sábado, 20 de junho de 2026

De peladas em peladas... E de alarmes em alarmes falsos... Asi se van los dias...





Depois de ver estampado nos jornais o salário dos treinadores (Ancelotti 59 milhões anuais; um tal Nagelsmann da Alemanha, 41 milhões, etc, etc), alguém, no limite de sua miséria, toxidez e tolerância, lá pela 1:25 da madrugada, raqueou o Sistema de alerta da defesa civil Nacional e confessou ao mundo sua misantropia. 

1:25 da madrugada! Caralho!

E os singelos torcedores que, depois daquela pelada haviam conseguido adormecer, despertaram sobressaltados com aquela sirene que lembrava uma penitenciária. Seria uma nova operação da PF? Eu, particularmente, pensei logo naquele meteorito que os schopenharianos juram que está girando desgovernado pelas galáxias e que, num belo dia (davvero Bello), resolverá a parada. Mas teve gente que pensou que poderia ser o Trump caçando terroristas e voltando a acusar o Lula de ser um homem volúvel; a chegada de um boêmio extra-terrestre; a volta de Godot ou do messias e até aquela profecia (não sei se do Raul Seixas ou do Conselheiro), de que o sertão viraria mar... E o que agravou ainda mais o fato, foi que 99% dos que receberam em seus smartphones a tal mensagem: ALERTA EXTREMO DEFESA CIVIL: MISANTROPIA4, não tinha a mínima ideia do que a palavra misantropia queria dizer. Se tratava de algum vendaval? De algum vírus? De algo relacionado à invasão atual de escorpiões na cidade? Alguma nova marca de cachaça? Alguma novidade sobre o caso Master? Algum demônio que ainda não havia sido catalogado nas brochuras sagradas? 

E o dicionário? Como achar o dicionário numa horas destas? Por fim, algum burocrata (ou o próprio hacker) desligou o tal sistema (ou a sirene parou por si só) e a madrugada prosseguiu, silenciosa, com os borrachos de sempre se arrastando ali pelos botecos com o celular sem bateria e sem ter tomado conhecimento de absolutamente nada. Já, os insones e machos domésticos, espiando temerosos pelas janelas, voltavam a ser atormentados pelas imagens dos salários e da pelada. A fantasia de palhaço do goleiro brasileiro dominava as memórias e também o nome de um jogador do Haiti: Pierrot. Pierrot? O que estaria insinuando a mãe e o juíz que lhe emplacaram esse nome? Como não pensar na Commedia dell'arte? Mas, e onde estaria a Colombina? Ah! Estava cacarejando lá entre os comentaristas (e os speakers) e se esforçava, em vão, para turbinar as ilusões, o entusiasmo e as esperanças dos 68 mil patetas das arquibancadas e, claro, da ensolarada, anímica e luxuriante América Latina, inteira. Um fiasco.


 




 

2 comentários:

  1. Só pode ter sido alguém que leu "Manifesto Aberto à Estupidez Humana" ahahahahaah

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  2. Foi mesmo, leu, releu e tornou a ler...

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