"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

terça-feira, 14 de abril de 2015

O Quinto Poder ou a arte de tornar-se podre...

Assisti às manifestações do dia 12 tomando um chá de hortelã e balançando calmamente numa rede.
As televisões e os jornais só mostravam praticamente as faixas e os gritos bradando contra a corrupção. Grito inútil que vem se arrastando pelos séculos sem solução. Teimosos, bem que já poderíamos ter nos acostumado. Somos uma espécie tão carente e tão desamparada que não há nada que possa frear essa nossa tara e essa nossa aleivosia.
Eu mesmo, se fosse nomeado Diretor, Presidente de partido, de uma grande empresa ou até mesmo de um bordel, seis meses depois estaria preso e fichado como corruptus
Sejamos realistas: só a corrupção (em todas suas variáveis) apesar de nos apodrecer em vida nos dá a ilusão de poder e de transcendência! 
Aliás, o verbo corromper, todo mundo sabe, significa TORNAR-SE PODRE. 
E depois, não eram os antigos stalinistas que bradavam nos palanques que os "fins justificam os meios?"... Ou estou enganado?


3 comentários:

  1. MÔNICA PRADO TORRES15 de abril de 2015 08:10

    Demorei trinta anos para constatar isso - que o homem é corrupto por sua natureza - e quando constatei já tinha sido tarde, eu já havia recusado participar dos esquemas palacianos ilícitos... Penso que se tivesse aceitado, eu ainda estaria no primeiro escalão do governo, com todas as mordomias do cargo e uma conta bancária polpuda; porque em terra de quem não faz nada quem trabalha um pouco é exaltado, e eu gostava de trabalhar, fazia-me parecer útil... Infelizmente fui inocente e burra, e fui contra o sistema, e por sorte ou azar ainda estou viva, porém perdi tudo, e fui exilada... Hoje, vinte anos depois, pergunto-me se aquela proposta se repetisse, eu aceitaria ou não? Não sei em que momento essa veia de justiça se criou em mim, então eu rejeitaria novamente; porém sabendo de todas as consequências que tal ato pudesse desencadear, e não tendo mais nada a perder, não sei o que eu faria, ainda mais porque o dinheiro compra tudo, inclusive a liberdade... Se hoje estou exilada e monitorada, clandestinamente, é porque alguém ( ou "alguéns") está financiando todo o aparato tecnológico e humano para isso; e além de ser uma "operação" cara, já são vinte anos que estão desperdiçando recursos financeiros, ou já são vinte anos que sou "usada" como moeda de troca de favores e favorecimentos políticos... Em relação ao aparato humano, eu sei que todos têm o seu preço, e todos me "venderam", mas ainda fico impressionada de como os pobres se vendem à toa, e a satisfação deles em empurrar outros para a miséria... A pobreza não é apenas econômica; faz parte da raça humana...

    ResponderExcluir
  2. Rogério Rodrigues15 de abril de 2015 08:30

    Essa é para refletir profundamente!

    ResponderExcluir
  3. Muito bom, caro Bazzo! Quem pensa que está livre da maldição comete um sério engano. Tornar-se podre é tudo o que não queremos, mas é a prática da maioria desde que o mundo é mundo.

    ResponderExcluir