quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Baudelaire, o fardo horrível do tempo e o juíz lá das Minas Gerais... Ora, excelência! Não se aflija com os invejosos. Siga o conselho de Baudelaire e, quando o porre passar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio lhe responderão: É hora de embriagar-se!



"Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso". Com vinho, poesia ou virtude.., com o que quiserem".

Charles Baudelaire




Aqui, nos palácios e até nos subterrâneos da república, está todo mundo escandalizado e descendo o pau no juíz lá do Supremo de Minas Gerais que, ontem, apareceu, durante uma sessão, esvaziando uma garrafa de vinho, e +, no gargalo, para, em seguida, acender calmamente um cigarro...
A cidade está escandalizada e o niilismo, tanto com O espírito das Leis como com o próprio Montesquieu nunca esteve tão à flor-da-pele. Uma desonra! cacarejam, principalmente as mulheres mais velhas, matriarcas e fundadoras da cidade, elas que já acompanharam seus ex e falecidos maridos bem como a patrões delirantes em bebedeiras verdadeiramente homéricas e até satânicas...
E o escândalo contra o juíz se fez ainda maior, porque seus adversários aproveitaram para tornar publico seu último contracheque, cujo valor mensal beira ao dos xeiques árabes... Digamos que uns 20 ou 30 mil euros... (Sim, num país onde 90% da população beira à indigência, realmente, é quase uma desonra!).
Mesmo assim, a curiosidade da maioria, nem é tanto pelas motivações psicológicas ou existenciais da bebedeira de Sua Excelência, mas para saber a marca do vinho... Porque, com um salário desses, no mínimo, deve tratar-se de um Romanée-Conti, safra 1940 e +: de um vinhedo diferenciado... Ora! Quem é que, numa sexta-feira de madrugada, (nestes dias em que os ídolos, os santos e todas as utopias foram desmascaradas), não beberia no gargalo até mais de um Romanée-Conti provindo de um vinhedo diferenciado? Principalmente se tem o costume de reler as sugestões de Baudelaire?

"É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso. Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se. E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso". Com vinho, poesia ou virtude, a escolher".
















Policia tira Rui Costa Pimenta da cama, às 6 horas da manhã. Seu problema com a justiça, evidentemente, é ter em casa uma imensa biblioteca... Foi assim que deram início a aquele período que durou vinte anos...



"O criador 
queria desviar de si mesmo o olhar... e criou o mundo."
F.N
(IN: Also Sprach Zarathustra)






















terça-feira, 11 de agosto de 2026

La Strada...



"Naturalmente, do mesmo modo que um judeu que gasta dinheiro sem contá-lo, é suspeito, o Negro que cita Montesquieu deve ser vigiado...

Frantz Fannon

(IN:  Pele negra, máscaras brancas. p. 31)




1. Mesmo com sérias restrições ao cinema, mesmo considerando-o a maior das trapaças deste e do passado século, antes de dormir, assisti La Strada, de Fellini. Fantástico e, claro, a música, idem. A caminho de minha aula, vou tentando destrinchar a partitura de Nino Rota...

2. Emocionante o terremoto lá na Colombia. 7.4! Brasília, com um dessa magnitude, viria espetacularmente abaixo. E não tem nada a ver com castigo divino ou com a mão de Satanás, como insistem os beócios e os fanáticos. Simplesmente, c'est la terre qui gronde... (é a terra que ruge...) Sorte que Macondo e que Cartagena, dois dos lugares mais fascinantes da América, ficaram intactos...

3. E os casais que caminham todas as manhãs aqui pelos arredores de minha casa, com a ilusão de que a caminhada poderá evitar-lhes uma síncope, um infarto, um AVC, uma dificuldade erétil irremediável ou algo até pior, algo que ainda nem foi incluído na cabala médica.., ou simplesmente, uma morte súbita, fazem o trajeto inteiro brigando (sempre por sexo e por dinheiro, dois assuntos sobre os quais ninguém diz a verdade), se agredindo, se desqualificando e tentando vingar-se de seus traumas infantis no "outro". Sim, como insistia Sartre, O inferno é, e sempre será o outro! E não adianta insistir: somos mais ou menos como os porco-espinhos, mesmo no inverno, se nos aproximamos demasiado, nos ferimos...

4. E, enfim, aconteceram na televisão, os tão falados enfrentamentos e as tão faladas discussões entre os pretendentes ao bastão de governador. Que cinismo e que pobreza! Um espetáculo de e para amadores. Uma repetição quase mística de bobagens! Falas endereçadas, por um lado aos comparsas já donos do poder e, por outro, ao populacho, e sem nenhuma chispa de subjetividade, a não ser, claro, a respeito das coisas que dizem respeito às licitações, às contas e aos cofres!  Me digam: quem é que estará tão obnubilado e tão desolado a ponto de dar crédito e, pior, uma procuração, a essa gente? 

Depois de assistir aquele simulacro de espetáculo, o mendigo K, recitou esta frase de Zaratustra: amo os que se envergonham de, ao ver cair o dado a seu favor, se perguntam: serei um jogador fraudulento?

















sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Dos Apaches a Bachelard. (Kiev e a psicanálise do fogo..)




"Ah! O fogo!
"Se tudo o que muda lentamente se explica pela vida, tudo o que muda rapidamente se explica pelo fogo (...)
Ele brilha no paraíso e queima no inferno. Ele é doçura e tortura. Ele é cozinha e apocalipse. Um deus tutelar e terrível, bom e malvado. Um bem e um mal! Ele pode se contradizer. Enfim, é um dos princípios da explicação universal..."

Gaston Bachelard
(IN: La psychanalyse du feu, p. 25).


















 

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

O racismo folclórico e infanto-juvenil contra os catarinenses... ( e La Verdinela...)


"Plinio, o Antigo, inquietou-se outrora, com uma espécie de mosca chamada pyrallis ou pyrotocon, que só podia voar no fogo: 'enquanto ela está no fogo, ela vive; quando seu voo a afasta dele um pouco mais, ela morre'"

Georges Didi-Huberman

(IN: Sobrevivência dos vagalumes, p. 13)


 


1. Depois que a polícia divulgou ter disparatado aqui em Brasília, um grupo de adolescentes, - sete ou oito, quase todos provenientes dos estados do sul do país -, que pretendiam, durante as eleições, 'tocar o terror' na cidade, os preconceitos, já existentes, mas velados, contra o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, (principalmente contra os catarinenses e os + albinos), se escancararam, passando a região a ser mencionada quase como uma espécie de ninho de fascistas, para não dizer de nazistas, e isto, até por aqueles que gostam de papaguear que é importante fomentar o amor fraterno e a diversidade, seja de gênero, de gosto, de cor, de crença, de pilantragem, de ideologia e principalmente de etnia... E justificam com o argumento de que por lá, há bandeiras do Brasil em todas as janelas e varandas porque são todos bolsonaristas e que para lá aportaram tanto os nazistas de Hitler, como os judeus de Sion, os italianos de Mussolini, os lusitanos dos Açores, os espanhóis de Franco e outras escórias européias... Sem falar das 'polacas', daquelas albinas cortesãs, as mesmas que deram vida aos primeiros puteiros tanto da Lapa (no RJ) como aos lá de Manaus (e que 'serviam' (inclusive, com os mesmos gemidos), tanto aos patrões como aos escravos dos garimpos)... Ah! Os gemidos da floresta! As pétalas da Vitória Régia e as serpentes, serpenteando! Lembram? Como não pensar na serpente do Éden? Enfim, quase não escapa ninguém... E nós, como ficamos nós, que nascemos por lá, numa região inesquecível de colinas e pinheirais radiantes, que em junho ou julho amanheciam sempre cobertos de geada? Seríamos todos, como dizem, uns fascistas filhos de putas? Teriam razão? 

