Ezio Flavio Bazzo
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Thriller & mais uma sessão fúnebre do Senado
Ezio Flavio Bazzo
terça-feira, 23 de junho de 2009
O zôo, essa penitenciária animal como centro terapêutico
Aqueles que estão cada dia se sentindo mais e mais deprimidos, angustiados, decepcionados e encolerizados com a bandidagem social e com as obrigações idiotas do cotidiano ou mesmo com o [sem sentido] da existência bem que poderiam ir sistematicamente ao zoológico. Meia hora diante do fosso das panteras pode mudar a vida de qualquer um para sempre. Àqueles para quem o prozac já não funciona, vinte minutos em silêncio num zôo encostados à gaiola do Pionus Menstruus poderia ser de uma importância inestimável. Àqueles que tentaram a Gestalt e a identificaram com as práticas presbíteras sentir-se-iam gratificados estando alguns minutos diante da gaiola dos Papagaios de Garbes. Aqueles que identificam na psicanálise uma réplica do Talmude conseguiriam compreender melhor sua estrutura mental narcisista com uma única sessão de minutos aqui diante do poleiro do Pavo Cristatus ou do Pavão Azul. Quem nunca compreendeu muito bem como funciona o tal do behaviorismo, ali diante dos ex-mamutes de circo não teriam mais dúvidas. Quem não encontrou consolo lá no confinamento do Budismo Zen pode surpreender-se (favoravelmente) estando uns instantes ali junto ao pátio dos jabutis. O canto estridente da Araponga (como se fosse uma marreta caindo sobre a bigorna) pode tornar os cânones lacanianos sobre a histeria bem mais palatáveis. Os Socós nos fazem compreender melhor e irremediavelmente os malefícios estéticos de nossa passividade e os macacos - sempre os macacos - podem ampliar descarada e exageradamente nossa tendência ao exibicionismo e à futilidade. Mas, apesar de todas essas terapêuticas [alternativas] é lá no fosso das ariranhas e nos compartimentos espelhados do serpentário onde o sujeito, sufocado pela urbe e por si mesmo, poderá ter o grande insight, tomar verdadeiramente consciência de tudo, principalmente, de seu próprio caráter.Ezio Flavio Bazzo
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Anna Mahler e Karl Marx no Cemitério High Gate
“(1). A sociedade não será livre enquanto o último capitalista não tenha sido enforcado com as tripas do último burocrata(. 2). Quanto mais faço amor, mais revolucionário me torno; quanto mais revolucionário me torno mais faço amor(. 3). Estamos inventando um mundo novo e original. A imaginação é um poder que captura.”
É curioso que se naquele tempo a juventude, os hippies, os políticos e os professores tinham a ilusão até mesmo de desmontarem o universo, hoje, toda essa canalha institucionalizada não sabe o que fazer para livrar-nos a todos, sequer, da máfia dos flanelinhas.
Ezio Flavio Bazzo
O afiador de facas e de tesouras que ouvia Charles Aznavour
Todos os sábados, religiosamente, o senhor que aparece na foto (ao lado) passa por debaixo de minha janela empurrando seu carrinho repleto de panelas, facas, frigideiras, espumadeiras, canecos de alumínio e mil e uma outras geringonças, quase sempre ouvindo uma cantiga milenarista evangélica. No último sábado, não foi diferente, apenas a música não era a mesma. Sob o sol das 14h00min horas, depois de afiar duas tesouras a uma mulher extremamente magra e com uma coreografia nada serena, caminhava sem pressa e pensativo junto ao meio fio balançando suas tralhas e ouvindo uma música de Charles Aznavour. Charles Aznavour? Retirei uma de minhas espadas tailandesas da parede e desci correndo pela escada até alcançá-lo já lá na saída da quadra. Enquanto ele passava sua pedra esmeril naqueles noventa centímetros de aço puro e pontiagudo, comprado numa feira ao lado da Estação ferroviária Hualampong, em Bangkok, do meio daquelas chaleiras, espatulas, bules e açucareiros restaurados emergia um fundo musical de profunda melancolia. O ritual de afiação não deve ter demorado mais de sete ou oito minutos, mas aquela música me fez ter a sensação de que havia se passado pelo menos quatro décadas. (quem quiser pode ver o vídeo no endereço abaixo)
http://www.youtube.com/watch?
Ezio Flavio Bazzo
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Em Goiás Velho: Os narcisistas, a indústria cinematográfica e a estética de uma ilusão
Como não pude ir à Goiás Velho nesta semana do Décimo Primeiro Festival de Cinema Ambiental fui gratificado com um sonho que durou praticamente toda a madrugada. Neste sonho, o cinema aparecia como uma fraude, uma bobagem infanto juvenil, um entretenimento para solitários meio retardados. Eu próprio aparecia no sonho dialogando com os irmãos Lumière e dizendo-lhes com certa agressividade: o cinema só teve futuro pela deficiência cerebral humana. Um cérebro mais refinado não se deixaria iludir pelo truque dos 24 fotogramas por segundo, desmascararia a fraude e se entediaria com aquele punhado de imagens isoladas e estáticas. Eles riam de minha cara dentro de suas roupas de 1895 e com aquele riso clássico de ilusionistas. Também aparecia no sonho alguém caminhando pelas ruas de Goiás Velho, bem em frente ao Hotel da Ponte gritando em tom de troça: É isto a Sétima Arte? É isto a Sétima Arte? Filas imensas de cineastas e cinematógrafos atravessavam a ponte sobre o Rio Vermelho, um mais vaidoso e mais delirante que o outro, lembrando o primeiro filme da história (A saída dos operários da fábrica Lumière). Marchavam como pavões em direção à Catedral que havia se transformado magicamente em um monumento de Hollywood. Um cálice sem hóstia era dado por Cora Coralina a cada um daqueles narcisistas, como se fosse um Oscar. Voltei a dialogar com os irmãos Lumière e quando me perguntaram o que achava do texto e do som agregados às imagens lhes respondi prontamente e com a mesma agressividade: serviu para temperar e para incrementar a farsa. Riram novamente de minha cara, apoiados pela multidão, a população inteira da cidade puerilmente apaixonada por aquela bobagem. Alguém em tom professoral e falando uma língua jamais ouvida lembrava: A Sétima Arte pode ser ficcional ou documental. Sim, ficcional ou documental! Ficcional ou documental! É no cinema, e só através do cinema que podemos garantir nossa imortalidade. Houve um silêncio que pareceu durar séculos, até que a voz rouca de um bêbado encostado pateticamente ao umbral da igreja proferiu: só os que não crêem em sua imortalidade fazem justiça a si mesmos.
Ezio Flavio Bazzo
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Ele voltou... O Demiurgo voltou novamente...
Vejam no vídeo abaixo a recomendação de umas das maiores sumidades em educação no país: