"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Qual é a cara que você tinha antes de nascer?



Por coincidência presenciei a chegada dos jogadores japoneses em Brasília. No meio daquele teatro sem sentido da polícia, dos anfitriões, dos empresários, da imprensa, dos alcaguetes, dos puxa-sacos e dos torcedores, fiquei tentando entender como foi possível a contaminação, até do Japão, com esse esporte para idiotas?
É estranho ver esse povo, outrora famoso pelas gueixas, por Mishima, pelos tsunamis, pelo haraquiri, pela sonoridade das três cordas do shamisen, pelo budismo, por seus samurais e ninjas, pela busca incessante da percepção extra-sensorial das coisas através do za-zen, das artes marciais e do chá, metidos agora com essa prática ignóbil de brutamontes... Como buscar a iluminação correndo atrás de um pedaço de couro de vaca durante quarenta e cinco minutos? E como expressar gratidão pela natureza de Buda ali, no meio daquele pasto improvisado se esfolando mutuamente as nádegas e as canelas?..
O Koan mais conhecido nos antigos mosteiros daquele arquipélago era este, que bem se poderia dirigir a qualquer um dos promotores desse circo: “qual é a cara que você tinha antes de nascer?”

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