quarta-feira, 15 de julho de 2026

O Mendigo K... entre dois tipos de ópio: o futebol & a literatura...



"Bah! Ahora no quiero pensar en nada más. Tampoco en Dios? No! Dios estará conmigo. Qué necesidad tengo de pensar en Él? Dios está con los que no piensan".

Robert Walser, Jakob von Gunten


Nesta quarta-feira de julho, com o Ministério da Saúde e as freiras da mídia recomendando obsessivamente que, os velhos, - se não quiserem ter uma síncope na fila do INSS e irem para o outro mundo sem assistir Argentina/Inglaterra-, devem beber muita, mas muita água, o Mendigo K apareceu ali nas galerias do shopping, meio afobado, buscando a melhor vitrine para, às 4 da tarde, assistir ao jogo. Quando me viu, não conseguiu esconder uma certa preocupação e um certo medo que eu fosse classificá-lo como mais um dos idiotas da bola e foi jurando que seu interesse por aquela babaquice, era puramente literário & antropológico. Para convencer a mim e aos que nos observavam, foi retirando de uma bolsa de couro e exibindo também aos que passavam umas cinco brochuras sobre o assunto, livros que dizia ter lido:

1. A bola não entra por acaso, de autoria de um tal Ferran Soriano.

2. Futebol & guerra, de Andy Dougan.

3. Entre os vândalos, de Bill Buford.

4. O negro no futebol brasileiro, de Mario Filho.

5. Como o futebol explica o mundo, de Franklin Foer

E até um em inglês que ainda não foi traduzido: Football against the enemy, de Simon Kuper.

E, por último, mostrou-me um do mítico uruguaio, daquele que escreveu As veias abertas da América Latina, titulado: Futebol ao sol e à sombra. Deste, quase religioso e quase com lágrimas nos olhos, fez até questão de citar parte de um parágrafo, sobre Pelé:

 “Quando Pelé ia correndo, passava através dos adversários como um punhal. Quando parava, os adversários se perdiam nos labirintos que suas pernas desenhavam. Quando saltava, subia no ar como se o ar fosse uma escada. Quando cobrava uma falta, os adversários que formavam a barreira queriam ficar de costas, de cara para a meta, para não perder o golaço”.

Completamente derrotado, convicto de que a bola é o ópio do populacho, de que o rebanho é imbatível e de que o mundo jamais conseguirá livrar-se do aprisco, ziguezagueei abobalhado por entre aquelas geladeiras, televisões ligadas, vassouras, bandeirolas e máquinas de lavar, das Casas Bahia... E, como a única diversão que encontro no futebol é ver o árbitro apanhar (Pitigrilli), também estarei, hoje à tarde, beociamente, apostando todas as fichas, não no gol, mas na conhecida atuação afetiva dos Barras Bravas e dos Hooligans...

 










2 comentários:

  1. O tal futebol é coisa de IMBECIS!!!!!!! Eu no maior escárnio "assisti" a tal seleção ser eliminada...ria dentro da cabeça como riu agora...meu sadismo é direcionado completamente para os IMBECIS desse mundo inclusive porque eles jamais deixarão de sê-lo! Mais ridículo ainda são as mulheres admiraram essa MERDA chamada futilbol kkkkkkkk

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  2. O futebol é a derradeira distração dos que não tem mais nada, nem com que se distrair. Simples bestas que pastam se olhar o céu, comem a grama da ignorância e arrotam o hálito de sua arrogância. E vão aplaudindo as mentiras que o futebol conta, esperando a FIFA indicar o campeão como que espera Deus ou Godot.

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