"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

terça-feira, 16 de abril de 2013

E Thatcher... vai para o forno...


Finalmente o cadáver de Thatcher será transformado em pó. Que solidão deve ter experimentado nesses oito dias de espera num gavetão de necrotério, sob os olhares de admiração, desprezo ou até mesmo de lascívia dos lacaios... Tenho uma secreta simpatia pelos que, num ato literalmente derradeiro, querendo vingar-se de um corpo que só lhes deu trabalho, optam pela cremação... Já, a mistificação, o embalsamamento e a preservação do cadáver me dá repugnância... No mês passado assistimos ao show funerário na Venezuela, com o cadáver do Chaves sendo levado de um lado a outro como um fantoche, só para adubar o espírito mórbido e a submissão do rebanho. Amanhã, o espetáculo será lá no coração do Império! Lá onde ainda existem lordes, príncipes, rainhas, condes... e outros aparentemente extintos representantes do lameiro humano...
Não foram muitas as mulheres "públicas" que até hoje mereceram tamanha pompa. Depois de Joana D'Arc.., Indira Gandhi, Evita Peron,... quem mais?
Apesar de toda banalização, a morte continua sendo um horror, o motivo subterrâneo de todos os desvarios, de todas as neuroses e de todas as loucuras... Somos os únicos animais que, no verso da Certidão de Nascimento, adivinhamos o discreto carimbo de nossa irrevogável e estúpida pena de morte.

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