Realmente, ainda lembro que na minha casa, ao lado de uma escada que levava para o sótão, havia, na parede, bem junto aos primeiros degraus, ao lado de uma imagem da Virgem Maria, uma notícia dos partigiani e uma foto da Clara Petassi, a última amante do Mussolini (o Duce), com seus 26 anos e chamada carinhosamente de Clareta!.. Sim, lembro que sempre via na mesa da cozinha, ao lado dos ingredientes para o fabrico de cerveja e da panela de ferro onde se fazia a polenta, o livro: As ervas que curam e que, praticamente atrás da porta de cada quarto havia uma sacola com cartuchos e uma espingarda dependurada, sem falar dos momentos em que, minha mãe, tocava, especialmente para mim, numa gaita de boca, aquela canção folclórica cantada pelas mulheres do norte da Itália, durante a colheita do arroz: Bella Ciao... Algumas vezes, sem cerimônia, se ainda tinha fôlego, passava de Bella Ciao para la Verdinela... E dançava...

Mas, e daí? Pelo fato de ter nascido por lá, no meio daqueles pinheirais encantadores, daquelas montanhas de pedras e daquela solidão do caralho, por ter tido uma mãe que tocava, numa gaita de boca, além de Bella CiaoLa Verdinela, o que isto tem a ver com Mussolini ou com Hitler, com o fascismo, com o nazismo e com a gangue presa ontem, que - segundo a polícia - pretendia 'tocar o terror' aqui na capital da república???

Ora! Vão foder outro!



quarta-feira, 5 de agosto de 2026

O PAÍS DO FUTURO e os horrores da propaganda eleitoral...


"Pero el simbolismo animal no desapareció. Los sacerdotes, en ocasiones, llevaban puestas las máscaras de los animales. El tótem animal - el toro, el cerdo, la cabra, o la serpiente - permaneció como algo sagrado..."

Pennethorne Hughes

(IN: La brujería, p. 26)





A mídia está radiante e excitada com a programação dos próximos dois meses, quando pretende turbinar suas publicidades e seus anunciantes promovendo nos palanques (outra vez), as inúteis e fúteis discussões entre os cinco ou seis candidatos à Presidência da República. 

Apesar dos 5 bilhões destinados a esses meses de lero-lero, as promessas e os programas dos tais candidatos, são domésticas, patéticas e risíveis. Uma típica discussão entre palhaços!

Um horror!

Um bla bla blá que ronda à demência.

E, o mais curioso dessa epopéia, é que na prática, depois de eleitos, em seus quatro ou cinco anos de "governo" (veja-se a história), não pretendem ou não conseguem sequer, mudar o telhado de um pronto-socorro; substituir o diretor corrupto de um hospital ou de uma escola;  treinar os funcionários de uma garagem; tapar os buracos de uma vía; ordenar o trânsito; disponibilizar o Canabidiol, evitar que os esgotos deslizem a céu aberto; controlar a proliferação canalha de farmácias e de igrejas... Nada! E sempre com suas madames, gorduchinhas e felizes, passeando no natal e no fim de ano lá pelas boutiques da Champs Élisées...

Enfim, quem está no poder há mais de trinta anos, obviamente, não quer entregar os cartões corporativos e nem as chaves dos cofres e quem pretende obtê-las, jura que dará até sua mãe, filhas e filhos por amor à pátria, a deus  à família e, claro, pela liberdade... Balelas. Meio século de mentiras. E, pior: das mesmas mentiras. Sempre com a mesma e teatral obsessão por: segurança, educação, saúde, moradia, saneamento básico, repartição dos motins, compaixão para com os fodidos e para com os aposentados... (e... nada!)

Segurança? Ora! Não sejamos cretinos! Apesar do blábláblá de sempre, sair de casa e voltar vivo é quase um milagre!

Saúde? Ora! O país continua sendo uma imensa enfermaria! Cada casa um mini ambulatório... E com as multinacionais dos medicamentos e seus lacaios locais, fazendo a festa...

