sábado, 20 de junho de 2026

O HAITI É AQUI... Outra aula fantástica do Eduardo Bueno...




"... O Haiti é um laboratório dos horrores do colonialismo e do imperialismo... Um laboratório de tudo o que deu errado nas tais veias abertas da América Latrina.... Se houvesse um pingo de decência no mundo, na FIFA e na Copa, o Haiti seria campeão do mundo..."
























De peladas em peladas... E de alarmes falsos em alarmes falsos... Asi se van los dias...





Depois de ver estampado nos jornais o salário dos treinadores (Ancelotti 59 milhões anuais; um tal Nagelsmann da Alemanha, 41 milhões, etc, etc), alguém, no limite de sua miséria, toxidez e tolerância, lá pela 1:25 da madrugada, raqueou o Sistema de alerta da defesa civil Nacional e confessou ao mundo sua misantropia. 

1:25 da madrugada! Caralho!

E os singelos torcedores que, depois daquela pelada haviam conseguido adormecer, despertaram sobressaltados com aquela sirene que lembrava uma penitenciária. Seria uma nova operação da PF? Eu, particularmente, pensei logo naquele meteorito que os schopenharianos juram que está girando desgovernado pelas galáxias e que, num belo dia (davvero Bello), resolverá a parada. Mas teve gente que pensou que poderia ser o Trump caçando terroristas e voltando a acusar o Lula de ser um homem volúvel; a chegada de um boêmio extra-terrestre; a volta de Godot ou do messias e até aquela profecia (não sei se do Raul Seixas ou do Conselheiro), de que o sertão viraria mar... E o que agravou ainda mais o fato, foi que 99% dos que receberam em seus smartphones a tal mensagem: ALERTA EXTREMO DEFESA CIVIL: MISANTROPIA4, não tinha a mínima ideia do que a palavra misantropia queria dizer. Se tratava de algum vendaval? De algum vírus? De algo relacionado à invasão atual de escorpiões na cidade? Alguma nova marca de cachaça? Alguma novidade sobre o caso Master? Algum demônio que ainda não havia sido catalogado nas brochuras sagradas? 

E o dicionário? Como achar o dicionário numa horas destas? Por fim, algum burocrata (ou o próprio hacker) desligou o tal sistema (ou a sirene parou por si só) e a madrugada prosseguiu, silenciosa, com os borrachos de sempre se arrastando ali pelos botecos com o celular sem bateria e sem ter tomado conhecimento de absolutamente nada. Já, os insones e machos domésticos, espiando temerosos pelas janelas, voltavam a ser atormentados pelas imagens dos salários dos vivaldinos e da pelada. A fantasia de palhaço do goleiro brasileiro dominava as memórias e também o nome de um jogador do Haiti: Pierrot. Pierrot? O que estaria perversamente insinuando a mãe e o juíz que lhe emplacaram esse nome? Como não pensar na Commedia dell'arte? Mas, e onde estaria a Colombina? Ah! Estava cacarejando lá entre os comentaristas (e os speakers) e se esforçava, em vão, para turbinar as ilusões, o entusiasmo e as esperanças dos 68 mil patetas das arquibancadas e, claro, da ensolarada, anímica e luxuriante América Latina, inteira. Um fiasco.


 




 

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Wagner... Não o da Tanhaüser e nem o da Parsifal.... Mas, o do Master. Singelas opiniões de um ator & palhaço...


[... Alli van los amores ya marchitos,
viejos amores de alas tan lánguidas,
arrastrando los años y las cosas perdidas...]
Swinburne, 
in: El jardim de Proserpina





















quinta-feira, 18 de junho de 2026

LA DOLCE VITA... & os apartamentos de 3,4,5 milhões?



Moral cristã e da história:

"Bom é ter amigos ainda que seja no inferno...




Aqui no coração da República, nesta mixuruca quinta-feira de junho, não se fala em outra coisa além da panturrilha direita do Neymar e da bolada que outro Senador teria recebido do Banco Master, por favores prestados. Um singelo presentinho imobiliário (este, não em São Paulo, mas lá na terra do Gregório de Mattos), no valor de quase 3 milhões. Valor, é verdade, um pouco inferior aos que (segundo a mídia) recebeu aquele outro, também dedicado "servidor da pátria", que chegaram a 4, 5 milhões... 

Que curiosidade!

Que estranho fascínio dessa gente pela moradia e pelo lar! Lar, doce lar!

Será que teria sido de uma paixão como esta que surgiu o Slogan Minha casa minha vida?

Tramóias à parte, filosófica e socialmente falando esse tipo de transações deveriam até ser interpretadas, ao invés de corrupção, como ações sociais. Pormenores do iluminismo e da renascença... Qual é a esposa, quais os filhos, quais as famílias que não anseiam e que não merecem habitar num desses estupendos shangri-las verticais?

