"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Contra todas as britadeiras e contra todas as maquitas do mundo...


[A soma de barulho que uma pessoa 
pode suportar está na razão inversa de 
sua capacidade mental...]
A. Schopenhauer

Duvido que exista por aí alguém que não dedique o mais profundo de seu ódio, em primeiro lugar à britadeira e em segundo à maquita. Como é possível que 2283 anos depois de Epicuro, que 1948 anos após Sêneca e que passados 180 anos da Revolução Industrial ainda existam essas duas máquinas terríveis, barulhentas, turbulentas, estrondosas, ensurdecedoras e enlouquecedoras? E prestem atenção com que sadismo o sujeito que as está manejando aperta o botão de ignição quando vê você se aproximando desconfiado. Finge que a obra está parada, que a peãozada saiu para o almoço, que não há eletricidade no momento etc., e quando percebe que você já desativou seus instintos pressiona o ON.  
Se a maquita, além do ruído infernal produz lascas de cerâmica e uma poeira microscópica que vai diretamente alojar-se nos brônquios e nos alvéolos da cidade inteira, a britadeira faz tremer os ossos e as estruturas dos prédios, lança cacos de meio-fio, de cimento e de pedras para todos os lados e praticamente implode os tímpanos e os nervos auditivos de qualquer terrestre.  
E veja que ironia: só quando escrevi esta última frase é que me dei conta que dentro de nossos ouvidos existem três ossos que se chamam, sabe como? Martelo, bigorna e estribo... Putz! Sejamos realistas: tanto nosso corpo como a modernidade são fraudes e não há salvação!   Ah!, quer saber o que é a modernidade? "É o  momento em que toda puta pode dizer: eu trabalho e todo trabalhador: eu sou uma puta!"

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