quinta-feira, 30 de junho de 2022

Assédios... O presidente da Caixa Econômica e Goethe...

 

"Um imbecil pode passar a vida inteira pensando por que o vidro é transparente, enquanto o canalha pega o vidro e faz uma garrafa..."
 M. Górki, (em Pequenos burgueses)



Nestes últimos dias, questões sexuais assaltaram as pautas dos jornais e também o imaginário das donas de casa que hoje, quinta-feira, só falam do caso do Presidente da Caixa Econômica, que está sendo acusado por um pelotão de mulheres, suas assessoras, de terem sido galanteadas & assediadas por ele. E gesticulam, olham para os lados, aumentam e diminuem o tom da voz, ora acreditando em tudo o que ouvem dos animadores de platéias, ora, a respeito de sexo, dizendo serem mais céticas do que o filósofo Pirro.

Analisam, arregalam os olhos, fazem um breve silêncio, julgam e dão o veredicto : homens cachorros! Mulheres galinhas!

No meio de minha caminhada encontrei um velhinho aposentado que, percebi logo, está mais mentiroso e mitômano do que quando estava na ativa. Já foi Diretor Presidente de uma multinacional, se orgulha disso e ainda gosta de contar vantagens sobre seu antigo poder, suas antigas canalhadas e conquistas. 

Estava abertamente indignado com a desgraça que se abate sobre o presidente da caixa, sobre a hipocrisia nacional e foi falando: Ora, no meu tempo, tudo era diferente! Na empresa que eu comandava trabalhavam umas trinta mulheres, uma mais encantadora do que a outra. Cada quinze dias eu passava uma semana com uma delas ou no Caribe, ou nas Ilhas Gregas, ou em São Francisco, ou num chalé nos Alpes. E nunca ouve conflito. Elas próprias me convidavam, escolhiam os vinhos e éramos felizes. Quando voltávamos, era visível como nossos olhos brilhavam, como o respeito por nós havia aumentado na empresa e na comunidade e como aumentava a capacidade delas no trabalho. Os negócios cresciam, turbinavam nossa credibilidade, estávamos todos felizes, amorosos, com os salários cada vez mais altos. Nunca me acusaram de assédio, aliás, nunca assediei nenhuma, pelo contrário, elas me apresentavam roteiros e convites. Éramos felizes! Realizados! A sexualidade fazia parte da grande família que era a empresa. Na verdade, de tão familiares que eram as relações na empresa, se poderia até dizer que vivíamos numa espécie laica de incesto. Líamos as teses de Wilhelm Reich e sabíamos o quanto a sexualidade, o toque, o afago, o abraço, as carícias, o gozo eram cruciais para a saúde mental, para a criatividade e até para nossos impulsos revolucionários. Enquanto que, o moralismo, a repressão, o pudor, o mau humor, a negativa, pelo contrário, eram sinônimos de adoecimento, de desastre e de misérias...

 Não entendo o que está acontecendo agora, nos últimos tempos. Em questões amorosas estamos regredindo. Moralismos, crendices e preconceitos que até nossas bisavós já haviam superado, estão voltando, e o sexo volta a ser coisa suja, maligna, de putas, do demônio! Que miséria! 

Mas não se iluda, aqui em Brasília, a esse respeito, quem poderia se atrever a atirar a primeira pedra no tal Presidente da Caixa... 

E sabia que até Goethe, o poeta maior dos alemães, o cara que escreveu Fausto e que gostava de falar em afinidades eletivas, teve sua manhã de assediador? Sim, no meio de uma inspiração, foi receber Christiane Vulpius, a mulher que entregava leite em sua casa de Frankfurt, olhou para aquela "polaca" saudável, trêmula e tímida e pediu que ela entrasse. Ela entrou e nunca mais saiu...

Deu uma gargalhada e apontou para uma senhora de uns 80 anos, gorduchinha, com um vestido cor de vinho, meio palmo acima das rodillas, que vinha sedutora e risonha em nossa direção e concluiu:

Está vendo essa lunática aí que está vindo em nossa direção? Foi minha última assessora e minha última conquista. E foi lá num cassino da riviera francesa...



quarta-feira, 29 de junho de 2022

Enquanto isso...

"... el tango, ese reptil de lupanar - como lo definiría Lugones... (...) Antes era la orgiástica diablura; hoy es una manera de caminar... (...)
Parejamente, en una de las páginas de Kim, un afghán declara: 'A los quince años, yo había matado a un hombre y procreado a un hombre', como si los dos actos fueran esencialmente, uno."

Jorge luis Borges
(Obras Completas, Vol. I. pp. 160,161)


terça-feira, 28 de junho de 2022

Os militantes e a crônica árabe de Alwakidi...





Como se  houvesse, entre nós, uma espécie de esquecimento irreversível...

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Hoje, terça-feira, no boteco da esquina de sempre, a discussão política estava acalorada. Havia militantes de três partidos concorrentes para as eleições de outubro. (era um típico viveiro de papagaios politicamente corretos!) E se acusavam disto e daquilo. Cada acusação tinha sua réplica e até tréplica. A tônica central era a corrupção. Qualquer forasteiro que assistisse aquelas acusações concluiria que, de tanto os militantes insistirem na temática e se acusarem de corruptos, os tais candidatos deveriam ser um mais bandido e mais ladrão do que o outro. E, curiosamente, não se falava em Programas de Governo. Ninguém sabia em que o candidato X era diferente do candidato Y e o que cada um pretendia fazer, de transcendente, caso fosse eleito.

Ninguém falava de estradas de ferro, mesmo sabendo que um país sem ferrovias será sempre suburbano; nem de hospitais; nem de rios; nem de currículos universitários; nem da higiene nos restaurantes; das máfias dos pesticidas lançados sobre os pimentões e os tomates; nem das máfias dos bancos; dos transportes; dos medicamentos; das máfias acadêmicas; das máfias, da fé, da propaganda, da cultura. Nem das máfias dos partidos e dos cartórios; das máfias das enchentes; nem do inferno das penitenciárias; nem da proliferação de seitas, cada uma mais ladra e surrealista do que a outra e todas explorando os mesmos rebanhos e as mesmas divindades até para fins absolutamente contrários... E, pior, ninguém deu um pio a respeito da superpopulação e nem do controle de natalidade.

Só acusações mesquinhas, mútuas, maledicências, ameaças, denuncias... 

E quando alguém pedia provas de alguma acusação que estava sendo vítima, as respostas nos faziam lembrar daquela velha e conhecida crônica árabe de Alwakidi: "Fui informado por Ahmed Almantín Aljorhami, quem soube através de Repha Ebn Kais Alámiri, quem  diz ter sabido através de Saiph Ebn Fabaláh Alchátquarmi, que, por sua vez, soube através de Thabet Ebn Alkamah, quem disse haver estado presente durante o momento da ação."

Bah! Mas afinal, o que teria acontecido com essa gente? As perspectivas para os próximos anos são mais do que brochantes...



sexta-feira, 24 de junho de 2022

Luta de classes ou Luta de raças?


"Um filho de boa família esbofeteia o atrevido que ousa duvidar da virtude de sua mãe. Ele próprio, porém, dá a entender que a avó teve as suas aventuras; e vangloria-se no caso de haver a sua trisavó gozado do favor de Luis XV. Logo, a vergonha das nossas mulheres converte-se em glória, à medida que se afasta de nós..." (About)

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 No boteco da esquina, nestas vésperas de eleições, com dois bandos se preparando para a frente de batalha, o que mais se fala é em LUTAS DE CLASSES (sim, no plural).

O Mendigo K ouvia e, de vez em quando, resmungava: Marx e Engels se equivocaram, a luta não é entre classes sociais, é entre raças. E antes que os militantes ameaçassem expulsá-lo do local, colocava sobre a mesa o livro que estava lendo: Mulher e escrava, da Sonia Maria Giacomini. Leiam isto aqui, seus ignorantes e fanáticos! Bradava.

Ou vocês acham que depois do que fizeram com os negros, a coisa iria ficar por isso mesmo? Que basta aparecerem negras e negros nas novelas, nas propagandas, nos filminhos eróticos, como coroinhas e no meio de Damas de Caridade, para que tudo seja esquecido? Ingenuidade! Mesmo os negros analfabetos, que não conhecem a história e que não sabem o que seus ancestrais passaram lá naquele Rio de Janeiro de 1800 nas mãos dos escravocratas, trazem em seus genes todas aquelas loucuras lusitanas praticadas contra suas bisavós, avós e etc, e praticadas, às vezes, até no meio da declamação de alguma bobagem de Camões, tirada lá dos Lusíadas. 