O problema e que agrava ainda mais a situação, é o que se ouve pela rua: Bazzo, como ficamos nós, que sobrevivemos quase sem ar em nossos cortiços parecidos à jaulas, construídos ainda pelo inesquecível P. Naya (lembram?) aquele que substituiu o cimento por areia e que, cheios de desníveis e de rachaduras, ameaçam desabar até sob o badalar dos sinos e dos trovões destas noites juninas???

Ouvindo as notícias vindas do cárcere e do banqueiro Vorcaro, não apenas sobre os apartamentos, mas principalmente sobre os banquetes, as gueixas, as garrafas de vinho e as diárias dos hotéis, mundo afora (aliás, não lhes parece que um hotel cuja diária chega a 20 mil, deveria ser implodido?), como controlar uma certa melancolia? Mesmo tendo lido a Cabala do Dinheiro e da Inveja, do rabino Nilton Bondi, como controlar a nossa, esse sintoma mesquinho herdado ainda de Cain e que, há décadas, tem congestionado os consultórios e os hospícios?

E o mais transcendente desta, e de todas as outras roubalheiras semelhantes é que o suposto e aparentemente autor, arquiteto e designer principal, dessa roubalheira, está tendo tempo suficiente para, atrás das grades, com sua lucidez, organizar a derrubada total e completa dos alicerces dessa dissimulada e falaciosa monarquia, travestida de república.

Mesmo que o Haiti, amanhã, (com Vodu ou sem Vodu) nos dê uma exemplar goleada, é preciso demolir até os escombros! Um chefete hoje, outros chefetes amanhã, outros depois de amanhã... Um partido e uma confraria endogâmica atrás da outra! Mas... sem perder a ternura e sem ilusões. Porque até os coroinhas e os mendigos já ouviram falar daquela bendita frase do Marx de que a história se repete, primeiro como tragédia, depois como farsa e por fim, como suruba....



domingo, 14 de junho de 2026

Depois do vexame do Paraguay e da vitória do Marrocos... A memória e as lições invejáveis de Eduardo Bueno...



"... Em verdade, e não tenho medo de confessar, eu facilmente acenderia, se fosse preciso, uma vela a São Miguel e outra à sua serpente..."

IN: Montaigne 
(ENSAIOS, Tomo III, p. 626)




















sábado, 13 de junho de 2026

HADDAD e os Ferreiros...






Minha correspondente libanesa, que acaba de ler meu livro DA FORJA À BIGORNA (Ou a canção dos ferreiros), me envia (ainda antes das seis da manhã deste dia chuvoso) uma mensagem lamentando que eu, que falei dos Ferrari (da Itália), dos Ferreiras (do Brasil), dos ferreiros do mundo inteiro e (inclusive dos de Luanda), que visitei o souk EL Haddadine, no interior da Medina de Marrakech, e que citei até a OGUM, (o ferreiro do universo) e o persa Omar Khayyan (Além da terra, além dos céus mais distantes, tento encontrar o Céu e o Inferno. Então, ouço uma voz solene que diz: 'O Céu e o Inferno estão dentro de você'), não tenha mencionado o Haddad, o nome do ministro Haddad (ferreiro em árabe) e que remete a uma família imensa de ferreiros no Libano...

E também fez outras observações, mas todas simpáticas. 

Temi que fosse citar a frase de Machado de Assis, lá em seu Fanqueiros literários: "Que espetáculo não seria ver evaporar-se em uma fogueira inquisitorial tanto ópio encadernado que por aí anda enchendo as livrarias"


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Pedidos do livro pelo: eziofb@gmail.com 

($:59.00)












quinta-feira, 4 de junho de 2026

E, na efervescência daqueles dias...


      Modelo britânica
       Londres, 1960


 

























O blá/blá/blá e a melancolia da colonização...



"El desempleado, el hambriento no pretende la verdad. No dice que él es la verdad, puesto que lo es en su ser mismo... (...) Frente al mundo determinado por el colonialista, el colonizado siempre se presume culpable. La culpabilidad del colonizado no es una culpabilidad asumida, es mas bien una especie de maldición, una espada de Damocles..."

Frantz Fanon (IN: Los condenados de la tierra, p. 51)






E  o lero-lero em relação à desfaçatez colonialista do governo dos USA se incrementa por aqui, e por todos os lados...

Que a discussão filosófica, teológica e econômica maior gire ao redor do tal PIX, é uma vergonha. Sim, a polêmica sobre o tal PIX é uma prova, por um lado, de que a espécie está numa singela miséria de fazer pena, e por outro, de que aqueles gritos (transbordando testosterona) nos comícios dos anos 80 (contra o capitalismo degenerado e contra os vampiros banqueiros) era pura histeria e demagogia disfarçada...

