sexta-feira, 31 de julho de 2026
A ODISSÉIA dos Marroquinos em direção à Monarquia espanhola... "Tenha sempre a Ítaca em mente, estás predestinado a chegar lá..." C. Cavafis
quarta-feira, 29 de julho de 2026
Os mendigos, as donas de casa, Penélope, Homero e a Odisséia... (Essa bobagem épica da Grécia antiga...)
A turma acostumada há décadas às novelas da Globo, do SBT, da Record, da Band, da vida doméstica e etc, está eufórica com (o filme) e com os capítulos da Odisséia, uma nova "adaptação" da peça de Homero, onde, curiosamente, Helena (a sequestrada) até aparece como sendo uma mulher negra... O que pensaria Frantz Fanon, dessa falsificação e dessa peleguice?
E os chamados helenistas, eruditos e trapaceiros, tanto das editoras como das academias, eles que passaram a vida inteira debruçados sobre o assunto, estão, com certa razão, excitados... Aí pelos mercados, aí pelas filas do SUS e até na porta das igrejas, só se fala nisso.. E Homero, (o poeta/autor dessa chatice precursora da Disney e escrita praticamente para o mundo pré adolescente), está sendo visto quase com o mesmo olhar que a turma tem para com Moisés e, a Odisséia, como uma fábula que lembra ao Antigo Testamento, para não dizer à Bíblia. A propósito, o Mendigo K apareceu ali na padaria (fantasiado de Poseidom), para lembrar que tanto o Antigo como o Novo Testamento foram traduzidos do hebraico para o grego, sabem por quem? Pelos gregos. Homero, VIII a.C. Antigo Testamento, 500 a.C. A Bíblia hebraica traduzida no século III a.C... Sem falar dos Jardins de Epicuro, da obsessão por agradar a gregos e a troianos, das incursões pedófilas e pederásticas de Sócrates, de Heráclito, de Platão... e de toda aquela turma de lunáticos, 'espíritas' e de charlatães... que até hoje seguem práticando a homeromância...
Nela, as fábulas, as lendas, as aventuras divinas, os oráculos, a feitiçaria, os mares, os desastres naturais, as caravelas, os milagres, as ajudas, trapaças e os castigos divinos, a puerilidade WOKE, o mau caráter de Agamenom, as memórias das pauladas e das matanças recentes em Tróia, tudo pela tara por Helena, (prova de que todas as guerras do mundo foram ginecológicas!), aquele cavalo recheado de bandidos.., presente dos gregos, as flores alucinógenas do lótus, a tirania e a onipotência de Poseidon, a obsessão pela morte e pela honra, tudo é demasiadamente monárquico, esotérico, celestial, metafísico, cristão e grego... (Só faltou algum marinheiro daquelas barcaças, depois de um baseado, cantar o Bagavata Purana a Vishnu ou, citando a Pitágoras (570 a.C), insistir na balela de que o universo é feito de pura geometria e de pura música...).
Ah! As sereias! Ah! O canto sedutor das sereias, com aqueles rabos de peixes! E Ulisses amarrado ao mastro! Imagens que inspiraram o Marques de Sade e que deram origem às cordas e aos chicotes dos sex shops!
Os bois! Os porcos! O heroísmo! As feitiçarias de Circe! As intervenções cretinas dos deuses! Aquele homenzarrão de um só olho! Um Homero cego que precisa enfiar uma lança no único olho de Polifemo. E os psicanalistas suspiram! Ah! O inconsciente! Ah! Os arquétipos! A viagem do Ego para o self! Polifemo? Sim, a suruba de nomes na obra lembra a verborréia linguista de Dostoievski. E Ulisses! Que homem! Comeu meio mundo lá pelas margens do Mar Jônico, antes de aportar em Ítaca... A fidelidade e a espera de Penélope lá na ilha de Ítaca! Aquilo sim que era mulher de verdade! Tudo o que as donas de casa e seus rebentos mais desejam, admiram e adoram! Apenas as feministas ficariam bem mais excitadas se Homero, no lugar de Penélope, tivesse plantado uma Medéia...
