sexta-feira, 17 de abril de 2026

Melancolia afetiva... Chico Buarque em Cuba...


"Os olhos embotados de cimento e lágrimas... 
e tropeçou no céu como se ouvisse música e como se fosse bêbado..."


















quarta-feira, 15 de abril de 2026

DA GUERRA. Islamabad é poesia pura! O estreito de Ormuz & a Vulva Mítica...

 

Se a nós que estamos aqui do outro lado do mundo a guerra ao redor do Estreito de Ormuz já está nos enchendo o saco, imaginem aos grupos mergulhados no meio daquela mentirada toda, e daquele tiroteio sem fim e sem sentido. 

Inacreditável!

E o mundo, de um extremo a outro, da esquerda e da direita, do centro e da periferia, entre os tapados e entre os vivaldinos, de entre os loucos para lamber umas botas e os apocalípticos de turno, só se vê o escancaramento da vassalagem e da indiferença. Gente sem atributos, cacarejando, aqui e ali, algumas pretensas verdades e outras meias verdades, pensando só no próprio estômago, nas próprias tripas e, obsessivamente, cacarejando sobre Ormuz, sobre o estreito de Ormuz! Ah! O Estreito de Ormuz! Frase que já está ganhando um não sei quê de erotismo, a ponto de algumas pessoas até trocarem 'estreito' por brecha! Abrir e adentrar pela brecha de Ormuz! Deixar o petróleo passar pelo estreito! Cobrar pedágio! Quanto se tem que pagar para penetrar nele e como interditar o ingresso a forasteiros?! etc, etc. Quem é que ouvindo há meses esse blá,blá,blá místico religioso e canalha não se lembra da "coisa obscura", da Ligia Bellini e da "vulva mítica", do Georges Devereux?

Ainda bem que, de vez em quando alguém, entre um míssil e outro, menciona o vocábulo mais musical e mais poético do dicionário paquistanês: ISLAMABAD. Que só perde para PESHAWAR...

Mas não adianta espernear e nem idealizar. Agora é demasiado tarde! A gerontocracia que, desde seus escritórios e alcovas vem administrando esse desvario e esse massacre mútuo, está cagando para a opinião do rebanho, talvez, quem sabe, por saber que - como dizia J. Cocteau "tudo o que fazemos na vida, mesmo o amor, fazemo-lo no comboio expresso que rola para a morte..."



 




domingo, 12 de abril de 2026

Surrealismo, ingenuidade e vassalagem...


[... Esmagaremos todos os revolucionários com nosso tacão, e espezinhá-los-emos.
Somos os senhores do mundo: O mundo é nosso. Quanto às hostes dos trabalhadores, vivem na lama desde o início da história. Continuarão na lama enquanto detivermos o poder. É essa a palavra. É a rainha das palavras: PODER. Não Deus, nem dinheiro, mas PODER].
Jack London
(IN: O tacão de ferro)

No exato momento em que (por razões óbvias), grande parte dos países que ainda têm alguma auto-estima e algum amor próprio tentam manter distância dos Estados Unidos, o Brasil firma contrato com eles, com o pretexto fajuto e esdrúxulo de combater, aqui na volta da esquina de nossas casas o "crime organizado". Ora! Além de  ser um atestado de incompetência, (já que somos um país com espias, alcagüetes e polícias por todos os lados), esse tipo de parceria caracteriza também uma traição até mesmo para com nossas facções criminosas, para com nossos marginais, excluídos e bandidos de meia tigela que o Trump quer, a todo custo, transformar em terroristas.

Enfim, agora que a merda já está feita, que ninguém se assuste se o próximo passo desse acordo será a instalação de uma base militar americana ali na Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguay e Argentina) e outra lá no meio da Selva Amazônica. (como as que os USA têm nos países vassalos e decadentes da Europa e do Oriente Médio).

Ridículo! Mentalidade doméstica, suburbana e de colonizados!

Se nossos burocratas, executivos, diplomatas e outras gangues nacionais traidoras e fingidoras já tivessem lido a J.L.Borges saberiam, duas coisas: 1. Que o cão volta sempre ao lugar do vômito, e 2. que Aquilo que foi uma vez volta a ser infinitamente.















domingo, 5 de abril de 2026

Do feriado pagão, da "moça de programa" e da Praga Emocional da humanidade...






Apesar de estarmos numa semana de sobriedade e de "temperança", quando um terço da humanidade, fingindo melancolia, em jejum e se abstendo das escatológicas churrascadas, relembra e comemora as sessões de tortura e o assassinato de Cristo... o caso do conflito ocorrido na semana passada entre um ilustre deputado e uma senhora de programa (cujo preço, sua excelência achou absurdo), continua repercutindo. Segundo o noticiário, depois que os feriados da Semana Santa passarem, ela estará indo ao Conselho de Ética da Câmara denunciar o cliente por acosso moral, inadimplência e agressão, fatos que - segundo ela - podem até comprometê-la diante da comunidade cada vez maior de concorrentes e da própria sociedade, enquanto ele continua jurando, perante os Homens da Lei, que o preço era realmente exorbitante, mas que não tocou nela, 'nem sequer com um dedo'. Sempre os dedos! Que cômico e que gozado! E o mundo? Como fica o mundo? Esse simplório covil, que veio pelos séculos afora achando que os dedos só serviam para apalpar as folhas da bíblia e tocar violino? Por precaução, não diz nada e só acompanha o caso boquiaberto.

$ 3.000,00!

