CIVILIZAÇÃO? Planta terrível que não vegeta nem floresce se não a regarem com lágrimas e com sangue..."
Graf
CIVILIZAÇÃO? Planta terrível que não vegeta nem floresce se não a regarem com lágrimas e com sangue..."
Graf

Como minha correspondente número 01 sabe de meu interesse por temas antropológicos, metafísicos, extranaturais e de outro mundo, me enviou, ainda antes das seis da manhã, o discurso fantástico que o Lula proferiu lá no sertão da Paraíba, sob os aplausos e gritos sedentos e apaixonados de milhares de correligionários, muitos, ainda escravizados em seus mangues e latifúndios... e todos, de uma maneira ou outra, enrolados em suas redes de jereré e à espera de Godot...
O discurso é místico, esotérico e espetacular!
É indiscutível que se ele, ao invés de ter se embrenhado na política, tivesse investido no clero, na trova ou na literatura, teria colocado muitos papas, o Padre Cícero e inclusive, o Garcia Marquez (Cem anos de solidão) e o J. L. Borges (Historia universal de la infamia, ou Historia de la eternidade), no chinelo...
Qualquer forasteiro (exegeta ou etnógrafo) que o ouvir, ficará de queixo caído e tentado a aprofundar-se em cada um dos temas que ele aborda naquela fugidia aparição.
Anotei os mais intrigantes e fascinantes:
1. Deus deixou o sertão sem água, porque sabia que eu seria Presidente da República... e que desviaria o leito do São Francisco para cá!
Tudo bem, mas submeter toda aquela gente a uma estiagem de praticamente 200 anos? Qual teria sido a tal divindade? Teria sido o mesmo Deus que está, durante 600 dias, permitindo o genocídio em Gaza???
2. Naqueles tempos (de minha infância), a pobreza e a falta de comida era tanta que, pela manhã, as mães davam às suas crianças, um copo de cachaça... (?!)
3. Se eu não tenho pescoço, foi de tanto carregar baldes de água na cabeça!
4. As galinhas e as vacas morriam de sede!
5. As mulheres de 30, pareciam de 70!
6. Só fui conhecer pão, em São Paulo!
Ora! Tudo bem..! Trata-se do camarada Lula!
E depois, no final das contas... sabe-se que são apenas palavras, parábolas, discursos, performances... Mas, que é bizarro é. - É bizarro e politicamente brochante, ver e ouvir que, no auge da IA, enquanto o Trump, o Xi Jinping e o Putin seguem disputando o tamanho de seus respectivos e distintos 'membros' eretos & em repouso, e dispostos a (de um momento para outro) implodir (com TNT) toda essa merda - o Lula, em sua tradicional singeleza, insiste que seu maior sonho (I have a dream) é ver todo mundo, pela manhã, podendo comer um pãozinho francês, engraxado com margarina e meio caneco de café... Caralho!!!
No boteco da esquina, como já lhes disse várias vezes, de madrugada, costuma passar, além daquele vendedor de porcarias chinesas, de baseados e até de empanadas porteñas, um ou outro mendigo (morto de frio e de fome) e um poeta, ainda daqueles do tempo dos mimeógrafos, recitando seus poemas de mesa em mesa, elogiando algum "artista" ou alguma autoridade local, queimando incenso à cidade, com suas esquinas inexistentes e recitando trechos de Cassiano Nunes ou de Clarisse Lispector... para aquele bando de bêbadas e de bêbados surdos, reacionários e melancólicos que ainda discutiam sobre aquele ministro negro, que foi banido do mundo, depois de acusado de ter enfiado a mão entre as coxas de uma ministra negra; e em seguida conduziam o papo para o velho Brizola e para o petróleo. Ah! O petróleo... É NOSSO OU NÃO É? E a ditadura daqueles tempos e a ditadura de agora?... E a margem equatorial, lá no Amapá? A Marina permitirá que se explore o petróleo que há lá, ou não? Se sim, como se justificaria para a adolescente sueca? Ah! A Greta Thunberg... Descendente dos druidas... E o chandão? O Trump mandará alguém para cá, para lhe colocar uma coleira, ou não? E os "espiões" russos? blá, blá, blá... E o mendigo, que ontem esfaqueou a outro ali na rodoviária? E a paranóia generalizada??? Metalinguagem pra lá e meta linguagem pra cá...
