"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Antes de Fulgencio e de Fidel, Cuba passou também pelos cofres dos Jesuítas...



Foi lá na colina de Montmartre, em Paris (1554), que sete ou oito aventureiros - comandados pelo basco Inácio de Loyola - engendraram os estatutos daquilo que viria ser conhecida por Companhia de Jesus ou, jesuitismo, cuja doutrina e cuja militância estavam sustentadas e baseadas sobre três pilares: castidade, pobreza e "disciplina como a dos cadáveres", que foi logo aprovada pelo papa de então, Paulo III. Aliás, a obediência ao papa nos protocolos daquela entidade era incondicional, inclusive, é desse fanático basco a conhecida frase: "acredito que o branco que eu vejo é negro, se a hierarquia da igreja o tiver determinado". E foi com esse fanatismo e com esse rigor que se espalharam pelo mundo, "catequizando", com os olhos voltados principalmente para o ensino básico. Bem antes de Freud essa milícia já devia pensar: nos deem os primeiros dez anos de vida de uma criança e podem ficar com o resto. Estiveram em Lhassa, no Tibete; no Ceilão; no Congo; em Portugal; no Paraguai, na América latina inteira e, claro, aqui no Brasil onde, de um extremo a outro do país, as escolas eram comandadas por eles, até que marques de Pombal obrigou-os a cair fora.
Bem antes de Fulgêncio e de Fidel (1720-1767)  esse braço militante do Vaticano, também passou por aquela ilha, fazendo por lá grandes negócios, adquirindo imóveis, latifúndios "latifúndio jesuítico", engenhos de açúcar, escolas etc. etc. Na lista de bens desses apóstolos da castidade e da pobreza constam, entre outras coisas, 12 fazendas de gado e de criação de porcos (hacienda Puercos gordos y Guaiquiba), e também grandes criações de cavalos. Um dos investimentos mais importantes dos jesuítas nos arredores de Havana foi a construção do engenho San Ignácio (nome do fundador da militância) ao qual estavam vinculados 230 escravos. Uma curiosidade: o engenho San Ignácio e o latifúndio de Puercos Gordos, num determinado momento foram administrados nada mais nada menos que pelo futuro corsário Antonio Rocabruna. Blábláblá......
Todas essas informações (e muito mais) estão nas 96 páginas do livreto Los Jesuitas en Cuba hasta 1767, escrito por Pedro M. Pruna, e publicado pelo Editorial de Ciências Sociales. La Habana, 1991.


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