quarta-feira, 1 de abril de 2020

O vírus, a burca e a máscara...


"Comme la strip-teaseuse: regarder, mais pas toucher..."

Patrick Declerck










Proibida há uma década na França e em outros países, a obrigação de usar burca (chadri), segundo os especialistas, não tem nada a ver com Maomé, partiu do pessoal do Talibã. Para as feministas, trata-se de uma forma de anular as mulheres; para as religiões ocidentais, um ofuscamento ao véu das carmelitas e a imagem do Cristo semi-nu; enquanto que para outros, é apenas um truque especial para atividades clandestinas. Quem é que esta por debaixo daquele pano? E, no meio das virilhas, levará realmente dois lábios?
Agora, ironicamente, o vírus forçou todo mundo que "quiser sobreviver" a usar uma espécie de burca. E as boutiques fashion já estão disponibilizando umas especiais para suas coquetes, e até com frases babacas do J. Lennon ou do Paulo Coelho. Brancas, pretas, de algodão, de seda, de papel feitas em casa. Lembra das que os velhos bandoleiros do Arizona usavam? E do capuz da Ku Klux Klan?  E dos disfarces dos torturadores nas prisões?
O mendigo K, chegado recentemente da Ilha de Ko phi phi, na Tailândia, contava a uns colegas que viu nos puteiros de lá, muitas meninas chegando de moto para trabalhar, e que portavam máscaras. Máscaras e disfarces.
 O mundo, acreditem, (numa boa!) é um hospício/circo em movimento.




terça-feira, 31 de março de 2020

Tudo bem, mas e o saneamento básico?


DALLA Venezia

"Fechava os olhos e entrava na ardente escuridão, esquecido de tudo, como o fumador de ópio que, ao entrar no asqueroso antro onde o patrão chinês fede a excrementos, acredita recobrar os céus..."
R. Arlt.

E o saneamento básico?
Com a visita do coronavírus, de uma ponta a outra do planeta só se fala em lavar-se as mãos, equipar os ambulatórios e "evitar mortes".
Mas, e o saneamento básico? 
E quando o coronavírus voltar a hibernar?
Nem é necessário ter dois ou três doutorados em saúde pública para saber que praticamente 80% das demandas hospitalares no Brasil, têm origem na insalubridade, nessa porcaria toda e na precária qualidade das águas consumidas pela população em geral.
E nem estou falando só do Brasil que, como todo mundo sabe, nas periferias e fora do exibicionismo das capitais, é um horror. Em São Paulo, por exemplo, a vinte minutos do MASP há córregos de mierda que passam praticamente por dentro dos barracos. E veja o que sai dos encanamentos das casas que ficam a vinte minutos pela retaguarda de Ipanema...
E se você circular pela periferia de Paris, de Roma, de Pequin, as coisas não são muito diferentes. Também lá há excrementos correndo no fundo das casas!  E, o mais bizarro e incompreensível, é que os PROFETAS DO ABSURDO, bem como os senhores do G20, da OMS, da UNESCO, da OIT, das ONGS de veganos e das confrarias de hipocondríacos do planeta inteiro, sabem muito bem disso. Fanfarrões miseráveis, a quem se deveria atribuir grande parte das misérias do mundo!
Mas, qual é o problema, afinal? 
O que é que essa afinidade e cumplicidade com os dejetos quer nos dizer?
Seria um ódio enrustido contra a espécie? Contra si mesmo? O instinto de morte descrito por Freud?
E as autoridades de plantão, que levam sua garrafa de Perrier na bolsa, não dão um pio sobre o assunto! Ao invés dessa masturbação cotidiana sobre o "vírus chinês" e a desgraceira que se aproxima, se deveria, pelo menos, garantir aos sobreviventes que, seis meses depois, sobre as cinzas e sobre as lágrimas, o país inteiro terá um sistema de saneamento básico completo. E mais: que se prestará contas dos trilhões que nos últimos cinquenta anos foram destinados a esse fim, mas que foram roubados, inclusive por gente que, frequentemente aparece por aí fingindo ser revolucionária, fazendo apologia da própria honra e da suposta dignidade de seus ancestrais....  
Ah, os esgotos! Um horror! Uma idiotice. Uma falta de tesão pela estética e pela vida! 






A errância do vírus e o olhar inconsciente dos fotógrafos... Será que o momento do clic é autorizado por uma perversão secreta? 2

Observe: "na terra, a única coisa que pode mudar é o estilo, 
o costume; a substância é a mesma..."
R. Arlt