Ontem, quando o poeta reapareceu, um dos bêbados mais exaltados foi logo lhe gritando: Cale a boca! Hoje não! Não me venha outra vez com essas merdas! Ficar recitando poesias enquanto Israel avança em seu genocídio é, não só ridículo, como fazer parte daquele horror e ser cúmplice... Você não lembra do Adorno? Daquele judeu da Escola de Frankfurt que declarou: Depois de Auschuwitz é nojento seguir fazendo poesia??? Que diria ele, agora, quando, ironicamente, não são os alemães, mas os próprios judeus, os genocidas?... A propósito, Qual é a diferença entre Auschwitz e Gaza? Entre Dachau e a Faixa de Gaza? Entre a cumplicidade do mundo diante do holocausto e a cumplicidade de agora diante de Gaza?
Ora! Vá dormir! Enfie seus poeminhas no rabo e prepare-se para o que virá após o extermínio dos palestinos...
Na beira da calçada, quase dentro da penumbra, um casal de estrangeiros tocava e cantava Manhã de carnaval...
O poeta entendeu de imediato que aquela não era uma boa noite para tertúlias literárias. Enfiou os folhetos na bolsa de couro que levava às costas, conferiu se o canivete estava bem posicionado na algibeira e desapareceu no meio da madrugada gelada, atento a um e outro latido vindos dos apartamentos semi-desertos...
[... Na sepultura de Gavrilo Princip, - o homem que matou em Sarajevo o arquiduque Francisco Fernando - alternam-se dois epitáfios: um, inscrito pelos austríacos, diz: 'Aqui jaz o assassino...'; o outro, gravado pelos sérvios, reza: 'Aqui jaz o herói...'].

Apesar das freirinhas e dos coroinhas da mídia fazerem de tudo para turbinar o espetáculo e despertar o trauma apocalíptico na 'alma' dos burocratas (Meu Deus! Será que estaríamos diante de um novo ataque, tipo o de Hiroshima!?)...
"Nas buscas, os policiais encontraram, na mochila de Flávio, cerca de 20 bombinhas pequenas, chamadas de bombas de 'São João'”.
Que tal? Aqui entre nós: tudo isso & + o assombroso teatro cotidiano é, ou não é, em parte, como diz Nat King Cole, pra lá de fascinante!!!???
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Desde os anos 50 (1950), as mães, as avós, as bisavós, as vizinhas benzedeiras, as obesas camponesas, etc, etc, etc, faziam festa e até penduravam nas janelas fotos dos filhos quando estes passavam no vestibular. Se haviam passado em Medicina, em Direito, ou ingressado no exército ou num Seminário, então a festa era mais delirante ainda, com barris de vinho, erva mate e escapulários se prolongava por quase uma semana... Claro, era perturbador ver aquela gente que vivia numa penumbra de ignorância ancestral, acreditar que sua prole (nascida sempre por acaso e por pura vontade de deus!), estaria a salvo... E o sujeito que sabia operar uma máquina de escrever ou uma de fazer "xerox" (por exemplo), já era considerado e chamado de doutor. Se usasse um anel, então, era quase uma divindade. Um horror. E isso, prestem atenção, não foi lá na Idade Média, foi praticamente ontem. (Siglo veinte cambalache... problemático e febril...) E não pensem que as coisas mudaram. A tal EaD, educação à distância, vem do mesmo percurso daqueles tempos e tem o mesmo pedigree. Ainda hoje, as paredes das casas, dos consultórios, das sacristias, dos gabinetes e das alcovas dos maiores mentecaptos estão repletas de Certificados obtidos à distância ou mesmo no tédio místico e trapaceiro das salas de aula... Me dizem que até num michê de quinta categoria aqui nos arredores, uma das gerentes/cortesãs gosta de exibir um Certificado de alquimista e outro de punheteira profissional, um, emitido por Oxford e o outro, por Beijing...Um horror! Enquanto lá fora, uma Ilíada de crápulas diplomados, comandam tudo, desde as grandes manifestações, os programas de rádio e de televisão (24 horas por dia), até as seitas (umas duzentas, uma em cada esquina) que, associadas à AeD e ao crack, dão a energia e a ilusão necessárias para seguir vivendo, saltando de um trapézio a outro, girando no globo da morte e, claro, para seguir esperando pelo salvador... E ele virá... tenham paciência e estejam certos, que virá... e que, por coincidência, se chamará: Dr Godot...
