sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A confraria e a máfia do TRADUTOR JURAMENTADO

Quando você pensa que já conhece todos os tipos de safadezas e de gatunagens oficializadas, pronto aparece outra a que você tem que se submeter compulsoriamente como um idiota. A última, que me surrupiou quatrocentos e tantos dólares foi a do Tradutor Juramentado. Já ouviu falar nesse personagem, cuja tabela de preços (a confraria diz tabela de emolumentos) é mais abstrata e mais subjetiva que o Mistério da Santíssima Trindade? Pois bem, ele existe. Não são muitos, mas moram todos em palacetes por aí, e na mão deles um diploma e um histórico escolar se transformam facilmente em onze laudas. Se você perguntar por que a letra precisa ser daquele tamanho e por que tantos espaços entre uma linha e outra, te responderão arrogantemente, e no idioma que você quiser, que são “regras” preestabelecidas pela Junta Comercial, que passaram num concurso público e que não estão lá para trabalharem de graça para ninguém. Ok? Oh. Mas e no rabo, não vai nada? Eu, que não tenho nostalgia nenhuma pela época em que o Manifesto de Marx e Engels era lido e relido nos botecos, sempre que me deparo com um novo tipo de máfia engendrada por esse sistema putrefato, volto ao livretinho de capa vermelha, numa espécie de consolo. E quando ele já não serve mais para aplacar minha fúria, (uma vez que os proletários se mostraram piores que as putas em todo o planeta) recorro ao hermano Vargas Vila e relaxo: “Quão difícil, para não dizer quão impossível é chegar a amar aquilo ao qual se tem que obedecer! Um escravo que chegasse a amar seu amo seria infeliz, por ser o mais vil dos mortais; os que amam uma tirania é porque não a obedecem: a exercem ou a exploram. Só a liberdade pode ser amada porque ela não tem leis”.

Ezio Flavio Bazzo

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Atenção: "brechó" não tem nada a ver com "brecha" e nem com "brochô"

Sabemos que são antigos, mas parecem ter ficado verdadeiramente visíveis só lá pelos anos 60, depois da guerra do Vietnã. Aqueles uniformes imundos, coturnos sujos de sangue e casacões furados por balas usados pelos hippies etc. Grife da morte! Fashion lixo! No Brasil, um dos primeiros bricabraques foi instalado no RJ (séc.19) por um fulano chamado Belchior. Dizem que a palavra brechó vem de Belchior. Hoje é uma epidemia pelo mundo. E não são apenas sujeitos arruinados os seus clientes, há gente grã fina se acotovelando no meio daquelas porcarias. O casacão que me abrigou durante longos invernos pelo mundo afora – por exemplo – foi comprado por setenta ou oitenta francos na Braderie da Rue de Bretagne numa dessas lojas que Balzac classificava como as mais sinistras de Paris. “Nelas – escrevia o melhor escritor de todos os tempos – vêem-se os espólios que a morte ali jogou com sua mão descarnada. Nelas, pode-se ouvir o estertor de uma tísica sob um xale, bem como adivinhar a agonia da miséria sob um vestido de lamê dourado. Os debates atrozes entre o luxo e a fome estão escritos ali, sobre rendas levíssimas. Ali se encontra a fisionomia de uma Rainha sob um turbante de plumas cuja pose lembra e quase restabelece a figura ausente”.

Machado de Assis, em seu conto Idéias de Canário, também descreveu um desses negócios: “A loja era escura, - rabiscou o Bruxo de Cosme Velho - atulhada das coisas velhas, tortas, rotas, enxovalhadas, enferrujadas, que de ordinário se acham em tais casas, tudo naquela meia desordem própria do negócio”.

As justificativas dos clientes que focinham alucinados por detrás dos cabides e que chafurdam naquela rouparia anônima vão das mais tolas e pueris às pura e simplesmente mercantilistas. Claro que não se poderia esperar deles nenhuma menção ou insinuação ao clima mórbido e escatológico que sempre predomina tanto na essência dos seres como no interior desses sarcófagos.

Ezio Flavio Bazzo

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Por que, afinal, o Presidente do Irã não acredita no holocausto?


Até os cachaceiros gordinhos e hedonistas de Ipanema estão se manifestando contra a vinda de M. Ahmadinejad ao Brasil. Talvez seja a primeira vez na história que um representante da Antiga Pérsia e da terra de Zaratustra coloque os pés por aqui. Sabemos que esse homem, que parece uma miniatura, caiu na desgraça internacional depois de colocar em dúvida a existência do holocausto. Eu, que sempre estive com as orelhas em pé com relação aos historiadores e à história, tenho uma curiosidade imensa em conhecer suas razões, seus dados e suas fontes para tal afirmativa.

Há pelo menos uns dez anos que o ouço fazer publicamente a afirmação de que não existiu holocausto nenhum, e que tudo seria manipulação de uma imprensa cortesã. Apesar disso ninguém, nem a mídia internacional, nem a mídia tupiniquim, nem as universidades se atrevem a conceder-lhe duas ou três horas para que desenvolva e demonstre sua tese. Se suas fontes forem sólidas, densas, fundamentadas, que bom, todo aquele horror não existiu e a humanidade se livrará de uma mentira. Se seus argumentos forem religiosos, ideológicos, fúteis, vazios e delirantes, ele próprio se sentirá na obrigação de silenciar para sempre e deixará de encher-nos o saco com essa temática. Qual TV, qual jornal, qual universidade se candidata? Ele está aí.

Ezio Flavio Bazzo