"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sábado, 30 de julho de 2016

A boa semente e a negligência do lavrador...


Está fazendo sucesso na internet um video onde nosso Ministro da 
Justiça aparece lá no Paraguay, com um facão em punho destruindo uma plantação de cannabis. O facão parece ser um desses comuns que se compra em casas de ferro-velho e iguais aqueles com os quais os velhos bóias-frias lá do Pr, escravos contemporâneos, passam todas as manhãs de suas vidas cortando cana nos latifúndios... 
Sinceramente, até eu que tenho um certo nojo da fumaça e do bafo dessa erva acho uma idiotice esse teatro que se faz contra ela. Em uma sociedade minimamente soberana, qualquer sujeito deveria ter o direito não só de fumar maconha, mas inclusive, de cheirar cocaína, de levar umas gramas de heroína para o trabalho, de cultivar papoula em seu jardim, de colocar cinco gotas de elixir paregórico na mamadeira matinal das crianças, de substituir o chicletes por pedaços de peyote, de oferecer alcalóides às suas visitas, de chupar ostras antes de escovar os dentes, de consumir cigarros e whisky vindos do Paraguay e até mesmo de comer merda no palito entre uma refeição e outra se assim sua nutricionista recomendasse. Se vai enlouquecer, o cérebro entrar em colapso, ficar retardado, dar mais despesas ao SUS, tornar-se um alienado moral e um bobalhão, começar a escrever poesias, etc, isto é secundário. 
Mas tem uma coisa: enquanto estão obsessivamente atrás apenas das plantações de maconha, ainda vai, o problema será quando incluírem nessa cruzada idiota também a salsinha, a cebolinha e o estragão. Entre todas as ervas, a que mais me fascina é o estragão: cheirado ou deglutido, usado sobre um peito de frango ou numa sopa de abóboras... é uma viagem! Vamos torcer para que os lacaios do Estado e as beatas de domingo de manhã não o incluam entre as drogas malditas e ilícitas. 
Lembrando sempre aos tiranos e aos alcaguetes de plantão daquilo que lá nos cafundós da China sempre balbuciava o malandro Confucio: Não são as ervas más que afogam a boa semente, e sim a negligência do lavrador.

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