sábado, 29 de janeiro de 2022

COM AÇÚCAR COM AFETO / OU: Chico Buarque também tem seus momentos de bundão...

Emparedado pelas feministas por sua música Com açúcar com afeto (1967), Chico Buarque, vacilou e preferiu negar seu trabalho que é um dos melhores de sua carreira e que ainda hoje retrata a dinâmica de muitas relações amorosas. Inacreditável! Ele que sempre foi considerado porta voz dos mais contraditórios e rebuscados sentimentos femininos, agora é enquadrado por um grupo de mulheres que parece ter outro conceito tanto sobre o açúcar como sobre o afeto...

"As feministas têm razão, vou sempre dar razão às feministas."

Recuando diante dos protestos dessas mulheres, parece um menininho com medo da mamãe. Recuo que não passará impune: terá que explicar-se ao universo feminino, de domésticas a executivas, que passam o dia inteiro cantarolando essa música. Sem falar que, pelo andar da carruagem, em breve, terá que abdicar de outras canções, também "machistas", também admiráveis tipo: Atrás da porta; Mulheres de Atenas e etc.

E a defunta Nara, será que também amarelaria, em nome da misandria atual?

Enfim, esse retrocesso teria sido realmente um vacilo ou foi apenas mais uma jogada comercial, feita lá de uma luxuosa boulangerie parisiense?
 
Ah, no fim das contas, é importante que essas simplórias & implacáveis contestatárias de plantão entendam que, na verdade, bem lá no fundo, nem era amor, era cilada. Cilada! Cilada...



A dialektiké... e um elogio aos negacionistas...


"Para aquele que não consegue fazer da ciência trampolim para atingir esferas mais altas, ela se torna pesada porta de ferro que se fecha às suas costas e o esmaga..." (P)




Nestes tempos em que a indigência do mundo foi e está sendo evidenciada pelo vírus, (vírus que ninguém sabe se realmente veio da China, da Cochinchina, de Washington, da Itália ou das penas de ganso que estufam os travesseiros de nossas casas), emergiram também os chamados negacionistas: aqueles que negam a epidemia; que negam os conselhos da OMS; que não acreditam na eficiência das vacinas e que inclusive juram que elas são iatrogênicas, isto é, que, no futuro, desencadearão um outro tipo de doença nos vacinados. Esses 'negacionistas' se tornaram os 'bodes expiatórios' do rebanho e são insultados, não apenas por seus pares, leigos e iletrados, mas até mesmo pelos doutores que deveriam, em algum momento de suas vidas, ter aprendido, de Sócrates ou de Marx, as bases da dialética.

Apesar dos latidos da turba, foram eles, esses negacionistas que, ao longo da história da ciência e da técnica, vieram exigindo e garantindo que se navegue com um mínimo de segurança. Se não fossem eles, se o rebanho, de cabeça baixa, tivesse acreditado de cara em tudo, já teríamos naufragado e desaparecido e o mundo seria, agora, um imenso e lúgubre cemitério. 

Ouçam, sem preconceito, os argumentos dos 'negacionistas' e os dos 'não negacionistas'. Como nossa história e mesmo o nosso presente está recheado de panacéias, de mentiras e de fracassos, o único instrumento que temos para optar por uns ou pelos outros, pelos que negam ou pelos que afirmam, é uma fé quase anímica. A crença e o credo. A aposta, naquela tese que nos garante uma maior ou uma menor ilusão, esperança e consolo.

Portanto, ao invés de atirar pedras nestas pessoas que duvidam e que negam, é importante reconhecer sua importância, já que muitas delas leram Nêmesis da medicina, de Ivan Illich. E que são elas que obrigam os comerciantes e os expropriadores da saúde a provarem por A+B, a validade de seus produtos. Elas que nos obrigam a resgatar a arte do diálogo que a dialética nos brinda e entender que os lados que se opõem são complementares e fundamentais, que formam uma unidade em debate, até que uma 'verdade verdadeira', prevaleça.  Lembram da TESE, da ANTÍTESE e da SÍNTESE? Onde estão os Barnabés que passaram a vida inteira decorando as encíclicas de Sócrates e as de Marx, e que agora, como manés, não admitem e se escandalizam com as afirmações contrárias?

Enfim, os negacionistas (inclusive os que há dentro de você, mas que você os nega) são a antítese, os que garantem o caminho e o trânsito entre as idéias. E que evitam que o curral e o aprisco inteiro (apenas para fingir-se de politicamente correto) se coloque de joelhos diante de qualquer aventura imperial. Por quê haveríamos de acreditar piamente em alguma coisa que nos vem de uma indústria de trapaceiros? De gente que, sabidamente, inventou os motivos da Primeira e da Segunda guerras mundiais, apenas por delírios e com fins econômicos? E que sustentam seus países há séculos, apenas com os medicamentos que empurram guela abaixo das regiões mais fodidas do mundo?

Viva a TESE, a ANTÍTESE e a SÍNTESE! Viva a dialektiké!

Viva os negacionistas! Eles que nos convidam a abrir os olhos, os ouvidos e a sair do estado hipnótico e da catalepsia em que nos encontramos. Eles que relutam em admitir que a ciência se torne a quarta religião predominante no mundo (cristianismo, islamismo, judaísmo, cientificismo) e que venha a tornar-se, ainda mais, o lábaro dos imbecis. Viva essa gente que por puro pânico, por pura intuição e por pura impotência, obrigam os gestores desse circo a nos apresentarem provas mais cabais e mais convincentes de seus produtos, de seus negócios e de seus trambiques...