segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
domingo, 27 de fevereiro de 2011
MÃE É MÃE... VACA É VACA...
domingo, 13 de fevereiro de 2011
ROMA: HOJE PODE SER O FIM DE BERLUSCONI (Non ho mai visto un porco diventare vecchio, ma ho visto un vecchio diventare porco!» )
sábado, 15 de janeiro de 2011
quinta-feira, 2 de abril de 2009
A felicidade e a corja do G20
Nas suítes, banhos, massagens, elogios mútuos, puxa-saquismo. Um champanhe para comemorar a fala de nosso chefe! Cumpliciam-se no engodo, no engano na adulação astuciosa e na mentira para amenizar a culpa pela gatunagem. Daqui a pouco é hora de cair na noite. Uns gabam-se de já serem freqüentadores antigos da boate Neighbourhood. Outros vão à Turnmills. A grande maioria bota um brinquinho e vai rebolando para a Egg. Um punhado de Euros no interior do paletó e o Cartão Corporativo embaixo de um copo.
Pois é, e você que está aí palitando os dentes depois de devorar teu churrasquinho de gato, não adianta espernear. Estes são os jogos legítimos e as manobras clássicas da República ou, se preferires, dessa monarquia dissimulada. Sim, a revolução francesa serviu para isto: travestir aquele circo neste.
Amanhece. Todo mundo está visivelmente feliz e encontram-se no café antes de reiniciarem o teatro lá no auditório do G20. Uma das madames com olheiras imensas recita para seu acompanhante esta frase de Samuel Johnson: - Acorda meu bem... “Quando um homem está cansado de Londres, está cansado da vida”.
Ezio Flavio Bazzo
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
O exotismo delirante do mundo
O mundo está realmente cada vez mais exótico, fascinante, estressante, delirante, com o pulso cada vez mais acelerado e idêntico aos tenebrosos nosocômios do passado. A ruína do sistema financeiro internacional – por exemplo - que sempre foi um sonho de todos os libertários dos anos setenta acaba de acontecer. O Senador Jarbas Vasconcelos acaba de descobrir, estupefato, que seu partido é um ninho de víboras interesseiras e de corruptos. O primeiro ministro das finanças do Japão apareceu cheio de tragos para a reunião do G7. Uma brasileira em Zurich se tatuou o corpo com um estilete e tentou culpabilizar os carecas Nazis, trazendo à tona as discussões seculares sobre os rituais e os mistérios da histeria tão exaustivamente descritos pelo velho Charchot e pelo Monsieur Freud. Um professor é despedido na periferia de Brasília porque deixou seus alunos ouvirem uma música que insinuava o lesbianismo da cantora. Um apartamento de bosta custa trezentos mil euros no DF. O veterinário da esquina quer fazer um exame de sangue em meu cachorro antes de prescrever-lhe um carrapaticida. Os funcionários públicos continuam digladiando-se por uma mesa e por duas folhas de papel; alguns corvos derrubaram um avião nos EEUU; O Sr. Chaves poderá manter-se no poder até a eternidade... Os três mil prefeitos que estiveram fazendo demagogia na cidade, na semana passada, inflacionaram não apenas o mercado de táxis, mas também o da prostituição. Vargas Vila estava correto. Viver é prostituir-se! A vida mancha!
Ezio Flavio Bazzo
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Será possível seguir fazendo poesia depois de Gaza?
O massacre consentido que Israel vem promovendo na Faixa de Gaza nesses últimos vinte dias, têm servido para reafirmar, além do espírito vil da espécie, duas questões importantes: uma, que os grandes carrascos geralmente são sobreviventes de uma chacina e outra, que o caráter que rege os organismos reguladores internacionais é o mesmo caráter frouxo e embusteiro das cortesãs. Verborréia para cá e verborragia para lá, a verdade é que todo mundo se caga de medo de criticar Israel e de ser considerado antissemita. É curioso que o silêncio a embromação e a demora de intervenção das nações diante dessa carnificina miserável em Gaza foram exatamente os mesmos durante o período em que os soldados do III Reich humilhavam, matavam e queimavam judeus e ciganos em seus fornos. Lá todo mundo se cagava de medo de Hitler e postergaram a intervenção até que as estatísticas registrassem seis milhões de cadáveres, aqui, o pacto diplomático é que chegue pelo menos a mil e quinhentos. A indiferença é generalizada. Os professores seguem dando suas aulinhas, os gestores rebolando e gastando seus vinte mil nos shoppings, os padres fazendo suas "prédicas" caducas e os poetinhas indo perfumados e onanisticamente as soirées. A propósito, foi Adorno que, em sua época lançou a pergunta: será possível fazer poesia depois de Auchuwitz? Será que no meio dessa alienação decadente e dessa submissão ignóbil alguém se perguntará se será possível fazer poesia depois de Gaza?
