domingo, 6 de setembro de 2026

O preconceito religioso com as gargalhadas dos ministros... La vita è davvero buffa e meravigliosa!



 

A cidade ainda não se recuperou da fúria impotente que experimentou ao assistir cinco dos juízes da Suprema Corte rindo às gargalhadas e com um certo sarcasmo, depois do conflito que tiveram com um colega, por este ter tornado públicas as informações da Polícia Federal, sobre prevaricação/corrupção no referido órgão.

Se estão fazendo isso com um colega, - se ouve dizer por todos os lados -imaginem de que foram capazes quando decretaram a prisão dos 800 mil condenados que atualmente apodrecem atrás das grades por aí, nas nossas penitenciarias... (a propósito, muitos deles ainda sem um julgamento devido). Mas, não sejamos infantis: apesar da intriga, da bizarrice e do escândalo patético na Suprema Corte, a reação e o espanto da sociedade com as imagens dos ministros gargalhando, é beata, essencialmente moralista e religiosa, já que, todo mundo sabe, que há no mundo um preconceito bem antigo contra o riso... Ou não? Quem é que não lembra que na Alta Idade Média, os padres, com o argumento de que Cristo nunca havia dado uma risada, diabolizaram, reprimiram e baniram o riso dos templos e dos mosteiros? E que, naqueles tempos demenciais, ouve até uma guerra do riso entre cristãos e pagãos? E que, na melhor das hipóteses, alguns, poderiam até rir sozinhos, mas só se estivessem no deserto? Aliás, tente sair rindo por aí para ver o que te acontece! Se os padres não te acusam de ser o AntiCristo, e os psiquiatras ou os bombeiros não te mandam internar num manicômio. Onde, as sóbrias enfermeirazinhas logo anotarão em teu prontuário: riso exagerado e sem causa aparente! Diz não professar nenhuma fé... 

Ah! e tudo pelo clic daquele fotógrafo e por aquela brecha entre uma cortina e outra!!! Apesar do moralismo vigente e do instinto sanguinário, o caso dos ministros é banal. Com todas as histórias e estórias que ouvem... se não gargalhassem, seriam carcereiros ainda mais perigosos... E depois, qual é o problema gargalhar? Quando, segundo o papiro de Leyde (século III), até o universo teria nascido de uma enorme gargalhada... Além do que, os próprios ministros sabem que como dizia J. Lederer: "aqueles risos não têm graça, são acanhados, miseráveis, são soluços invertidos, o resíduo dessecado das lágrimas que não mais conseguis derramar..." E depois, em momentos como estes, é  sempre importante lembrar também, do famoso e grande riso de Demócrito. "Não seria uma resposta apropriada? Se verdadeiramente nada tem sentido, o escárnio não sereia a única atitude razoável? O riso não é o único meio de nos fazer suportar a existência, a partir do momento em que nenhuma explicação parece convincente? O humor não é o valor supremo que permite aceitar sem compreender, agir sem desconfiar, assumir tudo sem levar nada a sério???" Portanto, viva a gargalhada, o escárnio, a sacanagem e o sarcasmo dos ministros, pois ela, seja pela razão que for, tem em si algo até de revolucionário: seja contra os padres da Alta Idade Média; contra Cristo que, mesmo tendo mil razões para gargalhar, nunca se atreveu a tanto; seja contra um colega ou, até mesmo contra si mesmos, quando, olhando para fora da janela, além da estátua da Têmis (conselheira de Zeus) e deusa da justiça e dos 200 milhões de babacas, veem também a placa, direcionada para eles e indicando: STJ (SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA...)  Nós também, como os ilustres Ministros, um belo dia, haveremos de gargalhar de tudo isso!

 

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EM TEMPO: Leitura + do que necessária: História do riso e do escárnio (Georges Minois)

 









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