"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

segunda-feira, 10 de julho de 2017

O paraíso dos alcoólatras... E a Síndrome de Korsakof...


"É necessário estar sempre bêbado. Tudo se reduz a isso;  eis o único problema. Para não sentirdes o fardo horrível do tempo que vos abate e voz faz perder para a terra, é preciso que vos embriagueis sem cessar. 
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor. Contanto que vos embriagueis...
E, se algumas vezes, nos degraus de um palácio, na verde relva de um fosso, na desolada solidão de vosso quarto, despertardes, com a embriagues já atenuada ou desaparecida, perguntai ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai-lhes que horas são; e o vento e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio hão de vos responder: É a hora da embriagues! Para não serdes os martirizados escravos do tempo, embriagai-vos sem tréguas! De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor..."
Charles Baudelaire






Se você é chegado numa cana, numa vodka, numa tequila e até mesmo num absinto 54% de álcool, não deixe de visitar, pelo menos aos finais de semana, uma adega que fica ali perto da Feira do Paraguay. Parece mais uma galeria de arte daquelas vidrarias de Murano, nas ilhas venezianas. O investimento que os fabricantes de bebidas alcoólicas têm feito no designer e nas cores das garrafas é quase um desafio à confraria dos Alcoólicos Anônimos, aos abstêmios e ao Ministério da Saúde. Claro que os preços são equivalentes. Há, por exemplo, (e você pode confirmar indo lá ver ou observando as fotos abaixo) garrafas de cachaça (Velho Barreiro) que custam uma fortuna: R$ 212.000,00 (Duzentos e doze mil reais). E os clientes, não são só novos ricos, como se pensa, são de todos os pedegrees, e em muitos deles, para quem conhece, já é possível identificar alguns sinais da Síndrome de Korsakof... 
E todos saem eufóricos para o estacionamento com suas sacolas repletas sem serem importunados pelos guardas e vigias que estão lá em pé, a serviço dos patrones e quase congelados. Bem diferente do que acontece com os condenados da terra quando são flagrados por aí com um cachimbo e uma mísera pedra de crack. Uma pergunta da costureira da esquina: Por que a "sociedade" finge  preocupar-se tanto em "preservar os neuronios" dos mendigos e não dá a mínima importância à decomposição do fígado das elites?

















Um comentário:

  1. http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2017/07/11/interna_cidadesdf,608535/quais-sao-os-perigos-do-narguile.shtml

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