quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Papa vai ao Chile, pede desculpas pela comilança de crianças praticada por seus padres e faz demagogia com Violeta Parra, com ela que teve que suicidar-se no meio do inferno político de 67... (A vida é um circo atroz!)



Como diria Leon Bloy: "Quando os seres humanos falam amorosamente de Deus, suas palavras lembram os leões que ficaram cegos e que buscam fontes no deserto..."








Vigiar e punir! Castrar e humanizar...



"Quando estiver na cama e ouvir o latido dos cães no campo, esconde-te sob as cobertas e não zombe daquilo que eles fazem, pois eles, como você, como eu e como todos os seres de cara pálida e alongada, têm uma sede insaciável de infinito..."
Isidore Ducasse (1846-1870)






Desde ontem as beatas e os coroinhas dos jornais e das TVs estão insistentemente lembrando aos donos de animais que está aberta a temporada de castração dos bichos domésticos. 
-Leve seu cãozinho para retirar as bolas! 
-Leve sua gatinha para que ela não fique mais miando desesperada madrugada adentro!... Resmungam cinicamente, as frigidas, os brochas e outros carcereiros da libido. 
E os argumentos lembram os da circuncisão na religião judáica e os da clitoridectomia (extirpação do clitóris) lá nas tribos animistas africanas. Sim, são praticamente os mesmos, me diz um veterinário que não 'afoga o ganso há meses'. Higiene, saúde, controle de natalidade, purificação e moral, principalmente moral. Bah! 
Mas, quem é que, indo para o trabalho, já com as algemas nos pulsos, não fica indignado quando vê um casal exuberante de gatos entre gemidos e miados trepando no batente de uma janela? Ou uma dúzia de cachorros esqueléticos, mas vigorosos, nos degraus de uma catedral, em fila dupla, atrás de uma vaidosa e sedutora cadela em cio?*
Abaixo todos os castradores!

*"Segundos depois, como se estivesse sendo regida por uma força incontrolavel, tornava a repetir o mesmo processo, agora já dando sinais de sua escolha e a qual macho estava reservada a lascívia. Quando parti, o clima parecia estar no auge, com ela mais meiga, pisando em nuvens, abrindo e fechando os lábios de seu tesouro e exibindo descaradamente seu clitóris. Bestia senza pace! - blasfemaria Dante." (Ver parágrafo final de Ecce Bestia, página 162)

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Loucura, David Cooper & outros delírios espirituais...


[... O mundo tem sofrido imensamente por acreditar que Cristo morreu para salvá-lo. Teria sido muito melhor se tivesse podido, historicamente, te-lo visto tendo um orgasmo para salvar a si mesmo... 
A crucificação não foi nenhum orgasmo, pelo contrário. Na estrutura de poder da igreja emergente, esse ato bárbaro foi a introdução histórica da submissão nos interesses da nascente sociedade feudal...]  Ver David Cooper, in: El lenguaje de la locura, página 81.






domingo, 14 de janeiro de 2018

Brasília e seus vendavais...

"Quando os antropólogos chegam, os deuses vão embora!"
Provérbio haitiano
(observação: devia ser realmente assim, mas só até antes dos antropólogos terem sido vergonhosamente cooptados pelas igrejas e se tornado cúmplices dos padres...)

Brasília assistiu ontem uma bela demonstração de exuberância e de soberba da natureza: ventania, raios, pedras de gelo, chuva na vertical e na horizontal, trovões, pedaços de árvores levitando por sobre as avenidas, esgotos transbordando, sem teto e bêbados correndo de uma marquise a outra arrastando seus trapos e do meio das nuvens um flash atrás do outro como se uma divindade ou um demônio sádico estivesse querendo fuzilar alguém e ao mesmo tempo registrar tudo, fazer um ensaio fotográfico de nossa miséria, desde a indiferença dos alienados até o desespero dos maníacos... Meu cachorro postou-se junto à vidraça e assistiu com um indisfarçável prazer e fascínio aquela espécie de dilúvio. Quando pipocava um relâmpago, seguido da explosão de um raio, ao invés de jogar-se no chão, bocejava, quase em desafio a todo aquele exagero de exibicionismo. Uma velhinha que atravessava os jardins lá em baixo quando viu seu guarda-chuva ser despedaçado, quase perdeu o equilíbrio, fez o sinal-da-cruz e soltou involuntariamente o grito clássico: Meu Deus! 
No prédio vizinho alguém caminhava de lá para cá com uma vela na mão direita e na esquerda com uns ramos de arruda ia espargindo água benta pelas paredes... Os postos de saúde e os colégios públicos sucateados desde sempre viram goteiras despencarem dos telhados sobre tomógrafos, escrivaninhas, cadeiras e macas já enferrujadas... 
Apenas por esnobismo literário associei aquela, digamos, tempestade, a um dos terremotos mais violentos já registrados no mundo: o de Lisboa de 1755. Segundo os lusitanos, foi um show de terror nunca visto. Primeiro o terremoto seguido por um tsunami e imediatamente por um incêndio que devorou quase a cidade inteira e mais: a partir daí, por uma querela interminável entre o marques de Pombal e o padre Gabriel Milagrida. O primeiro atribuindo a desgraça a uma causa natural e o segundo, insistindo que havia sido um castigo divino pela vida perversa e pecaminosa que os portugueses estavam levando. Seria aqui entre as nossas negras e índias?
 Marques de Pombal, todo mundo sabe, foi aquele que não só deu um pontapé no traseiro dos jesuítas que infestavam o Brasil, mas que, por malandragem econômica, também proibiu a profissão de ourives. A respeito do tal padre Milagrida, em função de sua insistência em seguir cacarejando que o terremoto de Lisboa havia sido uma vingança divina contra o amancebamento e à libertinagem portuguesa, foi garroteado e queimado na Praça do Rossio em Lisboa...

Mientras tanto...

sábado, 13 de janeiro de 2018

E o que se chama república... não é mais do que um rodízio entre búfalos...


Parafraseando o pensador romeno que dizia que o único antídoto que a humanidade encontrou para a Bomba atômica foi o padre Teilhard de Chardin, pode-se dizer, com o mesmo desprezo e cinismo, que o antídoto que nossos eleitores, exauridos, desesperados, traídos e imbecilizados encontraram para o Lula foi o Bolsonaro... Povera gente!