Educação? Mas como, se as escolinhas continuam com a arquitetura de campos de concentração? Protegidas por arame farpado, com soldados nas portas e com as "tias" semi alfabetizadas? E se não se consegue colocar J.L.Borges no lugar do Menino Maluquinho, e nem substituir Monteiro Lobato (com seu Pica-pau-amarelo), por Frantz Fanon?

Moradia? Com exceção de meia dúzia de ladrões, o restante segue se amontoando e se trucidando em cortiços. 

Repartir riquezas???? 

Saneamento básico? Ora! Como se atrevem a falar sobre saneamento básico?, quando 80% do país ainda vive à l'intérieur et en bordure des égouts? (Dentro e à margem dos esgotos?)... a propósito, lembrem-se das exuberantes espumas ali do exuberante Rio Tietê... E do rio Iguaçu, lá no Paraná; e do rio Ipojuca, em Pernambuco; e, se preferirem, pensem no rio Guandu, lá no Rio de Janeiro para onde desemboca grande parte da merda da urbe e para onde, na década de 60 os governantes jogavam os moradores de rua... Lembrem-se também dos venenos embutidos no pimentão, nos tomates, nos brócolis, nas maçãs e nos legumes em geral e também dos hormônios injetados nos frangos, nas vacas e até nos peixes... Pensem nos cigarros, nas bebidas e nos medicamentos falsificados... ( na caneta milagrosa para livrar-se das banhas...) e na dificuldade de fazer os enfermeiros e os cozinheiros se lavarem as mãos (com sabão), antes, durante e depois do trabalho... Pensem nos matrimônios neuróticos e ridículos, que vão acabar em feminicídios...  em homicídios ou em algo ainda pior...Tudo fora de controle...Tudo patogênico e iatrogênico! Uma cultura verborréica, que, secreta e misteriosamente, se odeia, que age contra si-mesma e que está domada e rendida pela obesidade e pelo cinismo.

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EM TEMPO  

Prova de que propaganda é tudo: O populacho está mobilizado. Todo mundo, além de atualizar o título de eleitor, quer, neste final de semana, ir ao cinema ver a badalada Odisséia... e vão com o mesmo entusiasmo da vez em que foram ver OS DEZ MANDAMENTOS e A PAIXÃO DE CRISTO.

E nas livrarias, os livreiros acordaram mais cedo para colocar nas vitrines a famosa obra de Homero e, com um detalhe: bem ao lado da Bíblia e do Antigo Testamento... (aqui entre nós, preste atenção: todos os que estão papagueando e se vangloriando de terem lido, desde a adolescência, umas cinquenta vezes essa xaropada de Homero, têm, no mínimo, um pequeno retardo...)

E la nave va...

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

O Mendigo K, Ceuta e a APOROfobia... (O repúdio aos pobres)



"Existem dois tipos de compaixão. Uma covarde e sentimental que, na verdade, não é mais do que a impaciência do coração por livrar-se o quanto antes possível da emoção incomoda que causa a desgraça alheia, aquela compaixão que não é compaixão verdadeira, senão uma forma instintiva de afugentar o sofrimento alheio da própria alma. A outra, a única que importa é a compaixão não sentimental mas produtiva, a que sabe o que quer e está disposta a compartilhar um sofrimento até o limite de suas forças e até para além desse limite..." 

Stefan Zweig 

(IN: Impaciência do coração) Citação de Adela Cortina


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A manhã de segunda-feira já está pela metade e a mendigada em seus postos! Um mais surrealista do que o outro e todos famintos. A ânsia frustrada de voracidade! Ah! e a famosa hipoglicemia! Responsável por todo tipo de síncopes, desmaios, e de escravidão, voluntária ou não...

