Mesmo assim, terás que seguir ganhando teu sustento não apenas com o suor de teu rosto, mas às custas de tua autoestima, de teu teu amor-próprio, de tua dignidade, teus músculos, ossos, bagos e saúde mental... E, em muitos casos, até de tuas mucosas... (IN: Vademecum da vadiagem).
Ah!
E NÓS QUE, DESDE A ADOLESCÊNCIA, SEMPRE VIEMOS IDEALIZANDO & SONHANDO COM UMA ESCALA 1x6!!!


Bazzo,
ResponderExcluir"Quando um homem tem a idéia clara do valor da vida, encontra sempre um pretexto para se furtar à escravidão do trabalho..." na página 11 de teu livro.
O melhor livro dele sem dúvidas!
ExcluirComo diria o Zoufris Maracas
ResponderExcluirJ'aime pas travailler
https://www.youtube.com/watch?v=mxvEjC28MJ8
Este livro desconstroi todo o mundo do trabalho.
ResponderExcluirMuito interessante!!
Bazzo, Ezio Flavio. Vademecum da vagabundagem: um capitulo extraviado dos evangelhos. Brasilia: Tripallium, 2023.
Para comprar: bilisnegraeditora.minhalojanouol.com.br
RESENHA
Este livro do escritor Ezio Flavio Bazzo é essencialmente anarquista e libertário. Tão anarquista e libertário que chega a doer nas entranhas da moral e dos bons costumes.
Nele, o autor elabora uma fascinante desconstrução do mundo do trabalho e de todas as formas de encarceramento engendradas pelo homem durante sua permanência no planeta.
Tão importante quanto seu livro Mendigos: párias ou heróis da história?, Bazzo nos alerta já no início da obra: "Agora é tarde – o vício já está instalado na alma da espécie!... sem o trabalho, a humanidade, num domingo à tarde, cheia de tédio, se suicidaria". E continua: "são 6 mil anos de labuta e de fracassos mesmo que a lógica do escravo afirme que é melhor morrer de trabalho do que morrer de fome".
Também fica evidente a quebra das ilusões acerca da religião, do casamento, do romance, da família, e, citando Corine Meier, diz que "pensando bem, não há que se ter ilusões". Nunca.
Usando o plural majestático para se comunicar com seu leitor, não parece falar apenas por si mesmo, mas em nome de um grupo que pensa como ele. Assim, vai conduzindo o leitor a diversos países, regiões, cidades e situações para desmoralizar o trabalho e todo o esforço já feito para promovê-lo na sociedade humana.
Por se tratar de um livro forte em suas convicções, vem recheado de erudição, como se fosse um requintado exercício literário.
Ilustrado por Daumier, mestre da litografia francesa do século XIX, é muito bem editado, trazendo o carimbo de ex-libris, marca do autor, carimbo esse usado na Idade Média para os livros especiais e de propriedade declarada, e este seria um livro excomungado – HAI EXCOMUNION.
O cerne da obra parece ser o desejo de mudar o mundo: "desconstruir para tentar construir outra coisa", pois entende que a relação do homem com o trabalho faz com que a maioria pareça "viver para trabalhar mais do que trabalhar para viver".
Talvez não fosse de todo insólito, para não deixá-lo órfão de uma filiação estética (filiação que ele recusa peremptoriamente), considerá-lo como uma espécie de “vanguarda das vanguardas”, um sólido pensamento contracultural que não apenas contesta, mas adverte, vaticina a inviabilidade de todos os caminhos e descaminhos – com isso, acenando para uma vagabundagem redentora! Como realizá-la? Teremos de descobrir à la James Joyce, com um work in progress.
Maria Helena Sleutjes
Excelente resenha!
Excluirhttps://www.youtube.com/watch?v=OEbDuAp5BH0
ResponderExcluirO melhor livro do Bazzo se chama "Viajem aos fundos dos galinheiros", já o li umas duzentas vezes, sem hiperbolismo.
ResponderExcluir