[... Esmagaremos todos os revolucionários com nosso tacão, e espezinhá-los-emos.
Somos os senhores do mundo: O mundo é nosso. Quanto às hostes dos trabalhadores, vivem na lama desde o início da história. Continuarão na lama enquanto detivermos o poder. É essa a palavra. É a rainha das palavras: PODER. Não Deus, nem dinheiro, mas PODER].
Jack London
(IN: O tacão de ferro)
No exato momento em que (por razões óbvias), grande parte dos países que ainda têm alguma auto-estima e algum amor próprio tentam manter distância dos Estados Unidos, o Brasil firma contrato com eles, com o pretexto fajuto e esdrúxulo de combater, aqui na volta da esquina de nossas casas o "crime organizado". Ora! Além de ser um atestado de incompetência, (já que somos um país com espias, alcagüetes e polícias por todos os lados), esse tipo de parceria caracteriza também uma traição até mesmo para com nossas facções criminosas, para com nossos marginais, excluídos e bandidos de meia tigela que o Trump quer, a todo custo, transformar em terroristas.
Enfim, agora que a merda já está feita, que ninguém se assuste se o próximo passo desse acordo será a instalação de uma base militar americana ali na Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguay e Argentina) e outra lá no meio da Selva Amazônica. (como as que os USA têm nos países vassalos e decadentes da Europa e do Oriente Médio).
Ridículo! Mentalidade doméstica, suburbana e de colonizados!
Se nossos burocratas, executivos, diplomatas e outras gangues nacionais traidoras e fingidoras já tivessem lido a J.L.Borges saberiam, duas coisas: 1. Que o cão volta sempre ao lugar do vômito, e 2. que Aquilo que foi uma vez volta a ser infinitamente.
Apesar de estarmos numa semana de sobriedade e de "temperança", quando um terço da humanidade, fingindo melancolia, em jejum e se abstendo das escatológicas churrascadas, relembra e comemora as sessões de tortura e o assassinato de Cristo...o caso do conflito ocorrido na semana passada entre um ilustre deputado e uma senhora de programa (cujo preço, sua excelência achou absurdo), continua repercutindo. Segundo o noticiário, depois que os feriados da Semana Santa passarem, ela estará indo ao Conselho de Ética da Câmara denunciar o cliente por acosso moral, inadimplência e agressão, fatos que - segundo ela - podem até comprometê-la diante da comunidade cada vez maior de concorrentes e da própria sociedade, enquanto ele continua jurando, perante os Homens da Lei, que o preço era realmente exorbitante, mas que não tocou nela, 'nem sequer com um dedo'. Sempre os dedos! Que cômico e que gozado! E o mundo? Como fica o mundo? Esse simplório covil, que veio pelos séculos afora achando que os dedos só serviam para apalpar as folhas da bíblia e tocar violino? Por precaução, não diz nada e só acompanha o caso boquiaberto.
$ 3.000,00!
Três mil? É muito? Pouco? Ou um preço justo para o bolso de um parlamentar? Depende. Seria até importante voltar a Marx e ver lá no Tomo III "como o valor e o preço da força de trabalho se converte em salário". E analisar o caso, tanto do ponto de vista da qualidade do produto isto é: do cardápio, como da oferta. E claro, do cliente, do contracheque, dos penduricalhos, do mercado financeiro, do investimento daquele dia no overnighte, inclusive, de como andam as coisas lá pelo Estreito de Ormuz: O petróleo passará ou não passará?
Segundo os persas: No pasaram!
A não ser que o Trump, antes que lhe metam num manicômio, (ele que, como o ilustre deputado, também tem uma longa ficha corrida com essa categoria de trabalhadoras) resolva ir pessoalmente, para o golfo Pérsico, abrir o estreito de Ormuz na marra. O problema é que há duas pedras no meio e nos lados do caminho: uma são os camaradas do Iêmen, e a outra, os mísseis hiper-sônicos dos camaradas iranianos...
