam mutuamente..." 

E o populacho está ansioso e até sonhando com as urnas...

Ver documentário abaixo: