"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Notícias de Lilipute 10


Saí com a mais absoluta intenção de ir ao 23 de Tedworth Square, onde morou o escritor gringo Mark Twain, mas acabei, sem querer, chegando ao Templo tibetano de meditação Kagyu Samye Dzong num “bairro” que é uma pequena África. Os negros daqui falam alto e dão gargalhadas homéricas como se tivessem 51% das ações do Reino. E para qualquer lado que você olhe todo mundo está brincando com seu celular. Houve e ainda está havendo uma infestação planetária desses aparelhos e de outros semelhantes que tornou bem mais difícil saber quem está em surto maníaco ou tendo alucinações. No passado, quando alguém estava falando sózinho num parque, na privada, no restaurante ou num onibus já se sabia o que estava acontecendo, agora não. Qualquer idiota se dá o luxo e o direito de ficar gritando e tagarelando ao nosso lado e em qualquer lugar sem o mínimo constrangimento, haja ou não interlocutor do outro lado da “linha”. Já vi, inclusive, vários mendigos aqui se comunicando com essas geringonças, sei lá com quem. Um deles, este devia estar me gozando, falava em seu sapato, a parte do salto ficava na boca e a ponta na orelha. É, as multinacionais pagaram profissionais para definir côres, tamanhos, formatos, etc, para melhor iludir a turba, principalmente a turba infanto juvenil e a turba de todas as idades do “Terceiro Mundo”. A alienação está num nível tão grande e os tipos de aparelhos são tão variados que você pode ficar uma hora encostado num poste falando numa tampinha de garrafa ou na cabeça de um prego que ninguém colocará em dúvida sua saúde mental.
Repercutiu também aqui em Londres o milagre financeiro do ex ministro que agora é ministro novamente. Alguns brasileiros deserdados acreditam que a guilhotina faria bem, muito bem ao país. Para mim, a corrupção, que se assemelha a um mal congênito, é um mal menor. O que me impacta mesmo e realmente, é saber que existe um mercado imobiliário que tem o descaro de cobrar quase 7 milhões por uma moradia, num país em que 70% da população vive em barracos e é indigente, financeira ou mentalmente. Ora, só podem estar roubando o Ministro, esse nobre médico e revolucionário confesso. Mas relaxem que o mal poderia ter sido bem pior...  Já pensaram se com esse dinheiro todo ele tivesse resolvido  montar um hospital, uma clínica ou coisa parecida??? E ele e seus lacáios estão certos quando, para justificar o injustificável, afirmam que um ex-ministro tem um valor alto no mercado. É verdade. O mesmo acontece no mundo da prostituição quando uma ex “Madame” resolve, da noite para o dia, ingressar nas fileiras das antigas e manjadas vagabundas.

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