"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Os pilantras das estatísticas...




Entre todas as mentiras, desde as clássicas sobre heróis, santos, salvadores, deuses, as do gênese, da reencarnação e etc., a que mais me intrigou, desde sempre, foi a que diz respeito ao "número de participantes" em manifestações, passeatas, shows, aglomerações e etc., dados que os organizadores costumam distorcer descaradamente. Essa, me parece, tem sido sempre a mentira mais vulgar, a mais insana e a mais inútil e, pior, por incrível que pareça, não abala absolutamente nada nem ninguém. A sociedade, gerada e parida sobre um lodaçal de embustes e acostumada a mentiras transcendentais, digere esse singelo transtorno de caráter sem grandes dificuldades... Sindicalistas, padres, pastores, líderes de movimentos sociais, políticos, índios, todos mentem magistralmente convictos de que o que realmente convence é sempre a multidão, o quantum, o número de pernas e de almas que estão nas marchas ou nos eventos... Pilantras que estão cansados de saber que são os números que governam o mundo e que quem define uma eleição não são os eleitores, mas quem conta os votos...!
 Numa passeata de um determinado partido - por exemplo -, o sujeito que está lá em cima de um caminhão costuma gritar: 
- Mais de cinquenta mil pessoas estão aqui para dizer um Não, um Basta a isto ou àquilo., quando na verdade, até um cego vê que não há nem cinco mil gatos pingados se arrastando pela avenida. Numa passeata de evangélicos, querendo competir com a dos gays, uma semana antes, um pastor lança o embuste: quatro milhões de irmãos estão aqui, em nome de Cristo, para promover isto ou aquilo, só que na verdade não há nem 250 mil. Na passeata anterior, aliás, a dos gays a que o pastor se refere, alguém também havia blefado sobre 200 mil e os transformado em 3 milhões... 
- Estamos em trinta mil funcionários públicos aqui diante do Congresso Nacional! Grita o sindicalista. Só que pelo espaço ocupado no gramado, uma simples conta de multiplicar, revela que não poderia haver mais de 4 mil. 
Seja qual for a proposta e a ideologia que está sendo defendida, como é possível acreditar nessa gente? Como se fará a história desse povo? E, o mais grave, a polícia, por ordens superiores, nem sempre desmente essas chanchadas, da mesma maneira que a mídia, que quase sempre divulga essas distorções na íntegra ou em parte, dependendo da identificação ou não com a causa em questão. Como é possível falar em dignidade convivendo com essa mentirada e com esses tipos de transtornos? 
É quase um mistério que ninguém dê a mínima para a gravidade desse comportamento doentio e que, inclusive, até se tente justifica-lo como sendo uma necessidade infantil e primária da espécie... 

Um comentário:

  1. ...São coisas, realmente, tão imbecis como as "declarações " de um advogado qualquer em defesa de seu "cliente" ou de um clérigo falando da "virgem"... que, de tão cínicas já passam despercebidas até mesmo para os que neles creem.

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