"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

FILICÍDIO - pai come criança ainda viva...




Aconteceu numa província da Nova Guiné, mas é tão impactante como se tivesse acontecido logo ali atrás do Congresso Nacional ou na portaria de nossos prédios. O bebê tinha uma semana de vida e foi literalmente devorado pelo pai diante de dezenas de espectadores... O mais legítimo e brutal dos filicídios! Nem as imagens de Goya, sobre Saturno, devorando os seus, são tão chocantes como esta... Sem nenhuma frescura clerical, como não indagar-se: quê coisas nossas devem ainda estar desgovernadas na essência desse homem, e quê coisas desse homem devem estar ainda apenas parcialmente sublimadas em nós? 
Por que um bebê mutilado nos causa tanto horror, mas um coelho, um avestruz ou um leitão não? Quanto tempo foi preciso para sublimar o canibalismo e para conseguir matar e comer os bebês de outras espécies sem o mínimo de desespero e sem a mais mínima culpabilidade? 
E não pensem que essa é uma coisa que só acontece lá na Nova Guiné, ou que a Guiné é terra de outro mundo! Não! Com apenas quinze horas de voo podemos aterrissar no quintal desse homem... 
Abram as persianas, joguem no lixo os óculos escuros e tomem consciência de que por aí, na retaguarda das aparências e por detrás dos esquemas convencionais (apesar das estatísticas) existem diversas guinés, cada uma contabilizando, ocultando ou negando os seus próprios horrores...

Um comentário:

  1. parece aquela pintura Saturno devorando seus filhos, o Tempo devorando, sei lá, é uma pintura não me lembro de quem.

    ResponderExcluir