Enfim, como hoje se comemora a Páscoa, ritual supostamente judaico, mas que na verdade foi plagiado de tribos pagãs de 1500 aC, e como ninguém é de ferro, os mendigos que estavam ali em frente ao mercado dividindo um ovo de chocolate e já com meia garrafa de cachaça nas tripas, se abraçavam, vertiam até algumas lágrimas sobre os trapos (os próprios e o dos colegas) e se desejavam, ardente e repetidamente, uma Feliz Páscoa! Curiosamente, um deles, o que tinha mais pinta de ter sido um comportado coroinha, mutilado pela culpa, e que bebia num copo de papel, a cada vez que levava a cachaça à boca, pronunciava: "persisti em fazer isto, todas as vezes que a beberdes, em memória de mim..."
Uma mini orquestra, não muito afinada, ilustrava a manhã com Carinhoso, do Pixinguinha:
Ao contrário do que vem se dizendo e se papagueando por aí, o que o mundo produziu de mais fascinante e importante nos últimos 300 anos, não foi nem Schopenhauer e nem a Inteligência Artificial. Foi o desentupidor de pias e de vasos sanitários. Esta maravilha que os franceses chamam de piston d'évier; os italianos, de stantuffo per lavello; os espanhóis de émbolo del fregadero e os alemães, de Spülkolben...
A propósito, nesta quinta-feira santa, o vendedor de quinquilharias está passando lá embaixo vendendo uns, bem econômicos, azuis, com o cabo de quase meio metro e vai ouvindo Clara Nunes: Feira de mangaio
E eis que inicia o show quinquenal. De cinco em cinco anos a troca de patrões e de postos. A custa de presentinhos e de ameaças, os grandes chefões se reelegem; os ministros vão para o senado; os senadores para os governos; os vereadores se tornam prefeitos ou vão para as Assembléias legislativas... e quando, por casualidade, o parentesco entre esses personagens não é sanguíneo é empresarial. Ou são parentes (tiveram os mesmos avós), ou são da mesma religião e confraria, sócios, amantes, etc, etc, etc. E nas províncias, dos governadores até os ofice boys e datilógrafos são todos do mesmo clã. São os donos das fazendas, das fábricas, dos cartórios, das redes de farmácia, das boates, das imobiliárias, das academias, dos hospitais (a propósito, os padres, os médicos, as freiras, os donos dos mercados, os juízes (desde os de futebol até os da magistratura de Primeira e Segunda Instâncias); os delegados de polícia e até as gerentes dos puteiros são sempre aparentados). As frotas de caminhões, os executivos nos órgãos públicos, as TVs, os jornais e as rádios são deles, Até os radialistas são sempre eles. O PIB daqueles estados ou municípios vai todo para o bolso do avós, dos pais, dos padrinhos, filhos ou de laranjas do clã. E esses negócios e essa ladroagem endogâmia, esse nepotismo, essa putaria, esse incesto e esse transtorno de personalidade vêm de longe e desde sempre. E quando termina a mamata e a roubalheira (mandato) de um quinquênio, elegem ou reelegem quem bem entendem para outro quinquênio. E como precisam ter sempre uma reserva de estafadores, como nos anos 50, ainda mandam os filhos, um estudar em Roma (porque ter um padre na família é uma verdadeira benção), e outro em Coimbra, porque todas as famílias, por garantia & segurança, precisam ter um advogado em casa ou no judiciário. E quando têm mais filhos, um deverá necessariamente ser médico e o outro incorporar-se ao exército.
Ah! Veja com quem está falando! Um de meus filhos é o pároco, o outro é o médico, o outro é tenente capitão e o outro bacharelou-se em Coimbra!
Só que ninguém sabe como Roma trata os coroinhas colonizados e nem que, Coimbra, por sua vez, ainda está praticamente mergulhada na Idade Média, com aquele bando de bobalhões ao redor das universidades com aquelas capas (ou batinas pretas), a viola do fado dependurada ao pescoço e recitando um ou outro trecho dos Lusíadas ou mesmo de João V, a quem chamam O magnânimo, ou o Rei-sol português...