- Estamos apaixonadas por Ulisses, por Penépole e por Homero! Ouvi duas trocando idéias com um pároco enciumado, ali na esquina.
Eu, que acho os 24 Cantos, daquela espécie de Pentateuco, de uma puerilidade, de uma sub-normalidade e de uma babaquice de dar pena (só não sendo pior que os 10 Cantos dos Lusíadas e que os do Bagavata Purana), não nego que me emociono ao ler que quando Ulisses (enfim de volta), se apresenta à sua amada ela, desolada, sente que aquele não era o homem que ela tanto esperava... Também me emociono ao ler que seu cachorro, ao reconhecê-lo depois de tanto tempo de espera, teve uma síncope e morreu... Sim, eu sei, eu sei, trata-se da mais singela e da mais pura malandragem poética de Homero (se é que existiu).
O caso Millei... o teatro diplomático... e tudo embalado, como diría Borges, por una alba dudosa...
terça-feira, 28 de julho de 2026
segunda-feira, 27 de julho de 2026
Millei, Lula, las malas palabras... y los interminables cambalaches...
Para entender as agressões e as canalhices do Millei, para com o Presidente Lula e para com um ministro do STF, (chamou o Lula de ladrão e ao ministro Alexandre de Morais de careca lixo) em sua recente visita ao Brasil, é fundamental e imprescindível lembrar-se de dois episódios:
É evidente que os ataques que o Brasil vem sofrendo tanto do Trump como do Millei, tem um nexo e tudo a ver com os acontecimentos acima e, inclusive, com a presença sistemática das bandeiras de Israel nas manifestações políticas promovidas pela chamada "direita", no Brasil.
Até os estrábicos, os cegos e os surdos já perceberam que tanto o Trump como o Millei e outros governantes trapaceiros (eleitos de forma bizarra) aí pela América Latina (Colombia, Peru, Chile e etc, etc) são fantoches a serviço de um projeto bem mais amplo, colonialista e etnico-religioso, do que se imagina...
Portanto, no meio de mais este cambalache, responder apenas com verborréia moralista, paroquial e bíblica às agressões desse e de outros forasteiros, é quase infantil. Seria bem mais revolucionário, convidar o tal Millei para, ali na USP, ou ali em frente ao MASP, aprofundar suas teses e agressões e que, como tática de preservação da dignidade e de retaliação contra esses cretinos (daqui para diante), começar a guiar-se +, bem +, pelo saber e pelas estratégias dos persas... do que pelo palavrório e pela putaria viciada e estéril das metáforas...
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EM TEMPO - Se fosse na época de Mussolini e de seus Camisas Negras, depois de suas declarações, Millei teria levado um cacete inolvidable...
domingo, 26 de julho de 2026
E começam as campanhas eleitorais...
"... Um bando administra a diversidade do sistema enquanto o outro protege a hierarquia do sistema e ambos necessitam que a população confunda cultura com poder. (...) A cultura Woke permite à esquerda parecer revolucionária sem tocar na economia, já, a reação anti Woke permite à direita parecer popular sem enfrentar-se às elites econômicas. Por isso o debate nunca termina. Não está programado para terminar. Os adversários se alimentam mutuamente..."
E o populacho está ansioso e até sonhando com as urnas...
Ver documentário abaixo:
sexta-feira, 24 de julho de 2026
Mesmo em fantasia, tudo o que se pode fazer com os 37,5% das tarifas, + o roubo das terras raras, + o assalto aos garimpos e etc ... (um alerta da IA às colônias... ajoelhadas e se torturando há 500 anos..., com a ilusão de que a classe operária irá ao paraíso...)
quinta-feira, 23 de julho de 2026
La belle de jour... A teatralidade do sexo... OU: nos bastidores da Sagrada Família... (Tanto para antropólogos como para teólogos...)
quarta-feira, 22 de julho de 2026
terça-feira, 21 de julho de 2026
FEMINICIDIO: (A pedagogia da desolação...) E a luta continua...
