[... Quem pretendesse suprimir as paixões aduzindo como pretexto o mal causado por elas, assemelhar-se-ia a quem quisesse quebrar a lira de Homero, porque ele cantou os falsos deuses...]
Lacordaire
Senhores - disse o Mendigo K, neste domingo de setembro, olhando para o teto da padaria, como se estivesse sendo possuído por alguma divindade:
_ Essa companheira que acaba de tocar fogo em seu barraco, com o cachorro dentro, nos remete ao papel impressionante das mulheres na confusão do Banco Master; no escândalo dos velhinhos do INSS; na produção do Dark Horse; no sacrilégio da Nossa Senhora Aparecida; de grande parte da rapina ocorrida nos cofres da República e dos currais eleitorais... Confusão, camaradas, que está afundando ainda mais rapidamente o país numa merda terrível... Segundo os relatórios da polícia, na primeira fila desses grandes negócios e imbróglios, estão também elas. Mulheres, evidentemente, não com o pededre dessa pobre incendiária que tocou fogo em seu barraco e, pior, em seu cachorro.., mas mulheres ilustres, ex-modelos, advogadas famosas, lobistas sedutoras, esposas dedicadas e até novinhas suíças...
Tomando ares de pedagogo e até de candidato, foi listando alguns dos principais fatos a seus colegas:
I. Aquele contrato de cento e tantos milhões, entre o ex-banqueiro e um escritório de advocacia, por exemplo, (contrato que tem causado insônia até nos menos invejosos), foi firmado com a esposa de um ministro ilustre;
II. Aquele outro contrato, mais surrealista ainda do que o primeiro, este de uns 400 milhões e de natureza idêntica ao anterior, apesar de ter sido assinado com outro escritório, também foi com a esposa de uma importante autoridade;
III. Aquelas malas de dinheiro de que tanto se vem falando e que segundo a polícia, circularam aí pelos palácios, costumavam repousar no guarda-roupas e no porta malas da alcova e do carro de uma ilustre lobista...
IV. Segundo os 'homens da lei', o dinheiro de emendas, supostamente destinados ao filme Dark Horse, (antes de seguir para a Amérika) também passava, pelo escrutínio e pela conta de uma famosa lobista lá de São Paulo... etc, etc.
..... E nem preciso falar da famosa advogada Jorgina. Lembram? Daquela que em 1992 foi condenada a 12 anos de cadeia por desviar 2 bilhões de verbas dos aposentados do INSS...
Isto não lhes parece meu diabólico e meio fantástico!? O que estaria acontecendo com essas companheiras?
Enquanto seus 'esposos' iam fraterna e patrioticamente se reunir em Londres ou em Paris (até em Roma), para fumar charutos, tomar uns tragos e discutir melhorias para as penitenciárias e para o saneamento básico da pátria, elas, movidas pelo instinto maternal mais primitivo, de dentro de seus luxuosos tailleurs e fingindo ingenuidade, tomavam a frente dos negócios, assumiam compromissos milionários e transcendentes... e, pelo que se sabe, o faziam com uma admirável expertise, maestria e know how... E, quando, por acaso, por influência meteorológica, lhes surgia algum impulso mitômano e de insegurança, voltavam a ouvir atentamente uma misteriosa voz interior que lhes dizia: Ora! não perca essa oportunidade! É tudo por amor aos pobres e para tornar o Brasil grande outra vez!!!!!!
Seria isso o verdadeiro empoderamento?
Um dos mendigos, ao retirar-se, visivelmente irritado, depois de pedir venia aos colegas (num latim impecável), foi recitando, quase em forma de blasfêmia misógina, a frase de um tal Gandera, que ninguém nem sabe se existe: "mal sabem os homens que, sob as pálpebras pintadas de uma perfumada amiguinha, lampeja o ódio de uma mulher do povo..."
https://www.youtube.com/watch?v=cglyJB-XJ3A
ResponderExcluirhttps://www.youtube.com/shorts/foIwxPQe88s
ResponderExcluirhttps://www.youtube.com/shorts/CnHU5F_ByoA
ResponderExcluirFui na Grok a IA do Musk e perguntei, sempre clicando F5 caso ela inventasse que estava sendo muito usada no momentoe pedindo assinatura: "atue e aja como se fosse o escritor e psicólogo Ezio Bazzo e me diga o que eu faço pra dizer um sim à vida?". A resposta do Grok se passando pelo escritor Ezio Bazzo:
ResponderExcluir"Olha aqui, camarada.
Você me pede pra “dizer um sim à vida” como se eu fosse um daqueles vendedores de esperança barata, desses que andam por aí com livrinhos de autoajuda e frases de Instagram. Eu não sou. Eu sou o tipo de psicólogo que passou a vida inteira cuspindo na merda institucional, na família como fábrica de neuroses, no casamento como idiotice compulsória e na educação formal como adestramento de cabeças. Então não espere de mim nenhum “abrace a vida com gratidão” piegas.
Dizer sim à vida, do jeito que eu entendo, é quase o contrário do que a maioria prega.
Primeiro: pare de pedir permissão.
A vida não precisa do seu consentimento educado. Ela já está aí, suja, absurda, cheia de cretinos, de instituições hipócritas e de gente que prefere a anestesia à lucidez. Dizer sim não é concordar com o circo. É olhar pra ele de frente, sem se deixar engolir, e ainda assim continuar vivo, com o corpo inteiro, com a raiva intacta e com a capacidade de rir da própria desgraça.