Em síntese: nestes dias de eleições o país inteiro mergulha num festival de delírios, de mentiras e de promessas vãs, inacreditável. Com o populacho obeso, sub alimentado e em escravidão disfarçada fazendo apostas, e incentivado a conservar o titulo de eleitor dentro de bolsinhas de plástico, junto às bulas de remédios e a escapulários e a ver as urnas eleitorais quase como variáveis do tabernáculo.
Sim: Nesta longa noite - como diziam os zapatistas - que já dura 500 e tantos anos... TUDO SEGUE IGUAL... E a miséria se perpetua...
[... De certo ponto em diante não há mais como voltar, esse é o ponto que deve ser alcançado...]
F. Kafka
(Citado por Paul Bowles, IN: Que venha a tempestade, p. 10)
Como todo mundo já leu nos jornais, viu nas televisões, ouviu nos botecos e nos sermões de ontem, o Netanyahu (num dia de intensos bombardeios), proibiu que o cardeal Pierbattista Pizzaballa (que nome!?) rezasse a missa do Domingo de Ramos, na Igreja do Santo Sepulcro, lá em Jerusalém. E isso causou e está causando um terremoto nas paróquias, nas sacristias, entre os coroinhas e as beatas do universo cristão inteiro. Mesmo aqueles que assistiram indiferentes e calados, durante meses, os bombardeios de Israel contra Gaza, agora estão injuriados, indignados e resmungam: Isto é uma heresia! Uma provocação! Um pecado capital! Um ato do anticristo! Deus não aceitará as rezas daqueles que fazem guerra, veio proferir em público o papa peruano.
Como se vê, tanto o enriquecimento de urânio como as fontes de petróleo parecem ser apenas pretextos e que o que está verdadeiramente em jogo, na essência dessa guerra animista, estúpida e sanguinária dos EEUU e de Israel contra o Irã, é a religião e a fé. Um conflito mais bem para decidir o verdadeiro status e a verdadeira identidade do demiurgo/arquitecto que, por descuido, teria engendrado esse pobre hospício... e questa, como diria minha bisavó, povera gente...
1. Sem dar um pio e na maior passividade, o país inteiro assistiu ao patético e vibrante espetáculo da CPMI do INSS e todo aquele blá blá blá, em um começo de noite, transformar-se em cinzas. Como explicar? Será que é porque - como dizia o pai do Xico Buarque de Holanda - somos um rebanho cordial? Seja por isto ou por outras razões, a verdade é que os velhinhos que foram esfolados seguem por aí, tontos, gastando suas aposentadorias em farmácias, comprando sua losartana em prestações, falando sozinhos, jogando dominó nas paradas de taxi e ziguezagueando no meio de toda essa farsa, e ainda esperançosos com os chocolates da sexta-feira da paixão...
2. No Irã, Estados Unidos e Israel depois de terem explodido uma escola primária e matado a uma centena de alunos, agora bombardearam duas das principais universidades de Teerã. Está cada vez mais evidente qual sempre foi e é o objetivo do imperialismo e do colonialismo. O Irã, com razão, exige que os agressores, no mínimo, se desculpem, caso contrário, acionarão seus mísseis e detonarão sete ou oito instituições de ensino gringas espalhadas pelo Golfo Pérsico. E assim, o planeta voltará mais rápido ainda para a Idade da Pedra Lascada...
3. Mas, a maior aberração dos últimos dias e tempos é a lei que, em parte, já foi aprovada, a respeito da misoginia. É importante que as mulheres se voltem imediatamente contra essa insanidade, se não quiserem ser acusadas de estar colaborando com um desvario e uma solidão ainda maior do que a que já conhecem, tanto para seus companheiros como para si mesmas. É inacreditável que alguém - com seu desejo e seu gozo em dia -, tenha idealizado essa barbaridade que, além de lotar caoticamente as cadeias, transformará a mulher numa espécie de alcaguete subnormal e num ser abominável. Qual é o homem que conseguirá relacionar-se de forma natural com elas? E não apenas amorosa mas inclusive, amigavelmente, a não ser os tartufos e as outras mulheres? A propósito, será que estamos diante de um projeto tirano, opressor e universalizador da homossexualidade?Tudo bem, mas qualquer um sabe que a misoginia, ao invés de ser um transtorno maldito e exclusivamente masculino, às vezes, entre elas, é até igual ou maior que entre o dos homens. Sem falar da misoginia que saltita de uma página a outra da Bíblia e de outros livros sagrados (inclusive no Popol Vuh). Deem uma olhadinha nos discursos vingativos do tal Paulo. Irão censurá-lo e prendê-lo? E a Bíblia, será confiscada ou reescrita?
