sexta-feira, 28 de agosto de 2026
EXISTENCIALISMO _ outra aula magna do Mendigo K...
Não sou supersticioso, isso não! Mas as sexta-feiras não têm sido lá muito simpáticas comigo, nos últimos tempos.
Hoje, por exemplo, estando ali na padaria, no meio de um bando de velhinhos + ou - caquéticos, fui surpreendido pelo Mendigo K (em estado maníaco) que, como estamos em período de eleições, passou a dar-me uma aula sobre política.
Bazzo, tenho lido suas sugestões para o próximo Presidente da república, deputados e senadores... Ridículas! Todas idealizadas e de uma ingenuidade incompatível com a realidade. Exemplo:
1. A idéia de trocar o 6/1, por 5/2, sob o pretexto hipócrita/cristão de dar mais tempo livre e para si, aos trabalhadores é, inclusive, além de falaciosa, irresponsável. Saiba que no mundo do trabalhador não existe "tempo livre" e muito menos "tempo para si". Para esses 'escravos contemporâneos', as horas fora do trabalho são até mais problemáticas, persecutórias e mais miseráveis do que as horas envoltos nas correntes. Além de que, farão que aumente, e muito, tanto o feminicídio como o infanticídio... Isto porque, o lar, com seus protocolos e suas janelinhas enferrujadas, para o proletariado e para quase todo mundo, só não é pior do que os dias numa penitenciária. E não pense que o tédio e o mau caráter é privilégio apenas da pequena, da média burguesia e das elites. Não! Inclusive, segundo o maior escritor romeno, se houvesse mais de um domingo por semana, os homicídios e os suicídios triplicariam...
2. Tua obsessão por estradas de ferro é, no mínimo, estranha. Se com os ônibus, as motos, os caminhões e as caminhonetes a carnificina diária já é assustadora (cada dia com vinte ou trinta defuntos), com trens circulando por aí, passaríamos a ver pilhas de cadáveres junto às ferrovias... Lembre: (The last train never returned...) E a idéia de voltar a investir nas usinas nucleares e no enriquecimento de urânio é fundamental, mas sem esquecer daquele evento lá no Rio Centro quando a bomba explodiu no colo da ditadura...
3. E já que falamos em enriquecimento de urânio, pergunto: de onde surgiu a apologia e a defesa intransigente e perversa do sigilo!? Preste atenção como, por debaixo ou por detrás do sigilo, de qualquer sigilo, há sempre um segredo, uma mentira, uma falcatrua, um dolo, uma falsificação, uma aleivosia, uma burla, um documento mal traduzido e moedeiros falsos, como diria André Gide. Uma traição à comunidade, um crime de alcova, uma deslealdade, um fingimento, uma poção venenosa, um copo de cólera, um estilete, a gestação de um crime, um entulho que impede que o fluxo da vida cotidiana flua livremente e mais uma pedra das que, durante séculos de pobreza mental, se veio engendrando a desconfiança mútua, o transtorno de personalidade e a paranóia (tanto dos ricos como dos pobres), e fazendo a manutenção da muralha debochada, cínica espiritualmente indigente e destrutiva que nos aprisiona...
4. Também tua insistência com os livros e a educação... Ora, Não seja ridículo! Observe: os que dominam todas as áreas e todas as frentes, nunca leram nada. Nem mesmo aquele anedotário de capa preta que ganharam de um mórmon, que roubaram em alguma igreja ou em algum motel... E depois, dê uma volta pelas livrarias e pelas bibliotecas da cidade: 80 por cento do que há lá, é de e para debilóides. E sobre a educação? Ora! estamos ouvindo essa pantomima desde que nascemos e as escolas continuam cada dia mais parecidas à prisões. Veja aquela ali (aponta para uma que há na esquina), com cercas de dois metros de altura e até com arame farpado no topo. E ouça a gritaria das crianças. Não é normal. Qualquer pediatra, por mais aloprado que seja, sabe que essa gritaria não é normal e sim, um sintoma. E que qualquer criança saudável, identifica de imediato a mensagem das cercas e o que lhe espera. E depois, aqui entre nós, ninguém educa ninguém. O sujeito educa a si mesmo ou então, passará vida como um energúmeno...
5. E o papo sobre as aposentadorias? Ora! É ridículo manter esse exército de 'vencidos' e de 'acabados' em casa, sem fazer nada, tomando remédios e esperando Godot. Deveria inverter-se essa lógica perversa. Passar aposentado desde que se nasce até aos cinquenta e só a partir daí então, engajar-se em alguma 'escravidão' e ficar nela até o dia do juízo final. Me entendes? E o tal Ajuste Fiscal, que está na boca de todos os concorrentes? Quem é que sabe que merda é essa?
6. E a saúde? O mito da saúde? Lembro que você mesmo, naqueles tempos (que pareciam gloriosos), foi até um Delegado do SUS. Ora! Não sejamos idiotas. Se nas livrarias 80% dos livros são babaquices de 'auto ajuda', nas farmácias, 90% são placebos para presumidos. Ah! As multinacionais dos medicamentos! Nossos diabéticos, nossos gripados, nossos hipertensos, nossos bipolares e todo tipo de hipocondríacos (e agora até de obesos e de dementes) garantem o luxo e o PIB das maiores cidades e dos mais ricos países europeus... Curar-se? Curar-se de quê, fratelo mio?