Três mil? É muito? Pouco? Ou um preço justo para o bolso de um parlamentar? Depende. Seria até importante voltar a Marx e ver lá no Tomo III "como o valor e o preço da força de trabalho se converte em salário". E analisar o caso, tanto do ponto de vista da qualidade do produto isto é: do cardápio, como da oferta. E claro, do cliente, do contracheque, dos penduricalhos, do mercado financeiro, do investimento daquele dia no overnight e, inclusive, de como andam as coisas lá pelo Estreito de Ormuz: O petróleo passará ou não passará? 

Segundo os persas: No pasaram

A não ser que o Trump, antes que lhe metam num manicômio, (ele que, como o ilustre deputado, também tem uma longa ficha corrida com essa categoria de trabalhadoras) resolva ir pessoalmente, para o golfo Pérsico, abrir o estreito de Ormuz na marra. O problema é que há duas pedras no meio e nos lados do caminho: uma são os camaradas do Iêmen, e a outra, os mísseis hiper-sônicos dos camaradas iranianos... 

Enfim, como hoje se comemora a Páscoa, ritual supostamente judaico, mas que na verdade foi plagiado de tribos pagãs de 1500 aC, e como ninguém é de ferro, os mendigos que estavam ali em frente ao mercado dividindo um ovo de chocolate e já com meia garrafa de cachaça nas tripas, se abraçavam, vertiam até algumas lágrimas sobre os trapos (os próprios e o dos colegas) e se desejavam, ardente e repetidamente, uma Feliz Páscoa! Curiosamente, um deles, o que tinha mais pinta de ter sido um comportado coroinha, mutilado pela culpa, e que bebia num copo de papel, a cada vez que levava a cachaça à boca, pronunciava: "persisti em fazer isto, todas as vezes que a beberdes, em memória de mim..."

Uma mini orquestra, não muito afinada, ilustrava a manhã com Carinhoso, do Pixinguinha:




quinta-feira, 2 de abril de 2026

Schopenhauer e o desentupidor de pias (o spülkolben).

Ao contrário do que vem se dizendo e se papagueando por aí, o que o mundo produziu de mais fascinante e importante nos últimos 300 anos, não foi nem Schopenhauer e nem a Inteligência Artificial. Foi o desentupidor de pias e de vasos sanitários. Esta maravilha que os franceses chamam de piston d'évier; os italianos, de stantuffo per lavello; os espanhóis de émbolo del fregadero e os alemães, de Spülkolben...
A propósito, nesta quinta-feira santa, o vendedor de quinquilharias está passando lá embaixo vendendo uns, bem econômicos, azuis, com o cabo de quase meio metro e vai ouvindo Clara Nunes: Feira de mangaio






 

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Lástima grande que sea verdad tanta miseria...





E eis que inicia o show quinquenal. De cinco em cinco anos a troca de patrões e de postos. A custa de presentinhos e de ameaças, os grandes chefões se reelegem; os ministros vão para o senado; os senadores para os governos; os vereadores se tornam prefeitos ou vão para as Assembléias legislativas... e quando, por casualidade, o parentesco entre esses personagens não é sanguíneo é empresarial. Ou são parentes (tiveram os mesmos avós), ou são da mesma religião e confraria, sócios, amantes, etc, etc, etc. E nas províncias, dos governadores até os ofice boys e datilógrafos são todos do mesmo clã. São os donos das fazendas, das fábricas, dos cartórios, das redes de farmácia, das boates, das imobiliárias, das academias, dos hospitais (a propósito, os padres, os médicos, as freiras, os donos dos mercados, os juízes (desde os de futebol até os da magistratura de Primeira e Segunda Instâncias); os delegados de polícia e até as gerentes dos puteiros são sempre aparentados). As frotas de caminhões, os executivos nos órgãos públicos, as TVs, os jornais e as rádios são deles, Até os radialistas são sempre eles. O PIB daqueles estados ou municípios vai todo para o bolso do avós, dos pais, dos padrinhos, filhos ou de laranjas do clã. E esses negócios e essa ladroagem endogâmia, esse nepotismo, essa putaria, esse incesto e esse transtorno de personalidade vêm de longe e desde sempre. E quando termina a mamata e a roubalheira (mandato) de um quinquênio, elegem ou reelegem quem bem entendem para outro quinquênio. E como precisam ter sempre uma reserva de estafadores, como nos anos 50, ainda mandam os filhos, um estudar em Roma (porque ter um padre na família é uma verdadeira benção), e outro em Coimbra, porque todas as famílias, por garantia & segurança, precisam ter um advogado em casa ou no judiciário. E quando têm mais filhos, um deverá necessariamente ser médico e o outro incorporar-se ao exército.
Ah! Veja com quem está falando! Um de meus filhos é o pároco, o outro é o médico, o outro é tenente capitão e o outro bacharelou-se em Coimbra! 
Só que ninguém sabe como Roma trata os coroinhas colonizados e nem que, Coimbra, por sua vez, ainda está praticamente mergulhada na Idade Média, com aquele bando de bobalhões ao redor das universidades com aquelas capas (ou batinas pretas), a viola do fado dependurada ao pescoço e recitando um ou outro trecho dos Lusíadas ou mesmo de João V, a quem chamam O magnânimo, ou o Rei-sol português... 
Em síntese: nestes dias de eleições o país inteiro mergulha num festival de delírios, de mentiras e de promessas vãs, inacreditável. Com o populacho obeso, sub alimentado e em escravidão disfarçada fazendo apostas, e incentivado a conservar o titulo de eleitor dentro de bolsinhas de plástico, junto às bulas de remédios e a escapulários e a ver as urnas eleitorais quase como variáveis do tabernáculo.
Sim: Nesta longa noite - como diziam os zapatistas - que já dura 500 e tantos anos... TUDO SEGUE IGUAL... E a miséria se perpetua...