De onde teria surgido essa ideia de jerico? Essa desconfiança, essa repressão sexual e esse ódio pelos genitais entre aqueles que, pelo contrário, poderiam estabelecer entre si uma cumplicidade, até subversiva, diante das balelas e dos horrores da existência?
A velhinha armênia, por exemplo, sempre que me encontra gosta de previnir-me: Bazzo, não esqueça que quando duas mulheres estão rezando, o fazem sempre implorando pela desgraça de uma terceira.
Nesta primeira sexta-feira de outono, voltei a ler a reportagem que me foi enviada ontem, tratando do affair entre um deputado, sua assessora e uma mulher das chamadas "de programa" ocorrido na noite passada ali na beira do lago, num dos restaurantes que a mídia, não sei se por sarcasmo ou por ironia, costuma chamar de zona nobre.
Pois bem: nesta releitura percebi que não apenas a palavra "laceada", dita pela assessora do deputado, merece uma tradução, mas também o adjetivo "baranga", usado pelo distinto parlamentar, ambas contra a puta.
Voltei ao Aurélio que, na página 230, um pouco antes de barangandã, dá a seguinte definição: (baranga - de má qualidade; de pouco ou nenhum valor).
Além disso outros trechos da matéria, que ontem me passaram desapercebidos, agora, me parecem relevantes. Por exemplo: o fato de ter sido a assessora do parlamentar a acusar aquela fulana de ser uma puta de "buceta laceada". Mas então, o tamanho e o laceado importam, inclusive para elas? Um trecho do vídeo que é espetacular, é quando, no meio da discussão salarial, se pode ouvir a assessora, em defesa de seu chefe, dizendo à suposta puta: O que você está fazendo aqui? Se não quer dar, pegue sua bucetinha e vá embora. (Bucetinha? Mas não era laceada?)
Segundo dizem, o parlamentar, em outras ocasiões (especulando sobre a prostituição) afirmava que aquilo que as mulheres não têm em casa, vão buscar na rua. Tudo bem, pode até ser verossímil, mas estaria ele se referindo a sexo ou a dinheiro? Ou às duas coisas juntas? Ou, quem sabe, até a Engels, (o amigo de K. Marx) quando ele afirmava que a diferença entre a puta e a esposa é que uma se paga por instantes e a outra por toda a vida?
O Mendigo K, que habita sob um viaduto, com sua esposa e filhos, não muito longe do Palácio do Governo, e que circula à noite por uma região perigosa onde as mulheres não cobram mais do que 70 reais, estava abismado com o preço da tal laceada, que, segundo as notícias, ia de 1000 a três mil por umas horas. Antes de sair do boteco onde nos encontramos, fez questão de, em defesa de todas as putas do mundo, recitar este trecho, do filosofo romeno: "Carecer de convicções a respeito dos homens e de si mesmo, esse é o elevado ensinamento da prostituição, essa academia ambulante de lucidez, à margem da sociedade como a filosofia..."
Enfim, essa noite ficará para sempre na história e no imaginário de Brasília.
E como estamos no outono, o afiador de facas passou lá embaixo, com suas tralhas e seu chapéu, assobiando uma canção dos puteiros andinos:
Minha correspondente acaba de enviar-me a notícia publicada num jornal local sobre um conflito acontecido ontem à noite aqui na cidade, (num dos tais bairros nobres????) entre um deputado federal, sua assessora e uma 'profissional do sexo'.
