sexta-feira, 3 de agosto de 2018

A moeda do matemático persa...

Para o professor iraniano Birkar, aquele que veio cheio de simplicidade, ao lado de um alemão, de um indiano e de um italiano receber a famosa moeda de melhor matemático do planeta e que teve a moeda furtada logo depois de recebê-la, a experiência com o Rio Centro  e com o Brasil lhe será inesquecível...
Oriundo de um país conhecido no passado por Persia e terra de Zoroastro (aquele que contempla os astros), o matemático devia realmente estar no mundo da lua e além do Bem e do Mal, quando, num covil de raposas bajuladoras, afastou-se deliberadamente da bolsa... Talvez.., - quem sabe.., pode até ter pensado: - num mundo de cantadores, de poetas e de ignorantes  para quem sabe destrinchar meia dúzia de teoremas, que utilidade tem uma merda de moeda? 
Até os ladrões de tão caro e inútil objeto que, com certeza, não devem saber contar nem a quantidade de balas que cabem em seus trabucos, mas que continuam até agora driblando o aparato de segurança daquele Estado, montados em sua astúcia e em sua lógica primitiva devem estar convictos de que o ilustre matemático, pode até saber lidar bem com números, logaritmos, álgebra, geometria e etc mas que não é lá grande coisa em cálculos... E em suas tocas, enquanto esperam a tempestade passar, os gatunos devem tentar adivinhar de quem é a cara cunhada naquela hóstia de ouro. John Charles Fields? Quem foi esse vaidoso? 
Sem nenhum tipo de xenofobia ou de preconceito com os professores e com a matemática, pela precisão da operação e do rapto, talvez a moeda realmente tenha melhor destino e significado mais profundo no bolso dos ladrões do que do referido forasteiro...
Uma curiosidade: Quando o filósofo pré-socrático Zenão, no meio de cortesãos e de aduladores foi consultar o oráculo, este lhe sugeriu: 'adota a postura dos mortos...'

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Enquanto isso... Para envenenar nosso imaginário...

O mal estar na cultura & a solidão dos loucos de Cristo...

É possível que Cristo fosse gay?

Jesus de Botticelli
Cristo coroado com espinhos - Sandro Botticelli, por volta de 1500 (Foto/Wikimedia Commons)

"Esse cantorzinho aí do Recife que andou dizendo que “Jesus é bicha” está apenas chovendo no molhado.
Entre a virada de ano e as vésperas da Páscoa, as bancas de jornais, quando existiam, costumavam ser invadidas por publicações que traziam o rosto de Jesus estampado nas capas. Prometiam formas originais de interpretar passagens bíblicas polêmicas e com isso oferecer novos significados sobre quem teria sido o “filho de Deus”. Usadas à exaustão, a fórmula perdeu o impacto e se tornou banal.
Entender Jesus como uma espécie de Che Guevara palestino é um lugar-comum batidíssimo, até porque movimentos nascidos dentro da própria Igreja Católica — a Teologia da Libertação é um deles — contribuíram para que essa visão se espalhasse. Outros preferem enxergar o filho do carpinteiro como uma espécie de maconheiro “mutcho doidio”que vivia zanzando pelo deserto e bebendo vinho com a ralé.
Com a proliferação dos movimentos sociais, criou-se margem para a afirmação de que Cristo era negro, já que a Bíblia fala nos seus “pés cor-de-cobre”, e até mesmo de que era gay, pois beijava seus discípulos e os recebia em particular. Na época d’O Código Da Vinci, pouco faltou para dizerem que Jesus era mulher. Segundo essa versão, de qualquer forma, Cristo viveu com uma, Maria de Magdala, a quem teria confiado os segredos mais profundos de sua doutrina.
Falando em doutrina, há quem renegue o milagreiro para preservar o filósofo, sem dúvida um divisor de águas do pensamento ocidental, e há também quem pregue que Jesus nunca existiu fisicamente. Para esses, os fragmentos em que o historiador judeu Flávio Josefo cita o Messias não passam de uma fraude engendrada durante a Idade Média.
Se alguém se ofendeu com a conversa do Cristo gay, prepare-se para o que vem agora: existem correntes para as quais Jesus era um marciano dotado de poderes cósmicos, daí a “explicação científica” dos milagres e da sua própria ressurreição!
Essa multiplicidade de interpretações é condizente com nossa época, um período plural em que tudo é transformado em mercadoria de consumo subjetivo. Até há pouco monopolizada pela Igreja Católica, hoje a marca “Jesus” atende os mais diversos segmentos do mercado de bens simbólicos. Qual deles é o verdadeiro? Todos e nenhum, dependendo o veredito apenas das nossas necessidades políticas e espirituais.
De uma coisa, porém, podemos ter certeza. Jesus podia ser tudo, menos modesto. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, disse, ou disseram que disse, vá lá. Não é de admirar que tenham pregado o coitado numa cruz" ( Ver texto na Revista VEJA)