sexta-feira, 1 de maio de 2026
O discurso do Lula visto pelas feministas...

Duas mulheres bem jovens, uma com a cabeleira vermelha e a outra com o cabelinho curto e de cor lilás, criticavam o discurso do Lula de ontem à noite, sobre o dia do trabalho, sobre o fim da Escala 6X1, sobre a quitação de dívidas com descontos, sobre o saque do FGTS e sobre as apostas nas bets, considerando-o reacionário, machista e até misógino.
Diziam: Para o presidente, trabalhar ao invés de seis, cinco dias da semana, dará às mulheres tempo para, chegando em casa, cuidar da família, colocar a roupa em ordem, lavar os banheiros, preparar a janta e a marmita para o dia seguinte, lavar a louça, limpar o fogão e, além dos filhos, cuidar do marido e ir à igreja. E mais: aqueles maridos que aderirem ao saque do FGTS, deverão comprometer-se a, durante um ano (sobre supervisão delas), a abster-se de fazer apostas on-line, nas tais bets. Mas por que só eles? Como se elas próprias, portadoras de algum deficit cognitivo, não soubessem, não desejassem e não pretendessem de vez em quando, fazer uma apostazinha?
Caralho! Resmungavam. Mas isto, ao invés de dar-lhes liberdade, agravará ainda mais a escravidão em que vivem! Por que, além de tudo, teriam que cuidar e zelar, além dos filhos, de seus maridos, como se fossem suas mães? (sem falar de quando, elas, estendendo a roupa no varal, são agarradas por trás e ouvem o resmungo deles, já com uma garrafa de vinho nas tripas: vamos, amor!).
As duas mocinhas estão visivelmente incomodadas e citam a Ataulfo Alves:
Laranja madura, na beira da estrada ou tá bichada Zé ou tem marimbondo no pé...
Enfim, estavam furiosas e, admitamos, com uma certa razão!
Não adianta fingir: o conceito machista e misógino está estruturalmente introjetado nos homens e até mesmo nas mulheres, sejam eles déspotas esclarecidos ou simples beócios.. E quem ainda duvida, que dedique umas quantas horas na leitura dos três ou quatro principais livros "sagrados" que foram, durante séculos, a base da formação afetiva, intelectual e moral do rebanho.
Várias... "E no inverno, ao drenares o vinho, que haja em vosso coração uma Ode a cada cálice"
1. Nesta sexta-feira, com os periquitos em cio rondando minha varanda, ouvi o afiador de facas, que passava cantarolando lá pelos jardins, confessando a um colega de ofício: a cidade inteira está numa dúvida atroz: não sabe se vai ver a Shakira, se compra o álbum de figurinhas da Copa (mesmo sem o Neymar) ou se compra um presentinho para o dia das mães. Seu colega (de infortúnio) ouviu-o atenta e silenciosamente e depois murmurou: que dúvida e que alienação miserável!
2. ESCRAVOS - E hoje, mesmo você que está em greve desde que nasceu, é bom lembrar que é dia Primeiro de maio, dia em que os patrões e os escravocratas comemoram o dia do Trabalho. Apesar do papo dos padres, dos políticos e das cortesãs, e apesar dos comícios, meetings e das passeatas, de 1888 para cá, só houve mudança de estilo. Lembram da Neurose de repetição, descrita por Freud? Aqueles que se sentiram rejeitados e escravizados quando crianças, (inconscientemente), fazem de tudo para que a rejeição e a escravidão caiam novamente sobre eles...
3. E, por aí, se continua falando obsessivamente do tal Messias! Como interditaram seu entronamento na Suprema Corte, agora pretendem entronizá-lo num Ministério. (Uma curiosidade: tanto Suprema Corte, como Ministério, são expressões plagiadas dos relicários e das sacristias medievais). Mas, e o Estado laico propalado pela revolução Francesa?).
4. E lá no Oriente Médio, com o pretexto de estar lutando contra o Hezbollah, Israel, depois de ter devastado a Palestina, agora com suas bombas, está devastando também o Libano. Enquanto a comunidade libanesa no Brasil (13 milhões de pessoas), segue assistindo aquele horror, passiva e praticamente em silêncio, comendo quibes e bebericando Arak... Bem que os doutores do Sírio Libanês poderiam mudar-se para lá, temporariamente, para aplacar o sofrimento de seus ancestrais.
5. E por falar em Libano, a velhinha armênia que estava ali na feira comprando um ramalhete de rúcula, abordou-me para exibir o livro que ela, que é da elite do Lectorium Rosicrucianum, considera o melhor que há na literatura libanesa e árabe: O LIVRO DE MIRDAD, de Mikhail Naimy. Para provocá-la, contrapus Gibran Khalil a Naymi, ao que ela, rindo, recitou uma das frases mais conhecidas de Gibran, principalmente pelos bêbados: E no inverno, ao drenardes o vinho, que haja em vosso coração uma ode a cada cálice...