Tudo teria acontecido num desses restaurantes onde por 7 centímetros de carne, uma colher de purê e meia cenoura se tem que pagar 480 reais. Diz a notícia que o deputado, abordou uma dessas prostitutas chiques que, nas noites de quarta-feira, adoram ciscar ao redor dos três poderes e que estava caçando por lá. Minutos depois da abordagem do excelentíssimo parlamentar, por questões de preço, surgiu um conflito entre eles. Uma ida à alcova com aquela beldade flutuava entre 1000 e 3000 reais. Como o Dom Juan entendeu que havia plusvalia demais naquele valor, já que o STF, horas antes, havia cortado parte dos penduricalhos, e como a moça se mantinha resiliente, não demorou muito para que a discussão saísse de controle, com ela o mandando 'arrumar os dentes', e ele a chamando de baranga.
Até aí, + ou - normal.
Mas, com a discussão se prolongando e saindo de controle, a assessora achou conveniente intervir, primeiro, lançando um copo de cerveja na tal 'pistoleira' e, em seguida, indignada, acossando a seu chefe: Deputado, você vai seguir perdendo tempo com puta? De buceta laceada?
A polícia apareceu, etc, etc, etc.
Buceta laceada!? Laceada? Que bizarro! Nunca me deparei com uma frase tão impactante destas. Corri ao dicionário. Nada! Exatamente na página 1000, do Aurélio, pode-se ver:
- laceira,
-laceração, -
-lacedemônio, -
-lacerante,
- lacha, e até lacerdinha, mas nenhuma menção a laceada.
Apelei para a IA e para o google: laceada, - diz o Google - é o particípio do verbo lacear. Palavra que antigamente se usava para referir-se a algo que havia recebido laços. E que agora, na pós modernidade, se usa para designar, vestimentas, sapatos, roupas, chapéus e etc, que com o uso foi se alargando e se afrouxando...
Ah, bom!
Quem é que não gostaria de ter uma assessora dessas?
E o assunto da obesidade, da bariátrica, das feijoadas e da milagrosa caneta emagrecedora não sai de pauta. Agora, até os petits et admirables voleurs estão organizando assaltos seletivos nas farmácias. Se antes iam diretos para as prateleiras do viagra, agora só querem saber das tais canetas emagrecedoras. Isto porque as clientes estão ansiosas e à espera do produto na volta das esquinas... E a euforia vai dos nutricionistas, aos bariatrinistas, aos especialistas da ANVISA e de diversas outras áreas... de donos de laboratórios à multinacionais; de psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais e donos de academias, a cirurgiões plásticos e a influencers, tipos que se revezam nas salas de redação dos jornais dando lições de como interromper a engorda. Negócios! Business! Sorte que a matéria prima não depende do Estreito de Ormuz. E que em breve estarão também no SUS, e de graça. E sobre o custo/benefício? Sim, há efeitos colaterais - dizem - mas os lucros e os benefícios são enormes. Não pensem que se trata de gordofobia! A estética é tudo. E há contrabando. Nas fronteiras com o Paraguay duplicaram o policiamento, porque os sacoleiros migraram da maconha e da cocaína para as canetas e porque os contrabandistas começam a ser vistos quase como endocrinologistas ou nutrólogos. Emagrecer! Mas sem perder o charme e o apetite, sem abandonar a compulsão, nem as feijoadas, as macarronadas, o pasto, o suflê recém saído do forno, os pudins, as pizzas... os arrotos, as paneladas... O sedentarismo, a preguiça, la siesta e o tédio... Sem perder a cumplicidade com o garfo. Os restaurantes. As comemorações, as ceias. A ansiedade. A comida como se fosse uma espécie de clonazepam vegano. Ah! Como admiramos os romanos que iam vomitar no banheiro para poder seguir comendo. Teriam sido eles os ideólogos da bulimia? Ao contrário do que diziam os Titãs: a gente só quer comida! Ingerir, lamber os lábios, palitar os dentes, digerir e em seguida livrar-se do material digerido... E nem lembrar que cada um de nós já devorou em vida, até agora, pelo menos, duas ou três vacas, uns vinte porcos, uns 120 frangos, umas patas de jacaré e sabe-se lá quantas tilápias... Ah! As toaletes! Ir aos pés (diziam nossas avós). Sempre que falo sobre este assunto volto compulsivamente ao Gog de Giovani Papini: "A existência dos comedores públicos é a prova máxima de que o homem ainda não saiu da sua fase animalesca. Esta falta de vergonha, até nos que se julgam nobres, requintados e espirituais, espanta-me. O fato da mente humana não haver ainda associado a manducação e a defecação, demonstra a nossa grosseira insensibilidade..."
