
Se a nós que estamos aqui do outro lado do mundo a guerra ao redor do Estreito de Ormuz já está nos enchendo o saco, imaginem aos grupos mergulhados no meio daquela mentirada toda, e daquele tiroteio sem fim e sem sentido.
Inacreditável!
E o mundo, de um extremo a outro, da esquerda e da direita, do centro e da periferia, entre os tapados e entre os vivaldinos, de entre os loucos para lamber umas botas e os apocalípticos de turno, só se vê o escancaramento da vassalagem e da indiferença. Gente sem atributos, cacarejando, aqui e ali, algumas pretensas verdades e outras meias verdades, pensando só no próprio estômago, nas próprias tripas e, obsessivamente, cacarejando sobre Ormuz, sobre o estreito de Ormuz! Ah! O Estreito de Ormuz! Frase que já está ganhando um não sei quê de erotismo, a ponto de algumas pessoas até trocarem 'estreito' por brecha! Abrir e adentrar pela brecha de Ormuz! Deixar o petróleo passar pelo estreito! Cobrar pedágio! Quanto se tem que pagar para penetrar nele e como interditar o ingresso a forasteiros?! etc, etc. Quem é que ouvindo há meses esse blá,blá,blá místico religioso e canalha não se lembra da "coisa obscura", da Ligia Bellini e da "vulva mítica", do Georges Devereux?
Ainda bem que, de vez em quando alguém, entre um míssil e outro, menciona o vocábulo mais musical e mais poético do dicionário paquistanês: ISLAMABAD. Que só perde para PESHAWAR...
Mas não adianta espernear e nem idealizar. Agora é demasiado tarde! A gerontocracia que, desde seus escritórios e alcovas vem administrando esse desvario e esse massacre mútuo, está cagando para a opinião do rebanho, talvez, quem sabe, por saber que - como dizia J. Cocteau "tudo o que fazemos na vida, mesmo o amor, fazemo-lo no comboio expresso que rola para a morte..."



