quinta-feira, 30 de abril de 2026

AS VINDAS E IDAS DOS MESSIAS...




 Acreditem: é a função que cria o órgão!




Aqui na capital da República, nesta quinta-feira, não se fala em outra coisa a não ser no MESSIAS. Não no Messias que está preso e nem no Messias palestino que, (segundo  a velhinha armênia), há uns dois mil anos, foi torturado, humilhado e crucificado pelo Império Romano, lá no Horto das Oliveiras. Me refiro ao Messias que pretendia ocupar uma vaga na SUPREMA CORTE, mas que foi rejeitado pelos ilustres senadores. 

O que teria acontecido?

E por que esse bafafá todo? 

Qual é a lógica dessa pantomima? A turma das rádios, das televisões e dos jornais escritos, não falam em outra coisa. É Messias pra cá e Messias pra lá! Como se se tratasse de um evento transcendente. Mas não aconteceu nada. Agora mesmo, aqui no restaurante onde escrevo, em menos de meia hora já passaram por entre as mesas, uns cinco mendigos, um mais desgraçado do que o outro. O que essa tal Suprema Corte poderia fazer por eles, que não fez por seus bisavós, avós, pais e parentes?

Todos em estado lastimável, em farrapos e com mau cheiro.

Um, trazia uma criança no colo e três de arrasto, que o seguiam. Um prato de comida! Uma moeda! Dinheiro para comprar leite, pelo amor de Deus!

Outro, de uns cinquenta anos, completamente descarnado, falando sozinho e com uma capa de plástico amarela sobre os ombros. Nem pedia nada, só estendia a mão, parecida a uma garra de crocodilo.

Depois passou outro. Só ossos e parecia embriagado, mas não estava.

Até um com os olhos de um azul intenso, como se tivesse pertencido ao Terceiro Reich.

Depois outro, este, com os olhos injetados de fúria, dizendo que estava em 'liberdade condicional' e que tinha família para criar e alimentar.

Depois uma moça de uns 30 anos, com sinais evidentes de psicopatia e de estar medicada. Não pronunciava nenhuma palavra, só estendia a mão, às vezes uma e às vezes as duas aos clientes, enquanto emitia um resmungo.

E, por fim, uma velhinha esquelética e simpática conhecida por todos e que sempre leva atrás de si meia dúzia de guapecas.

Os garçons se agitavam, mas, como o restaurante ocupa de forma irregular uma área pública, reprimiam seus instintos mais primitivos.

Nenhum pio sobre o Master, nem sobre os Messias. Nem o do Calvário, nem o da Papuda e nem o candidato à SUPREMA CORTE...

Era a Idade Média! O horror de uma civilização narcisista e despirocada, cuja única preocupação não vai além das próprias tripas...


domingo, 26 de abril de 2026

O Mendigo K e a simulação de ataque contra o Trump...

 





Por mais que me critiquem, continuo tendo uma certa simpatia pelo Trump. Ele que, em dois três anos, através de uma espécie de 'teatro do absurdo', vem descortinando a idiotice, a credulidade e a imbecilidade estrutural do mundo, tanto econômica, como militar, como religiosa, como jornalística, como patriótica, moral e etc. Ele que veio cuspindo sobre as míticas Organizações Mundiais de Segurança; de Saúde; do Trabalho; da Infância; da Democracia, etc, etc, etc. E que até se exibiu vestido de Cristo e curando doentes... 

Ele que tem tomado decisões que o mundo, e precisamente suas colônias, precisarão de mais uns bons séculos para esquecer. Que retirou o estigma que pesava tanto sobre os transtornos psíquicos, como sobre a pirataria e que tornou visível a pobreza mental e a alienação tanto daqueles de seu país que o elegeram, como daqueles rebanhos europeus, latino americanos, africanos e asiáticos que ficam de quatro para seus surtos.

Inacreditável!

E a pantomima de ontem, no Hotel Hilton, lá em Washington, durante a Congregação anual de Jornalistas da Casa Branca, foi a coroação de todas as dessacralizações, trapaças e façanhas anteriores. Uma tentativa de atentado? Ora! Apesar do fingimento e da encenação comercial da mídia lacaia, nem os velhinhos do asilo ali da esquina, acreditam. 

