Nesta quinta-feira quase radiante, o afiador de facas acaba de fazer-se ouvir lá pelos estreitos caminhos do jardim. Olha o afiador! Olha o afiador!
Enquanto passava uma espécie de lima em duas daquelas famosas facas japonesas, ia ouvindo de seu pequeno gravador: Petite fleur. Percebi que, com seu ajudante, ironizavam a tramóia do Desenrola, como sendo mais um truque entre comerciantes e o Estado para explorar e iludir o rebanho. Gesticulando com certa agressividade ele explicava a seu auxiliar: Nós te falamos em progresso, em emancipação, em igualdade e te empurramos para o consumo e para o endividamento. Você compra um monte de merdas (que a televisão, as rádios e os camelôs quase te obrigam) merdas que não servem para nada. Você, então, que vive na indigência, como 70% da população, não pode pagar. Aí, nós aplicamos taxas e mais taxas, juros e mais juros além de outras trapaças sobre tua dívida. Seis meses, um ano, dois anos... até que o Estado, em cumplicidade com os credores, resolve pagar por você. Entende como funciona a coisa? Os comerciantes conseguiram desovar suas porcarias por preços absurdos, nós passamos meses e anos acossados, humilhados e angustiados pela dívida, eles superfaturam tudo, sem controle algum, e o Estado, para fazer demagogia social e política vem e quita tudo. E, pior: tanto essa enrolação como esse ciclo se repetem, porque a indigência é sistêmica e porque estas são funções básicas dos comerciantes e também dos Estados.

Foi a pá de cal que restava para enterrar o defunto.
ResponderExcluirQue horas sairá a fumaça da capela sistina anunciando o novo Papa?!
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