Quando não encontram com urgência, um pedaço de pão ou uma manga caída pelo caminho, sabiamente, se deitam na calçada ou se encostam numa parede e esperam até que a maldição da fraqueza, do estômago e das tripas passe. (Terás que comer cinco vezes por dia, como um búfalo! Teria determinado o sádico criador de todas as misérias e de todas as coisas...) A rua é uma verdadeira enfermaria onde o CID 10, com todas suas bobagens, já não consegue particularizar suas desgraças. E focinham as lixeiras, examinam todo e qualquer pacote jogado no meio fio, mastigam qualquer coisa, folhas e ramalhetes de flores e abordam (meio enojados e sem esperanças) aos aposentados e às velhinhas que mais ou menos como eles, correm às farmácias e às padarias também em busca de suas próprias drogas, (o pão, o Dorflex e a losartana). Um horror! E os mais jovens, seus filhos, netos, bisnetos e etc, passam apressados fingindo que não os conhecem e dentro de seus uniformes vão em direção às pequenas e falidas empresas, aos sombrios escritórios, agências de empregos e claro, na direção de seus serviços públicos... E vão ansiosos porque se atrasarem um minuto e forem descartados dessa máquina escravocrata estariam perdidos... Quando podem, até olham com sarcasmo e riem dos mendigos, dos velhos e das velhas, (dessa multidão caquética que vive apavorada numa espécie de "faixa de gaza"), riso e sarcasmo que nos lembra, daquele adágio vingativo e popular que diz: é o carvão rindo das cinzas, sem perceber que é o que o espera...

O Mendigo K, fingindo uma certa soberba e procurando diferenciar-se do bando, estava entre eles e quando me viu, veio logo fazer uma observação exibiocinista e antropológica sobre a invasão dos marroquinos lá em Celta, dizendo: 

- Bazzo, vendo a reação dos espanhóis à invasão dos marroquinos lá em Celta, é o momento ideal para se voltar a ler o livro de Adela Cortina: APOROFOBIA, El rechazo al pobre. Disse isso é recitou: "Y lo más sensible en este caso es que hay muchos racistas y xenófobos, pero aporófobos, casi todos (...) E prosseguiu: O que produz repudio não é o fato que venham de fora, que sejam de outra raça, ou etnia, o estrangeiro não incomoda pelo fato de ser estrangeiro, mas por ser pobre. (...) São mostras palpáveis de aporofobia, de repúdio, aversão, temor e desprezo ao pobre, ao desamparado que, pela aparência, não pode nos dar nada em troca."






sábado, 1 de agosto de 2026

Uma excelente aula sobre a Odisséia dos marroquinos em direção à Ceuta... (E sobre o aumento da agressividade com o aumento da temperatura...)


"Durante siglos, nos hemos acostumbrado a castrar a los toros, convirtiéndolos en novillos. Eso ya no es aceptable. Un toro puede morir en la plaza; cualquiera puede matarlo. Esa es la realidade atual, y tiene que acabar..."
(Declaração de um espanhol, indignado com a invasão de Ceuta)




 





















sexta-feira, 31 de julho de 2026

A ODISSÉIA dos Marroquinos em direção à Monarquia espanhola... "Tenha sempre a Ítaca em mente, estás predestinado a chegar lá..." C. Cavafis



"Le temps est un viellard qui a la malice des enfants..."
Georges Schéhadé
(IN: L'Émigré de Brisbane)

 
"Tu t'appelleras la vie, mon enfant. Tu seras l'ombre et la lumière, l'eau, le feu, le ciel criblé d'étoiles, la lune muette et Sa Majesté le Soleil. Tu seras le fruit mûr, le sourire de l'ange, la brise des soirs d'été et le saisons capricieuses. Tu seras la fluide qui naît de l'étreinte des amants, la caresse du papillon à l'orée dune baiser, tu seras le parfum entêtant des belles-de-nuit devenues insomniaques, 
tu seras, tu seras, tu seras..."
Mahi Binebine
(IN: Rue du Pardon, pp. 32, 33. 
Casablanca 2019.





