"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Quem não sabe o que busca não entende o que encontra...

A decisão vingativa e pueril de tornar público o acesso aos contra-cheques dos funcionários públicos, entre todas as inevitáveis e nefastas consequencias que provocará no seio das hordas, incrementará tremendamente o inferno de intrigas, de rancores e de sentimentos insanos entre o populacho. Seria muito mais decente que, ao invés dessa atitude policialesca e tola se criasse critérios científicos para avaliar, qualificar, remunerar e supervisionar a esses servos da modernidade. Com essa decisão insana e mesquinha de "caçar" os que ganham "mais", se estará, na verdade, deixando de lado a lama dos detalhes e humilhando, expondo e envergonhando a milhares e milhares de pessoas que ganham "menos". Ridicularizando a profissionais extremamente competentes que há décadas vêm se submetendo compulsoriamente a salários indignos e a condições miseráveis de trabalho enquanto uma casta de vigaristas, de pulhas taciturnos e de "não funcionários públicos" continua saqueando em todas as direções com sua intimidade preservada. Independente desse ato ridículo e pérfido de alcaguetagem oficial (em nome da transparência e da moralidade) observem como estamos passiva e voluntariamente construindo e deixando construir ao nosso redor uma rede repugnante de censores e de controladores... E quem é que não sabe que o patrulhamento, para passar do salário para o gozo, do gozo para os sonhos e dos sonhos para as ideias é só uma questão de tempo... Só aqui em Brasília - por exemplo - existem, no mínimo, umas vinte ou trinta categorias de polícias: fardados, civis, disfarçados, travestidos, engravatados, com cracha, sem crachá, fantasiados de sindicalistas, de professores, de putas, de taxistas etc., sem falar dos computadores, dos celulares, do exército de paranóicos e de informantes voluntários e das câmeras espalhadas por todos os lados e que registram desde uma coçada no saco até os grãos de feijão que se rumina. Agora até entre os bêbados dos bares estão querendo infiltrar espias com o pretexto de diminuir a mortandade no trânsito. Tenho certeza que até o velho Stalin, se passasse uns dias por aqui, ficaria perplexo com esse teatro melífluo (existe essa palavra?). Quê triste destino o dessa sociedade! Quê misteriosa atração dessa gente pela baixeza, pela mediocridade e pela indigência mental!

5 comentários:

  1. Como sempre, parabéns Ezio!
    O que possa haver de indecoroso nos salários é acobertado pelos próprios poderes, então por que não solucionam de "per si" os erros "legais"?
    Por que permitem tanta inoperância a preços tão altos? Quero exclamar junto: "Quê triste destino o dessa sociedade!"

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  2. clap, clap, clap!! Destaco: observem como estamos passiva e voluntariamente construindo e deixando construir ao nosso redor uma rede repugnante de censores e de controladores... Parabéns!

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  3. Sim, estamos nos transformando em uma sociedade cada vez mais patrulhada. Dá medo essa merda toda.

    http://www.jornaljogoserio.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1775:preso-rapaz-que-escalou-imagem-para-hostilizar-a-padroeira&catid=81:policiais&Itemid=468

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  4. Apenas para ilustrar o seu comentário, eu estou há 16 anos sob perseguição e monitoramento, e todos os profissionais da área de "saúde mental" que consultei durante esse período, quando eu relatava minha indignação pela falta de liberdade e privacidade, argumentaram que essa "circunstância" era uma situação "normal" de qualquer cidadão da sociedade moderna... Atualmente, quando ouço esses absurdos, entro em um estado catatônico até digerir a minha indignação, porque sei da inutilidade dos meus argumentos, e para evitar um maior confronto - calo-me. Bem, se ter sua residência invadida diariamente na sua ausência; se ter escutas e gps´s escondidos em casa e no carro; se ter telefones e internet grampeados; se ter pessoas "plantadas" para se relacionarem contigo; se ter câmaras e escutas "full time" no se trabalho; se ter suas movimentações bancárias vigiadas; se ter alguém te observando nas ruas; se até o taxi que você pega grava a sua conversa... Se isso for um padrão social normal, eu rasgo a Constituição! Aliás, para que mesmo "O DIREITO" serve? A desculpa é a de manter a ordem social. E o mais engraçado é que eu não "subtraí", absolutamente nada, quando trabalhei no Governo Federal, mas os lacaios sob o pretexto da tal "investigação" continuam me monitorando, perseguindo, e pagando ao psicólogos e psiquiatras para tentarem me manter "mansa"... Já se passaram 16 anos, quase 17, e nada mudou, a não ser a incompetência dos investigadores. Durante esse período assisti de tudo um pouco: um juiz que roubou escancaradamente o sinal que eu dei na aquisição da minha casa; uma atriz que se passou por uma juíza dentro do TJ RJ (depois foi parar nas novelas da Globo), um policial contratado que se passou por analista e que matou uma conhecida e me roubou...E vários outros golpes que sofri, e tudo "amparado/articulado" por "ELES"...JUSTIÇA? DIREITO? LEIS? Para quem? Ou melhor, para o quê?

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  5. No fim das contas, parece que o melhor esquema é esse do Ezio, ou seja, meter o pau em tudo e em todos e não esperar por nenhuma benevolência humana ou divina. Viver subversivamente, "blasphemando" (isso é louvável pois a maioria esmagadora é de cagões)contra essa merda de sociedade e fazer o que dá na telha, sem dever nada a ninguém. Só uma pessoa efetivamente lúcida como ele consegue tal proeza. O Ezio é muito "from hell" pra grande mídia. Uma pena, pois seus textos poderiam "libertar" muitas mentes...

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