Aqueles que em suas vidas (por preguiça ou por alienação), não tiveram oportunidade de fazer poesia, nem de estudar psicopatologia, geografia, filosofia e teologia, agora, com o desenrolar da guerra entre Irã, EEUU e Israel, têm uma chance, que é única e rica naquelas matérias: O Golfo Pérsico! O Mar Vermelho! O Estreito de Ormuz; a imensidão de Neguev e daqueles desertos; as maravilhas dos objetos voadores com seus explosivos; Aden (ali onde Rimbaud, o poetinha francês, autor de O navio ébrio, ia contrabandear armas); as ogivas satânicas sobre os lugares sagrados; a disputa entre israelenses e libaneses pelas águas do Rio Litani; os soldadinhos da ONU, em fraldas, fazendo horas extras e teatro no meio dos destroços; a mira e a precisão impressionante dos mísseis; Telaviv e Teherã como duas imensas enfermarias; os surtos sado-masoquistas no interior dos bunkers, e a juventude dos países envolvidos (cheia de tesão e testosterona, que poderia estar trepando em suas pátrias) se matando em nome de uma gerontocracia desprezível. O dedo no gatilho, as centrais nucleares de Dimona e de Fordow e o arrependimento por terem nascido; a desilusão tanto com a terra como com o céu que parece estar cada vez mais vazio e indiferente. Deus, como dizia Nietzsche, estaria realmente morto? (E teria sido ele que, intuindo que sua Criação viria a ser um fiasco, confidenciou a Adão o truque para o enriquecimento do urânio???)
O Iêmen, com seus heróicos houthis. Se baixas os olhos te deparas com a Etiópia, se os levantas das de cara com Omã. Omã! Oxalá não destruam a Omã! A fila de navios encalhados no estreito de Ormuz, repleto de bombas e de minas submarinas; e também no Estreito de Bab Al Mandab. Enquanto os barcos ébrios do Rimbaud seguem zanzando pelo mar arábico...
Os aforismos, as metáforas e as menções ao Velho e ao Novo Testamento estão impregnadas na fala dos principais atores dessa destruição mútua. Na semana passada, inclusive, o Netanyahu, falando a seus soldados e justificando seus ataques ao Libano e em Teherã, chegou a associar Jesus ao mongol Genghis Khan... (E não ouvi nenhum padre, nenhum pastor e nenhum executivo do Vaticano dar um pio a respeito dessa heresia)... Agora, só falta o Trump, como ato derradeiro, mandar escrever nas asas de seus bombardeiros B-2: O sangue de Jesus é poderoso e salva!
É evidente que um dia, aqueles que sobreviverem, mesmo mutilados e loucos, sentirão muita vergonha de tudo isso!

É mesmo uma vergonha sem tamanho. Como misturar guerra e religião? Como casar Deus e dor?
ResponderExcluirComo participar deste manicômio e sair ileso?