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PS - São fortes os ruídos de que por detrás da invasão de CEUTA pelos marroquinos, + ou - uns 30 mil de ontem para hoje, estariam os EEUU e ISRAEL, para vingar-se da Espanha. Dizem que lá por 1490, a monarquia e a igreja católica espanhola obrigaram uns 200 mil judeus a converter-se ao catolicismo ou pegar as maletas e cair fora...
Agora, mais de 5 séculos depois, por sua posição nos últimos meses em favor dos palestinos e do Irã, a Espanha teria entrado no radar de Trump, de Netanyahu e de seus lacaios, levando a pequena e estupenda cidade espanhola de Celta (junto ao Estreito de Gibraltar) a ficar inviabilizada. Milhares de jovens marroquinos chegaram eufóricos em cima de caminhões, em barcos, a pé e a nado... Iludidos por uma vida entre Celta e Gibraltar... e atrapalhando la siesta sagrada dos espanhóis. Em busca de quê? De trabalho! Da famosa escravidão voluntária. Da troca de um rei por outro? A direita franquista está em pânico! As imagens são estupendas e não há freirinha e nem fotógrafo que não se emocione. O vivaldino Sebastião Salgado perdeu + essa!!!
Mas, calma! Calma que, seja como for, sempre prevalecerá aquele adágio realista e reacionário espanhol: no pasa nada. E também aquele outro: Quando pastores se reunem, ovelhas mortas! Pois trata-se apenas de mais um conflito entre reis, reinos e usurpadores, entre colonizadores e colonizados...  Entre enclaves e escravos! Una contenda entre gente que historicamente sempre se mostrou hábil e expert em invadir terras alheias, roubar ouro, mulheres, diamantes... (Veja-se a América Latina, a África inteira, a Ásia, a Cisjordânia e etc). 
Começo até a pensar metafisicamente que, talvez, as desgraças e os problemas do mundo sejam mais esotéricos do que geopolíticos e, curiosamente, relacionados sempre com os estreitos: Estreito de Bering; Estreito de Magalhães; Estreito de Suez; Estreito do Panamá; Estreito de Ormuz; o Estreito do Bósforo; o Estreito de Bad el-Mandeb, controlado pelos heróicos houthis, e agora, o Estreito de Gibraltar... Do jeito que a coisa vai, acabaremos concluindo que toda essa compulsão por invasões, canais e por estreitos, carrega em si até uma perversa fantasia sexual...  





















quarta-feira, 29 de julho de 2026

Os mendigos, as donas de casa, Penélope, Homero e a Odisséia... (Essa bobagem épica da Grécia antiga...)

 


A turma acostumada há décadas às novelas da Globo, do SBT, da Record, da Band, da vida doméstica e etc, está eufórica com (o filme) e com os capítulos da Odisséia, uma nova "adaptação" da peça de Homero, onde, curiosamente, Helena (a sequestrada) até aparece como sendo uma mulher negra... O que pensaria Frantz Fanon, dessa falsificação e dessa peleguice? 

E os chamados helenistas, eruditos e trapaceiros, tanto das editoras como das academias, eles que passaram a vida inteira debruçados sobre o assunto, estão, com certa razão, excitados... Aí pelos mercados, aí pelas filas do SUS e até na porta das igrejas, só se fala nisso.. E Homero, (o poeta/autor dessa chatice precursora da Disney e escrita praticamente para o mundo pré adolescente), está sendo visto quase com o mesmo olhar que a turma tem para com Moisés e, a Odisséia, como uma fábula que lembra ao Antigo Testamento, para não dizer à Bíblia. A propósito, o Mendigo K apareceu ali na padaria (fantasiado de Poseidom), para lembrar que tanto o Antigo como o Novo Testamento foram traduzidos do hebraico para o grego, sabem por quem? Pelos gregos. Homero, VIII a.C. Antigo Testamento, 500 a.C. A Bíblia hebraica traduzida no século III a.C... Sem falar dos Jardins de Epicuro, da obsessão por agradar a gregos e a troianos, das incursões pedófilas e pederásticas de Sócrates, de Heráclito, de Platão... e de toda aquela turma de lunáticos, 'espíritas' e de charlatães... que até hoje seguem práticando a homeromância...