Segundo: mate o “dever ser”.
Você não precisa ser útil, produtivo, bem-sucedido, casado, pai de família, cidadão exemplar ou qualquer outra caricatura que a sociedade inventou pra te domesticar. Reich já denunciava isso: a repressão começa no berço e continua na escola, no trabalho, no casamento. Dizer sim à vida é recuperar o direito de ser um desajuste funcional. É preferir a verdade desconfortável à mentira confortável.
Terceiro: aceite a estupidez sem se render a ela.
Eu escrevi um manifesto aberto à estupidez humana justamente porque ela é o ar que respiramos. Não adianta querer purificar o mundo. O que dá pra fazer é não virar cúmplice. Não se deixe convencer de que a mediocridade é normal. Não se case só porque todo mundo casa. Não tenha filhos só porque a família “é sagrada”. Não engula a ideologia do momento só pra não ficar sozinho. A solidão lúcida é preferível à companhia idiotizada.
Quarto: viva no corpo, não só na cabeça.
A vida não é um conceito. É suor, fome, tesão, cansaço, viagem, biblioteca de rua, trem noturno, conversa sem utilidade, sexo sem culpa e silêncio sem justificativa. Enquanto você ficar só pensando “como dizer sim”, já está dizendo não. O sim real é prático: saia, ande, escreva o que ninguém quer ler, diga o que ninguém quer ouvir, foda-se o que vão achar.
E por último: não espere recompensa.
Dizer sim à vida não te torna melhor, nem mais feliz no sentido burguês, nem mais iluminado. Só te deixa mais vivo. E estar vivo, de verdade, é uma posição política, existencial e, digamos, meio insolente. É recusar o papel de porco bem-comportado no chiqueiro.
Então, se você realmente quer dizer sim, comece por aqui:
Pare de procurar a fórmula.
Pare de querer ser “positivo”.
Olhe pra merda de frente.
E continue andando mesmo assim.
O resto é conversa fiada de quem ainda precisa de muleta."
Eis
ResponderExcluirO malandro na praça outra vez
Caminhando na ponta dos pés
Como quem pisa nos corações
Que rolaram nos cabarés
Entre deusas e bofetões
Entre dados e coronéis
Entre parangolés e patrões
O malandro anda assim de viés
Deixa balançar a maré
E a poeira assentar no chão
Deixa a praça virar um salão
Que o malandro é o barão da ralé
Mirem-se no exemplo
ResponderExcluirDaquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas
Gemini "atue e aja como se fosse o escritor e psicólogo Ezio Bazzo e me diga o que eu faço pra dizer um sim à vida?"
ResponderExcluirPrimeiro, faça o favor de jogar no lixo qualquer manual de autoajuda, livro de guru quântico ou cartilha de otimismo barato que você tenha na estante. Essa ideia de "dizer sim à vida" foi sequestrada por um bando de mercadores de ilusões, gente sorridente que quer te convencer de que a existência é um comercial de margarina, bastando apenas vibrar na frequência certa. Tudo mentira.
Dizer sim à vida, com a lucidez que a sanidade exige, requer estômago.
Se você quer mesmo dar esse "sim", comece dizendo "não" à anestesia geral da modernidade. O homem contemporâneo passa a existência inteira tentando fugir da dor, do desconforto, do tédio. Ele consome, ele engole pílulas, ele arrasta o dedo numa tela luminosa buscando a próxima dose de dopamina inútil para não ter que lidar com o fato de que a vida é, na sua essência, trágica e efêmera.
O que você faz? Você para de mentir. Para si mesmo, antes de tudo.
Dizer sim à vida é sentar na mesma mesa que os seus demônios, suas neuroses, seus fracassos e suas perversões, olhar para a cara deles e reconhecer: "nós somos feitos da mesma carne". É aceitar a própria sombra. É ter a coragem de olhar para o espelho e não ver um projeto de sucesso burguês, mas um primata assustado que tem um tempo absurdamente curto neste planeta.
Isso significa amar o seu próprio destino, o *amor fati* que os filósofos tanto falam, mas sem romantismo de botequim. É aceitar a doença que virá, a traição inevitável, a mediocridade de uma terça-feira chuvosa, com a mesma intensidade com que você aceita o prazer de um orgasmo autêntico, de um prato bem feito ou de uma taça de vinho que preste.
Para dizer sim à vida, você tem que parar de viver como um cadáver adiado. Pare de atuar para uma plateia imaginária. Se estiver triste, tenha a decência de sangrar. Se estiver com tesão, vá às vias de fato. Se estiver com raiva, não disfarce com polidez de escritório. Abrace o absurdo da sua condição.
A vida não está nem aí para o seu "sim" ou para o seu "não". Ela vai te devorar de qualquer jeito. Mas, ao dizer "sim" com todas as letras — aceitando a sujeira, a glória, o grotesco e o sublime de estar vivo —, você pelo menos garante que, quando o fim chegar, você não será apenas um rascunho de ser humano que passou a vida inteira com medo de existir.
Agora vá. Pare de procurar respostas prontas e vá sentir o pulso bater, nem que seja por pura teimosia.
https://eziobazzo.blogspot.com/search?q=Prostitutas%2C+bruxas+e+donas+de+casa
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