quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
ELEGIA AOS ANIMAIS...
Do dia 08 de dezembro para cá já sou um homem de sessenta anos. Se nenhum raio acertar-me por aí, tenho ainda uns três mil e seiscentos dias para vagar pelo planeta. O que, convenhamos, não é pouco! Parafraseando a Freud, saber que lá por 2020 estarei livre de toda essa baboseira terráquea, me dá um alívio imenso. A única novidade que tenho sentido neste patamar de minha existência, foi o aumento vertiginoso de minha simpatia, de meu respeito e de meu afeto pelos animais, algo diametralmente oposto ao que acontece para com os de minha espécie. Será isto um mal? Não, respondeu-me o senhor que lia Coetzee em baixo de uma árvore com um cachorro branco postado a seus pés. Afirmou-me categoricamente que quando está passeando com seu cachorro vai olhando para as pessoas com quem cruza (mulheres, crianças, jovens, velhos, casais etc) e pensando: não trocaria meu cão por nenhum deles! E tem mais – agregou -, quando vejo um idiota derrubando uma árvore, tenho a nítida consciência de que se precisasse optar pela árvore ou por ele, optaria imediatamente pela árvore. Respirei aliviado.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
CREIO, EXATAMENTE PORQUE É ABSURDO...
Meus correspondentes em Londres me informam que na semana passada um ateu foi preso na periferia de Madri e condenado a um ano e dez meses de prisão. Motivo: interrompeu um batizado coletivo de crianças e (exatamente na hora em que os beatos declaravam ao padre que ACREDITAVAM em algo, por mais absurdo que fosse) começou a gritar: NÃO CREIO! NÃO CREIO! As testemunhas, a polícia e o próprio servo de Deus disseram que, além dessa blasfêmia, o ateu Raul C.P. chamou o batizador de “homo afetivo” e o mandou se foder.Só quem já viveu na Espanha pode imaginar a repercussão que esse fato deve ter tido na comunidade em geral, mas principalmente nos porões da Opus Dei. A Espanha, Portugal e Itália são os países europeus mais infectados por religiosidades. Apesar da beleza, da história, dos vinhos e da modernidade aparente, a vida privada e íntima naqueles países guarda muito do catastrofismo medievo e das choradeiras das catacumbas. É curioso que proíbem em coro o consumo de álcool, de crack, de cocaína, de maconha, o roubo, a infidelidade, a corrupção, o estelionato, o “caixa-dois” o canibalismo, a eutanásia, que proíbem dirigir bêbados, jogar lixo nas ruas etc, mas deixam qualquer demente inventar solenemente uma religião, abrir um templo e dopar ao bel prazer a seu rebanho. Sim, é curioso que o tabu da “liberdade de crença” ainda não tenha sido visto como um dos maiores absurdos civilizatórios, ele que dá legitimidade a todo tipo de crapulices e que coloca em risco, descaradamente, a integridade mental de nossas crianças.
Ezio Flavio Bazzo
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