"Desde que se cumpram certas cerimônias ou se respeitem certas fórmulas, consegue-se ser ladrão e escrupulosamente honesto..." Raul Brandão (em Húmus, p. 16)
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017
E para não parecer que ignorei os diabéticos...
Para ouvir a música clicar no canto esquerdo da faixa...
domingo, 19 de fevereiro de 2017
E nós que sempre as desejamos tanto...
"Em certas ocasiões, se as palavras e a insignificância desaparecessem da vida, só ficaria em pé o espanto..."
Raul Brandão
Uma pesquisa que ainda gostaria imensamente de realizar seria a do papel que as mulheres daqui tiveram nas navegações portuguesas, naquele período em que os portugueses mais corajosamente que qualquer outro povo se lançavam ao mar com seus anzóis e com suas precárias caravelas e iam dominando tudo...
Eram elas que comandavam o timão das caravelas?
Esta curiosidade nasceu-me hoje, domingo, ao registrar que as mulheres aqui estão cada vez mais 'independentes', decididas, tiranas, intolerantes e duras, enquanto que os homens, mais e mais ambíguos, bonzinhos e submissos.
Raul Brandão
Uma pesquisa que ainda gostaria imensamente de realizar seria a do papel que as mulheres daqui tiveram nas navegações portuguesas, naquele período em que os portugueses mais corajosamente que qualquer outro povo se lançavam ao mar com seus anzóis e com suas precárias caravelas e iam dominando tudo...
Eram elas que comandavam o timão das caravelas?
Esta curiosidade nasceu-me hoje, domingo, ao registrar que as mulheres aqui estão cada vez mais 'independentes', decididas, tiranas, intolerantes e duras, enquanto que os homens, mais e mais ambíguos, bonzinhos e submissos.
Exemplos: 1. No Mercado da Ribeira (que é uma maravilha e que fica ali no Cais do Sodré) entrei numa loja de quinquilharias comendo umas avelãs que havia comprado num quiosque ao lado. A dona da loja dirigiu-se a mim como uma fera não para informar-me que ali não se podia comer, mas para proibir-me literalmente de seguir mastigando.
2. Comprando uma chaleira para chá com estilo magrebino, perguntei, também a dona, isto já em outro ambiente, se a chaleira era produzida em Portugal e ela, como se tivesse se sentido ofendida, também com estupidez e soberba contestou-me que ali todos os produtos eram genuinamente portugueses.
3. Numa estação de metrô ao recarregar meu cartão semanal, completada a operação perguntei à senhora que me havia auxiliado, onde estava meu cartão? ao que ela respondeu com profundo mau humor e histerismo: O cartão está onde o senhor o colocou!
Caralho! que porra é essa? Assim não há ereção que resista!
Tomei o primeiro trem que apareceu e viajei sem destino por horas refletindo se seria isso o tal empoderamento, que as "feministas" insistem em clamar pelo mundo a fora?
Por coincidência ou não, por colaboração do destino ou não, por uma distorção intencional de minha parte ou ainda por sutilezas do idioma e do insconsciente, entrou uma moça no vagão onde eu estava, (parecida com aquelas que Cristovam Colombo mentia ter visto no Caribe), levando uma cestinha vermelha pendurada ao braço e oferecendo bolinhos de carne com batata e grelos... Grelos?Me interessei, pero... no mucho!
Portugal: um pequeno Brasil! Brasil: um imenso Portugal!...
Para ouvir a música, clicar no canto esquerdo da faixa...
Aqueles que vêm à Lisboa com a ilusão de ainda encontrar nos restaurantes aquelas simpáticas e coradas senhoras portuguesas de avental e lenço na cabeça indo de mesa em mesa cantarolando um fado de Amalia Rodrigues e perguntando se a bacalhoada está no ponto, podem tirar o cavalo da chuva. Agora, quem quer comer comida portuguesa de verdade, feita e servida por portugueses deve ir ao Canada, à Australia, aos EEUU ou mesmo a São Paulo. Por aqui, atualmente, nas cozinhas, só se vê cozinheiros improvisados da Índia, da China, da Angola e até do Brasil. Mesmo os bolinhos de bacalhau e os pastéis de Belém, que ninguém desconhece, são bem mais originais os que se come por lá na Mooca (em São Paulo), ou numa mixuruca padaria da Asa Norte (em Brasília). Enfim, como diriam os escolásticos velhinhos da Escola de Frankfurt: são as colônias de outrora se vingando, enrabando e devorando por dentro a antiga metrópole...
sábado, 18 de fevereiro de 2017
No porão da vida...
"Um marinheiro que eu conheci e que há bem pouco tempo fez a sua última viagem, o seu cruzeiro final, dividia os passageiros em classes: de primeira e do porão, as únicas que tinham interesse. Os outros, os da segunda, intermédios, esse não tinham história, dizia. São aqueles que nos aparecem, como os dados de um passaporte, como tendo uma vida regular, uma moral regular, um caráter regular, tudo regular. São os que não se distinguem nunca nem no bem, nem no mal. Nascem, vivem, cumprem e são enterrados sem que ninguém os note, sem que se dê por eles. Os da primeira, têm às vezes boas ações, mas os do porão têm revoltas quando não têm ironias. Um miserável roto e faminto, trotando sob a neve que caia, exclamava: Oh, senhores! Parece incrível como esta neve me desperta idéias negras! Os da segunda não andam à neve e sobretudo não têm idéias..."
( Abilio Forjaz de Sampaio (No porão da vida, Livraria Civilização, Porto 1938.)
( Abilio Forjaz de Sampaio (No porão da vida, Livraria Civilização, Porto 1938.)
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