"Embora ainda não tenha sido demonstrado, os galos abrem expressamente o bico para imitar o homem com sua careta atormentada..."
Conde de Lautrèamont
A história da espécie humana, (além de seus conhecidos exotismos, um mais escatológico do que o outro), é uma história pontilhada de epidemias/pandemias, e de enfrentamentos com outras espécies.., espécies estas que não nos toleram, e que, de tempos em tempos, reaparecem com novas artimanhas, armas, táticas e estratégias tentando varrer-nos definitivamente do planeta ou, no mínimo, envenenar nossas raízes... Até aqui, mesmo com o mundo transformado num imenso matadouro e cemitério, aos pedaços e cheio de lunáticos, conseguimos resistir...
Graças às bruxarias, à penicilina, aos antibióticos, às vacinas, aos chás de Capim Santo, às rezas, às missas negras, aos jejuns, aos médicos, às enfermeiras, aos curandeiros, à vitamina D, às águas termais, aos eletrochoques, à astrologia, às camisas-de-força, à cachaça, ao dízimo, às peregrinações... e ao mesmerismo... continuamos existindo... Todo mundo esperando por Godot, mas existindo...
Lembram da Peste Bubônica? A tal Peste Negra? Com os ratos e as pulgas que, consorciados, disseminavam aquelas bactérias?
Depois veio o vírus da varíola; o da Gripe espanhola; a epidemia de Tifo, a Cólera; a Tuberculose; a AIDS; a Gripe suína; as vacas loucas; o coronavírus (culpa dos pobres morcegos do Mercado de Wuhan?) e, novamente, ali nos nossos galinheiros, a tal gripe aviária sobre e contra nossas simpáticas galinhas, galos, patos e quase todos os outros animais empenados... etc, etc, etc... todos febris e com coriza!!!
Mesmo assim, as granjas e os açougues triplicam mundo a fora e a globalização comercial de sangue, tripas e de órgãos vai de continente em continente. As criações de porcos, de cabritos, de vacas, de búfalos e de coelhos não param de crescer. E nos orgulhamos de enviar salames, ovos em pó, frangos, caviar, pasta de fígado, mortadelas, charques, bacalhau, ostras, cobras, camarões, lambaris, bochechas de suínos e até formigas (embutidos, defumados, salgados e congelados), para todos os outros reinos do mundo... ... Ah! Se não existissem os freezers.., os mercados seriam uma podridão insuportável de cadáveres... É evidente que para todos esses animais, nós também representamos e somos agentes de uma epidemia...

Nos últimos tempos o Peru (o país) e os peruanos vêm ocupando diariamente as manchetes dos jornais e das revistas. Depois da morte do Fujimore e do Abimael Guzmán (aquele do Sendero Luminoso que passou grande parte da vida numa jaula), morreu também o Vargas Lhosa (autor de A festa do Bode e prêmio Nobel de literatura); em seguida elevaram a papa um padre que militava em Chiclayo, e agora, de uns dias para cá, só se fala no Porto de Chancay (ali no Pacífico peruano), porto que promete transformar a América Latina num Shangri-La, ainda mais folclórico, com luzinhas e brinquedinhos de plástico advindos da Ásia...
Prestem atenção: trata-se do Porto de Chancay, (construído, em parte, pelo governo & operariado chinês, este, o mesmo que, lá por 1910 (meio clandestinamente) construíu o Canal do Panamá e que morria como moscas por lá).
Não confundir Chancay com Callao,
A propósito, o porto de Callao (este, no Pacífico sul-oriental), também já teve uma imensa importância, principalmente na época da chegada de escravos africanos ao Peru e à região. Leio na página 334/335 de Homens de ferro, mulheres de pedra, do historiador Bruno Pinheiro Rodrigues: "Por lo que toca a los escravos destinados al Perú, éstos llegaban o eran entregados en Nombre de Dios, puerto situado a orillas del golfo de México. De allí debían atravesar el istmo para llegar a Panamá, sobre el oceáno Pacífico. De Panamá una nueva travesía hacia el Puerto de Callao, que (junto ao Porto de Arico) era el gran punto de distribución de cativos do vice-reinado do Perú... (...) Frequentemente, quando um cativo era confiscado por autoridades, davam-lhe por morto e o vendiam..."
Voltando a falar sobre os trabalhadores chineses que, em regime de escravidão, ajudaram a edificar o canal do Panamá, esse mesmo operariado, os conhecidos coolies (trabalhadores asiáticos que eram vendidos ou alugados para governos aqui do Perú, Cuba e Estados Unidos e etc), também atuou (e no mesmo regime), na construção da fracassada estrada de ferro Madeira-Mamoré, ali em Rondônia... A tal Ferrovia do Diabo que, teatral e demagogicamente, chegou até a ser inaugurada: 1912! Alguém se lembra? Ainda existem por lá, entre os idílicos rios Madeira e Mamoré, alguns vagões, trilhos e pedaços de tratores e fotos dos trapaceiros da tal Railway Company, sem falar da melancolia nacional, da malária, das ossadas dos trabalhadores forasteiros... e, naturalmente, das cinzas de uma imensa fortuna enterrada e apodrecida no meio da selva... O que sobrou? Um pequeno museu na cidade de Porto Velho. Um pequeno acervo dos sonhos, das mentiras e das tralhas, daqueles tempos... Y asi se van los días... y los siglos...
Mao Tsé Tung
O mundo não só ameaça, como está desabando sobre a cabeça da Janja depois de sua singela intervenção lá no bate papo entre o Lula, Xi Jinping e mais meia dúzia de atores e Bon vivants da imensa e interminável pantomima que é essa monarquia travessia de república...
Ora! todo esse bafafá, esse lero-lero e essa malignidade contra a Janja é uma demonstração cabal de que o mundo ainda está atolado num moralismo caipira & ridículo... que ainda sacraliza o ESTADO e que mistifica seus dirigentes... um mundo que vê nas mulheres, (em qualquer uma), uma réplica da mãe, babaca e odiosa, à qual dedicam um ressentimento atemporal e incurável... um mundo que, apesar de ficar cacarejando sobre igualdade de direitos, de salários, de gozo sexual, de que podem dizer o que pensam etc, etc, etc, na essência, só as tolera nas cozinhas, nos tanques e nas igrejas, com um lenço branco amarrado à cabeça... e na condição de que, nas reuniões e em público, fiquem caladinhas, com o clássico e odioso bouquet de flores no colo.., e que, na cama, com a luz apagada, permaneçam de perninhas abertas, de bruços e gemendo, mesmo que seja só um gemido de fingimento... (E em alguns casos, que logo depois de correrem (com um certo nojo) para o banheiro, passem a rezar uma ou duas Salve Rainhas..., uma mais louca do que a outra e todas em busca de um abismo de rosas... Mon Frère, aqui entre nós: essa é ou não é a mulher idealizada???
Enfim, a intervenção da Janja lá naquela suposta reunião entre divindades, não teve nada de tão escandaloso, de tão impróprio, nada de tão exagerado, nada de tão impertinente, nada de tão ridículo como se está pretendendo. Talvez, inclusive, tenha sido o que de mais interessante se tenha dito em todos aqueles dias de espetáculo, de roçar de nádegas, de elogios mútuos, de assinaturas suspeitas, de jantares, de compras & de vendas, de black-tie, de blaisers e de futilidades...
Se Mao Tsé Tung aparecesse por lá, é provável que (ele que até já jogou pianistas e pianos pelas janelas dos palácios...), batesse com uma espada sobre a mesa e acusasse a todos de estarem traindo os princípios básicos de sua revolução... De estarem frustrando os pilares básicos de sua Grande Marcha e que via ali sua Revolução Cultural indo para o ralo, sendo transformada num lero lero de gentilezas entre dândis, vivaldinos e palhaços, num show de protocolos, de bons costumes e de perfumaria entre pequenos burgueses... entre trapaceiros fantasiados de revolucionários... Por fim, ainda brandindo a espada, gritaria, num bom mandarim: e fodam-se as gentilezas, as 'boas maneiras'; a finesse, o primor, o esmero e as algemas impostas às mulheres e às chamadas Primeiras Damas... e também que se fodam os chips e esse tal de tic-toc... (todas essas aberrações de um mundo histriônico, reacionário e idiotizado, preocupado apenas com as próprias tripas!).
:... Chegamos a tal ponto de imbecilidade que o trabalho passa por ser não só honroso, mas até sagrado..."
Remy de Gourmont
