sexta-feira, 27 de março de 2026

E Brasília continua uma festa (parte 2)



Nesta primeira sexta-feira de outono, voltei a ler a reportagem que me foi enviada ontem, tratando do affair entre um deputado, sua assessora e uma mulher das chamadas "de programa" ocorrido na noite passada ali na beira do lago, num dos restaurantes que a mídia, não sei se por sarcasmo ou por ironia, costuma chamar de zona nobre.

Pois bem: nesta releitura percebi que não apenas a palavra "laceada", dita pela assessora do deputado, merece uma tradução, mas também o adjetivo "baranga", usado pelo distinto parlamentar, ambas contra a puta.

Voltei ao Aurélio que, na página 230, um pouco antes de barangandã, dá a seguinte definição: (baranga - de má qualidade; de pouco ou nenhum valor).

Além disso outros trechos da matéria, que ontem me passaram desapercebidos, agora, me parecem relevantes. Por exemplo: o fato de ter sido a assessora do parlamentar a acusar aquela fulana de ser uma puta de "buceta laceada". Mas então, o tamanho e o laceado importam, inclusive para elas? Um trecho do vídeo que é espetacular, é quando, no meio da discussão salarial, se pode ouvir a assessora, em defesa de seu chefe, dizendo à suposta puta: O que você está fazendo aqui? Se não quer dar, pegue sua bucetinha e vá embora. (Bucetinha? Mas não era laceada?)

Segundo dizem, o parlamentar, em outras ocasiões (especulando sobre a prostituição) afirmava que aquilo que as mulheres não têm em casa, vão buscar na rua. Tudo bem, pode até ser verossímil, mas estaria ele se referindo a sexo ou a dinheiro?  Ou às duas coisas juntas? Ou, quem sabe, até a Engels, (o amigo de K. Marx) quando ele afirmava que a diferença entre a puta e a esposa é que uma se paga por instantes e a outra por toda a vida?

O Mendigo K, que habita sob um viaduto, com sua esposa e filhos, não muito longe do Palácio do Governo, e que circula à noite por uma região perigosa onde as mulheres não cobram mais do que 70 reais, estava abismado com o preço da tal laceada, que, segundo as notícias, ia de 1000 a três mil por umas horas. Antes de sair do boteco onde nos encontramos, fez questão de, em defesa de todas as putas do mundo, recitar este trecho, do filosofo romeno: "Carecer de convicções a respeito dos homens e de si mesmo, esse é o elevado ensinamento da prostituição, essa academia ambulante de lucidez, à margem da sociedade como a filosofia..."

Enfim, essa noite ficará para sempre na história e no imaginário de Brasília.

E como estamos no outono, o afiador de facas passou lá embaixo, com suas tralhas e seu chapéu, assobiando uma canção dos puteiros andinos:


 










quinta-feira, 26 de março de 2026

E Brasília continua uma festa! Mas por que o Aurélio não deu importância à palavra laceada???




Minha correspondente acaba de enviar-me a notícia publicada num jornal local sobre um conflito acontecido ontem à noite aqui na cidade, (num dos tais bairros nobres????) entre um deputado federal, sua assessora e uma 'profissional do sexo'.

Tudo teria acontecido num desses restaurantes onde por 7 centímetros de carne, uma colher de purê e meia cenoura se tem que pagar 480 reais. Diz a notícia que o deputado, abordou uma dessas prostitutas chiques que, nas noites de quarta-feira, adoram ciscar ao redor dos três poderes e que estava caçando por lá. Minutos depois da abordagem do excelentíssimo parlamentar, por questões de preço, surgiu um conflito entre eles. Uma ida à alcova com aquela beldade flutuava entre 1000 e 3000 reais. Como o Dom Juan entendeu que havia plusvalia demais naquele valor, já que o STF, horas antes, havia cortado parte dos penduricalhos, e como a moça se mantinha resiliente, não demorou muito para que a discussão saísse de controle, com ela o mandando 'arrumar os dentes', e ele a chamando de baranga.

Até aí, + ou - normal.

Mas, com a discussão se prolongando e saindo de controle, a assessora achou conveniente intervir, primeiro, lançando um copo de cerveja na tal 'pistoleira' e, em seguida, indignada, acossando a seu chefe: Deputado, você vai seguir perdendo tempo com puta? De buceta laceada?

A polícia apareceu, etc, etc, etc.

Buceta laceada!? Laceada? Que bizarro! Nunca me deparei com uma frase tão impactante destas. Corri ao dicionário. Nada! Exatamente na página 1000, do Aurélio, pode-se ver: 

- laceira, 

-laceração, -

-lacedemônio, -

-lacerante, 

- lacha, e até lacerdinha, mas nenhuma menção a laceada.

Apelei para a IA e para o google: laceada, - diz o Google - é o particípio do verbo lacear. Palavra que antigamente se usava para referir-se a algo que havia recebido laços. E que agora, na pós modernidade, se usa para designar, vestimentas, sapatos, roupas, chapéus e etc, que com o uso foi se alargando e se afrouxando...

Ah, bom! 

Quem é que não gostaria de ter uma assessora dessas?








A gente não quer só comida...




E o assunto da obesidade, da bariátrica, das feijoadas e da milagrosa caneta emagrecedora não sai de pauta. Agora, até os petits et admirables voleurs estão organizando assaltos seletivos nas farmácias. Se antes iam diretos para  as prateleiras do viagra, agora só querem saber das tais canetas emagrecedoras. Isto porque as clientes estão ansiosas e à espera do produto na volta das esquinas... E a euforia vai dos nutricionistas, aos bariatrinistas, aos especialistas da ANVISA e de diversas outras áreas... de donos de laboratórios à multinacionais; de psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais e donos de academias, a cirurgiões plásticos e a influencers, tipos que se revezam nas salas de redação dos jornais dando lições de como interromper a engorda. Negócios! Business! Sorte que a matéria prima não depende do Estreito de Ormuz. E que em breve estarão também no SUS, e de graça. E sobre o custo/benefício? Sim, há efeitos colaterais - dizem - mas os lucros e os benefícios são enormes. Não pensem que se trata de gordofobia! A estética é tudo. E há contrabando. Nas fronteiras com o Paraguay duplicaram o policiamento, porque os sacoleiros migraram da maconha e da cocaína para as canetas e porque os contrabandistas começam a ser vistos quase como endocrinologistas ou nutrólogos. Emagrecer! Mas sem perder o charme e o apetite, sem abandonar a compulsão, nem as feijoadas, as macarronadas, o pasto, o suflê recém saído do forno, os pudins, as pizzas... os arrotos, as paneladas... O sedentarismo, a preguiça, la siesta e o tédio... Sem perder a cumplicidade com o garfo. Os restaurantes. As comemorações, as ceias. A ansiedade. A comida como se fosse uma espécie de clonazepam vegano. Ah! Como admiramos os romanos que iam vomitar no banheiro para poder seguir comendo. Teriam sido eles os ideólogos da bulimia? Ao contrário do que diziam os Titãs: a gente só quer comida! Ingerir, lamber os lábios, palitar os dentes, digerir e em seguida livrar-se do material digerido... E nem lembrar que cada um de nós já devorou em vida, até agora, pelo menos, duas ou três vacas, uns vinte porcos, uns 120 frangos, umas patas de jacaré e sabe-se lá quantas tilápias... Ah! As toaletes! Ir aos pés (diziam nossas avós). Sempre que falo sobre este assunto volto compulsivamente ao Gog de Giovani Papini: "A existência dos comedores públicos é a prova máxima de que o homem ainda não saiu da sua fase animalesca. Esta falta de vergonha, até nos que se julgam nobres, requintados e espirituais, espanta-me. O fato da mente humana não haver ainda associado a manducação e a defecação, demonstra a nossa grosseira insensibilidade..."














quarta-feira, 25 de março de 2026

"PRISÃO DOMICILIAR HUMANITÁRIA..." (!??) Imaginem então, se se tratasse de uma prisão DESUMANA!!! O surrealismo é inacreditável...