"Méprisable farceur, ton théâtre est bien chancelant, fondé sur l'absurdité des nations de la terre"
Marquez de SADE
Transferiram um homem com mais de 60 anos, ainda com marcas de uma punhalada nas tripas e com uma pneumonia mal curada, para uma prisão que o judiciário e toda a mídia descrevem como "domiciliar HUMANITÁRIA". Inacreditável! Existirá? Alguém, na história desse manicômio (que é o mundo), já teve noticias de alguma prisão humanitária? Ora, seja ela numa das penitenciárias clássicas, numa cadeia de fundo de quintal, num shangrilá (escondido no meio das montanhas do Himalaia), num Spa ou num eremitério de freiras, será sempre e sempre um artifício sádico, um cárcere, um hospício, um claustro, uma prisão, um signo do fracasso, da solidão, da excrescência, do mau caráter e da vergonha da humanidade...
E, no caso do preso em questão, além da argola no tornozelo, as restrições que lhe foram impostas são quase cômicas: estará expressamente proibido de quase tudo, inclusive de receber visitas (a não ser as de seus carcereiros e a de seus advogados), sob o argumento irônico e sarcástico de evitar contaminações...
Como o preso tem mais de 60 anos, poderiam tê-lo proibido também de tomar um chá de artemísia antes de deitar-se, de mijar durante a noite e principalmente pela manhã, ao saltar da cama, quando a demanda e a urgência (todos os velhotes sabem) é incontrolável.
Independente dos crimes cometidos pelo preso, (seja ele um adolescente ou um ancião, um magnata ou um pastor de ovelhas), a prisão é sempre a expressão de uma política vingativa e quase infantil, uma variante do mesmo horror (humanitário) que era praticado naqueles mundos e tempos selvagens que nos precederam e que nos faz lembrar que o Estado continua sendo provedor e executor da narco ideologia que tanto se falae o monstro descrito por Nietzsche. Ah! Duvido que exista alguém (minimamente saudável) que não esteja envergonhado diante desse desvario, uma vez que, nemSade, (o autor de 120 dias de Sodoma), preso na Bastille, foi tão humilhado! E vergonha, não apenas por este preso, mas pelos 700 mil enjaulados Brasil afora, grande parte sem julgamento e por mera vingança. Vergonha, inclusive, pelos milhões de "esposas" e donas de casa que permanecem durante décadas encarceradas em seus 'lares' no mais absoluto sigilo, edificando seu mundinho esquizoide...
Enfim, sem ter que relembrar que o mundo, em si, já é uma imensa penitenciária e +, que algumas seitas delirantes ainda seguem por aí ameaçando o rebanho com as labaredas do inferno... é prudente seguir rezando (de preferência de quatro) para que, pelo menos, trate-se de um INFERNO HUMANITÁRIO, de verdade.
[... Neste plenário, todo mundo tem experiência de que seu país já teve seu ouro, sua prata, seus diamantes e seus minérios, saqueados.
Depois de levarem tudo o que a gente tinha, agora eles querem ser donos dos Minérios Críticos e das Terras Raras que nós temos. Esta é a chance da Bolivia, da África e da América Latina - se não quisermos ser novamente colonizados - de nos negarmos a continuar sendo meros exportadores de minerais para eles...]
[... Toda filosofia tende a reconhecer que a 'arte de viver' se resume a um 'saber sofrer' e, no melhor dos casos, a um 'querer sobreviver'...]
Dominique-Antoine Grisoni
(IN: Éloge frivole du mal et du plaisir de vivre, p. 40.)