"... O carvão se ri da cinza, sem saber que lhe
espera a mesma sorte..."
Provérbio Masai
Nesta manhã de terça-feira, a velhinha armênia, sem o tradicional lenço italiano na cabeça, estava inflamada ali no mercado de legumes. Discutia com outras mulheres e até com vendedores homens, além da noticia da mulher que ontem disparou um tiro na cabeça do marido, também sobre um "novo" programa de televisão que promete dedicar-se profundamente ao combate da misoginia e do feminicídio que, para vergonha da espécie, têm se tornado quase uma epidemia, não apenas aqui na cidade, mas no mundo. As opiniões, (coerentes, contraditórias, eruditas, analfabetas, malignas, beatas, policialescas e antropológicas, vingativas e amistosas, amorosas e odiosas), surgiam, angustiadas de todos os lados e de todos os tipos. Umas mães, descaradamente misóginas, defendiam as agressões de seus filhos contra suas esposas e amantes, outras lamentavam o dia-a-dia, as ameaças e as agressões sofridas por suas filhas, etc, etc., até que um velhinho vendedor de frangos entrou na discussão para indagar:
Como lutar contra essa matança doentia de mulheres sem dar uma única palavra sobre o livro que está em 99% das casas brasileiras?
E insistia: Como? Apenas com moralismo e com boas intenções? Com a pedagogia do chicote, das algemas e das cadeias? Apenas com discursos? Apenas com a polícia? Mas como, se as próprias mulheres e os próprios policiais também cresceram ouvindo de seus pais e até de seus professores os mesmos trechos daquele livro que é um cardápio não só de misoginia mas também de infanticídios?
Os feirantes que o ouviam ficaram visivelmente boquiabertos e apesar de desconfiarem a quê livro o vendedor de galinhas estava fazendo referência, não se manifestaram. Até que ele, tirando o chapéu, continuou: Quem é de vocês que já leu em Gênesis, Cap. 20, a lenda do genocídio de Sodoma e Gomorra em que para poupar de um estupro coletivo aos anjos que Deus mandou para salvar Ló e sua família (da chuva de fogo e de enxofre que ele próprio havia provocado), Ló ofereceu aos estupradores suas duas filhas virgens?
E quem é de vocês que ainda não ouviu seus pastores mencionarem aquele mandado de Moisés a seus soldados para que matassem todas as mulheres de uma determinada aldeia que já haviam dormido com homens mas que poupassem as virgens e ficassem com elas?
E aquela ordem que está lá na carta do tal Paulo ao tal Timoteo, para que as mulheres fossem proibidas de ensinar e para que ficassem, o máximo possível, de boca fechada?
E aquela outra, do êxodo, cap 20, onde uma "ordem divina" decreta: não cobiçar os jumentos, as vacas, as mulheres e os escravos dos outros?
A feira inteira, menos as galinhas, parecia ter silenciado para ouvi-lo. Aos que tentaram convencê-lo de que aquilo era passado, que aquelas brochuras eram lixo de outros tempos e que nada mais daquilo tinha sentido, ele retrucou com veemência: Sim, mas o inconsciente é atemporal...
segunda-feira, 20 de julho de 2026
Acabou...E a depressão caiu como um raio sobre Buenos Ayres...
Acabou-se a gritaria e a cachaceira nos botecos...
Agora, os pobres deverão voltar às suas 10:00 horas diárias de escravidão, aos ônibus lotados e às suas pobrezas. Os machos e as fêmeas domésticas aos seus lares; as cortesãs retornar para o Setor de Oficinas Norte e os mais histéricos empreender novamente o caminho de volta para os cassinos, as igrejas ou para os sanatórios. Para os torcedores mais compulsivos e entusiasmados, só lhes resta agora voltar à torcida pela carnificina entre Ucrânia & Russia; entre Israel & Teherã; entre os USA & o Oriente Médio. Já, os torcedores do além, poderão seguir (até o fim dos tempos), entoando a lenga lenga celeste e o conflito de interesses entre Deus e o Diabo, sem precisar lembrar que, como dizia Papini, a cumplicidade e a cordialidade entre os dois é bem maior do que se pensa...
