"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A INTUIÇÃO DO BEBÊ E O ÚNICO PROBLEMA FILOSÓFICO SÉRIO...


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Ontem foi a vez da Favela do Moinho transmutar-se em cinzas... Segundo os registros dos colecionadores de desgraças, esse incêndio é o Trigésimo Oitavo do mês, só em favelas de São Paulo. Existiria algum piromaníaco tentando eliminar essa pobre gente através do fogo? Curiosamente foi causado pela bizarrice de um casal "homoafetivo" em uma briga de "amor". Um de 37 e o outro de 38 anos, sendo que o primeiro atendia pelo nome de Jesus e o segundo por Damião... Dizem que Jesus, louco (a) de ciúmes instalou um maçarico no bujão de gás e incendiou literalmente o "amante"... Para dar mais ênfase à histeria, Jesus, o incendiário enlouquecido de "amor", aproveitou e meteu fogo também na favela... 
Como não enlouquecer também de ódio vivendo nesses cortiços infames??? 
Talvez não exista sentimento de solidão e de horror maior do que assistir àquela multidão fugindo em desespero por entre as labaredas com suas tralhas e filhos às costas.., sabendo que logo na esquina mora um apresentadorzinho de TV semialfabetizado que ganha dois três milhões mensais! Que na mansão da outra esquina mora um senhor que é senador da república há quarenta anos! Que na cobertura de 600 metros que fica mais abaixo vive um jogador de futebol analfabeto que tem outros sete imóveis como aquele.  Que na mesma rua vive uma senhora com ares de rainha, outra que já foi vereadora, outra prefeita, uma ex-deputada, um juiz, um governador, um ministro de estado etc.., todos narcisistas incompetentes que nunca fizeram merda nenhuma para alterar a catalepsia mental e a realidade social daqueles miseráveis... Não, não é só o capitalismo, mas também o cérebro dessa gente que fede!!!
Depois, vem o velho e conhecido ritual do circo republicano: vão chegando os bombeiros, os curiosos, a polícia, a midia, as ambulâncias, os pastores, as "carpideiras" estatais, os vereadores, os prefeitos, os senadores, os dermatologistas voluntários e os paxás milenaristas da arquidiocese... Chegam telegramas dos sindicatos, das Ongs, dos ex-presidentes da república, chegam as beatas trazendo cobertores, novalgina e sobras de pizzas para os sobreviventes que logo são transportados e amontoados como porcos num ou noutro barracão, mas só até que os tições se apaguem... E amanhã, bem cedinho, os sobreviventes estarão novamente lá (naqueles terrenos malditos, quase sempre de propriedade de alguma multinacional) com os cabelos ainda chamuscados e como formigas no meio da fuligem e dos esqueletos das geladeiras e das televisões levantando novamente seus cárceres e suas tumbas individuais... Vivem no meio dessa desgraça disfarçada de cidadania e de soberania, exatamente como seus avós, em silêncio e submissos, há mais de cem anos. 
Na outra ponta, gerações e mais gerações de políticos e de farsantes que já passaram por lá fazendo demagogia, que já encheram todo mundo de promessas, que já roubaram a sua parte, que envelheceram na roubalheira "aristocrática" e que enrabaram meio mundo. Muitos desses larápios ainda estão na ativa, outros jazem sem culpa alguma apodrecidos em ricos mausoléus espalhados pela cidade... Acreditem: não há chances de acontecer melhoria alguma para os pobres, fodidos e desgraçados da terra.

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