Ezio Flavio Bazzo
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
A democracia dos babacas
Curiosa e maligna a insistência da mídia a respeito das "estrições democráticas" e das "censuras" vigentes no Estado chinês. E não faço esta observação movido por algum tipo de nostalgia ou de romantismo maoísta, mas por compreender que essas opiniões e essas críticas, mais libertinas que liberais, a respeito daquele país, estão fundamentadas num mal entendido. Baseadas numa crença equivocada e pueril de que nossa democracia sim é que é plena e verdadeiramente transparente e, que, portanto, pode servir de modelo para alguém. Ora, que demonstração de ignorância! Os arroubos de autopromoção a respeito da nossa suposta liberdade, os panegíricos em torno da pretensa visibilidade social, da presunção de que nossas políticas são plenamente republicanas etc., são bobagens e miopias que não convencem praticamente a ninguém, uma vez que vivemos em plena guerra fratricida e em descarada liberdade condicional. Uma vez que a tal transparência acaba no guichê do primeiro órgão público, na mesa de qualquer gerentezinho de banco ou no balcão de qualquer delegacia de polícia. E depois, todos somos testemunhas de que as últimas décadas foram pródigas em obscurantismos e em transações veladas neste país, e que o Estado, com seus respectivos poderes, tem sido mais um esconderijo, uma caixa preta e um bunker de segredos ideológicos e mercantis do que outra coisa.
Ezio Flavio Bazzo
quinta-feira, 10 de julho de 2008
O veneno público e a eutanasia
Finalmente o Tribunal de Milão colocou fim à grotesca situação da mulher que vinha sendo mantida em estado vegetativo há 16 anos. É curioso que o Vaticano continue insistindo em seus argumentos teocráticos e que a eutanásia ainda seja um tabu, logo na Itália, onde sabemos, já no ano 200 o romano Claudius Aelianus mencionava o veneno público que era distribuído pelo senado de Marseille àqueles que, por uma razão convincente, desejassem morrer e o solicitassem. Por outro lado a Cúria Papal tem obrigação de conhecer a tese de Lucaine, segundo a qual, para tornar os homens presos à vida, os deuses lhes ocultam o prazer e as delicias da morte.
Ezio Flavio Bazzo
terça-feira, 28 de agosto de 2007
As razões dos incendiários
Se desde Dionísio e de Sócrates já se desconfiava que os gregos não eram lá muito normais, agora, com a onda de piromaníacos querendo incendiar a Grécia inteira, ninguém tem mais dúvidas. Um milhão de Euros para quem caçar um piromaníaco e sua caixa de fósforos. Não será fácil. E os motivos que movem esses incendiários são sempre os mais diversos.
Os advogados e as polícias têm hipóteses semelhantes; os psicanalistas continuam insistindo que é a libido bloqueada provocando faíscas; os psiquiatras juram que umas gotas de rivotril teriam prevenido o desastre; os cínicos afirmam que é Prometeu devolvendo o fogo aos deuses; os crentes lembram Nero e Roma e dizem que são as profecias saídas da caverna de Patmos e o prólogo do fim dos tempos; os sociólogos repetem a lengalenga da alienação, das lutas de classes e do Reichstag na Alemanha; os ecologistas associam o gesto dos piromaníacos às suas teorias catastrofistas; os ricos dizem que é pura obra da marginalia, enquanto a marginalia acusa os ricos de estarem usando o fogo para tentar livrar-se da plebe suburbana etc.
Sim, há hipóteses e crendices para tudo neste mundo. Existem até aqueles que decepcionados com o andar da carruagem afirmam descaradamente que se o planeta inteiro pegasse fogo, salvariam imediatamente o fogo.
Ezio Flavio Bazzo
quinta-feira, 21 de dezembro de 2006
As pernas semi-abertas da América Latina
"Que alguien haya nacido, haya vivido, haya muerto, haya desaparecido sin dejar más direcciones que la del cementerio, es ahí donde reside para mí la esperanza".[1]
Ezio Flavio Bazzo