Segundo o Mendigo K, tudo não passou de um show, bem mais fajuto e infantil do que se espera de um império. Um show com a conivência da mídia, onde o suposto "terrorista" dispara três ou quatro tiros nas paredes luxuosas do Hilton (num andar acima de onde acontecia o banquete), o Trump cai ao sair correndo, as madames (já com pedaços de crustáceos nos dentes e nas tripas) engatinham, o atirador/ator (um teacher da California) é detido, e algumas jornalistas aproveitam para colocar nos bolsos e sob os casacões uma ou outra pata de lagosta e as valiosas garrafas de vinho e de Champagne que, ainda estavam lacradas sobre as mesas. Momentos depois, tudo volta a ficar Zen e todo mundo (em homenagem a Pantagruel), retoma o suculento Cocktail, enquanto os títeres dos governos planetários se apressam em mandar beijinhos e mensagens de apoio ao Camarada Trump que, novamente, sobreviveu. Hollywood já deve estar organizando as imagens e agregando-lhes trilhas sonoras. Segundo os animistas católicos, tratou-se, como aquele da orelha, de um milagre, já, os outros pelegos, prometem que amanhã organizarão uma nova pesquisa de intenção de votos por lá... 

E, como hoje é domingo, não faltarão missas aqui pela colônia, em homenagem ao grande farsante e benfeitor do mundo...




sábado, 25 de abril de 2026

AS AUXILIARES, FREI GILSON & AS MULHERES...

 



Flechas de todas as cores e tamanhos estão sendo lançadas contra o Frei Gilson depois que ele, citando a Bíblia, declarou que "Deus fez a mulher para ser auxiliar do homem". O declarante, para defender-se dos mísseis e dos tacapes, já citou várias vezes a fonte: Genesis, Capítulo II, versículo 18.

É natural que no auge de uma matança absurda de mulheres; logo depois daquele Conselheiro do governo Trump ter falado a merda que falou a respeito das mulheres brasileiras, no meio de uma guerra estúpida entre sexos, e da falência da heterossexualidade, é natural que não apenas as mulheres fiquem indignadas com a fala do frei celibatário. Mas, o que é mais uma idiotice, é! Trata-se de mais uma bobagem! Como pretender interpretar anedotas do Criacionismo através de sociologismos? E, depois, a possibilidade das traduções que os gregos (bêbados) fizeram dos textos em hebraico, estarem absolutamente falsificadas, é enorme. Auxiliar! Qual é o problema se esses dois náufragos tenham sido engendrados para que UM auxilie o OUTRO nesse mar revolto e nesta imensa enfermaria que é o mundo?

E depois, o que se vê, na realidade, é que a grande maioria dos homens (dos que conheço) mesmo contra os desígnios celestes, é que são auxiliares de suas companheiras, mães, tias, filhas, amantes etc, e até mesmo sem reclamar... Qual é então, o problema, no fato de que a escravidão e as algemas sejam compartilhadas? Principalmente para aqueles que acreditam na declaração de Aristoteles de que 'a mulher é um macho imperfeito'?

Puro teatro! Pura pantomima! Teatralidade!

Puras balelas linguisticas! Papo furado de gente despirocada. Fruto e confusão de exegetas delirantes! Parábolas bíblicas e parábolas sociológicas mal interpretadas! Traduções de meia dúzia de livros sagrados feitas por bebuns vingativos! Fake news! Pretextos para justificar outros desvarios... 

Portanto: Viva o desvario do frei Gilson (ele que deve ter três ou quatro auxiliares em sua paróquia), e Viva o desvario das auxiliares que idealizam enquadrá-lo.

Toda polêmica é importante num mundo cada dia mais monótono, patético e medíocre.









Assim viviam nossos parentes... (e, querendo ou não, todos trazemos em nossos genes, essas memórias...)


















quinta-feira, 23 de abril de 2026

Várias - Do policial alemão, ao conselheiro do Trump e ao Mendigo K...






1. Na Alemanha, ontem ou hoje, um tal de Dirk Peglow, chefe da polícia investigativa criminal, num programa de TV, aconselhou às mulheres que, por segurança, deveriam evitar relacionarem-se com homens. Que tal? E nós, desde os mais patetas até os mais despirocados, como é que ficamos, enquadrados nesta posição de estupradores e de assassinos? Teria ele razão, ou estaria falando de seus próprios e mais primitivos instintos? Enfim, o que teria acontecido entre essas duas categorias de náufragos? Eles, idólatras de Narciso e elas, simpáticas à poetisa Safo? E como devem ter sido os séculos em que passaram dormindo na mesma cama, fingindo não suspeitar de nada?