E este, se quiserem saber, é o motivo principal da luta racial que está em curso e que não será resolvida por memorandos e nem por Decretos. Lembram da Roda dos Expostos? Para onde os senhores mandavam as crianças das escravas, antes de alugá-las? (Entre 1861 e 1874, para vosso conhecimento, foram entregues à tal Roda, 8 mil e tantas crianças, filhas de escravas, das quais, quase 4 mil morreram). Lembram das escravas que quando eram cobiçadas pelos senhores, passavam a ser torturadas e mutiladas pelas senhoras enciumadas? Das escravas que eram usadas para iniciar sexualmente os filhinhos dos senhores? E das escravas que engravidavam na marra, dos tais senhores? (Neste particular, fazia um intervalo, para lembrar que até Marx, o teórico da Luta de Classes, comeu sua empregada doméstica e teve um filho com ela e, pior, colocou a responsabilidade no Engels, que era outro babacão e que  também devia comê-la).

Observem: só se diz Luta de Classes para higienizar um pouco a loucura e a demência dos povos e da espécie. Mas no fundo, na essência, a luta é racial e entre tribos. Lembram dos Muras, dos Munducurus, dos Saterês Mawê, dos Araras, dos Sapupês, dos Apiakás e outros tantos, que se trucidaram entre eles durante décadas, na ilha de Parintins? 

Os negros nos olham enviezado nas ruas e nós a eles. Os ciganos são mal vistos por todos e não toleram sociedade alguma. Ninguém confia nos indígenas e os indígenas desprezam completamente os não indígenas. Os judeus detestam quem não é judeu e os não judeus idealizam para eles um novo holocausto. Os alemães não suportam ver os turcos comendo suas salsichas na periferia de Berlin e por sua vez, os turcos adorariam fazer com eles o que fizeram com os armênios. Os mexicanos são humilhados e pisoteados na fronteira com os Estados Unidos e os gringos no México são considerados uns idiotas. Os chineses e os japoneses estão ansiosos para um acerto de contas final. Os portugueses ainda não digeriram a derrota sofrida lá no Marrocos, na batalha de Alcácer-Quibir e a espera obsessiva deles pela volta de D. Sebastião, além de fé é uma senha. Os chineses e os indianos estão disputando para saber quem será mais rápido no gatilho. A intriga entre os palestinos e os israelenses já faz parte do Status Quo e os dois bandos têm sonhos parecidos: a eliminação do outro, seja da classe que for. Os berberes e os árabes ainda se olham meio atravessado. Os russos pretendem tocar fogo em Kiev e já os ucranianos adorariam implodir o Kremlin. Os chilenos e os grupos Maputos se detestam mutuamente. Os visigodos adorariam voltar a saquear Roma e os romanos, por sua vez, adorariam voltar a roubar as riquezas gregas e apropriar-se de tudo o que respira às margens do Mediterrâneo. Agamenon voltaria a infiltrar seus cavalos em Tróia, independentemente de Helena estar lá ou não. Os espanhóis sonham com aqueles dias gloriosos em que degolavam incas e soltavam seus  cães contra as mulheres e crianças nativas do Novo Mundo. Os nordestinos adorariam ver a região sul transformada num imenso deserto já, os sulistas, sonham em ver o nordeste submerso por um novo dilúvio. Os calvinistas e os católicos ainda se cheiram as botas, uns dos outros, como cachorros, antes de se cumprimentarem, assim como os irmão Atahualpa e Huáscar voltariam a sacrificar suas tribos para disputar o Império Inca. Da mesma forma que Abel e Cain, na periferia do paraíso, voltariam a se dar pauladas na disputa, não pela complacência ou pela cumplicidade divina, como se diz, mas pelas tetas e pelo amor da mãe.

E, por fim, lá nos Estados Unidos, naquele país que é um mosaico de raças, e que, paradoxalmente, já fizeram de tudo para eliminar outros grupos racias, mundo a fora, a Suprema Corte acaba de tornar Lei o direito de cada um daqueles idiotas andar armado. Para muita gente que não pode ver uma pistola sem desmaiar, a ideia central, dessa decisão, apesar de parecer uma apologia à renascença, à liberdade, e à democracia é, mais bem, um truque para promover a Lockheed Martin e para criar condições para que a Luta de Raças avance e para que, sutil e espontaneamente, vão se eliminando entre elas, chegando assim, quem sabe, ao ideal sonhado dos supremacistas: a limpeza étnica...

Enquanto isso, Penélope segue tecendo seu interminável sudário e à espera de Ulisses...


quarta-feira, 22 de junho de 2022

O aborto? Tudo bem! Mas, como abortar a imbecilidade coletiva?


