"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Anna Mahler e Karl Marx no Cemitério High Gate


Sabendo de meu interesse pela arte funerária alguém me enviou duas relíquias fotográficas do Cemitério High Gate de Londres: a tumba de Anna Mahler e esta de Karl Marx. Enquanto as examinava com uma lente de aumento ia arrancando de minha memória algumas frases quase religiosas dos movimentos anarco-revolucionários europeus dos anos setenta:

“(1). A sociedade não será livre enquanto o último capitalista não tenha sido enforcado com as tripas do último burocrata(. 2). Quanto mais faço amor, mais revolucionário me torno; quanto mais revolucionário me torno mais faço amor(. 3). Estamos inventando um mundo novo e original. A imaginação é um poder que captura.”

É curioso que se naquele tempo a juventude, os hippies, os políticos e os professores tinham a ilusão até mesmo de desmontarem o universo, hoje, toda essa canalha institucionalizada não sabe o que fazer para livrar-nos a todos, sequer, da máfia dos flanelinhas.

Ezio Flavio Bazzo

Um comentário:

  1. "frases quase religiosas dos movimentos anarco-revolucionários europeus dos anos setenta" e "ilusão até mesmo de desmontarem o universo". me pergunto: houveram responsáveis por trazerem até nós os incômodos da desilusão? eu mesmo me respondo: sim, os que conseguiram impedir que deliciosos maus hábitos do raciocínio não se tornassem vício - pensemos em nomes, não em instituições ou abstrações. carreirismo e realismo conformado são utilizados pelas recentes gerações até a embriagues. se tornaram a mais alta virtude - cotas para ingresso à universidade públicas, lutas por passe livre para estudantes, maior controle do estado na administração universitária, faculdades particulares que se proliferam como baratas, programas meu primeiro emprego, etc. penso ser também curioso o horror profundo dos que acreditam no valor positivo ou negativo da existência. na raiz, no caule ou nas flores da existência não se encontra mais o vício do querer viver sim!, mas não desse modo!

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