2. Enquanto isso, ali nos EEUU, um conselheiro brutamontes do Trump, Paolo Zampolli - também numa entrevista de TV -, afirma que as mulheres brasileiras são uma "raça maldita, programadas para causar confusão". 
Falando da modelo, sua ex mulher, declara:
E prosseguiu: "Os brasileiros assistem novelas e são todos um pouco assim..."

3. E ali no Peru, país do atual Papa, o candidato à Presidência da república, o senhor López Aliaga (membro da Opus Dei), já declarou em várias entrevistas que, como prática de sua fé católica, se mortifica (autotortura) todas as manhãs. Inacreditável! (Como não ter saudades do Sendero Luminoso e até mesmo do japa Fujimori?)

4. E os professores da Rede pública do DF se reuniram hoje, ali em frente ao Palácio do Buriti, contra a redução de salários dos 'docentes temporários'. Docentes temporários? O que é isto? Segundo um dos maestros, a diferença deve ser em torno de uns 80 ou noventa reais. Tudo bem, dinheiro é dinheiro, mas como esquecer que a transação do BRB/MASTER parece que chegou a 12 bilhões, e que as meninas que, nesta quinta-feira, fazem trottoir ali ao redor dos hotéis estão cobrando até 3 mil por umas horas, para não dizer minutos?

5. E o Mendigo K, que havia aparentemente desaparecido, voltou hoje dizendo que, pelo fechamento do Estreito de Ormuz e por problemas financeiros, converteu-se a uma nova seita. Como prova, exibia a seguinte inscrição na camiseta que usava: "As vezes, a bendição não é o que Deus dá, más o que ele nos tira..."










quarta-feira, 22 de abril de 2026

SOBRE OS FERREIROS: Eles que vieram pelos séculos afora sendo acusados de terem fabricado os pregos com que se crucificou a Cristo, na cruz...

 
NA PRÓXIMA SEMANA

Nos semáforos, nas ferrarias e em alguns sebos da cidade. Também pode ser pedido pelo e-mail: eziofb@gmail.com ($inquenta reais, porque não existe almoço grátis!)


























sexta-feira, 17 de abril de 2026

Melancolia afetiva... Chico Buarque em Cuba...


"Os olhos embotados de cimento e lágrimas... 
e tropeçou no céu como se ouvisse música e como se fosse bêbado..."


















quarta-feira, 15 de abril de 2026

DA GUERRA. Islamabad é poesia pura! O estreito de Ormuz & a Vulva Mítica...

 

Se a nós que estamos aqui do outro lado do mundo a guerra ao redor do Estreito de Ormuz já está nos enchendo o saco, imaginem aos grupos mergulhados no meio daquela mentirada toda, e daquele tiroteio sem fim e sem sentido. 

Inacreditável!

E o mundo, de um extremo a outro, da esquerda e da direita, do centro e da periferia, entre os tapados e entre os vivaldinos, de entre os loucos para lamber umas botas e os apocalípticos de turno, só se vê o escancaramento da vassalagem e da indiferença. Gente sem atributos, cacarejando, aqui e ali, algumas pretensas verdades e outras meias verdades, pensando só no próprio estômago, nas próprias tripas e, obsessivamente, cacarejando sobre Ormuz, sobre o estreito de Ormuz! Ah! O Estreito de Ormuz! Frase que já está ganhando um não sei quê de erotismo, a ponto de algumas pessoas até trocarem 'estreito' por brecha! Abrir e adentrar pela brecha de Ormuz! Deixar o petróleo passar pelo estreito! Cobrar pedágio! Quanto se tem que pagar para penetrar nele e como interditar o ingresso a forasteiros?! etc, etc. Quem é que ouvindo há meses esse blá,blá,blá místico religioso e canalha não se lembra da "coisa obscura", da Ligia Bellini e da "vulva mítica", do Georges Devereux?

Ainda bem que, de vez em quando alguém, entre um míssil e outro, menciona o vocábulo mais musical e mais poético do dicionário paquistanês: ISLAMABAD. Que só perde para PESHAWAR...

Mas não adianta espernear e nem idealizar. Agora é demasiado tarde! A gerontocracia que, desde seus escritórios e alcovas vem administrando esse desvario e esse massacre mútuo, está cagando para a opinião do rebanho, talvez, quem sabe, por saber que - como dizia J. Cocteau "tudo o que fazemos na vida, mesmo o amor, fazemo-lo no comboio expresso que rola para a morte..."



 




domingo, 12 de abril de 2026

Surrealismo, ingenuidade e vassalagem...