O Mendigo K estava ali na padaria francesa cercado por cinco seis mendigas, todas com camisetas marcadas por slogans feministas. Sobre os peitos da mais falante, a frase: meu corpo, minhas regras!

Falavam calorosamente sobre o caso da menina de 11 anos, lá em Santa Catarina, que está grávida, proibida de abortar, e das caóticas decisões judiciais a respeito do assunto. Curiosamente, nenhuma palavra sobre o abusador...

Aborta ou não aborta? É crime ou não é crime? 22 semanas e meia ou a eternidade? É pecado venial ou capital? O que o caso provoca no coração da gerontocracia judicial? E no coração de Deus? Dos santos? Das virgens?  Da esposa do magistrado? Ah! e o que vai pensar o vigário? O que dirá nas oito missas de domingo? E haverá excomunhão?

Ah! estamos muito atrasados! Até as mulheres do neolítico ou mesmo as do paleolítico ficariam boquiabertas!

A discussão era intensa e transcorria no meio de grandes tragos de capuccino cremoso, em xícaras Versace. E as militantes estavam visivelmente frustradas pelo fato dos absurdos judiciais não estarem sendo praticados por homens (aqueles gorduchinhos de bigodes a la fuhrer e de ternos), mas sim por duas simpáticas senhoras, uma juíza e uma promotora. Ah, se os responsáveis por aquelas decisões esdrúxulas que estavam sendo cometidas fossem homens! Haveria passeatas e seria, inevitavelmente diagnosticado como machismo e como ignorância histórica... uma declaração explícita de misoginia. De ódio contra as mulheres e contra o sexo. Mas, as autoras daquela idiotice são mulheres. Uma juíza e uma promotora! Duas elegantes mulheres. O que pensar?

Uma delas, a que estava sentada ao lado do Mendigo e que recentemente havia defendido uma tese doutoral sobre a Teoria da Evolução e os porres de Darwin lá nas Ilhas Galápagos, refletia e até ligava para seus 15 ex-orientadores, tentando saber como é que, depois de milênios de desgraças sociais,  ecológicas e populacionais, os óvulos, mesmo de uma criança, não haviam aprendido a identificar e a rejeitar espermatozóides trapaceiros?

E, vice-versa: como é que depois de tanto tempo, de tantas caravanas e de tantas loucuras, os espermatozóides não haviam aprendido identificar e a rejeitar aqueles óvulos que, se fecundados, lhes criariam aporrinhações e problemas para sempre?

O Mendigo K só ouvia. Acompanhava a discussão. De vez em quando lançava uma pergunta curta, objetiva e breve, sempre em defesa incondicional daquela criança grávida, e depois resmungava: Ah! são restos de velhos tabus selvagens, sistemas de proibições com superestruturas ideológicas variáveis... O que é grave mesmo, é a gravidez da sociedade! Como abortá-la? 

Outra, sem distrair-se, folheava o livro de um filósofo argentino, cujo título era: Porquê te amo, não nascerás, e de vez em quando murmurava uma frase de Cioran: parece cada vez mais evidente que já não existe substância em nenhuma parte e que nossos antepassados nos legaram suas almas esfarrapadas e suas medulas carcomidas...

Papo vai e papo vem, e todos eram unânimes na ideia de que nosso atraso é vergonhoso. E de que, numa sociedade mais razoável, (no futuro?) qualquer mulher, de onze ou de oitenta anos, poderá abortar a hora que bem quiser e que bem entender, e até no quiosque da esquina, se desejar, e não apenas pelo bem estar dela, mas também do feto, e sem pedir autorização à policia, ao Supremo e nem ao Papa. 

Sim, porquê, enquanto social e moralmente somos ainda uma tribo retrógrada e um concílio de ladrões, o que é que o planeta tem a oferecer neste momento a um bebê? E mais: filho de uma criança? Além de um CPF, de um titulo de eleitor e de uma Carteira de Trabalho?

Portanto, o aborto deve ser livre e espontâneo, tanto por amor à mulher como por amor ao feto. E independente da gravidez ter sido cometida por um delinquente; por um representante de Deus; por água tirada do Ganges; por um remanescente da junta dos cosmógrafos; ou por um banho, como no caso da esposa de Shiva; ou por uma beberagem da Fonte de São João; ou por umas gotas da fonte dos gênios Sin-el-Djenoun, lá no Marrocos; ou depois de comer duas ou três cerejas pretas da China, aquelas que engravidaram a virgem Fécula... 