Lula faz discursos revolucionários diante das platéias convertidas, mas nos bastidores e na prática, por não ter investido em mísseis e não ter outra coisa a fazer, age como um eficiente colonizado. Eu sei, eu sei: 500 anos de chicote, não é pouca coisa! E as feridas da colonização são crônicas! Agora, ir discursar lá no G7 em defesa de um mundo multipolar, esperando algum apoio daquelas raposas,  é como, num simpósio de freiras, advogar contra o boquete...

Quanto tempo ainda necessitaremos para curar-nos? 

Agora, querer responsabilizar por essa atual desfaçatez gringa, a dois ou três nativos delirantes, como "traidores da pátria", é algo quase infantil, que não escancara apenas o mau caráter vingativo de alguns, mas também, e principalmente, a fragilidade, a vulnerabilidade e a impotência de uma nação...

A propósito, quem foi nosso Judas em 64? Sim, eu sei, (filogeneticamente falando), é muito difícil desvincular-nos de nossos ancestrais...

Na verdade, trair profundamente a pátria (e não só a pátria) não é apenas ir lamber as botas dos opressores, é também  deixar 'desamparados' aos dez ou doze agrupamentos marginais e violentos  que se construíram na miséria e à margem de uma sociedade cabotina e de um Estado canalha, para que venham agora, a serem acusados de terrorismo e caçados por forasteiros inescrupulosos. Terroristas? O que diria Ravachol?

Segundo o Mendigo K, se quisermos fazer nosso PIB triplicar em menos de um ano, além de ser um gesto solidário, fraterno e honrado, deveríamos absorver esses supostos terroristas para cargos executivos e, inclusive o Vorcaro, para Ministro da fazenda. 


 






sexta-feira, 29 de maio de 2026

Enquanto isso...























Várias... Do futebol, do Trump, do terrorismo, e das memórias da escravidão... (Pra não dizer que não falei das flores...)



1. Data venia, mas a estupidez e a alienação futebolística está demais! 24 horas por dia, & em todos os veículos de comunicação. Mulheres, crianças e homens, desde os operários da construção civil, até os professores em sala de aula, os motoristas de ônibus, os trambiqueiros ambulantes e os doutores, só falam na copa, nas figurinhas, na panturrilha, nos tendões e nos helicópteros dos jogadores. Uma pobreza mental de 'outro mundo' e de dar dó que compromete a dignidade e a soberania do país inteiro, de forma parecida com a intromissão cretina do Trump, nos assuntos do PCC e do Comando Vermelho. Inacreditável. Terrorismo? O único ato de terrorismo do qual tenho notícias por aqui, foi aquele ocorrido lá no Riocentro, em 30 de abril de 1981. Lembram? Parafraseando a Sartre, (lá no prefácio de uma obra de Frantz Fanon): é importante ter cuidado para que, Brasil que até pouco tempo atrás era o nome de um país interessante e ensolarado dos trópicos, não seja, agora, em 2026, o nome de uma neurose... (Ver: los condenados de la tierra, p. 32).

2. E por falar em Trump, no Comando Vermelho, no PCC, nas milícias e nos dois pré candidatos à Presidência da República, a cagada já está feita. Mesmo que não aconteça por aqui nada parecido ao que aconteceu na Venezuela, no Equador, e ao que se tentou fazer no Irã e ao que se tem feito sistematicamente na América Latina inteira, essa interferência é por si só uma cretinice e uma indecência. Admitir que um governante de plantão, do império que for, determine o que é e o que não é terrorismo fora de seu quintal, é uma submissão inacreditável. Mas agora, apesar dos reclames e da indignação até daqueles espíritos de porco, que estão há cinquenta anos de calças rebaixadas para todo tipo de crápulas, agora é tarde.

3. E o exagero da comemoração no Congresso Nacional pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição, que propõe o fim da Escala de Trabalho 6x1, foi um escândalo cômico e juvenil. Quem é que não chegou a pensar em 1888? Duas horas semanais a menos e diminuir o peso das correntes? Tudo bem! O problema é que o salário mensal desses trabalhadores continua sendo uma miséria, não chegando nem perto do que as excelências gastam diariamente nos petiscos da noite.... E a excitação foi tanta, que teve até um pastor que, comemorando, assegurou que agora, os trabalhadores poderão trepar com mais tranquilidade e ter mais filhos. E outro, que chegou até a cantar aquela música quase religiosa do Geraldo Vandré que, nos anos 80, quem a cantasse, corria o risco de levar um tiro de fuzil nas costas...

