"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

domingo, 31 de maio de 2015

Algumas fúteis considerações sobre o cotidiano ou Kant e a razão prática...

1. Por aqui insistem em falar-me em inglês e eu insisto em falar-lhes em italiano. Como eles não sabem inglês e eu não sei italiano, vamos nos enrolando mutuamente e criando assim a possibilidade de reviver a folclórica anedota da Torre de Babel…

2. Se a meditação não te serviu até agora para curar doença alguma, - me dizia um paranóico - comece a usá-la, pelo menos, para prevenir-te dos batedores de carteira, principalmente nos ônibus e metrôs romanos. Ao invés de concentrar-te na inspiração e na expiração - como recomendam os mestres - concentre-te nos bolsos. Por mais ágil que seja o gatuno, assim que ele te encostar uma unha teu corpo já terá dado o alarme… 

3. Ao ver o cartaz acima num quiosque nos arredores da Basílica de São Paulo perguntei a um casal de peruanos que ocupava uma mesa bem em frente, o que significava a palavra granita . Ao que o marido me respondeu de imediato: granada. Achei estranho e fui conferir com o dono do boteco. Realmente não era granada, aquela arma explosiva tão conhecida e usada na América Latina, pelo Sendero Luminoso, Fugimori e etc, mas o nome de um doce muito apreciado por aqui desde a época de Marco Polo e de Cleópatra...

4. Por uma questão de higiêne, - me dizia um hipocondríaco numa parada de ônibus -, procure usar apenas uma das mãos nos ônibus e no metrô. Reservando a outra para limpar-se o nariz, os olhos e até mesmo o rabo, se for o caso…

5. Em pizzarias, bares, paradas de trem, portas de igrejas e etc, os italianos só falam em carros (máquinas). E não são apenas os homens não, o papo das mulheres também gira ao redor dessa quase divindade. E não é papo superficial, falam em cilindradas, marcas de pneus, tipo de combustão e etc. É provável que quando o Vaticano ruir, logo logo colocarão a Ferrari em seu lugar e uma escultura do Enzo Ferrari no lugar do papa…

6. No passado era fácil identificar alguém num surto psicótico pela rua. Ia falando sozinho, gesticulando, brigando, chutando caixas de lixo e etc. Hoje é necessário ter muito mais cuidado com os diagnósticos. É sempre importante aproximar-se antes do sujeito e verificar se o idiota não está, como quase todo mundo, com dois fones enfiados nos ouvidos...

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