"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Toda linguagem é fascista...


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"Toda linguagem é fascista..."
Roland Barthes


Lá pelas 11 horas desta quarta-feira, encontrei o mendigo K. nos 
arredores do Congresso Nacional. Estava meio eufórico e levava amassadas na mão esquerda sete ou oito páginas da atual Constituição. Ao perceber minha surpresa, foi logo se justificando: por uma curiosidade mais ou menos mórbida e por um suspeito masoquismo, tenho dedicado praticamente o dia inteiro de ontem, de anteontem e de hoje para acompanhar os debates que estão sendo travados aí dentro (apontou para o teto curvilíneo do Congresso) para decidir  sobre o impeachment da presidente da república. Confesso, me disse, que não me interessam para nada as falas, à dialética, os ritos, os cochichos, os argumentos, às astúcias, artimanhas e encenações daqueles senhores, indignados e inconformados com suas infames e incompatíveis ambições ...  
O que mais me chamou atenção naqueles longos e intermináveis diálogos (diálogos ou monólogos?), foram as mãos daqueles senhores... Só nos concílios de bispos e de papas em seus encontros eclesiásticos é possível ver mãos tão finas, delicadas, quase transparentes, usadas durante décadas apenas para abrir a braguilha, para virar páginas, transportar maletas, contar cédulas e para dar tapinhas nas costas de santos e de correlegionários. 
Fiquei realmente curioso com aquele detalhe quase erudito advindo de um mendigo.
AS MÃOS? O que tinham a ver as mãos daqueles senhores diante de tão complexo problema?  Perguntei.
Nada, me respondeu ele. Apenas estou fazendo uma associação livre e construindo mentalmente uma ironia. Quando vivi na Espanha, lá por 2009, acompanhei uma polêmica burlesca e insólita deflagrada por um grupo de educadores socialistas da província da Estremadura. Sabe por quê? Porque incluíram no curriculum escolar daquela província, no item educação sexual, uma oficina  titulada: O PRAZER ESTÁ EM SUAS MÃOS, através da qual se ensinava aos alunos e alunas nada mais nada menos do que técnicas de masturbação. 
Como era de se esperar, a população, sexualmente congelada e ainda envenenada por Franco, ficou escandalizada e entrou imediatamente na justiça com um processo para barrar aquele projeto onanista, processo que também levava um nome extremamente pertinente: MÃOS LIMPAS... 
Acabou seu relato, deu uma gargalhada e antes de partir, agregou: Sempre que um desses senhores se punha em pé para iniciar sua fala eu esperava que ele começasse subscrevendo um pensamento de Rajneesh: Atenção egrégio plenário, "sou um trapaceiro. Já trapaceei muitos trapaceiros. Ninguém de vocês poderá trapacear-me"...
Dando outra gargalhada concluiu: Se aparecesse por aí, inesperadamente, um Julian Assange, distribuindo segredos e e-mails, o teatro desabaria por completo...

5 comentários:

  1. Certíssimo! Todos trapaceiros. Uns até falam em golpe. Mas golpe sempre foi a eleição, todas as eleições são golpes desferidos contra o cidadão contribuinte, eleitor, massa, gado, rebanho, cordeiro. E o que rola no "palácio", com a devida farsa e aoréola de justiça, apenas é uma guerra de quadrilhas que disputam o poder de continuarem a nos foder. Só isso e nada mais!

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  2. http://blogs.correiobraziliense.com.br/maisbichos/animais-inteligentes/

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  3. Rajneesh jamais iria dizer isso...Ezio sendo irônico dentro de um texto irônico.kkkkk

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  4. http://www.granma.cu/mundo/2016-08-31/declaracion-del-gobierno-revolocionario-31-08-2016-13-08-14

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  5. http://www.granma.cu/mundo/2016-09-01/brasil-el-pueblo-queda-fuera-con-el-nuevo-mandato-31-08-2016-23-08-51

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