"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

terça-feira, 19 de maio de 2009

É Direito do Consumidor escolher entre restos de insetos ou Colliformes Fecallis


Os burocratas da Secretaria de Saúde concluiram as análises que vinham fazendo e deram mais um veredictum sobre vegetais, legumes, grãos etc à venda nos melhores e mais chiques mercados da cidade. Resultado: 80% inapropriados, sujos, contaminados. Em algumas embalagens haviam vestígios de pelo menos 15 espécies de insetos. O que é um inseto? Vespas, formigas, louva-a-deus, percevejos, besouros, borboletas, grilos, moscas, baratas etc. Como neste país há exagero de veredictum e carência de condenações, algumas pessoas juram que a partir de agora irão optar pela anorexia; outras, que vão assumir a obsessão na limpeza enquanto outras nem se importam, lambem os bigodes e os beiços diante de qualquer merda comestível e até juram que os insetos têm proteínas que combatem os radicais livres. De minha parte – sem nenhuma ironia - prefiro os insetos aos dejetos, patas de moscas aos conhecidos Staphilococus Aureus e aos eficientes Colliformes fecallis através dos quais o populacho se vinga dos patrões e da burguesia. Prefiro ingerir muito mais aquilo que fica nas garras dos grilos ou nas asas dos louva-a-deus de que aquilo que fica por debaixo das unhas dos atendentes, dos cozinheiros, açougueiros, verdureiros etc. É curioso que mesmo sabendo que o sabão foi a peça fundamental na revolução da medicina e da organização sanitária do mundo lavar-se as mãos continua sendo um incomodo e um verdadeiro tabu. Nas lanchonetes os atendentes espiram o dia inteiro e sem cerimônias sobre os pratos, coçam o saco, enfiam os dedos nas narinas e palitam os dentes sobre os fogões. Nos próprios hospitais e clinicas não há pias, sabão e nem toalhas adequadas para os profissionais e muito menos para os pacientes. Passa-se o dia inteiro com as mãos infestadas como nos tempos de nossos bisavós que usavam lenços improvisados para nele depositarem o catarro e outras porcarias. Assoavam de meia em meia hora lá naquele pedaço de pano e o enfiavam em seguida no bolso traseiro das calças onde ficava até o outro dia ou até a outra semana. Um mundo de nojeiras. Sem cair na demagogia, a verdade é que a humanidade nunca soube lidar verdadeiramente com seus buracos e nem com seus dejetos.

Ezio Flavio Bazzo

2 comentários:

  1. enquanto lia o texto fiquei tentado por responsabilizar a psiquê do catolicismo reacionário da contra-reforma de mais essa façanha. como sempre sedi às tentações, não farei diferente agora. pois bem, nomeio essa psicose higienifóbica de "síndrome contra pilatos". como em toda doença cristã, sua origem é a culpa. assim, resistem, choramingam e culpam-se na hora de lavar as mãos, pelo simples fato de que este ato higiênico simboliza a condenação do crucificado. ressentidos, o único meio desses filisteus se livrarem da 'síndrome contra pilatos' é se vingando de toda a humanidade. disseminam toda merda, que escondem por baixo de suas unhas, todos os resíduos de fluidos corporais, que alojam entre os dedos, e tudo o que conseguem juntar à mão, tocando e manipulando todas as coisa. como resultado temos a onipotência e a onipresença da toda-poderosa infecção intestinal.

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  2. Comer merda de tabela é pior que comer qualquer inseto (apesar de que em alguns lugares, a presença de insetos é até positiva, já que segundo os entendedores, significa o uso "adequado" de agrotóxicos). Mas também não podemos sustentar a idéia de limpeza como redenção, ou purificação né? tem sugeiras que carregamos, em cada minima parte do nosso corpo que nunca devem ser limpas.

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