"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Você que tem curiosidade pela condição humana ou que está indo para a Russia, não pode deixar de ler este livro, antes...




1. Os bandidos dizem que no momento do furto experimentam uma excitação especial, uma vibração de nervos que assemelha o ato de roubar ao ato criativo, à inspiração; um particular estado psicológico de agitação nervosa e elevação do espírito que, por seu poder de sedução, sua plenitude, intensidade e força, a nada se pode comparar... (p.48) Você enfia a mão no bolso - conta um batedor de carteiras - e seu coração acelera, bate forte... enquanto saca aquela maldita nota, que talvez seja de apenas dois rublos, você morre e ressuscita mil vezes... (p.48)

2. Todos os blatares (bandidos profissionais) sabem jogar cartas. E como sabem! Essa habilidade faz parte do 'código cavalheiresco' do submundo da bandidagem... (p.49)

3. Nenhum desconforto psicológico, como o peso na consciência, acompanha a atividade do ladrão (p.49)

4. Não há duvida - são quase sempre histéricos e neurastênicos. O famigerado "gênio"dos blatares, a facilidade com que perdem o controle denunciam a precariedade de seu sistema nervoso... (p.55)

5. No mundo do crime não se partilha a mulher, nenhum amor "a três"é possível... (p.64)

6. Ao falar sobre a mulher no mundo do crime é impossível deixar de lado todo o exército de "Zoikas", "Mankas", "Dachkas"e outras criaturas do sexo masculino rebatizadas com nomes de mulher. Impressionava o fato de atenderem por seus nomes femininos de forma mais corriqueira, sem ver nisso nada de vergonhoso ou ultrajante... (p. 67)

7. No código moral dos blatares, assim como no Corão, declara-se o desprezo à mulher. A mulher é um ser desprezível, inferior, merecedor de espancamento e indigno de piedade. E isso refere-se, em igual medida, a todas as mulheres - qualquer representante do sexo feminino de fora do mundo do crime e igualmente desprezado pelos blatares. O estupro coletivo não é coisa tão rara nas minas do Extremo Norte. Os diretores fazem com que suas esposas viagem escoltadas; seja a pé ou em qualquer transporte, desacompanhadas não vão a parte alguma. Da mesma maneira protegem as filhas pequenas: a defloração de uma menor é o eterno sonho de qualquer blatar. Um sonho que nem sempre permanece apenas sonho... (p. 72)

8. O sentimentalismo de um homem que é capaz de fazer um curativo no ferimento de um pássaro e depois de uma hora despedaçá-lo vivo com as próprias mãos, pois o espetáculo da morte de um ser vivente é o melhor dos espetáculos para um blatar... (p. 73)

9. O afeto do bandido por sua mãe parece ser, à primeira vista, o único resquício de humanidade entre seus deturpados e monstruosos sentimentos. (...) A mãe é uma espécie de ideal sublime e, ao mesmo tempo, algo absolutamente real - afinal, todos possuem. A mãe que tudo perdoa, que sempre se compadece. (...) Compreendendo que por toda a sua breve e tempestuosa vida, somente a mãe estará ao seu lado até o fim, o bandido a poupa, apesar de seu amoralismo. Mas até esse sentimento, o único que se poderia chamar de nobre, é falso, como o é toda manifestação da alma blatar... (p.74)

10.  Durante a  guerra, os criminosos que estavam detidos, inclusive um grande número de ladrões - reincidentes, urkas - foram convocados pelo exército e enviados à frente de batalha, em campanhas de  reforço... (p. 85) Em 1938, quando entre as autoridades e a bandidagem existia um acordo quase oficial, quando os ladrões foram declarados "amigos do povo", os altos dirigentes usaram os bandidos como armas na luta contra os "trotskistas", os "inimigos do povo". Chegaram a dar "aulas de política" para blatares no setor educativo cultural, explicando-lhes as simpatias e esperanças do poder e pedindo-lhes ajuda na tarefa de aniquilar os trotskistas... (p.31) Em 1938 os bandidos foram explicitamente chamados para executar trotskistas nos campos de trabalho; espancaram e mataram velhos indefesos, famélicos impotentes... Enquanto a "agitação contrarrevolucionária" era castigada com a pena de morte, os crimes dos blatares eram acobertados pelas autoridades... (p. 100)

11. Um bandido que ocupa cargos administrativos deixa de ser bandido e é declarado "cadela", um "entrepelado", um fora da lei da bandidagem, e qualquer blatar consideraria a oportunidade de degolar um renegado dessa espécie... (p.90)

12. Se um bandido é um "homem" e não um "pivete", ele deve sobreviver a qualquer decreto - caso contrário não seria um bandido... (91)


4 comentários:

  1. Por falar em bandidos...
    https://www.youtube.com/watch?v=B_MGrrciHJk

    ResponderExcluir
  2. Bazzo sobre o primeiro trecho retirado, qualquer transgressor vivenciou isto. Quando você está sendo caçado a experiência é ainda melhor.

    ResponderExcluir
  3. Fico pensando em quantos na historia foram taxados de bandidos, quando na verdade o real bandido foi quem julgou (com um prazer mórbido de saber que estava julgando de forma bandida).

    ResponderExcluir
  4. https://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,governo-brasileiro-lanca-cartilha-para-turistas-que-vao-assistir-a-copa-na-russia,70002341648

    ResponderExcluir