Na verdade, aqui no Brasil, por sorte, as torcidas nem precisarão desmobilizar-se, já que daqui a trinta dias começarão as disputas eleitorais. As Bets! As pesquisas. Lula ou Bolsonaro? Caiado ou Flavio? Zema ou Tarciso? Michele ou Janja? Sem falar na variedade de disputas, de intrigas, de malandragens e das prosopopéias cotidianas no Congresso Nacional entre os apologistas das canetas emagrecedoras e os da obesidade; entre os que defendem os 6 dias de escravidão por 1 de repouso. Seis por Um ou três por 4? etc, e sem esquecer que a FIFA já começa a organizar a COPA FEMININA para o ano que vem. Sim! O ano que vem a festa será aqui! A mídia e o populacho estarão bem servidos. Entretenimentos? Não faltarão! Há corridas de automóveis e de cavalos; vaquejadas; jogos de vôlei; novelas; tiroteios; jogo do bicho e a SENA; aulas de culinária, cestas básicas; campeonatos de futsal nas favelas; viagra; cultos ecumênicos; casamentos coletivos; a vinda de dançarinas estrangeiras ao Rio de Janeiro para faturar, por duas horas, 1/5 do PIB; aulas de inglês por IA; promoções de viagens à Disney, ao Beto Carrero ou às peregrinações para Fatima e Aparecida; pornografia cibernética; o aumento de 3% sobre os salários (inclusive sobre as aposentadorias); temos terras raras para encher o rabo de gregos e troianos e as tarifas do império, com os subsídios do governo às industrias e ao latifúndio (+ ou -20 bilhões) só afetarão realmente aos plantadores de acácias e aos Zés Ninguém, da esquina... Somos ou não somos quase a cidade do Sol, do Campanella? E é ou não é um privilégio estar entre os vivos nestes momentos de jubilo? De ser Penta e com a ilusão de que daqui a quatro anos seremos hexacampeões? (Ora!!! Vão foder outro!!!)
2. O Mendigo K, que agora pela manhã, estava ali na padaria espanhola, só ouvindo os papos, quando foi convidado a opinar sobre o jogo de ontem, foi curto e grosso: uma pelada entre escravos e entre novos ricos para divertir milionários e para adormecer politicamente às multidões... E prosseguiu: o que mais me chamou atenção, nem foi o jogo, mas aquele show para retardados mentais que aconteceu no intervalo. Além disso, duas particularidades no ritual da entrega do troféu. Primeiro, o vacilo da CIA, do FBI e do Irã, pois poderiam ter facilmente esfaqueado o Trump enquanto ele condecorava os campeões... Tanto o Lamine Yamal (a futura divindade da bola) como o Pedro Porro (porros?) ou qualquer outro, com um simples canivete nas cuecas, poderiam ter cometido o homicídio do século (Até tu Yamal?! - Até tu Porros!?). E segundo, fiquei surpreso com a falta de cordialidade dos jogadores para com a simpática Claudia Sheinbaum, presidente do México que estava lá, distribuindo cumprimentos e cordialidades ao lado de gente que você jamais deverá ir ao encontro sem levar uma pistola no bolso. Observe. Veja as imagens. Nenhum daqueles jogadores que passaram por ela, apesar de sua demanda e de seu olhar maternal, a encararam de maneira afetiva e nem sequer a cumprimentaram com cordialidade. O que teria acontecido? Misoginia ou anti-semitismo?
Na padaria, um castiçal feito por mouros, duas estátuas de toureiros cercados por ciganos, um vitral decorado com sangue de touro, os churros recém fritos e o cheiro alucinógeno do açúcar derramado proposital e comercialmente sobre a chapa quente + a música espanhola que ia dominando tudo...
domingo, 19 de julho de 2026
Roberto Arlt e Manu Chao... Clandestinos...
sábado, 18 de julho de 2026
Enquanto isso, a Argentina e a Espanha preparam a arena para el TOREO Y LA CORRIDA DE TOROS de mañana...
