"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Senado gasta R$ 5 milhões com Sírio-Libanês em apenas seis meses...

Você que levanta as quatro da manhã para, com uma criança de colo, entrar na fila de num desses hospitais vagabundos e insalubres que existem por aí; você que está com uma úlcera esperando tratamento há cinco anos; que está com a perna gangrenada há seis meses; que tem uma filha louca amarrada em casa há dois anos sem conseguir tratamento; que está ficando cego por falta de oftalmologistas; que está com uma gonorréia crônica por não poder comprar remédios; que está com o coração aos pedaços, o pulmão congestionado de catarro, os rins febris, os ossos quebrados, uma hanseníase não diagnosticada, cólicas e diarréias diárias, com a tireóide sem funcionar e que enquanto espera dez ou doze horas numa fila hospitalar não tem sequer água e papel higiênico para limpar-se o cu... Você que para ter o atendimento mínimo e fajuto que não te deixe morrer precocemente é obrigado a pagar Planos de Saúde que lhe subtraem um terço do salário... Você que tem se escandalizado com os protestos de rua e com os "vândalos" e que só é a favor das manifestações quando elas forem pacíficas, ordeiras, tipo uma manada de ovelhas... Ah, você vai gostar da notícia abaixo! Você vai se deliciar com as mordomias do Sírio-Libanês e também com as faturas que você pobre plebeu, paga, "com o suor dessa tua cara cordial e otimista", para a longevidade da corte. Leia com atenção, se é que ainda enxergas. E depois reflita, tanto sobre essa patifaria instituída, como sobre esse teu caráter manso e pacífico que, desde a janela de teu barraco, tem criticado a fúria dos que têm ido às ruas dispostos a, pelo menos, incendiar esse lupanar de dementes.

Um comentário:

  1. Putz... nem falar!

    Quem depende do SUS, como eu, sabe o quão humilhante é a espera por atendimento médico. E o problema não para por ai. Falta de um tudo no Brasil. Escola pública descente, segurança, emprego, diversão e arte. Falta, sobretudo, dignidade.

    O Governo continua zombando da nossa cara, por meio de propostas paliativas, como àquelas apresentadas recentemente pelo Ministério da Saúde para solucionar os entraves do Sistema Único de Saúde, ou mesmo quando nos enfia, goela abaixo essa política assistencialista patética, de Bolsa Tudo.

    Vejo cada vez mais a miséria abrindo espaço para mais miséria. A civilidade sedendo espaço para imobilidade e o esforço sendo substituído pelo "jeitinho".

    Não deveríamos aceitar política como profissão. Não deveríamos custear as mordomias ofertadas aos parlamentares. Deveríamos nos opor a tantos privilégios... enfim, revolta ou revolução? Há esperanças para a desconstrução desse modelo?

    Lamentável.

    ResponderExcluir