7. Por fim, Bazzo, aquela sua insistência no saneamento básico já está enchendo o saco de todo mundo! Antes de voltar a tocar nessa tecla, pense nas espumas perenes do Rio Tietê, lá em São Paulo. E também aquela sua idéia de que quem tem mais de setenta, no próximo governo, deveria receber do estado, mensalmente, uns dez ou doze baseados, é a mais tola e infantil de todas. Imagine! Imagine como seria se esse pessoal da quarta idade andasse por aí, nas sexta-feiras, dirigindo suas caminhonetes 4/4, depois de ingerirem sua losartan e queimarem um fumo... Caia na real. O problema não é social, é existencial. Houve um erro estratégico na trajetória da espécie, da existência e do mundo. Tanto é que o diluvio tentou corrigir a cagada cósmica da Criação e que até Cristo, mais tarde, sendo açoitado, chegou a declarar que seu reino não era deste mundo...
Conscientes de que até mesmo Bach, não escrevia suas cantatas para ficar na história, senão para dar de comer a sua família... seguimos assistindo a todo esse frenesi desde nossa varanda imaginária, convictos de que em nosso caso, será preferível, mil vezes preferível, vir a ser gestores no inferno do que subalternos no paraíso...
Disse isso e retirou-se soberbamente, ciente de que me havia dado um esporro fenomenal, me derrotado e me humilhado... (e tinha mesmo!)
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
segunda-feira, 24 de agosto de 2026
E a transiberiana? De São Petsburgo à Vladivostok?
domingo, 23 de agosto de 2026
sábado, 22 de agosto de 2026
O logos epistêmico do sigilo contábil, judiciário... e do sigilo da fonte...
sexta-feira, 21 de agosto de 2026
Várias...
1. Depois da discussão acalorada (e também mística) sobre o tal "sigilo da fonte", agora não param de falar sobre os tais "vazamentos". Caso Lulinha, caso Bolsonaro e muitíssimos outros casos... Para nós, dizia o Mendigo K, todo sigilo é, além de canalhice, um sintoma de desonestidade, e, ainda pior quando se trata de uma desonestidade institucionalizada e respaldada por uma Constituição. É o resultado de um mundo ocultista, infiel, cheio de alcaguetes, de palhaços complacentes, e de espias... gente de caráter duvidoso, infectado por cretinizes, por silêncios, e por mentiras... Gente com dificuldades para migrar da fase ficcional para a fase real. (entenda-se da fase anal para a genital). Sim, preste atenção: uma sociedade sigilosa é sempre abominável, porque precisa estruturar-se sobre álibis, trapaças, subornos, mascaramentos, elogios mútuos, enganos e auto-enganos... no qual se é obrigado a viver num lugar, como diria João do Rio, comandado por refinadíssimos malandrins onde, quando não nos esganamos fisicamente, nos esfaqueamos e nos assassinamos moral e monetariamente a cada instante e onde o mais bandido, o mais cruel e o mais patife é sempre quem vence...
2. E os terremotos recentes estão reativando as paranóias primitivas e esotéricas. O de ontem, no Peru e o de anteontem, na Espanha, turbinaram o imaginário popular e engendraram relatos e fantasias que são de tirar o fôlego. Segundo as testemunhas apocalípticas, além dos tremores (semelhantes aos da labirintite), ouviram sons terríficos e sobrenaturais de trombetas (seriam as de Jericó?) oriundos do fundo da terra e ao mesmo tempo da imensidão do espaço... E viram as montanhas se desfazendo sob uma chuva de raios... ah! a eletricidade! Ah! Os espíritos sagrados das montanhas! Onde está Pachamama e Viracocha! A terra se abrindo, Ah! Machu picchu! Ah Málaga! E o mar, (mesmo o Pacífico, pero no mucho!), ameaçando sair de seu leito e as espécies, uma mais miserável do que a outra, se fodendo em desespero... O fim do mundo! A vingança do criador! O resultado da putaria planetária. Um novo dilúvio. Cacarejam os milenaristas de plantão e de sempre! A arca contemporânea. Noé! Os transatlânticos! O submarino brasileiro enferrujado e os destróieres movidos à energia nuclear. Com os deuses e os demônios, desde o alto, e de dentro de seus discos voadores sagrados e hipersônicos... gargalhando e consolando a piolhada humana: No sean idiotas, es solo la tierra la que ruge...(ver a discussão surreal ocorrida em Lisboa, entre os beatos e os laicos, depois do imenso terremoto (9.0), de 1755).
3.
quarta-feira, 19 de agosto de 2026
terça-feira, 18 de agosto de 2026
Antes de ontem e ontem, a conhecida turma dos 30 partidos saiu eufórica e a campo em busca de votos e torrando os 5 bi do Fundo Eleitoral...
segunda-feira, 17 de agosto de 2026
domingo, 16 de agosto de 2026
sábado, 15 de agosto de 2026
sexta-feira, 14 de agosto de 2026
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
Baudelaire, o fardo horrível do tempo e o juíz lá das Minas Gerais... Ora, excelência! Não se aflija com os invejosos. Siga o conselho de Baudelaire e, quando o porre passar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio lhe responderão: É hora de embriagar-se!
"É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso. Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se. E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso". Com vinho, poesia ou virtude, a escolher".