1. Nesta sexta-feira, com os periquitos em cio rondando minha varanda, ouvi o afiador de facas, que passava cantarolando lá pelos jardins, confessando a um colega de ofício: a cidade inteira está numa dúvida atroz: não sabe se vai ver a Shakira, se compra o álbum de figurinhas da Copa (mesmo sem o Neymar) ou se compra um presentinho para o dia das mães. Seu colega (de infortúnio) ouviu-o atenta e silenciosamente e depois murmurou: que dúvida e que alienação miserável!
2. ESCRAVOS - E hoje, mesmo você que está em greve desde que nasceu, é bom lembrar que é dia Primeiro de maio, dia em que os patrões e os escravocratas comemoram o dia do Trabalho. Apesar do papo dos padres, dos políticos e das cortesãs, e apesar dos comícios, meetings e das passeatas, de 1888 para cá, só houve mudança de estilo. Lembram da Neurose de repetição, descrita por Freud? Aqueles que se sentiram rejeitados e escravizados quando crianças, (inconscientemente), fazem de tudo para que a rejeição e a escravidão caiam novamente sobre eles...
3. E, por aí, se continua falando obsessivamente do tal Messias! Como interditaram seu entronamento na Suprema Corte, agora pretendem entronizá-lo num Ministério. (Uma curiosidade: tanto Suprema Corte, como Ministério, são expressões plagiadas dos relicários e das sacristias medievais). Mas, e o Estado laico propalado pela revolução Francesa?).
4. E lá no Oriente Médio, com o pretexto de estar lutando contra o Hezbollah, Israel, depois de ter devastado a Palestina, agora com suas bombas, está devastando também o Libano. Enquanto a comunidade libanesa no Brasil (13 milhões de pessoas), segue assistindo aquele horror, passiva e praticamente em silêncio, comendo quibes e bebericando Arak... Bem que os doutores do Sírio Libanês poderiam mudar-se para lá, temporariamente, para aplacar o sofrimento de seus ancestrais.
5. E por falar em Libano, a velhinha armênia que estava ali na feira comprando um ramalhete de rúcula, abordou-me para exibir o livro que ela, que é da elite do Lectorium Rosicrucianum, considera o melhor que há na literatura libanesa e árabe: O LIVRO DE MIRDAD, de Mikhail Naimy. Para provocá-la, contrapus Gibran Khalil a Naymi, ao que ela, rindo, recitou uma das frases mais conhecidas de Gibran, principalmente pelos bêbados: E no inverno, ao drenardes o vinho, que haja em vosso coração uma ode a cada cálice...

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