"Méprisable farceur, ton théâtre est bien chancelant, fondé sur l'absurdité des nations de la terre"

Marquez de SADE





Transferiram um homem com mais de 60 anos, ainda com marcas de uma punhalada nas tripas e com uma pneumonia mal curada, para uma prisão que o judiciário e toda a mídia descrevem como "domiciliar HUMANITÁRIA". Inacreditável! Existirá? Alguém, na história desse manicômio (que é o mundo), já teve noticias de alguma prisão humanitária? Ora, seja ela numa das penitenciárias clássicas, numa cadeia de fundo de quintal, num shangrilá (escondido no meio das montanhas do Himalaia), num Spa ou num eremitério de freiras, será sempre e sempre um artifício sádico, um cárcere, um hospício, um claustro, uma prisão, um signo do fracasso, da solidão, da excrescência, do mau caráter e da vergonha da humanidade... 

E, no caso do preso em questão, além da argola no tornozelo, as restrições que lhe foram impostas são quase cômicas: estará expressamente proibido de quase tudo, inclusive de receber visitas (a não ser as de seus carcereiros e a de seus advogados), sob o argumento irônico e sarcástico de evitar contaminações... 

Como o preso tem mais de 60 anos, poderiam tê-lo proibido também de tomar um chá de artemísia antes de deitar-se, de mijar durante a noite e principalmente pela manhã, ao saltar da cama, quando a demanda e a urgência (todos os velhotes sabem) é incontrolável. 

Independente dos crimes cometidos pelo preso, (seja ele um adolescente ou um ancião, um magnata ou um pastor de ovelhas), a prisão é sempre a expressão de uma política vingativa e quase infantil, uma variante do mesmo horror (humanitário) que era praticado naqueles mundos e tempos selvagens que nos precederam e que nos faz lembrar que o Estado continua sendo provedor e  executor da narco ideologia que tanto se fala e o monstro descrito por Nietzsche. Ah! Duvido que exista alguém (minimamente saudável) que não esteja envergonhado diante desse desvario, uma vez que, nem Sade, (o autor de 120 dias de Sodoma), preso na Bastille, foi tão humilhado! E vergonha, não apenas por este preso, mas pelos 700 mil enjaulados Brasil afora, grande parte sem julgamento e por mera vingança. Vergonha,  inclusive, pelos milhões de "esposas" e donas de casa que permanecem durante décadas encarceradas em seus 'lares' no mais absoluto sigilo, edificando seu mundinho esquizoide... 

Enfim, sem ter que relembrar que o mundo, em si, já é uma imensa penitenciária e +, que algumas seitas delirantes ainda seguem por aí ameaçando o rebanho com as labaredas do inferno... é prudente seguir  rezando (de preferência de quatro) para que, pelo menos, trate-se de um INFERNO HUMANITÁRIO, de verdade.


 













segunda-feira, 23 de março de 2026

Excelente discurso do Lula no Fórum CELAC-África, viraliza planeta afora...


[... Neste plenário, todo mundo tem experiência de que seu país já teve seu ouro, sua prata, seus diamantes e seus minérios, saqueados.
Depois de levarem tudo o que a gente tinha, agora eles querem ser donos dos Minérios Críticos e das Terras Raras que nós temos. Esta é a chance da Bolivia, da África e da América Latina - se não quisermos ser novamente colonizados - de nos negarmos a continuar sendo meros exportadores de minerais para eles...]






















Nesta manhã (dizem), o Irã acertou a estrutura atômica de Israel (Dimona). E agora? Como poderão respirar aqueles que vivem a favor do vento? A ida al carajo se aproxima?