Nela, as fábulas, as lendas, as aventuras divinas, os oráculos, a feitiçaria, os mares, os desastres naturais, as caravelas, os milagres, as ajudas, trapaças e os castigos divinos, a puerilidade WOKE, o mau caráter de Agamenom, as memórias das pauladas e das matanças recentes em Tróia, tudo pela tara por Helena, (prova de que todas as guerras do mundo foram ginecológicas!), aquele cavalo recheado de bandidos.., presente dos gregos, as flores alucinógenas do lótus, a tirania e a onipotência de Poseidon, a obsessão pela morte e pela honra, tudo é demasiadamente monárquico, esotérico, celestial, metafísico, cristão e grego... (Só faltou algum marinheiro daquelas barcaças, depois de um baseado, cantar o Bagavata Purana a Vishnu ou, citando a Pitágoras  (570 a.C), insistir na balela de que o universo é feito de pura geometria e de pura música...).

Ah! As sereias! Ah! O canto sedutor das sereias, com aqueles rabos de peixes! E Ulisses amarrado ao mastro! Imagens que inspiraram o Marques de Sade e que deram origem às cordas e aos chicotes dos sex shops!

Os bois! Os porcos! O heroísmo! As feitiçarias de Circe! As intervenções cretinas dos deuses! Aquele homenzarrão de um só olho! Um Homero cego que precisa enfiar uma lança no único olho de Polifemo. E os psicanalistas suspiram! Ah! O inconsciente! Ah! Os arquétipos! A viagem do Ego para o self! Polifemo? Sim, a suruba de nomes na obra lembra a verborréia linguista de Dostoievski. E Ulisses! Que homem! Comeu meio mundo lá pelas margens do Mar Jônico, antes de aportar em Ítaca... A fidelidade e a espera de Penélope lá na ilha de Ítaca! Aquilo sim que era mulher de verdade! Tudo o que as donas de casa e seus rebentos mais desejam, admiram e adoram! Apenas as feministas ficariam bem mais excitadas se Homero, no lugar de Penélope, tivesse plantado uma Medéia... 

- Estamos apaixonadas por Ulisses, por Penépole e por Homero! Ouvi duas trocando idéias com um pároco enciumado, ali na esquina.

Eu, que acho os 24 Cantos, daquela espécie de Pentateuco, de uma puerilidade, de uma sub-normalidade e de uma babaquice de dar pena (só não sendo pior que os 10 Cantos dos Lusíadas e que os do Bagavata Purana), não nego que me emociono ao ler que quando Ulisses (enfim de volta), se apresenta à sua amada ela, desolada, sente que aquele não era o homem que ela tanto esperava... Também me emociono ao ler que seu cachorro, ao reconhecê-lo depois de tanto tempo de espera, teve uma síncope e morreu... Sim, eu sei, eu sei, trata-se da mais singela e da mais pura malandragem poética de Homero (se é que existiu).

Anoitece aqui na capital da república. Quase na hora de mais um trecho dessa tal Odisséia, da radiola do prédio em frente, me chega uma música dedicada à fidelidade daquela beata e estupenda mulher de Ítaca...  
Por tudo isto (e por mais alguma coisa), se vos ofendo - como diria Jamil Snege - soprai minhas cinzas...














O caso Millei... o teatro diplomático... e tudo embalado, como diría Borges, por una alba dudosa...





