Ninguém pode negar que esse período de campanha eleitoral trouxe à tona vários assuntos (tabus, mitos, fetiches, superstições, perversões, misérias e etc), entre eles o da próstata e do tal toque retal, ao qual, segundo o Presidente da República, muitos homens têm medo de se submeter. E é verdade. Mas, é importante esclarecer que o oposto de ter medo de levar uma dedada no rabo não significa gostar de levar uma dedada no rabo. Claro que deve ser bem mais light do que levar um punho e antebraço no rabo, (o tal fisting) como recentemente denunciou uma cafetina, ser prática comum e corrente por aí, entre seus clientes mais masoquistas...
O assunto, como se costuma dizer: viralizou! Viralizou?
As velhinhas, que ainda acreditam que o crescimento da tal próstata (esse erro evolutivo) se deve à putaria e às cachorradas passadas de seus 'esposos', falam do assunto com um certo frenesi vingativo e relacionam a dedada no rabo deles e o diagnóstico que pode advir daí, a um castigo divino, enquanto, para os homens (que têm mais ou menos a mesma crença delas), o assunto os empurra para um lugar de solidão existencial e de culpa, parecido ao vigente num corredor da morte... Curiosamente, até agora, os urologistas e os poetas do Novembro azul (que também têm próstata), juntos à Internacional de medicamentos, que há mais de um século vivem desse diagnóstico e desse prognóstico, ainda não disseram nada.
Em síntese: a campanha eleitoral, entre outras coisas, tem explicitado uma ignorância sistêmica de dar asco! Uma ignorância e um atraso, não apenas no campo do real, mas também do irreal. Não apenas do físico, mas do metafísico. Ignorância que até levou a turma que se diz esclarecida, dialética e revolucionária, (os marxistas-leninistas, por exemplo) e os que se pavoneiam há décadas de serem de esquerda, a declararem-se devotos da Santa (envolvida em polêmica), a ponto de irem anualmente, com seus avós, bisavós e tataravós, a pé e em peregrinação, até a Basílica, implorar por auxílios e por compaixão...
Minha maior frustração, acreditem, é não poder saber o que Marx, Lênin e a própria Santa pensariam desses cabotinos...