Aqueles que em suas vidas (por preguiça ou por alienação), não tiveram oportunidade de fazer poesia, nem de estudar psicopatologia, geografia, arqueologia, filosofia e teologia, agora, com o desenrolar da guerra entre Irã, EEUU e Israel, têm uma chance, que é única e rica naquelas matérias: O Golfo Pérsico! O Mar Vermelho! O Estreito de Ormuz; a imensidão de Neguev e daqueles desertos; as maravilhas dos objetos voadores com seus explosivos; Aden (ali onde Rimbaud, o poetinha francês, autor de O navio ébrio, ia contrabandear armas); as ogivas satânicas sobre os lugares sagrados; a disputa entre israelenses e libaneses pelas águas do Rio Litani; os soldadinhos da ONU, em fraldas, fazendo horas extras e teatro no meio dos destroços; a mira e a precisão impressionante dos mísseis; Tel Aviv e Teherã como duas imensas enfermarias; os surtos paranóicos e sado-masoquistas no interior dos bunkers, e a juventude dos países envolvidos (cheia de tesão e testosterona, ao invés de estar trepando em suas pátrias), está aí se matando em nome de uma gerontocracia desprezível. O dedo no gatilho, a mira na direção das centrais nucleares de Dimona e de Fordow e o arrependimento por terem nascido; a desilusão tanto com a terra como com o céu que parece estar cada vez mais vazio e indiferente. Deus, como dizia Nietzsche, estaria realmente morto? (E teria sido ele que, intuindo que sua Criação viria a ser um fiasco, confidenciou a Adão o truque para o enriquecimento do urânio???)
O Iêmen, com seus heróicos houthis. Se baixas os olhos te deparas com a Etiópia, se os levantas das de cara com Omã. Omã! Oxalá não destruam a Omã! A fila de navios encalhados no estreito de Ormuz, repleto de bombas e de minas submarinas; e também no Estreito de Bab Al Mandab. Enquanto os barcos ébrios do Rimbaud seguem zanzando pelo mar arábico...
Os aforismos, as metáforas e as menções ao Velho e ao Novo Testamento impregnam a fala dos principais atores dessa destruição mútua e desse suicídio compartilhado. Na semana passada, inclusive, o Netanyahu, falando a seus soldados e justificando seus ataques ao Libano e em Teherã, chegou a associar Jesus ao mongol Genghis Khan... (E não ouvi nenhum padre, nenhum pastor e nenhum executivo do Vaticano dar um pio a respeito dessa heresia)... Agora, só falta o Trump, como ato derradeiro, mandar escrever nas asas de seus bombardeiros B-2: O sangue de Jesus é poderoso e salva!
É evidente que um dia, aqueles que sobreviverem, mesmo mutilados e loucos, sentirão muita vergonha de tudo isso!
Acabo de receber notícias de meu correspondente, desde Buenos Aires. Começa citando a frase de Heidegger estampada no Clarin, não sei se de ontem ou de hoje. Em seguida, menciona o encontro do governo daquele país com o Urban (da Hungria) e logo, em voz mais baixa, diz que a cidade amanheceu um pouco + apreensiva do que o normal com a advertência da Guarda Revolucionária do Irã, a Millei:
Mas, em seguida, ele mesmo, declara que 'no pasa nada'! Que trata-se, apenas e outra vez, de uma pantomima planetária que se dissipa após a segunda empanada apimentada, ali en la Calle Corrientes...
Antes de concluir faz um comentário filosófico sobre a miséria de uma civilização perdulária que, depois de 5 mil anos ainda é dependente e escrava do petróleo. Observe - sugere - como tudo se resume ao petróleo! As máfias dos mercados atribuem tudo aos poços de petróleo e todos os instintos invejosos, cretinos e vingativos da espécie são mascarados com essa pasta putrefata e nojenta (restos de dinossauros, de alcantarillas e de civilizaciones miseráveis), extraída do fundo da terra e que não faz mais do que ir se depositar nos pulmões da espécie...
Faz um silêncio e se despede com Libertango, do Piazzolla (no violino)