segunda-feira, 28 de setembro de 2026

O BARRO, os mitômanos e o vendedor de ídolos...



"Impotentes e despirocados como o casal de capivaras 
que, agora à tarde, estava perdido 
ali na Praça dos três poderes..."



 

[... O pai de Abraão fabricava ídolos de barro. Um dia, fez ver ao pequeno Abraão que já estava em tempo de ganhar o seu pão de cada dia. O garoto apanhou mercadoria na prateleira, arrumou-a num tabuleiro e foi-se ao mercado. Passavam homens, mulheres e crianças.
- Que estás vendendo, pequeno? Deuses?
- Deuses.
- Dá-me um dos teus deuses, menino - disse um homem -. Mas um Deus forte, um deus que se pareça comigo - acrescentou, batendo no peito musculoso.
Abraão apanhou a estatueta e estendeu ao homem. O comprador pagou. Nem voltara as costas, quando o menino o deteve.
- Quantos anos tens?
- Sessenta.
- Infeliz o homem que, aos sessenta anos de idade, se curva perante uma estátua de barro, fabricada ontem!
Retomou o ídolo, atirou-o ao tabuleiro e devolveu as moedas.
Passou uma mulher.
- Sou uma pobre viúva. Quero um ídolo pobre e desamparado como eu.
O petiz deu o ídolo, aceitou o dinheiro e perguntou:
- Que idade tens?
- Quarenta anos.
- É admissível que uma mulher de quarenta anos se prostre diante dum fantoche de argila? Toma o teu dinheiro, e restitui-me o meu ídolo
Foi assim que Abraão não vendeu os ídolos de barro...]
 Agadá









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