[... Esmagaremos todos os revolucionários com nosso tacão, e espezinhá-los-emos.
Somos os senhores do mundo: O mundo é nosso. Quanto às hostes dos trabalhadores, vivem na lama desde o início da história. Continuarão na lama enquanto detivermos o poder. É essa a palavra. É a rainha das palavras: PODER. Não Deus, nem dinheiro, mas PODER].
Jack London
(IN: O tacão de ferro)

No exato momento em que (por razões óbvias), grande parte dos países que ainda têm alguma auto-estima e algum amor próprio tentam manter distância dos Estados Unidos, o Brasil firma contrato com eles, com o pretexto fajuto e esdrúxulo de combater, aqui na volta da esquina de nossas casas o "crime organizado". Ora! Além de  ser um atestado de incompetência, (já que somos um país com espias, alcagüetes e polícias por todos os lados), esse tipo de parceria caracteriza também uma traição até mesmo para com nossas facções criminosas, para com nossos marginais, excluídos e bandidos de meia tigela que o Trump quer, a todo custo, transformar em terroristas.

Enfim, agora que a merda já está feita, que ninguém se assuste se o próximo passo desse acordo será a instalação de uma base militar americana ali na Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguay e Argentina) e outra lá no meio da Selva Amazônica. (como as que os USA têm nos países vassalos e decadentes da Europa e do Oriente Médio).

Ridículo! Mentalidade doméstica, suburbana e de colonizados!

Se nossos burocratas, executivos, diplomatas e outras gangues nacionais traidoras e fingidoras já tivessem lido a J.L.Borges saberiam, duas coisas: 1. Que o cão volta sempre ao lugar do vômito, e 2. que Aquilo que foi uma vez volta a ser infinitamente.















domingo, 5 de abril de 2026

Do feriado pagão, da "moça de programa" e da Praga Emocional da humanidade...






Apesar de estarmos numa semana de sobriedade e de "temperança", quando um terço da humanidade, fingindo melancolia, em jejum e se abstendo das escatológicas churrascadas, relembra e comemora as sessões de tortura e o assassinato de Cristo... o caso do conflito ocorrido na semana passada entre um ilustre deputado e uma senhora de programa (cujo preço, sua excelência achou absurdo), continua repercutindo. Segundo o noticiário, depois que os feriados da Semana Santa passarem, ela estará indo ao Conselho de Ética da Câmara denunciar o cliente por acosso moral, inadimplência e agressão, fatos que - segundo ela - podem até comprometê-la diante da comunidade cada vez maior de concorrentes e da própria sociedade, enquanto ele continua jurando, perante os Homens da Lei, que o preço era realmente exorbitante, mas que não tocou nela, 'nem sequer com um dedo'. Sempre os dedos! Que cômico e que gozado! E o mundo? Como fica o mundo? Esse simplório covil, que veio pelos séculos afora achando que os dedos só serviam para apalpar as folhas da bíblia e tocar violino? Por precaução, não diz nada e só acompanha o caso boquiaberto.

$ 3.000,00!

Três mil? É muito? Pouco? Ou um preço justo para o bolso de um parlamentar? Depende. Seria até importante voltar a Marx e ver lá no Tomo III "como o valor e o preço da força de trabalho se converte em salário". E analisar o caso, tanto do ponto de vista da qualidade do produto isto é: do cardápio, como da oferta. E claro, do cliente, do contracheque, dos penduricalhos, do mercado financeiro, do investimento daquele dia no overnight e, inclusive, de como andam as coisas lá pelo Estreito de Ormuz: O petróleo passará ou não passará? 

Segundo os persas: No pasaram

A não ser que o Trump, antes que lhe metam num manicômio, (ele que, como o ilustre deputado, também tem uma longa ficha corrida com essa categoria de trabalhadoras) resolva ir pessoalmente, para o golfo Pérsico, abrir o estreito de Ormuz na marra. O problema é que há duas pedras no meio e nos lados do caminho: uma são os camaradas do Iêmen, e a outra, os mísseis hiper-sônicos dos camaradas iranianos... 