Enfim, em vista de tudo isso, seria mais do que importante, que o Ministério da Saúde, ao invés de estar tão preocupado com as tais canetas emagrecedoras, deveria tomar mais consciência da pandemia de loucura e de desvario Nacional...





quarta-feira, 27 de maio de 2026

Enquanto isso...






















O Mendigo K e Onofre, o santo trans dos católicos...



"Não dês pontapés a um homem derrubado. Lembra-te de que ele pode levantar-se..." 

Fred Kasper


Nestes dias de "inverno", aqui na Capital da República, até os mendigos saem das tocas bem mais tarde, só quando percebem que o sol já fulmina os paredões de vidro fumê dos ministérios, dos escritórios lobistas, das agências de falsificações, dos bancos, das clínicas, das bancas de jornais, dos 200 e tantos "templos" e até as janelinhas com cortinas xadrez dos puteiros. O inverno (não o inferno!), é uma maravilha. Qualquer um se lembra daqueles dias, em sua "terra natal" quando, pelas manhãs, as ruas, as árvores e até os rios e os peixes amanheciam congelados...

O Mendigo K apareceu nesta hora + ou menos fria, exageradamente coberto por trapos de várias cores e tamanhos que alguma beata deve ter lançado do carro em frente a seu barraco. Comportamento comum da pequena burguesia, todos os anos, quando junho se aproxima. (A propósito, dia 12 de junho se comemora o dia do santo em questão).

Hoje, meio trêmulo, estava invocado com a história de um tal Onofre (das antigas), que, lá pelos lados da Turquia ou do Egito, teria sido uma esplêndida mulher que, pela graça de Deus, para fugir do assédio masculino, virou homem, depois eremita, e viveu no deserto até morrer, apenas com os genitais e o traseiro cobertos com os próprios cabelos e barba que Deus, onipotente, todo poderoso, prestidigitador e alquimista, além da metamorfose, lhe teria proporcionado, etc, etc. Por essa trajetória metafísica, tão exótica e tão surreal, virou mais um Santo do catolicismo...

Os três ou quatro outros mendigos, que o acompanhavam, uns se dizendo drag queens e um recém chegado de Goiás Velho, (da conhecida cidade da Cora Coralina), seguiam a história com um certo ar de orgulho e de regozijo... e lembravam, com entusiasmo, que na umbanda, Exu, é o equivalente a Onofre, e considerado o padroeiro da fortuna...

No desenrolar da história, foi retirando do bolso do casacão duas páginas de revista onde aparecia o tal Onofre, pintado, não se sabia por quem.




terça-feira, 26 de maio de 2026

A pedagogia & a lógica dos devassos...





Nesta manhã de segunda-feira, por casualidade, ouvi uma "baby-sitter" falando, cantarolando e distraindo a criança de + ou - uns cinco anos que estava sob seus cuidados, com aqueles recursos pedagógicos, meio de adestramento e de horror universal pelos quais todos passamos. Lembram dos famosos contos compilados pelos Irmãos Grims? Principalmente O Junipero? A criança arregalava os olhinhos e a tal baby-sitter insistia:

- Come, come, que mamãe foi ao trabalho e que senão o bicho vem...

- Criança obediente não vai ficar doente...

- Que criancinha linda! Comeu tudo e sem sujar o piso!

- Isso não se faz, senão os anjinhos choram... E o homem do saco vem...

- Tire a mão daí que isso é pecado e o Papai do Céu fica triste... 

 Depois passou para trechos das clássicas do Chapeuzinho Vermelho; da Bela Adormecida; do lobo mau, das fadas e das bruxas.., uma mais macabra do que a outra, e tudo meio de improviso, cantarolando, rindo e dramatizando...

Num determinado momento passou a ensinar-lhe a contar: 1, 2, 3, etc mas, de quando em quando, (não sei se por distração ou por método) ia saltando de 1 para 4 e de 4 para 6 e voltando para o zero e para o 1, etc.

Da criança, não se ouvia um pio, como se estivesse arrependida de ter nascido...

Segui ouvindo aquele horror de iniciação e pensando no texto sobre o sinistro, onde Freud, trata da historinha macabra do homem das areias que, lá na Alemanha (daqueles tempos), os pais costumavam contar a seus filhos para obrigá-los a dormir: "O homem das areias é um homem mau que vem visitar as crianças quando elas não querem dormir, joga-lhes punhados de areia nos olhos, fazendo-os saltar ensanguentados de suas órbitas; então guarda-os em uma bolsa e os leva como pasto para seus filhinhos, que estão sentados em um ninho e têm bicos curvos como as corujas, com os quais cortam a bicadas os olhos das crianças que não se portam bem..."

Que tal?

E depois fingem espanto quando percebem o sentimento reacionário e trágico do rebanho e seu fascínio pelas páginas do Eclesiastes...