"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Nem tudo está perdido, Brasília ainda engendrará o seu Nero...

Alguém tocou fogo no cronômetro (foto) que marcava os dias faltantes para Brasília completar cinqüenta anos. O incendiário deixou um pneu queimando na base do negócio e as labaredas fizeram a geringonça entrar em pane. Não apenas a polícia, mas também os “gestores” de turno estão curiosos para saber que mensagens metafísicas e misteriosas podem estar contidas nesse simples gesto... Mas ninguém precisa ficar angustiado por isso, pois a festa estará garantida. Já se gastou uma fortuna com esse propósito, e no dia vinte e um de abril, chova ou faça sol, haverá entretenimentos, pipocas, cantores, metrô gratuito, fogos, desfiles, aviões dando rasantes sobre o lago, orquestras, filmes, exposições, alegrias e teatros para todos os gostos.

Mesmo que alguns “transviados” sigam achando uma bobagem e uma hipocrisia todo esse teatro festivo, é compreensível que aqueles que vieram para cá no princípio, aqueles que até foram lacaios do JK, do Jânio, dos Generais etc., se emocionem com o aniversário da cidade, com os pisca-piscas do palácio, com os sinos da catedral, com o exibicionismo espúrio das elites, com os prédios que cutucam as nuvens, com os paredões de vidro que ofuscam a canalha e com os chapadões estonteantes e imensos de concreto com os quais Niemayer sufocou a terra vermelha do cerrado.

E é sabido que os novos ricos não trocam a cidade por nada, até se ofendem quando alguém a desqualifica, e com razão, pois foi aqui, em tempo recorde, que saltaram da indigência para os bilhões de dólares e do analfabetismo para o pedantismo.

Ah, mas é uma ingenuidade achar que a corrupção é a maior das desgraças desta urbe. Existem outras. O dinheiro é apenas um papel sujo e nojento que burila e infecta os bolsos e as mentes da manada insana. Ainda virão outras, cada uma mais violenta e degradante que a anterior e afetarão mesmo aqueles que não enxergam nada além do garfo.

Ezio Flavio Bazzo



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