Enquanto... tanto lá em Buenos Aires como aqui, a mídia, o clero, a trupe diplomática e os chupa-tintas de todos os naipes fingem que o affair Millei (ele que acusou o Lula de "Ladrão" e chamou o ministro Morais de "careca lixo") ainda pode vir a gerar uma crise política, social, antropológica, militar, teológica, amorosa, metafísica e existencial entre as duas colônias, o populacho (de lá e daqui) já percebeu que é tudo teatro e balela. Quase uma forma carinhosa e homoafetiva de comunicar-se. Ah! meu ladrãozinho querido! Ah! meu careca inesquecível!
Enquanto isso, os negócios e as contas bancárias fluem, se movem nas sombras e nas penumbras, e todo mundo (da burguesia aos pés de chinelo) segue indo à missa e gostando de passar por Buenos Aires para, pela milionésima vez, ir ver Verdi (Otello), no Teatro Colón, e em seguida ir beliscar aquele asado, e aquele bife de chorizo com uns tragos de Malbec, lá pelos lados de Palermo, Puerto Madero ou de La Recoleta... Não é verdade?.... E todos, como diria Borges: desde a chegada de Colombo, até agora,, embalados por una alba dudosa... enquanto ouvem Yo soy Maria... Porque, apesar das putarias, dos insultos e do fechamento do Estreito de Ormus, La vita è davvero bella!!!!



















segunda-feira, 27 de julho de 2026

Miguel Ruiz Calvo - IN: O Irã e a arte da guerra...



























Millei, Lula, las malas palabras... y los interminables cambalaches...





Para entender as agressões e as canalhices do Millei, para com o Presidente Lula e para com um ministro do STF, (chamou o Lula de ladrão e ao ministro Alexandre de Morais de careca lixo) em sua recente visita ao Brasil, é fundamental e imprescindível lembrar-se de dois episódios:

1. Que Alberto Fernández, ex presidente da Argentina, (o mesmo que, em 2019, visitou Lula lá na cadeia de Curitiba), declarou recentemente, diante do presidente espanhol: "os mexicanos saíram dos índios, os brasileiros saíram da selva, mas nós, os argentinos, chegamos em barcos vindos da Europa". 
 2. Quando o Lula, em 2024, (não sei se da França ou da Alemanha), se posicionou a favor da luta dos palestinos, comparando o massacre de Israel na Faixa de Gaza ao massacre de judeus por Hitler, e foi imediatamente considerado persona non grata, por Israel.

É evidente que os ataques que o Brasil vem sofrendo tanto do Trump como do Millei, tem um nexo e tudo a ver com os acontecimentos acima e, inclusive, com a presença sistemática das bandeiras de Israel nas manifestações políticas promovidas pela chamada "direita", no Brasil.

Até os estrábicos, os cegos e os surdos já perceberam que tanto o Trump como o Millei e outros governantes trapaceiros (eleitos de forma bizarra) aí pela América Latina (Colombia, Peru, Chile e etc, etc) são fantoches a serviço de um projeto bem mais amplo, colonialista e etnico-religioso, do que se imagina...

Portanto, no meio de mais este cambalache, responder apenas com verborréia moralista, paroquial e bíblica às agressões desse e de outros forasteiros, é quase infantil. Seria bem mais revolucionário, convidar o tal Millei para, ali na USP, ou ali em frente ao MASP,  aprofundar suas teses e agressões e que, como tática de preservação da dignidade e de retaliação contra esses cretinos (daqui para diante), começar a guiar-se +, bem +,  pelo saber e pelas estratégias dos persas... do que pelo palavrório e pela putaria viciada e estéril das metáforas...

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EM TEMPO - Se fosse na época de Mussolini e de seus Camisas Negras, depois de suas declarações, Millei teria levado um cacete inolvidable...












domingo, 26 de julho de 2026

E começam as campanhas eleitorais...

    "... Um bando administra a diversidade do sistema enquanto o outro protege a hierarquia do sistema e ambos necessitam que a população confunda cultura com poder. (...) A cultura Woke permite à esquerda parecer revolucionária sem tocar na economia, já, a reação anti Woke permite à direita parecer popular sem enfrentar-se às elites econômicas. Por isso o debate nunca termina. Não está programado para terminar. Os adversários se alimentam mutuamente..." 

E o populacho está ansioso e até sonhando com as urnas...

Ver documentário abaixo: