sábado, 31 de janeiro de 2026

Caso Epstein... Assim falou Miguel Ruiz Calvo...





















A santa que chorava lágrimas de sangue, era pura farsa...




 

VOCÊ, como bom animista, bobalhão incurável e esotérico profissional, talvez até tenha ido em peregrinação, acendido velas e mandado pix para a trapaceira que lá na cidadezinha de Trevignano (não muito distante do Vaticano), inventou a balela da Santa que, de vez em quando, chorava lágrimas de sangue.

Alguns poucos escépticos até suspeitavam de que tudo não passava de uma farsa ilusionista e houve até quem levantou a hipótese de que se tratasse de um truque com tinta ou até com sangue de porco. Mas..., com medo de passar queimando no inferno, por toda a eternidade, seguiram fingindo e fazendo o jogo do embuste durante mais de uma década.

Nestes dias, finalmente, + ou - envergonhados, os doutores da Universidade de Roma, depois de uma singela investigação, desmascararam a trapaça e deixaram claro que não se tratava de choro, nem de lágrimas, nem de tinta, nem de sangue de porco, e muito menos de sangue da estátua de gesso... E que, na verdade, tratava-se de sangue da própria farsante, a vidente que havia inventado aquele teatro.

Agora, que tudo desmoronou, a igreja, também + ou - envergonhada por ter acobertado aquele fiasco e aquela bobagem neurótica durante tanto tempo, está (querendo tirar o cu da reta) proibindo qualquer tipo de peregrinações, rezas, visitas, e mentiras sobre milagres e etc, a respeito de Trevignano... Que miséria!

VIVA A UNIVERSIDADE DE ROMA! 

Mas.., e agora, quem é que vai devolver os milhares de PIX enviados pelos beatos e pelos tolos à tal vidente e prestidigitadora??? 

Nós sabíamos que a ideia do psiquiatra Franco Basaglia de esvaziar os hospícios italianos e mandar os loucos para casa iria dar nisso... mormai (fratello mio), è davvero troppo tardi... (ver: a Instituição negada).

 

https://www.correiobraziliense.com.br/webstories/flipar/2026/01/7344996-exame-de-dna-desvenda-misterio-da-virgem-que-chorava-sangue.html

























E o IBGE registra o aumento da escravidão...

 





E terás que ganhar o sustento não apenas com o suor de teu rosto, mas com tua autoestima, com teu amor próprio, com tua dignidade, com teus músculos, ossos, bagos e saúde mental (em alguns casos, data vênia, até com tuas mucosas...)


"Chegamos a tal ponto de imbecilidade que o trabalho passa por ser não só honroso, mas até sagrado..." (p.15)

Remy de Gourmont

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Putin, poeta! Sous le ciel de Paris...




 "Le bonheur est une chose vulgaire..."

Mc Bey






A pequena burguesia latina e sul americana que passou cinco/seis anos em Paris patinando sobre seus pós-doutoramentos; e tomando cafezinhos com madaleines em Montmartre enquanto engendrava o blá-blá-blá de sempre sobre patafísica e sobre Napoleão I, está angustiada com a ameaça do Putin de fazer a França desaparecer da geografia. Se a França do Macron - diz o Putin - der um tiro contra San Petsburgo ou contra o Kremlin, ficará na história mas desaparecerá do mapa. 
Poética a frase! 
Mais para Baudelaire do que para Dostoiévsky...
Meu Deus! - Suspira a petite burguesia e até uns ex-proletários trapaceiros - Mas e as Galeries Lafayette? E as ourivesarias de Champs Élisée? E a Catedral, recém reformada? E a tumba de nossos mestres? E o Café Les deux Magots, de Saint-Germain-des-Prés? E o Pantheon, e os heróis da pátria, e as camisolas da Maria Antonieta?... Ah! E a Salpêtriére? O que seria do mundo sem a memória do Hospital da Salpêtriére? E o que seria da misericórdia e do cristianismo, sem a memória do Hotel des Invalides? E daquele puteiro com a hélice de um moinho pregada ao umbral? A propósito, o que será das eslavas do Parque de Boulogne? Ah! As eslavas... É justo que a burguesia se preocupe com elas até mais do que com a suposta falência do Master?
Como imaginar os jardins de Trocadéro, o Parque de Monrsouris e o de Luxemburgo, onde Proust, Baudelaire, Cioran, o gorducho Hemingwai e outros desvairados iam diariamente curtir suas vaidades e suas solitudines... como imaginar tudo isso transformado em carvão e em cinzas?
Não acredito!
Não! Putin não será louco para tanto!
 Com a quantidade de cocaína que a Europa compra do Brasil regularmente, não dá para confiar nas ameaças e nem nos propósitos daquela gente. E depois, preste atenção, parafraseando a Oscar Wilde, os governantes de lá, quando aparecem em cena, sempre lembram aquela dama da Comédia Francesa que, quando entrava no palco fazia de tudo para poder falar sobre LE BEAU CIEL D'ITALIE...

 




quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Rajneesh, Trump e a deportação...




 "O meu tempo é sempre agora. O mundo fica para trás. Estou nas nuvens. É perigoso mas não tenha medo, estou acordado. Não seja covarde, esse é o único obstáculo para conhecer a verdade. É necessário ousar para conhecer; é preciso entrar no perigo..."


Rajneesh 
(IN: Notas de um homem louco)


  • Nesta quinta-feira de janeiro a velhinha armênia parecia mais feliz do que todos os outros dias juntos. Até o mercado parecia ter mais luz. Estava sem o lenço de seda na cabeça, mas vestia um blusão laranja e levava ao pescoço aquele colar de contas com um medalhão e a foto do mestre que os discípulos de Bhagwan Shree Rajneesh (os chamados (sannyasins), usavam. Fiquei surpreso! Caralho! Que velha além de seu tempo... E lembrei que nos anos 80, todo mundo viu, Brasília era, depois de Poona e Bombaim, (na India), talvez o maior Ashram daquele genial guru indiano... Ali, junto à prateleira da bardana, ela ia falando, visivelmente emocionada, daquele período em que acompanhou aquele místico revolucionário pela Índia e por Oregon, nos Estados Unidos, que, segundo ela, era um verdadeiro sol que encorajava a flor a abrir-se 
  • Expulso da Índia, onde recebia até mais de vinte mil discípulos por ano - foi historiando - em 1981, mudou seu Ashram para o Oregon, nos EEUU, até que o ICE da época o deportou. Sem conseguir estabelecer-se em nenhum outro país (por pressão dos USA), voltou para Poona, onde permaneceu até morrer e onde foi incinerado numa fogueira por seus milhares de acólitos e discípulos de todo o mundo.

No meio de seu relato, ia intercalando trechos da obra genial de seu guru, aquele que - dizia - havia sido iluminado ainda com vinte anos, em uma experiência mística, sentado sob uma árvore no Jardim Bhanvartal, em Jabalpur...

Enquanto falava, ia me olhando profundamente nos olhos, apalpando seu colar de contas com a mão direita, e com a inconfundível fé de um sannyasin... E, antes de retirar-se me assegurou: Bazzo, lembre-se: está é a primavera chuvosa mais bela de todas as primaveras! (Primavera? Mas estamos em janeiro!). Com um certo cinismo tirou da bolsa e me presenteou com este pequeno livreto de seu mestre...

Minha quinta-feira estava ganha...