Uma curiosidade: O jogo de hoje entre as seleções da Inglaterra e da França (que nem Joana D'arc livrou os franceses da derrota), tirando o juiz, foi um jogo praticamente entre negros. Dos 11 ingleses e dos 11 franceses em campo, (sem falar dos reservas), a maioria era de negros, e provenientes das colônias africanas.., tudo muito parecido ao que acontecia lá no Coliseu de Roma daqueles tempos. Lá também a maioria dos gladiadores que entravam na arena para divertir e alegrar a Nero e à burguesia romana, eram escravos negros provenientes de países africanos colonizados e explorados. Que bizarra e curiosa repetição! Como não voltar a pensar na velha máxima de Marx de que a história se repete, primeiro como tragédia e depois como farsa? Pero, no pasa nada!!! Olha o Gol... Olha o gol... Olha o goooollllll...
Enquanto isso, enquanto montam e preparam a arena para a corrida de toros de amanhã, entre Argentina e Espanha, o Oriente Médio vai se devastando e derretendo em chamas... Y tambien, no pasa nada!
E Trump, o anfitrião, já se prepara para, (no meio de pompas e ao lado daquela mulher com aquele chapéu preto lhe tapando os olhos, como nos tempos do Bill Kid), entregar a taça aos vencedores... E, aos vencidos? Bem, aos vencidos, as batatas... Que tenha que entregar o 'troféu' aos presumidos da colônia argentina ou aos da colônia espanhola, tanto faz, qualquer um poderá adivinhar que, durante a solenidade, naqueles seus costumeiros gestos quase delirantes, seguirá ruminando a frase de Racine : "Sem dinheiro a honra não passa de uma doença".
sexta-feira, 17 de julho de 2026
Enquanto isso... Fragmentos da poética hipersônica dos iranianos...
quinta-feira, 16 de julho de 2026
CICLOSPORÍASE. Em vista da pesada onda de diarréia que assola os Estados Unidos, Trump, que é pragmático, excluiu o papel dos novos produtos brasileiros tarifados...
1. Argentina 2, Inglaterra 1. E o futebol, ali no coração do império, cumpre sua função: expõe o vazio, a solidão, o transtôrno bipolar, a mediocridade (ver o argentino Jose Ingenieros) e a histeria planetária. Na Argentina, a festa e as milongas parecem não ter fim. Logo logo, até com a colaboração dos mendigos e dos assassinos mencionados nas obras de Arlt, edificarão uma igreja também ao petit e singelo Messi, igual ou até maior da que levantaram em homenagem ao Maradona. E o fenômeno é tão ambulatorial que não apenas a turma cuja profissão é decorar nomes de jogadores e descrever o perfil dos meia-de-campo e dos centro-avantes, mas que até o vendedor de pamonha, aqui da esquina, está em pleno alucinio, como se os gols (de um lado ou de outro) fossem alterar uma vírgula de sua miserável vida. Caralho!!! Como recuperar a sanidade??? E vendo aquela multidão enlouquecida no meio da madrugada, lá em Buenos Aires, impossível não lembrar do velho e cego Borges: "es saberse culpable de velar cuando los outros duermen, es querer hundirse en el sueño y no poder hundirse en el sueño, es el horror de ser y de seguir siendo, es el alba dudosa..."(Vol III, p. 301)
2. E a inveja brasileira, mesmo disfarçada, emerge. Não apenas quando ouvem a Madonna cantando
Don't Cry For Me Argentina
nem apenas pela mítica (cretina e mundial) ao redor do Messi e do futebol (esse passatempo anímico de palhaços), mas porque sabemos que há lá mais livrarias do que botecos... Que tiveram um Borges, um Che Guevara, um Piazolla e um Arlt. Porque a psicanálise deles é referência... E porque lá, mesmo com um racismo enrustido, com um catolicismo de catacumbas, com uma política e uma moeda de merda, o saneamento básico funciona e a água é quase 100% potável...