Seja qual for a razão da gravidez, se ela não é desejável e nem fará bem para a mãe e para o feto, qualquer sociedade que tem vestígios de vergonha na cara, deverá prover imediatamente o aborto, em silêncio, sem estardalhaços e com dignidade.

Enfim, o que é escandaloso nesse caso, não é apenas a gravidez de uma criança, mas o comportamento disso que se chama sociedade organizada, democracia, cidadania e outras idiotices, todas à serviço de um moralismo caduco e de uma religiosidade primitiva... 

Em vista do que se está vendo, e não apenas neste caso, mas numa série de outros casos, análogos e parecidos, é urgente e fundamental que as escolas de Direito e de Medicina, enfim, se tornem laicas e incluam em seus currículos, dois anos de antropologia, dois anos de filosofia e cinco anos de análise aos pretendentes ao diploma, antes de soltá-los por ai, alforriados e aptos a eternizar o atraso. E isso deve valer, não apenas para os filhos dos peixes mais graúdos, mas inclusive para os guardinhas da esquina e do mercado, com seus trabucos na cintura e que ainda acreditam que é o sol que se move... e, pior: que nosso Reino não é deste mundo...

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A propósito:

"No México, os indígenas de Oraiba, consideram o seu montezuma nascido de uma virgem que ficou grávida por obra da chuva... (...) Afrodite Urânia dos gregos, nasceu da espuma do mar... (...) Na Austrália, a divindade Kunya, talhava os filhos nas raízes de pandanus, introduzindo-os depois nas mães virgens. (...) Na Europa da Idade Média, corria a lenda de que quem comia flores-de-lis ficava grávida, pois tais flores nasciam do sangue ou das lágrimas derramadas por um homem. (...) Na Prussia, se dizia que se as moças comessem testículos de cabritos, touros ou de ursos, poderiam engravidar. (...) Na Grécia se acreditava que a tribo dos lotofágios descendiam do Lotus. (...) Na Palestina se diz que a filha de Abrahão ficou grávida só em cheirar uma flor da Árvore da ciência do Bem e do mal. (...) Na Inglaterra se ensinava que as crianças brotavam das salsas, ou dos repolhos... (...) No Egito, dizia-se que a deusa Maat, deusa da verdade e da justiça, foi concebida pelo ar. (...) No Mahabharata (o mais longo poema épico (220 mil versos) se diz que foi de um Ovo Primordial que surgiu Brama. (...) Se acredita que um rei da Coréia teve uma filha que foi fecundada pelos raios do sol, (...) Se Pritha, filha de Krishna, foi fecundada pelo sol e mesmo depois do parto, continuou virgem. (...) Na China, Se Viu-Tang, a mãe do imperador Chin-Noung concebeu por graça de um espírito que lhe apareceu vestido de uma longa roupagem bordada e trazendo na mão uma flor perfumada, cujo aroma a engravidou. (...) No Japão, a mãe de Sotoktais, viu em sonhos um santo circuncidado de raios luminosos que lhe disse: 'Eu, S. Douro-Cosars, renascerei ainda para doutrinar o mundo e descerei com este fim ao teu seio'. Despertou grávida. A criança nasceu à porta de um estábulo e chamou-se Moumaya-Dono-Osi. (...) Na Escandinávia e também em Madagascar, as moças se esfregavam em determinadas pedras de forma oval para engravidar. (...) No Egito, o boi Ápis, adorado em Memphis, nasceu de uma bezerra fecundada por um clarão, parecido a um raio lunar, descido dos céus. (...) Nas ilhas Banks, da Oceania, as mulheres levam para a cama determinados tipos de pedras fálicas, para por elas serem fecundadas.(...) Em Anam, pisar nas pegadas de Buda se podia engravidar. (...) Na Babilônia, dizem que o deus Sargão, que ali viveu entre 3800 e 3760 Antes de cristo, também nasceu de uma mãe virgem. (...) Na Austrália central, as mulheres que querem engravidar se colocam de cócoras diante dos turbilhões de poeira. (...) No Oriente Médio, entre os idumes, se dizia que uma moça teria sido apaixonadamente amada por uma serpente. (...) Na Ásia Oriental todos os fundadores de dinastias se diziam filhos de mães virgens..." Ver: Max Sussol

E depois, ainda se reclama das epidemias!!!