segunda-feira, 17 de junho de 2013

Gerontofilia...


Depois de quase dois meses reencontrei o mendigo K. Estava sentado na grama ao lado de uma estátua de John Lennon que fica ali na Universidade de Brasília lendo uma página da Folha de São Paulo de sábado, onde aparece um dos ex presidentes da república com sua nova namorada, uma mulher de 35 anos. Parecia mais irônico do que nunca.
- O cara tem mais de oitenta! Foi logo dizendo, e prosseguiu: Não existe aí uma pedofilia deslocada!? Além do cunnilingus, o que deve fazer na cama um homem de oitenta anos? Lembra de Salomão? "sessenta são as rainhas, e oitenta as concubinas, e as virgens sem número". 
Lembra do Idi Amin Dadá? Que não só comia as mulheres na cama, mas seus maridos na grelha? Será que o sexismo tem algo a ver com o canibalismo? Lembra do Kadafi?, etc. Quase todos os governantes, tiranos ou bananas, foram devoradores de mulheres, por bem ou por mal, por sedução ou por chantagem, por tara ou por vaidade...... O Rei da Espanha, inclusive, mesmo com aquela cara, confessou recentemente que comeu mil em sua existência. O Berlusconi não deve estar muito distante desse número. O Garcia Márquez, aquele dos Cien años de soledad, não escreveu recentemente, já com uns noventa, Memórias de mis putas tristes? E os campeões da pedofilia, não são com frequência, homens já se aproximando de um século? E o Mao Tsé Tung?, que segundo seus biógrafos, comia até cinco por dia, e olhe que ele não gostava de tomar banho e nem de escovar os dentes... Não é bizarro que para os homens em geral, de setenta, oitenta ou noventa, basta ter dinheiro e poder para estar rodeado de amantes, de concubinas e de "carne fresca"?...   Haverá nas mulheres uma inata tendência à gerontofilia ou é puro business? Elas não abrem o jogo, mas parece que realmente não lhes custa grande coisa ter que abrir as pernas uma vez por semana ou por mês a um tirano ou a um ancião qualquer se diariamente rolam bons vinhos, grandes jantares, luxo, anéis, viagens e, claro, se no amanhã próximo está a promessa documentada de uma rechonchuda pensão...
Fez reticências, bateu a mão direita com desdém sobre os pés da estátua do velho Beatle e concluiu com a  clássica e problemática frase: Não adianta a militância negar: o que os homens sentem por sexo e pelo ato fornicatório, as mulheres sentem pelo poder e pelo dinheiro! Primeira e mais  óbvia incompatibilidade de gêneros! Mas, sinceramente.., não há nada de grave nisto,.. é apenas uma questão de imaginário, de gosto, de química e, claro, de lógica...

sábado, 15 de junho de 2013

Um judiciário da Idade da Pedra...



Fui assistir a polícia reprimir os adolescentes ali em frente ao Estádio Mané Garrincha. As cenas não eram apenas nojentas, mas também melancólicas... Quê despropósito! Quê exagero! Quê falta de uma ética e principalmente de uma filosofia! O despreparo técnico e o desequilíbrio psíquico desses homens é visível e monstruoso. E é curioso que ao mesmo tempo em que se constituiu no país uma comissão da Verdade para esclarecer os crimes e as loucuras das polícias da ditadura, não se tenha a mais mínima preocupação com o perfil, a saúde e as condições mentais dos policiais de hoje. 
Não devia haver mais de 250 manifestantes, dos quais, a maioria ainda nem havia sequer sido desmamada. Quê perigo poderiam representar? Iriam incendiar o Estádio? Colocar dinamites naquele monumento estética e economicamente abominável? Sequestrar o Neymar e roubar-lhe a fortuna? Obrigar o governador a perder o primeiro gol para ouvi-los?
Já, policiais, nunca se viu tantos. Polícia civil, polícia federal, seguranças particulares, polícia militar, agentes do judiciário, de choque, corpo de bombeiros, alcaguetes disfarçados, a cavalaria, com cachorros, com algemas, com espingardas, revólveres, helicópteros queimando gasolina inutilmente no espaço, spray de pimenta, cassetetes, escudos, gás, armaduras... Só faltou mesmo o chicote daquele general lunático da época do figueiredo. E dirigiam em alta velocidade sobre os canteiros, faziam manobras arriscadas e de guerra como se estivessem sendo atacados por duzentos ou trezentos dos melhores guerrilheiros da Al Qaeda... Ilógico, incompreensível, estúpido. Bastaria que cada policial pegasse no colo um daqueles manifestantes para que o protesto, a passeata, o ato interpretado pelas autoridades quase como uma ação "terrorista" acabasse. Mas não. Vi com que prazer puxavam o gatilho na direção dos garotos, com que prazer lhes injetavam pimenta nos olhos, com que malícia lhes mostravam os cachorros, com que ódio lhes saiam as palavras... 
Por mais que os vivaldinos de turno tentem justificar essas cenas de sadismo, de horror e de deslealdade, sob o pretexto de estarem defendendo os “valores patrióticos”, os “cidadãos de bem”, o “povo pacífico”, a “moral” e a “ordem”, e por mais que se tente demonizar duzentos ou trezentos inofensivos secundaristas, quem pensa com seu próprio cérebro sabe, e muito bem, que tudo isso foi uma abominável canalhice e mais, que o valor de um país e de um povo se mede pela CLASSE e pela DIGNIDADE de seus governantes, de seus policiais, de seus professores e de seus médicos...


sexta-feira, 14 de junho de 2013

Qual é a cara que você tinha antes de nascer?



Por coincidência presenciei a chegada dos jogadores japoneses em Brasília. No meio daquele teatro sem sentido da polícia, dos anfitriões, dos empresários, da imprensa, dos alcaguetes, dos puxa-sacos e dos torcedores, fiquei tentando entender como foi possível a contaminação, até do Japão, com esse esporte para idiotas?
É estranho ver esse povo, outrora famoso pelas gueixas, por Mishima, pelos tsunamis, pelo haraquiri, pela sonoridade das três cordas do shamisen, pelo budismo, por seus samurais e ninjas, pela busca incessante da percepção extra-sensorial das coisas através do za-zen, das artes marciais e do chá, metidos agora com essa prática ignóbil de brutamontes... Como buscar a iluminação correndo atrás de um pedaço de couro de vaca durante quarenta e cinco minutos? E como expressar gratidão pela natureza de Buda ali, no meio daquele pasto improvisado se esfolando mutuamente as nádegas e as canelas?..
O Koan mais conhecido nos antigos mosteiros daquele arquipélago era este, que bem se poderia dirigir a qualquer um dos promotores desse circo: “qual é a cara que você tinha antes de nascer?”