3. E as tais Malvinas? No meio do jogo lá em Atlanta, dizem que um torcedor porteño em frenesi, jogou uma bandeira daquele arquipélago no meio do campo e que no final, depois dos 2/1, levantaram uma faixa dizendo que as Malvinas são deles... Bobagens! Convivi com muitos deles (professores e doutorandos), na Ciudad de Méjico durante a guerra da Argentina com os ingleses (2002). Frequentemente apareciam chorando na Praça de Coyoacan ao ver seus "hermanos" adolescentes, levados despreparados, por generais psicopatas, até de tênis, para lutar contra o império britânico e sendo destroçados. Perderam. O arquipélago, aqueles pedaços de gelo inúteis, perdidos no Atlântico Sul... com seus pinguins desajeitados e patéticos... ainda continuam sendo colonialmente conhecidos por Falkland... E não será pela habilidade de 11 patetas (mescla de italianos, ibéricos, indígenas e até africanos subsaarianos), correndo atrás de uma bola de couro de vaca e nem por milhares de clows gritando das arquibancadas de um circo que o conflito se resolverá...
A propósito: a endemia atual, de ciclosporíase lá nos USA, teria alguma coisa a ver com tudo isso? Ou seria, mais bem, pelos mísseis e pela pontaria de ontem, dos iranianos?
quarta-feira, 15 de julho de 2026
O Mendigo K... entre dois tipos de ópio: o futebol & a literatura...
Robert Walser, Jakob von Gunten
Nesta quarta-feira de julho, com o Ministério da Saúde e as freiras da mídia recomendando obsessivamente que, os velhos, - se não quiserem ter uma síncope na fila do INSS e irem para o outro mundo sem assistir Argentina/Inglaterra-, devem beber muita, mas muita água, o Mendigo K apareceu ali nas galerias do shopping, meio afobado, buscando a melhor vitrine para, às 4 da tarde, assistir ao jogo. Quando me viu, não conseguiu esconder uma certa preocupação e um certo medo que eu fosse classificá-lo como mais um dos idiotas da bola e foi jurando que seu interesse por aquela babaquice, era puramente literário & antropológico. Para convencer a mim e aos que nos observavam, foi retirando de uma bolsa de couro e exibindo também aos que passavam umas cinco brochuras sobre o assunto, livros que dizia ter lido:
1. A bola não entra por acaso, de autoria de um tal Ferran Soriano.
2. Futebol & guerra, de Andy Dougan.
3. Entre os vândalos, de Bill Buford.
4. O negro no futebol brasileiro, de Mario Filho.
5. Como o futebol explica o mundo, de Franklin Foer
E até um em inglês que ainda não foi traduzido: Football against the enemy, de Simon Kuper.
E, por último, mostrou-me um do mítico uruguaio, daquele que escreveu As veias abertas da América Latina, titulado: Futebol ao sol e à sombra. Deste, quase religioso e quase com lágrimas nos olhos, fez até questão de citar parte de um parágrafo, sobre Pelé:
“Quando Pelé ia correndo, passava através dos adversários como um punhal. Quando parava, os adversários se perdiam nos labirintos que suas pernas desenhavam. Quando saltava, subia no ar como se o ar fosse uma escada. Quando cobrava uma falta, os adversários que formavam a barreira queriam ficar de costas, de cara para a meta, para não perder o golaço”.
Completamente derrotado, convicto de que a bola é o ópio do populacho, de que o rebanho é imbatível e de que o mundo jamais conseguirá livrar-se do aprisco, ziguezagueei abobalhado por entre aquelas geladeiras, televisões ligadas, vassouras, bandeirolas e máquinas de lavar, das Casas Bahia... E, como a única diversão que encontro no futebol é ver o árbitro apanhar (Pitigrilli), também estarei, hoje à tarde, beociamente, apostando todas as fichas, não no gol, mas na conhecida atuação afetiva dos Barras Bravas e dos Hooligans...