Enfim, como hoje se comemora a Páscoa, ritual supostamente judaico, mas que na verdade foi plagiado de tribos pagãs de 1500 aC, e como ninguém é de ferro, os mendigos que estavam ali em frente ao mercado dividindo um ovo de chocolate e já com meia garrafa de cachaça nas tripas, se abraçavam, vertiam até algumas lágrimas sobre os trapos (os próprios e o dos colegas) e se desejavam, ardente e repetidamente, uma Feliz Páscoa! Curiosamente, um deles, o que tinha mais pinta de ter sido um comportado coroinha, mutilado pela culpa, e que bebia num copo de papel, a cada vez que levava a cachaça à boca, pronunciava: "persisti em fazer isto, todas as vezes que a beberdes, em memória de mim..."

Uma mini orquestra, não muito afinada, ilustrava a manhã com Carinhoso, do Pixinguinha:




quinta-feira, 2 de abril de 2026

Schopenhauer e o desentupidor de pias (o spülkolben).

Ao contrário do que vem se dizendo e se papagueando por aí, o que o mundo produziu de mais fascinante e importante nos últimos 300 anos, não foi nem Schopenhauer e nem a Inteligência Artificial. Foi o desentupidor de pias e de vasos sanitários. Esta maravilha que os franceses chamam de piston d'évier; os italianos, de stantuffo per lavello; os espanhóis de émbolo del fregadero e os alemães, de Spülkolben...
A propósito, nesta quinta-feira santa, o vendedor de quinquilharias está passando lá embaixo vendendo uns, bem econômicos, azuis, com o cabo de quase meio metro e vai ouvindo Clara Nunes: Feira de mangaio






 

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Lástima grande que sea verdad tanta miseria...





E eis que inicia o show quinquenal. De cinco em cinco anos a troca de patrões e de postos. A custa de presentinhos e de ameaças, os grandes chefões se reelegem; os ministros vão para o senado; os senadores para os governos; os vereadores se tornam prefeitos ou vão para as Assembléias legislativas... e quando, por casualidade, o parentesco entre esses personagens não é sanguíneo é empresarial. Ou são parentes (tiveram os mesmos avós), ou são da mesma religião e confraria, sócios, amantes, etc, etc, etc. E nas províncias, dos governadores até os ofice boys e datilógrafos são todos do mesmo clã. São os donos das fazendas, das fábricas, dos cartórios, das redes de farmácia, das boates, das imobiliárias, das academias, dos hospitais (a propósito, os padres, os médicos, as freiras, os donos dos mercados, os juízes (desde os de futebol até os da magistratura de Primeira e Segunda Instâncias); os delegados de polícia e até as gerentes dos puteiros são sempre aparentados). As frotas de caminhões, os executivos nos órgãos públicos, as TVs, os jornais e as rádios são deles, Até os radialistas são sempre eles. O PIB daqueles estados ou municípios vai todo para o bolso do avós, dos pais, dos padrinhos, filhos ou de laranjas do clã. E esses negócios e essa ladroagem endogâmia, esse nepotismo, essa putaria, esse incesto e esse transtorno de personalidade vêm de longe e desde sempre. E quando termina a mamata e a roubalheira (mandato) de um quinquênio, elegem ou reelegem quem bem entendem para outro quinquênio. E como precisam ter sempre uma reserva de estafadores, como nos anos 50, ainda mandam os filhos, um estudar em Roma (porque ter um padre na família é uma verdadeira benção), e outro em Coimbra, porque todas as famílias, por garantia & segurança, precisam ter um advogado em casa ou no judiciário. E quando têm mais filhos, um deverá necessariamente ser médico e o outro incorporar-se ao exército.
Ah! Veja com quem está falando! Um de meus filhos é o pároco, o outro é o médico, o outro é tenente capitão e o outro bacharelou-se em Coimbra! 
Só que ninguém sabe como Roma trata os coroinhas colonizados e nem que, Coimbra, por sua vez, ainda está praticamente mergulhada na Idade Média, com aquele bando de bobalhões ao redor das universidades com aquelas capas (ou batinas pretas), a viola do fado dependurada ao pescoço e recitando um ou outro trecho dos Lusíadas ou mesmo de João V, a quem chamam O magnânimo, ou o Rei-sol português... 
Em síntese: nestes dias de eleições o país inteiro mergulha num festival de delírios, de mentiras e de promessas vãs, inacreditável. Com o populacho obeso, sub alimentado e em escravidão disfarçada fazendo apostas, e incentivado a conservar o titulo de eleitor dentro de bolsinhas de plástico, junto às bulas de remédios e a escapulários e a ver as urnas eleitorais quase como variáveis do tabernáculo.
Sim: Nesta longa noite - como diziam os zapatistas - que já dura 500 e tantos anos... TUDO SEGUE IGUAL... E a miséria se perpetua...